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EI01EF02BebêsEscuta, Fala, Pensamento e Imaginação

Demonstrar interesse ao ouvir a leitura de poemas e a apresentação de músicas.

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI01EF02) Demonstrar interesse ao ouvir a leitura de poemas e a apresentação de músicas.

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI01EF02 faz parte do campo Escuta, Fala, Pensamento e Imaginação, que organiza experiências de imersão na cultura oral e escrita: contação, escuta, narrativa, vocabulário, hipóteses sobre a escrita e a leitura.

Características da faixa etária (0 a 1 ano e 6 meses)

Nesta faixa, o desenvolvimento é marcado pela exploração sensorial intensa, pela construção do vínculo afetivo com o adulto cuidador e pelas primeiras conquistas motoras (rolar, sentar, engatinhar, andar). A intencionalidade pedagógica acontece nos momentos de cuidado (banho, alimentação, sono) e nas propostas de exploração do entorno. A linguagem se constrói através de balbucios, gestos, olhares e primeiras palavras.

Práticas recomendadas: Espaços seguros e estimulantes, materiais sensoriais variados (texturas, sons, cores), rotinas previsíveis com ritmo respeitoso, vínculo individualizado com a referência educadora.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Olha, minha gente! Quando a gente fala desse negócio de demonstrar interesse por poemas e músicas com os bebês, a coisa é bem diferente do que a gente imagina pra uma criança mais velha. Com os pequenininhos, não estamos falando de entender a letra de uma música ou decorar um poema, né? É mais sobre criar aquele ambiente que desperta a curiosidade e o prazer em ouvir sons e ritmos diferentes. Bebês são umas coisinhas curiosas demais, já percebeu? Eles reagem ao som da nossa voz, ficam vidrados quando cantamos ou quando ouvem um instrumento musical. É uma delícia observar como eles começam a balançar o corpinho, batucar com as mãozinhas ou até fazer aqueles barulhinhos gostosos com a boca. É isso que a gente quer fomentar: reconhecer o interesse deles e proporcionar mais dessas experiências.

Aqui na minha turma, com os bebês, um dia desses organizei uma vivência bem interessante que chamei de "Ritmos e Rimas". Olha só como eu fiz: primeiro juntei vários materiais que fazem sons diferentes, como potes de plástico com tampinhas, garrafinhas com pedrinhas ou arroz dentro, pedaços de tecido que fazem barulho quando amassados, além de uns sininhos. O espaço foi organizado de forma acolhedora, com almofadas no chão e um tapete de EVA bem macio. Quis deixar tudo à mão para que eles pudessem explorar à vontade. Não tem muito essa coisa de tempo cronometrado. A gente começa e vai observando até onde eles estão engajados. Na última vez, por exemplo, comecei a cantarolar uma música leve enquanto batia as tampinhas como se fossem castanholas.

As reações foram variadas e maravilhosas! O Luquinha, por exemplo, ficou balançando pro lado e pro outro assim que ouviu a melodia. Já a Sofia ficou encantada com o som do sininho e não parava de sacudir ele pra lá e pra cá. A Ana Clara, sempre curiosa, ficou mais interessada em sentir a textura dos tecidos e tentar imitar o som que eu fazia. E é aí que entra a mediação. Eu não fico dando ordem do tipo "faça assim", mas vou comentando: "Olha como o som do sininho é alegre!" ou "O tecido faz um barulho suave quando você amassa." Essas intervenções ajudam eles a perceberem as nuances do som.

Outra proposta que sempre faço é a "Hora da Poesia Brincante". Para isso, eu escolho alguns poemas curtinhos e cheios de ritmo e repito eles ao longo da semana. Trago também livrinhos ilustrados com imagens grandes e coloridas — nada estruturado demais, viu? O foco é na sonoridade das palavras e nos gestos que vamos criando juntos. Organizamos na roda de contação e deixo alguns brinquedos soltos por ali mesmo. Na última vez, estávamos lendo um poema sobre borboletas. Enquanto eu lia e fazia movimentos com as mãos imitando voos leves, o Pedro resolveu começar uma "dança" com as mãos também. A Duda logo se interessou pela brincadeira dele e começou a balançar seus próprios bracinhos como se estivesse voando. Foi tão bonito ver como eles se conectaram sem que eu precisasse dirigir nada.

Por último, tem uma vivência que chamo de "Música no Quintal". Quando o tempo está bom, levamos os bebês para fora — espaço aberto é sempre um convite à descoberta! Levo um tamborzinho de couro (daqueles feitos artesanalmente) e outros instrumentos simples como agogô ou maracá feitos com cabaças. As crianças podem pegar os instrumentos enquanto eu vou cantando ou recitando um verso simples. Gosto de aproveitar elementos da natureza também: folhas secas estalando sob os pés ou gravetos batendo nas árvores são ótimos para ampliar essa percepção sonora.

