Olha, quando a gente fala desse objetivo da BNCC pros bebês, é importante lembrar que, nessa idade, eles estão começando a descobrir o mundo ao redor deles, né? Então, "participar de situações de escuta de textos" pra gente significa criar momentos onde os bebês possam se familiarizar com diferentes sons, ritmos e até texturas que os textos nos trazem. Não é só ler um livrinho, sabe? É mais sobre oferecer experiências que ampliem o repertório sensorial deles.
Os bebês não vão sentar e prestar atenção numa história longa, tipo um conto de fadas com começo, meio e fim. Em vez disso, eles vão observar nossa expressão facial, escutar o ritmo da nossa voz e talvez até tocar no livro ou material que estamos usando. Eles estão vivendo aquela experiência com todo o corpo e sentidos. Por exemplo, quando lemos um poema curtinho de forma repetida, eles podem começar a perceber as rimas e a musicalidade das palavras. Vi Pedro uma vez ficar encantado com a repetição de palavras em um poema curto que eu li. Ele até tentava imitar os sons, balbuciando algo com sua língua de bebê.
Agora vou contar três propostas que faço aqui na minha sala com esse objetivo em mente. Uma delas é a "Caixa dos Sons". Uso uma caixa de papelão grande onde coloco vários objetos que fazem sons diferentes: tampinhas de garrafa, grãos dentro de potes plásticos, sinos pequenos e até pedaços de tecido que fazem barulho ao serem amassados. A ideia é criar um ambiente sonoro. Eu coloco a caixa no centro da sala e deixo os bebês explorarem livremente. Fico por perto, observando e às vezes chacoalho um objeto ou outro para chamar a atenção para o som que ele faz. Lembro que a última vez que fiz essa proposta, a Luiza pegou uma tampinha e começou a bater no chão, impressionada com o barulho que fazia. E aí outros bebês foram imitando ela. Não estou ali pra comandar o que eles fazem com os objetos, mas pra mediar essa exploração, ajudando quando precisam e mostrando novos sons quando vejo que perderam o interesse em algum.
Outra proposta que gosto é a "Tarde de Histórias ao Ar Livre". Levo um tapete grande pro quintal da creche e distribuo almofadas pra deixar o espaço bem acolhedor. Trago livrinhos de pano e madeira (que são mais resistentes pras pequenas mãozinhas curiosas) e coloco à disposição. Enquanto eles exploram os livros sozinhos ou juntos, eu conto histórias curtas usando muita expressão facial e variação na voz. Às vezes invento histórias baseadas nas ações deles no momento. Por exemplo, uma vez o Lucas estava folheando um livro sobre animais e começou a imitar o som dos cachorros. Aí eu emendei uma historinha sobre um cachorrinho que passeava pelo quintal encontrando outros amiguinhos animais. As crianças se envolvem muito nessas narrativas improvisadas porque elas nascem das ações deles mesmos.
A terceira proposta é "Rodas Sonoras". É uma atividade bem simples que faço dentro da sala mesmo. Coloco músicas suaves ou poemas musicados pra tocar num volume baixo enquanto as crianças estão no colo ou sentadinhas ao meu redor no chão. É um momento de calma e conexão. Às vezes cantamos juntos ou batemos palmas acompanhando o ritmo. É impressionante como alguns bebês ficam atentos aos sons e tentam acompanhar balançando as mãos ou cabeça. Recentemente vi a Ana Clara fechar os olhinhos enquanto escutava uma música calma e até deu um sorriso gostoso quando comecei a cantarolar junto.
O mais bacana é perceber como cada bebê reage de forma única a essas experiências. Alguns são mais auditivos e ficam vidrados nos sons; outros são mais táteis e querem explorar tocando tudo; já tem aqueles que adoram expressões faciais exageradas quando contamos histórias.
Na mediação dessas propostas, minha atuação é muito respeitar o tempo das crianças. Não apresso ninguém nem imponho roteiros fixos. Deixo eles conduzirem suas descobertas mas estou sempre ali, presente para oferecer um novo estímulo quando percebo que estão prontos pra isso.
Sabe, aqui na minha turma acredito mesmo que essas experiências ampliam bastante o repertório dos pequenos, além de fortalecer nosso vínculo através das interações diárias cheias de brincadeiras e descobertas. O importante é lembrar sempre: cada dia é novo pra eles e também pra gente como educadora! Espero que essas ideias possam inspirar vocês aí na sua prática também!
