Olha, quando a gente fala desse objetivo da BNCC com bebês, a gente tá pensando em como esses pequenos começam a estabelecer uma relação com o mundo das imagens e sons que os cercam. A verdade é que, nessa faixa etária, os bebês estão descobrindo tudo através dos sentidos e das interações com o ambiente e com as pessoas. Eles não vão "ler" no sentido tradicional, mas vão explorar os materiais impressos e audiovisuais de uma forma completamente sensorial. Um bebê de um ano vai sentir a textura de um livro, ouvir o som de um CD, ver as cores e formas de uma página ilustrada. O importante é criar experiências onde eles possam manipular, explorar e reagir a esses materiais.
Aqui na minha turma, uma das coisas que eu faço é disponibilizar vários materiais diferentes ao mesmo tempo. Monto os espaços de forma que os bebês possam escolher onde querem explorar. Por exemplo, tenho uma proposta super bacana que é a "exploracao sensorial de livros". Eu coloco alguns livros de tecido, livros com texturas diferentes e até aqueles com sons numa área bem confortável do chão. Coloco almofadas ao redor para criar um espaço acolhedor. A proposta dura o tempo que os bebês quiserem ficar por ali, geralmente uns 20 minutos tá bom porque eles ainda estão desenvolvendo a capacidade de atenção.
Na última vez que fiz isso, o João pegou um livro de tecido colorido e começou a passar as mãozinhas nas páginas. Ele sorria cada vez que sentia as diferentes texturas e às vezes levava o livro à boca para explorar mais um pouquinho. Eu fiquei por perto observando e fazendo alguns comentários: "Ah, João, esse é macio!" ou "Você ouviu esse barulhinho?" Eu não interfiro muito, deixo eles conduzirem a brincadeira, mas estou sempre ali mediando as interações quando necessário.
Outra proposta que funciona muito bem é a "mesa de revistas". Pego revistas velhas e deixo as páginas soltas numa mesa baixa, da altura deles. Não importa se vão rasgar ou amassar, o importante é o manuseio. O espaço precisa ser seguro e propício pra eles mexerem à vontade. A proposta pode ser curta também, uns 15 a 20 minutos, dependendo do interesse deles naquele dia.
Na última vivência dessa proposta, a Maria começou a pegar várias páginas e balançar no ar como se estivesse fazendo uma dança com as mãos. Eu fiquei encantada observando como ela estava se divertindo com algo tão simples! O Pedro se juntou a ela em seguida e eles começaram a rir juntos com as páginas voando. Eu aproveitei o momento pra reforçar essa interação: "Nossa, Maria e Pedro estão fazendo um vento forte aqui!" Não dirigi o que tinham que fazer, mas estava ali incentivando a interação entre eles.
E tem também uma experiência que chamo de "audioteca dos sentidos". Coloco um tapete grande no chão e espalho vários CDs antigos com músicas instrumentais suaves. Além disso, deixo um tablet disponível com algumas animações curtas sem som, só imagens em movimento lento e relaxante. O espaço fica bem livre para eles escolherem onde querem se concentrar.
Na última vez que organizamos essa experiência, o Lucas estava fascinado pelo movimento das imagens no tablet. Ele ficava mexendo o corpinho no ritmo das ondas coloridas na tela. Enquanto isso, a Bia estava mais interessada nos CDs. Ela pegou um CD na mão, observou os desenhos na capa e depois colocou ao lado do ouvido achando que ia sair som dali! Foi muito engraçado e terno ver essa tentativa tão genuína dela. Aproveitei pra dizer: "Ei Bia, você está tentando ouvir música daí?"
Essas propostas são formas dos bebês começarem a interagir com o mundo dos materiais impressos e audiovisuais de uma forma muito própria deles: explorando sem pressa, descobrindo novidades através dos sentidos e sempre com muito espaço para brincadeiras espontâneas e interações entre eles. O mais importante é que essas experiências sejam feitas num ambiente acolhedor e seguro onde eles possam se sentir livres para experimentar novas sensações. Cada risadinha deles ou expressão de surpresa vale todo o nosso esforço.
A gente precisa ter paciência e lembrar sempre que cada bebê tem seu ritmo, seu jeito único de explorar o mundo ao seu redor. É encantador ver como eles se apropriam desses materiais de maneira tão espontânea e autêntica. E assim vamos construindo juntos essas vivências ricas em possibilidades e descobertas!
