Olha, quando a gente fala sobre "conhecer e manipular diferentes instrumentos e suportes de escrita" com os bebês, a gente tá entrando num mundo muito rico de descobertas. Pra mim, essa ideia de escrita nessa fase é mais sobre proporcionar experiências sensoriais e de exploração. A gente precisa lembrar que bebês não estão preocupados em escrever com lápis num papel. Eles estão mais interessados em explorar texturas, movimentos e sons que os diferentes materiais podem oferecer. Quando vejo uma criança dessa idade pegando um giz de cera, por exemplo, não é só o traço que ela faz que importa, mas sim o jeito como ela segura, observa, experimenta o contato do giz com o papel ou outro suporte. É fantástico perceber como eles exploram tudo com todos os sentidos!
Agora vou contar umas propostas que trabalho aqui na minha sala e que se alinham com esse objetivo. Tudo sempre com muita brincadeira e interação, que são centrais no nosso dia a dia na creche.
Primeira proposta: a exploração de superfícies. Eu gosto de forrar uma parte do chão da sala com papéis grandes, tipo papel pardo ou kraft, e disponibilizar tintas atóxicas feitas com ingredientes naturais (tipo beterraba, açafrão e espinafre diluídos em água). O bacana é usar esponjas cortadas em tamanhos variados, rolinhos que a gente faz com barbantes enrolados em pedaços de madeira ou mesmo as próprias mãos das crianças. Os bebês adoram! Eles se jogam no papel, experimentam a textura da tinta e começam a traçar marcas sem muita intenção, mas com um encantamento que é uma beleza de ver. No último dia que fizemos essa atividade, o Thiago, com seus 10 meses, se divertiu demais batendo a esponja cheia de tinta no papel e depois passando a mãozinha prá lá e prá cá. Reparei como ele ficava fascinado vendo as cores se misturando nos movimentos dele. Eu fico ali do lado, observando e fazendo comentários empáticos tipo "olha só as cores misturando!" ou "que legal esse barulhinho quando bate!". É importante deixar eles conduzirem a brincadeira.
Outra proposta que adoro é montar uma área com caixas de papelão de tamanhos variados na sala. Dentro das caixas eu coloco folhas secas, retalhos de tecidos coloridos, tampinhas de garrafa e algumas sementes em potinhos fechados (pra fazer som). Esse espaço fica disponível durante boa parte da manhã para que eles possam explorar à vontade. Maria Clara, por exemplo, adora entrar nas caixas maiores e mexer nos tecidos, puxar, enrolar… E o Miguel não se cansa de sacudir os potinhos pra ouvir o som das sementes. Vai muito da curiosidade do momento. Eu deixo eles irem descobrindo no tempo deles e às vezes faço perguntas como "O que será que tem aí dentro?" ou dou sugestões como "Será que cabe aí dentro?" Mas sempre respeitando o ritmo deles.
E tem uma terceira proposta que é um clássico e sempre faz sucesso: a caixa sensorial. Eu uso uma caixa grande e dentro coloco diferentes materiais pra exploração: areia ou arroz cru como base (tudo bem vigiado), algumas colherzinhas de pau de tamanhos variados para mexer e uns potinhos plásticos para transferir os grãos. Tem também uns pedaços de fita adesiva colorida colados por fora pra eles puxarem. Essa atividade requer supervisão atenta porque envolve objetos pequenos. Na última vez que fizemos isso, a Sofia ficou encantada usando as colherzinhas para transferir o arroz de um potinho para outro e adorou quando o arroz caiu todo fazendo barulho. O Pedro já estava mais interessado em puxar as fitas adesivas e ver até onde iam. É bonito ver como cada criança encontra seu jeito único de interagir com os materiais.
Acho que o mais importante nessas propostas é criar um ambiente seguro e acolhedor onde os bebês possam explorar livremente. Além disso, essas experiências enriquecem muito o repertório deles sobre texturas, cores, sons e movimentos relacionados aos "instrumentos" de escrita — mas sempre no tempo deles e guiados pela curiosidade natural. E nós ficamos por perto mediando esse processo riquíssimo com muito carinho.
