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Reconhecer elementos das ilustrações de histórias, apontando-os, a pedido do adulto-leitor.

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI01EF04) Reconhecer elementos das ilustrações de histórias, apontando-os, a pedido do adulto-leitor.

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI01EF04 faz parte do campo Escuta, Fala, Pensamento e Imaginação, que organiza experiências de imersão na cultura oral e escrita: contação, escuta, narrativa, vocabulário, hipóteses sobre a escrita e a leitura.

Características da faixa etária (0 a 1 ano e 6 meses)

Nesta faixa, o desenvolvimento é marcado pela exploração sensorial intensa, pela construção do vínculo afetivo com o adulto cuidador e pelas primeiras conquistas motoras (rolar, sentar, engatinhar, andar). A intencionalidade pedagógica acontece nos momentos de cuidado (banho, alimentação, sono) e nas propostas de exploração do entorno. A linguagem se constrói através de balbucios, gestos, olhares e primeiras palavras.

Práticas recomendadas: Espaços seguros e estimulantes, materiais sensoriais variados (texturas, sons, cores), rotinas previsíveis com ritmo respeitoso, vínculo individualizado com a referência educadora.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Olha so, quando a gente pensa no objetivo da BNCC de "reconhecer elementos das ilustrações de histórias, apontando-os, a pedido do adulto-leitor", a primeira coisa que me vem à mente é que não se trata de fazer a criança decorar um nome ou uma imagem. A ideia aqui é proporcionar experiências que ampliem o repertório dos bebês através da interação com os livros e as histórias. A gente tá falando de criar momentos onde o bebê possa explorar, interagir e, aos poucos, começar a reconhecer alguns elementos visuais. É um processo natural e espontâneo.

Com bebês, esse reconhecimento acontece de forma gradual e muito ligada ao sensorial. Eles tocam, olham e até mordem os livros! Então, quando a gente lê para eles, observa como reagem às imagens: se apontam, se tocam, se só olham fixamente. Às vezes, uma expressão facial já mostra que reconhecem algo ou alguém ali na ilustração. E isso é muito rico, ne?

Agora, aqui na minha sala tem algumas propostas que eu gosto muito de fazer para trabalhar esse objetivo. Vou contar algumas pra vocês.

Uma das propostas é o cantinho de leitura com tecidos e almofadas bem macias. Eu deixo alguns livros ao alcance dos bebês, daqueles bem resistentes e com ilustrações grandes e coloridas. Coloco também alguns tecidos de diferentes texturas e cores espalhados pelo chão. Olha, os bebês adoram ficar ali! Tem a Ana, de um ano e dois meses, que sempre pega o mesmo livro com ilustrações de animais e fica passando a mãozinha nos bichos. Outro dia, ela ficou encantada com uma ilustração de um gato e começou a apontar e fazer "miau". Não precisei nem falar nada; só observei aquele momento mágico acontecendo.

Outra proposta que faço é a "exploração sensorial com caixas-surpresa". Eu uso caixas de papelão pequenas, cada uma com um objeto diferente dentro — coisas fáceis como uma bolinha de lã, uma colherzinha de madeira ou tampinhas coloridas. Coloco tudo no meio da roda e vamos explorando juntos. Enquanto eles mexem nas caixas, vou mostrando ilustrações nos livros relacionadas aos objetos que encontraram. O Lucas, por exemplo, achou uma tampinha azul e logo depois eu mostrei uma imagem no livro que tinha o mesmo tom de azul. Ele olhou pra mim e depois pra ilustração como quem diz "eu conheço essa cor!". É nesse tipo de interação espontânea que eles vão construindo suas próprias conexões.

A terceira proposta é o "contação de histórias com figuras ampliadas". Eu imprimo algumas das imagens dos livros em tamanho maior e colo em pedaços grandes de papel craft que espalho pela sala na altura dos bebês. Com isso, eles podem se aproximar das imagens grandes e tocá-las à vontade sem pressa. Gosto de usar figuras bem simples como sol, lua, árvore e animais comuns. Da última vez que fizemos isso, eu coloquei uma imagem grande de um cachorrinho e a Sofia começou a dar risadinhas sempre que passava por ele. Não precisei intervir muito; só fiquei por perto observando como ela interagia com aquilo.

Em todas essas propostas, minha mediação é suave. Não fico dizendo o tempo todo o que eles devem fazer ou ver. Estou ali como uma facilitadora das descobertas deles. Quando percebo que estão interessados ou descobrindo algo novo, faço pequenos comentários ou perguntas abertas pra estimular ainda mais essa curiosidade natural deles.