...paços em cantos que têm menos cara de uma sala de aula tradicional e mais de um ambiente cheio de oportunidades. Tem o canto dos livros, com almofadas espalhadas pelo chão e livros de várias texturas e tamanhos. Tem também uma caixinha com instrumentos musicais simples, como chocalhos e pandeirinhos, e outro espaço com diversos objetos sonoros.
Agora, sobre como eu observo o desenvolvimento das crianças ligado a esse objetivo... Sabe aqueles momentos mágicos quando a gente vê que uma experiência tá realmente mobilizando aprendizagem? Pois é, a gente observa pelas reações que as crianças têm no dia a dia. Por exemplo, outro dia eu vi o Lucas, que tem um ano e meio, pegando um livro daqueles que fazem barulho ao virar a página. Ele abriu um sorriso enorme toda vez que ouvia o som. Isso pra mim é um sinal claríssimo de que ele tá começando a estabelecer uma relação com os materiais sonoros. Ele ainda não fala muito, mas aquele sorriso e o jeito que ele repetia o movimento de virar a página mostrava que ele tava curtindo e descobrindo algo novo.
Ah, e tem também as falas da Sofia, que já está quase completando dois anos. Ela começou a apontar para as imagens nos livros e tentar balbuciar o nome das figuras. Quando ela vê um cachorro desenhado, por exemplo, ela olha pra mim e tenta dizer "au-au". É lindo ver como ela tá tentando expressar o que vê e como quer compartilhar isso comigo.
E olha só, tem as escolhas que eles fazem. A Maria adora ir pro canto dos instrumentos musicais. Quando vê os chocalhos já pega logo dois e começa a balançar. E a gente percebe que isso tá mobilizando uma série de habilidades: coordenação motora, atenção ao som, até mesmo a memória quando ela percebe que aquele movimento gera um som específico.
Eu sempre registro essas observações em um caderno. Ali anoto esses momentos significativos com as crianças. Às vezes uso também fotos ou vídeos curtos pra captar uma expressão ou interação específica. Isso me ajuda muito a refletir sobre como ajustar as próximas propostas. Se percebo que um grupo tá muito interessado em sons musicais, por exemplo, posso ampliar essa exploração na semana seguinte.
Agora falando sobre os direitos de aprendizagem... Ah, esse objetivo mobiliza principalmente o Explorar, Expressar e Participar. Quando as crianças exploram os livros ou brincam com os instrumentos musicais, elas estão exercitando seu direito de explorar o mundo ao seu redor. A Bia, por exemplo, adora escolher seus próprios livros do cantinho de leitura. Pra ela é uma forma de participar nas decisões do grupo, pois muitas vezes ela leva o livro escolhido pros amigos verem também.
E quanto ao Joao... Ele tem suspeita de TEA e é um menino muito observador mas que às vezes fica mais na dele. Pra ele, eu procuro adaptar algumas experiências. No canto dos livros, adiciono materiais sensoriais com texturas bem variadas porque vejo que ele responde bem ao toque. Também coloco fones de ouvido com músicas suaves ou sons da natureza pra ele experimentar quando tá afim.
A Bia tem um atraso de linguagem e ela ama música! Então eu introduzo músicas que têm gestos associados pra incentivá-la a participar cantando e fazendo os movimentos com a gente. Funciona bem porque ela começa a se expressar corporalmente mesmo quando as palavras não vêm facilmente.
Pra organizar o espaço de forma acessível pro Joao e pra Bia, mantenho os materiais sempre num lugar onde eles possam alcançar facilmente sem precisar pedir ajuda toda vez (embora eu esteja sempre por perto). E deixo bastante tempo pra cada atividade, sem pressão pra fazer tudo rápido, respeitando o ritmo de cada um.
Ainda tô tentando novas formas de engajar o Joao em atividades coletivas porque às vezes ele prefere ficar sozinho. Tenho experimentado jogos onde ele possa decidir quando juntar-se ao grupo sem se sentir pressionado.
Bem, minha gente, é isso! Esses são alguns dos jeitos que observo e registro o desenvolvimento das crianças ligadas ao objetivo EI01EF07 aqui na minha turma. Espero que essas histórias inspirem vocês também nas suas salas! Até a próxima vez!