Olha, esse objetivo da BNCC que fala sobre imitar entonações e gestos é um negócio muito bonito de se ver na prática, viu? Quando a gente fala de bebês, não tá pensando em "ensinar" algo, mas em proporcionar vivências que ampliem o repertório deles. É como se a gente estivesse abrindo portas para eles explorarem e experimentarem o mundo ao redor. Com os bebês, tudo é novidade e tudo é uma descoberta. Eles são como pequenas esponjas, absorvendo tudo que veem e ouvem. E essa coisa de imitar é muito natural pra eles, porque é assim que começam a compreender o mundo. Eles observam os adultos e, quando a gente menos espera, estão lá repetindo um gesto ou modulando a voz de um jeitinho parecido com o nosso.
Vou te contar uma coisa: sabe quando você pega um livro e vai ler para os pequenos? Eles ficam fascinados! Não é nem tanto pela história em si, mas pelo jeito que você conta. Eles assistem aos seus gestos e às variações da sua voz com aquela atenção que só criança tem. Eu lembro de uma vez que estava lendo para o grupo e percebi a Talita batendo palminhas toda vez que eu mudava o tom da voz. Ela ainda não fala nada além de uns balbucios, mas já tá ali, interagindo do jeito dela com a história. Isso mostra como essas experiências são significativas para eles.
Aqui na minha turma, eu organizo algumas propostas em que trabalhar esse objetivo é bem natural. Uma delas é o "canto dos contos". Nele, eu deixo uns livros de pano e de plástico espalhados no chão, junto com almofadas e tecidos coloridos. O espaço é todo acolhedor, pra eles se sentirem à vontade. A ideia não é fazer uma leitura formal, mas deixar que eles mexam nos livros enquanto eu vou contando uma história do jeito mais animado possível. A interação entre eles também é linda de ver. Teve um dia que o Lucas pegou um dos livros e começou a balbuciar como se estivesse lendo para a Sofia. Ele imitava os gestos que eu fazia com as mãos, era uma graça!
Outra coisa que faço é a "roda musical". Coloco alguns instrumentos simples à disposição: potes com sementes pra fazer chocalhos, panelas velhas como tamborins, pedaços de pau... e por aí vai. Nessa roda, canto músicas infantis e vou variando entonação enquanto batemos palmas juntos ou marcamos o ritmo com os instrumentos improvisados. Os bebês ficam encantados! A Maria, por exemplo, gosta de repetir alguns sons comigo, tipo "lalala" ou "nananá", na maior empolgação. Aqui eu não comando nada. Só observo como eles reagem aos diferentes sons e vou acompanhando o fluxo da brincadeira.
E tem também as brincadeiras de espelho. Essa proposta é bem interessante porque além de trabalhar entonação e gestos, ajuda os bebês a começarem a reconhecer as próprias expressões. Deixo um espelho grande no chão ou na parede (bem seguro), e nós ficamos na frente dele fazendo caretas engraçadas ou cantando músicas com gestos marcantes. É incrível como eles tentam imitar nossos movimentos! O Pedro sempre dá risadinhas quando me vê fazendo caretas no espelho e tenta fazer igualzinho.
O tempo dessas propostas varia bastante porque respeito muito o ritmo deles. Em média, cada atividade dura uns 15 a 20 minutos, mas se sentir que eles estão ainda interessados, pode esticar um pouquinho mais sim. O importante é estar sempre atento às reações deles para não forçar nada.
Essas experiências são ricas demais em interações. A gente estimula as crianças a explorar sem pressão de acerto ou erro; estão ali para experimentar o mundo ao seu jeito. E nesses momentos, a nossa presença é fundamental como mediadora: não pra dirigir ou ditar regras, mas pra estar junto, participando ativamente daquele momento.
Então, minha gente, trabalhar esse objetivo da BNCC dessa forma lúdica faz toda diferença no desenvolvimento das crianças pequenas! Elas vão construindo significados através dessas experiências sensoriais e interativas que a gente proporciona no dia a dia da creche.
Agora tenho que ir porque já tá na hora de preparar mais uma dessas vivências por aqui. Espero que essas ideias tragam muitas inspirações pras salas de vocês também! Até logo!