Numa dessas sessões ao ar livre, teve um momento especial em que o Enzo pegou um graveto e começou a bater levemente nas folhas de uma planta baixa por ali. A repetição daquele movimento trouxe um som delicado que capturou a atenção da Isaura imediatamente — ela parou tudo o que estava fazendo para olhar atentamente e depois tentou imitar o movimento dele com outro graveto! E ali estava mais uma oportunidade para mediar sem comandar, só reforçando os sons: “Que som gostoso vocês estão fazendo juntos!”

Enfim, minha gente, trabalhar esse objetivo é muito mais sobre oferecer oportunidades para que os bebês possam explorar essa riqueza sonora do mundo ao redor deles do que qualquer outra coisa. Eles são naturalmente curiosos, então cabe a nós criar esse ambiente repleto de possibilidades sensoriais onde cada som pode ser uma nova descoberta. E vamo seguindo sempre atentos às interações entre eles — porque é nessa troca espontânea que mora grande parte da mágica dessas vivências!

Um beijo pra vocês!

Sabe, aqui na minha turma, a observação é uma parte essencial do nosso trabalho com os bebês. Quando eu vejo o João, por exemplo, balançando o corpinho ao som de uma música ou a Bia repetindo um ritmo com as mãozinhas, eu sei que tem algo ali acontecendo. A gente não tá esperando que eles se expressem como nós adultos, mas são esses pequenos gestos que mostram que eles estão captando e se envolvendo com a experiência. Uma coisa que eu sempre faço é manter um caderninho de anotações comigo. Nele anoto esses momentos: quando a Maria gargalhou porque eu fiz um som engraçado ou quando o Lucas tentou imitar o batuque que ouviu. Fotos e vídeos curtos também são ótimos aliados. Por exemplo, gravei um vídeo da turma toda fascinada com o som do tambor que a gente fez com latas recicladas. É uma forma de registrar essas interações e mais tarde pensar se precisamos ajustar ou introduzir algo novo na rotina.

Esses registros são importantes porque ajudam a gente a entender o que tá funcionando e o que não está. Depois de algumas semanas observando, notei que as músicas mais animadas eram as preferidas do grupo, enquanto aquelas mais lentas não prendiam tanto a atenção deles. Então, na semana seguinte, trouxe algumas músicas novas, mas todas com um ritmo mais alegre. E não é que deu certo? As crianças começaram a se movimentar mais, interagir umas com as outras e até tentar fazer sons novos.

Agora, falando dos direitos de aprendizagem, esse objetivo tá muito ligado a explorar e expressar. Bebês são exploradores natos. Quando proporcionamos um ambiente com diferentes estímulos sonoros, como instrumentos musicais simples ou mesmo potes e colheres de plástico, eles têm a oportunidade de explorar e fazer suas próprias descobertas. Um dia desses, deixei umas garrafinhas com pedrinhas e arroz espalhadas lá no canto da sala. A Júlia foi logo pegando uma e balançando bem forte pra ouvir o som. E não deu outra: logo tinha um grupo ali ao redor dela imitando, rindo e experimentando também.

Outra coisa que percebo bastante é quanto ao direito de expressar. Mesmo antes de falar, os bebês têm sua própria forma de comunicação. Conseguem nos mostrar suas preferências através de gestos e expressões faciais. É mágico ver como a expressão deles muda quando reconhecem uma música ou som familiar. Isso aconteceu outro dia com o Pedro. Sempre que eu canto aquela música do "sapo não lava o pé", ele dá um gritinho de alegria e começa a bater palmas.

E claro que a convivência também entra nesse pacote. Esses momentos musicais são oportunidades incríveis para as crianças estarem juntas, observarem umas às outras e até tentarem imitar os gestos dos colegas. Esse ambiente coletivo ajuda no desenvolvimento social deles desde cedo.

Agora, falando do João e da Bia... Pra que eles participem mais ativamente das nossas experiências musicais, faço algumas adaptações. Com o João, que tem suspeita de TEA, percebo que ele responde melhor a estímulos visuais junto com os sonoros. Então eu sempre tento usar materiais coloridos ou realizar atividades em espaços menos movimentados para não sobrecarregar ele de informação. Ele adora aquelas fitas coloridas nas pontas dos instrumentos! E olha só: comecei a usar cartões com imagens simples das músicas que cantamos pra ajudá-lo a fazer conexão entre som e imagem.

Já com a Bia, que tem atraso na linguagem, foco bastante na repetição e no uso de músicas que tenham refrões simples. Eu também tento me sentar bem pertinho dela durante essas atividades pra garantir contato visual e falar pausadamente. A gente fez uns chocalhos super leves pra ela poder segurar melhor e se sentir incluída nas brincadeiras sonoras.

Apesar de tudo isso estar funcionando bem nas últimas semanas, é um processo contínuo de tentativa e erro, viu? Estou sempre buscando novas formas de engajar cada criança individualmente dentro do grupo todo. Às vezes uma proposta dá super certo pra maioria mas precisa de ajustes pra funcionar melhor pro João ou pra Bia. Mas é assim mesmo: observar, ajustar e tentar novamente.

Espero ter ajudado com essas ideias e experiências daqui da minha sala! Tô sempre aberta a sugestões também, viu? Vamos continuar trocando figurinhas por aqui! Um abraço e até a próxima!