E olha só, essas experiências mostram bem o quanto brincar e interagir são fundamentais nessa fase da educação infantil. Os bebês vivem esses momentos intensamente e aprendem com cada pequena descoberta. O mais bonito disso tudo é ver como cada criança reage ao seu modo, revelando seu próprio jeito de explorar o mundo ao redor.

E é assim que seguimos: sempre atentos aos pequenos sinais que mostram como eles estão absorvendo o que vivem ali no dia a dia da creche. Espero que essas ideias ajudem vocês também nas salas com os pequenos! Vamos trocando figurinhas por aqui. Até mais!

Assim, continuando a conversa, eu acho que uma das chaves pra gente observar o desenvolvimento dos pequenos em relação a esse objetivo é ficar atenta aos detalhes. É nas pequenas reações que a gente percebe os avanços. Por exemplo, se num dia o bebê só olha fixo pras ilustrações, no outro já tá lá apontando com aquele dedinho curioso ou emitindo sons que parecem uma conversa com o livro. Teve uma vez que a Sofia, uma das bebês da minha turma, tava folheando um livrinho de tecido e começou a tocar repetidamente numa figura de um gatinho e fazer "miau miau". Aí eu pensei: "Olha aí, tá fazendo uma associação!" Não é algo que vem de um dia pro outro, mas é muito bacana perceber esses sinais.

Outra coisa que observo é como as crianças começam a eleger seus livros preferidos. O Caio, por exemplo, tem um livro com texturas que ele adora e sempre puxa da estante. Isso já é um indicativo de que ele tá começando a expressar suas preferências e interesses. Nesses momentos, eu gosto de registrar essas escolhas e reações. Muitas vezes uso um caderno onde faço anotações rápidas sobre quem escolheu o quê, como reagiu e assim por diante. Também tiro fotos ou gravo pequenos vídeos desses momentos de interação. Esses registros ajudam não só a acompanhar o desenvolvimento de cada criança, mas também a ajustar as próximas propostas.

Com esses registros em mãos, consigo pensar em adaptações e novos desafios pros pequenos. Se noto que a turma tá mais interessada nas imagens de animais, posso buscar histórias que tenham esse elemento mais presente. Ou se percebo que o toque tem sido uma forma potente de exploração, busco materiais com texturas diferentes pra incrementar as experiências.

Agora, falando dos direitos de aprendizagem, o objetivo EI01EF04 mobiliza muito o Expressar, o Explorar e o Participar. No direito de Expressar, por exemplo, quando os bebês emitem sons imitando os nomes dos personagens ou apontam pras imagens enquanto fazem barulhinhos, eles tão tentando comunicar algo. É um tipo de comunicação inicial que merece nossa atenção. Já no Explorar, eles tão sempre interagindo com os livros nos mais diversos jeitos: folheando páginas, mordendo cantinhos e sentindo texturas. E no Participar, eu vejo quando eles se agrupam ao redor de mim na hora da contação de histórias e ficam ali do ladinho observando e ouvindo atentamente.

Agora deixa eu falar do João e da Bia. Olha só, com o João, que tem suspeita de TEA, eu percebo que ele responde bem a rotinas visuais e previsíveis. Pra ele, costumo preparar cartões com imagens das histórias ou personagens principais pra ajudar na compreensão e sequência dos acontecimentos. Ele gosta muito de ficar olhando esses cartões enquanto conto a história. Também comecei a usar fantoches porque ele reage bem ao movimento deles.

Pra Bia, que tem um atraso na linguagem, trago materiais que estimulem a repetição e a nomeação das figuras nos livros. Proposta em que ela possa tocar e sentir pra depois tentar nomear também é legal. Às vezes uso brinquedos relacionados às histórias pra ela brincar junto enquanto conto — isso ajuda na associação entre palavra e objeto.

Sobre o espaço e o tempo, procuro criar um cantinho aconchegante com almofadas onde eles possam se sentir à vontade pra explorar os livros no seu ritmo. Pro João, dou mais tempo pra processar as informações visuais sem pressa. Com a Bia, incentivo aquela exploração mais livre antes de entrar na contação propriamente dita.

Ainda estou procurando formas de incorporar mais materiais sensoriais pros dois — objetos que toquem som suave quando apertados ou brilhem levemente pra chamar atenção sem ser invasivo demais. É um processo contínuo ajustar essas estratégias conforme vou conhecendo mais cada um deles.

Então é isso, minha gente! Espero ter ajudado um pouquinho com essas ideias do nosso dia a dia na creche. Se tiverem outras experiências ou dúvidas pra compartilhar, vamos conversando por aqui mesmo! Até mais!