Ah, então, minha gente, continuando a conversa sobre esse objetivo lindo da BNCC, preciso contar como a gente observa o desenvolvimento das crianças em relação a ele. Aqui na minha turma, a observação é parte essencial do nosso dia a dia. A gente não tá ali só pra estar, né? A gente tá ali pra perceber, sentir e registrar o que as crianças tão trazendo com essas experiências todas.
Olha, uma coisa que eu adoro observar é quando a gente lê uma história pros bebês e eles começam a tentar imitar as entonações. A Alice, por exemplo, adora quando eu faço a voz de lobo na história dos Três Porquinhos. Outro dia, vi ela tentando fazer uma voz grossa igual, sabe? Não saiu igualzinho, mas o esforço e o brilho no olhar dela mostravam que ela tava ali se conectando com a narrativa de uma forma muito especial. E o Mateus? Ele é um observador nato e quando faço alguma expressão facial bem dramática enquanto conto uma história, ele imita na hora! Outro dia ele mexeu as sobrancelhas igualzinho eu faço quando tô sendo "o vilão" da história. É demais ver como eles vão percebendo e imitando essas nuances.
Aí tem também a questão dos gestos. Quando faço aquela brincadeira clássica de “Cadê? Achou!” com os brinquedos (e as crianças adoram!), vejo como eles começam a tentar esconder o rosto ou algum objeto e depois mostrar de novo, sorrindo com aquela satisfação que só os bebês têm. O Joãozinho, por exemplo, que tem suspeita de TEA (transtorno do espectro autista), começou a participar mais dessas brincadeiras. No início, ele só observava, mas agora já tenta puxar o paninho do rosto quando eu pergunto "Cadê o João?" e isso já um avanço imenso.
E esses registros que eu faço no dia a dia são fundamentais. Eu uso um caderno pra anotar essas pequenas conquistas e uso o celular pra tirar umas fotos ou vídeos curtos quando possível. Mas tudo sempre feito com discrição e respeitando o momento das crianças. Esses registros me ajudam a ir ajustando as próximas propostas. Por exemplo, se percebo que o grupo tá muito interessado em sons específicos ou em usar mais gestos numa história, posso trazer instrumentos musicais diferentes ou criar uma narrativa que explore mais essas expressões faciais.
Agora, sobre os direitos de aprendizagem que se destacam nesse objetivo... Olha só, eu diria que “Brincar”, “Expressar” e “Explorar” são os que mais aparecem no cotidiano aqui da creche. No brincar livre, as crianças têm a oportunidade de experimentar esses gestos e entonações em situações espontâneas. Tipo quando tão brincando de faz-de-conta na cozinha da casinha e começam a "preparar" comidas com aquela seriedade fofa que só eles têm.
E expressar, então? Ah... ver um bebê descobrindo como fazer um som diferente é algo mágico demais. Sei que tô no caminho certo quando vejo os pequenos começando a se comunicar por meio dos gestos ou das entonações que estamos trabalhando. E o direito de explorar é exercido toda vez que oferecemos materiais novos ou diferentes estímulos sensoriais.
E aí vem a parte importante: as adaptações pras necessidades do João e da Bia. Pra João, procuro trazer materiais que envolvam textura e cores variadas porque ele responde muito bem a esse tipo de estímulo sensorial. Organizo o espaço de forma que ele tenha cantinhos mais tranquilos pra se retirar quando precisar desse respiro. O tempo também é flexível: não apresso suas respostas e dou espaço pra ele processar as informações no seu ritmo.
Já a Bia tem um atraso de linguagem, então com ela foco bastante em jogos vocais simples e repetitivos. Aí entram canções com rimas fáceis e onomatopeias - ela adora! Também uso gestos amplos junto com as palavras pra ajudar na compreensão. E sempre incentivo ela a tentar repetir sem pressão: celebro cada tentativa dela como uma vitória.
Essa interação toda é um constante aprendizado pra mim também. Claro que nem sempre tudo funciona perfeitamente! A gente vai tentando ajustar aqui e ali. Tem dias que o planejamento não sai exatamente como esperado e tudo bem também!
Bom, acho que por hoje é isso! Espero que minhas experiências aqui com os pequenos tenham trazido alguma inspiração pra vocês aí nas salas de vocês. Vamos trocando essa ideia porque nada melhor do que aprender juntas, né? Até a próxima, viu?