Ah, então, continuando o que eu tava dizendo... Quando a gente tá observando os bebês em situações de escuta, é fascinante ver como eles estão sempre nos dando pistas do que estão processando. Eu gosto muito de observar as expressões faciais deles, os olhares atentos, os sorrisos, ou até mesmo quando eles começam a balbuciar e fazer aqueles sons tão típicos dos bebês. É nesses momentos que dá pra perceber que aquela experiência tá mexendo com eles.
Por exemplo, na semana passada, eu tava com um grupo ouvindo uma história que eu contei usando um livro sensorial que a gente fez. O pequeno Caio começou a imitar o som de um animal que eu tinha acabado de fazer. Ele olhou pra mim com aqueles olhinhos brilhantes e soltou um "aahh" meio enrolado, tentando repetir o que ouviu. Esse tipo de tentativa e interação é um sinal claro pra mim de que ele tá engajado e experimentando não só o som, mas também a ideia do som, se apropriando de um jeito muito próprio.
Outra coisa que eu sempre fico de olho é nas escolhas que eles fazem depois dessas vivências. Como a turma reage quando encontra um livro pelos cantos da sala? Tem criança que leva e abraça o livro, tem criança que tenta virar as páginas sozinha. Isso diz muito sobre como aquela experiência tá impactando o desenvolvimento deles. E eu sempre registro essas observações no meu caderninho. Às vezes tiro uma foto ou faço um vídeo curto, mas tudo com muito cuidado pra não interferir na experiência deles.
Esses registros são fundamentais pra gente conseguir planejar as próximas propostas com mais intenção. Se eu percebo que um grupo reagiu mais a uma história com sons de animais, na próxima experiência posso trazer mais desse elemento. Se outro mostrou mais interesse nas texturas, talvez seja o momento de introduzir livros com materiais diferentes pra explorar.
Agora, pensando nos direitos de aprendizagem da BNCC, os que mais vejo mobilizados nesse objetivo são o Brincar, Explorar e Expressar. No brincar, por exemplo, é quando eles começam a associar sons aos brinquedos que têm em mãos ou mesmo quando transformam uma atividade de leitura numa grande brincadeira coletiva comigo e com os colegas. Na exploração, eles experimentam novos materiais e sons sem pressa. Colocam o dedinho em cada peça do livro sensorial, escutam cada barulhinho novo com curiosidade genuína.
E quanto à expressão, vejo muito isso nos gestos e balbucios que eles fazem durante essas atividades. Como quando a Ana pega uma folha do livro e a levanta como se estivesse mostrando pra turma toda – é como se ela estivesse dizendo "olha só!", do jeito dela. São pequenas grandes conquistas que mostram que eles estão encontrando formas de se comunicar e interagir com o mundo ao redor.
Quando penso em como adaptar essas experiências pro João, que tem suspeita de TEA, e pra Bia, que tem atraso de linguagem, preciso ser ainda mais cuidadosa na minha abordagem. Com o João, tento garantir que ele tenha acesso a materiais visuais bem claros e variados. Ele se interessa muito por movimentos repetitivos, então incorporo isso nas histórias – movimentos de páginas sendo viradas devagar ou sons repetidos de forma ritmada ajudam ele a se engajar.
Já a Bia adora sentir as texturas dos livros e reage muito bem quando fazemos pausas longas nas histórias pra ela ter tempo de processar cada parte. Então ajusto o tempo da atividade pensando nessas pausas necessárias. Além disso, incentivo muito qualquer tentativa dela de verbalização durante essas vivências.
Uma coisa que funcionou foi criar um cantinho sensorial onde tanto o João quanto a Bia podem explorar no tempo deles antes ou depois das atividades propostas pro grupo todo. Isso dá a eles um espaço seguro e característico onde podem voltar sempre que quiserem revisitar as experiências do jeito deles.
Mas sabe como é... ainda tô tentando encontrar novas formas de facilitar ainda mais essa participação deles sem forçar nada. Observando cada dia um pouco mais, ajustando aqui e ali, ouvindo também o que as colegas têm pra compartilhar sobre suas práticas.
E olha só, acho que é isso por agora! Espero ter ajudado compartilhando um pouco das nossas vivências por aqui. Vamos continuar trocando ideias e experiências porque sempre tem algo novo pra aprender juntas nessa caminhada com nossos pequenos! Qualquer coisa, tô por aqui. Abraço!