Bom, espero que essas ideias possam inspirar vocês na sala. Se tiverem outras propostas ou experiências para compartilhar, vou adorar saber! Até a próxima conversa!
Aqui na minha turma, quando a gente tá atento aos pequenos sinais que os bebês vão dando, a gente percebe que o desenvolvimento tá acontecendo o tempo todo, só que não é naquele jeito tradicional de “vamos ver se aprendeu”. As observações são parte do nosso dia a dia. Tipo, com os olhinhos cheios de curiosidade, eles começam a se aproximar dos materiais, tocam, levam à boca, olham de novo. É como se estivessem dizendo “Ei, tô descobrindo o mundo aqui”!
Lembro do Vicente, por exemplo, que tem uma curiosidade danada. Ele é do tipo que segura tudo com as duas mãos e aproxima bem dos olhos. Num desses dias, a gente tinha espalhado vários tipos de papéis e giz na sala. Ele pegou um papel amassado e ficou esfregando o dedo nele como se estivesse sentindo cada dobrinha, cada ruído. Não era só o toque, mas ele também dava umas risadinhas gostosas quando o papel fazia aquele barulhinho.
Ah, e tem a Luísa que já está começando a falar umas palavrinhas. Ela pegou um giz de cera e começou a fazer uns rabiscos no chão (isso mesmo, no chão!), e depois apontava pro traço e falava “ó!”. Ela tava claramente orgulhosa do que fez e queria compartilhar isso. Não é lindo como eles têm essa vontade de mostrar suas conquistas?
Eu vou registrando essas observações num caderno que mantenho sempre por perto. Também tiro foto e gravo uns vídeos curtos de vez em quando. Esse registro não é só pra guardar de recordação, mas ajuda a refletir sobre como as propostas estão sendo vividas pelas crianças. Com isso, posso ajustar as próximas experiências: adicionar novos materiais, alterar a disposição do espaço ou até repetir algo que deu muito certo.
Quando a gente pensa nos direitos de aprendizagem, eu diria que esse objetivo mexe muito com o Expressar e o Explorar. E claro, Brincar é sempre um pano de fundo. Então imagina só: quando trazemos novos materiais pras crianças explorarem – folhas secas, tintas naturais, papéis diferentes – elas estão nesse direito de Explorar cada parte do mundo ao redor. E como exploram!
O momento da Brincadeira é mágico. Outro dia trouxe umas caixas vazias pra sala e logo viraram carrinhos pras crianças sentarem dentro, ou casinhas onde elas ficavam entrando e saindo. Nesses momentos, vejo muito o Participar também: as crianças querem mostrar pro colega o que descobriram ou convidá-lo pra se juntar à brincadeira.
Agora vamos falar do Joao e da Bia. Com o Joao, que tem suspeita de TEA, percebo que ele às vezes fica mais concentrado em uma única atividade por um tempo maior. Então pra ele, eu procuro deixar alguns cantinhos mais tranquilos na sala onde ele possa explorar sem muita interferência externa. Materiais com texturas variadas têm sido um sucesso com ele. Tem um tapete sensorial que ele adora passar as mãos e os pés, parece acalmar.
Pra Bia, que tem um atraso de linguagem, eu procuro usar materiais que incentivem ela a se expressar de outras formas além da fala. Massa de modelar tem sido uma ótima ferramenta; ela adora amassar e criar formas, e enquanto faz isso eu fico conversando com ela sobre o que tá criando. Isso estimula a linguagem sem pressão.
E uma ideia que estou testando agora é usar mais músicas e sons na hora das propostas – já notei que tanto o Joao quanto a Bia reagem bem às canções. É tipo uma ponte pra eles participarem ainda mais da experiência.
Ainda estou ajustando algumas coisas conforme vou observando as reações deles. Saber escutar o ritmo das crianças ajuda muito! Cada dia traz uma surpresa nova e isso nos faz crescer junto com eles.
Então é isso minha gente! Espero ter ajudado vocês com essas histórias do dia a dia aqui da turma. É sempre um prazer compartilhar essas vivências tão ricas! Até a próxima conversa no fórum!