Sabe, quando a gente fala sobre comunicar-se com outras pessoas na faixa etária dos bebês, a gente tá falando de um processo muito rico e amplo, que vai muito além das palavrinhas que eles ainda nem aprenderam a pronunciar direito. É aquele momento mágico quando um bebê olha pra gente e balbucia alguma coisa, ou mexe as mãozinhas tentando se expressar. Eles estão o tempo todo observando o ambiente e tentando interagir de maneiras que às vezes a gente não percebe de cara, mas que são super significativas. Eles podem se comunicar com um sorriso, um olhar curioso, um gesto de apontar pra algo que chamou atenção, ou mesmo com aquele chorinho que sempre tem um motivo por trás.
Aqui na minha turma de bebês, eu vejo isso o tempo todo. É incrível como eles conseguem demonstrar tanto sem dizer uma única palavra. O Joãozinho, por exemplo, gosta de se balançar pra frente e pra trás quando tá animado ou quer mostrar algo. Já a Larissa adora bater palminhas e sempre aponta pro que quer, especialmente se é algum brinquedo ou objeto que tá fora do alcance dela. E o Davi tem um jeito único de puxar a roupa da gente quando quer atenção. Essas são algumas das formas de expressão que eles usam e que a gente precisa estar atenta pra entender e responder da melhor forma possível.
Agora vou compartilhar com vocês três propostas que tenho feito aqui na sala com o objetivo de estimular essa comunicação toda, usando movimentos, gestos, balbucios e outras formas de expressão.
A primeira delas é o famoso "cesto dos tesouros". É uma proposta simples mas extremamente rica em possibilidades. Eu junto diversos materiais do nosso dia a dia, como tampinhas de garrafa, tecidos com diferentes texturas, pedaços de madeira, colheres de pau e até conchas do mar. Tudo isso fica dentro de um cesto acessível para os bebês. Sabe o que é legal? É que cada bebê vai explorar os objetos à sua maneira. Alguns vão sacudir as tampinhas pra ouvir o som, outros vão esfregar o tecido no rosto para sentir a textura, e tem aqueles que simplesmente gostam de observar enquanto outros mexem nos objetos. A última vez que fizemos isso, a Sofia tava encantada com uma colher de pau. Ela ficava batendo no chão e rindo do barulho que fazia. Eu me aproximei devagarinho, sem interromper a brincadeira dela, só pra ver onde isso iria dar. E ela começou a tentar me imitar quando eu bati com outra colher no chão ao lado dela. Foi uma interação gostosa que surgiu ali naturalmente.
Outra proposta que adoro fazer é a da "caixa de músicas". A ideia é ter uma caixa com vários objetos sonoros como chocalhos feitos com garrafinhas e sementes dentro, sinos e até pequenos pandeiros feitos com tampinhas amarradas em arame. A hora da música é sempre especial porque os bebês ficam animadíssimos! O espaço é organizado no nosso cantinho da música, onde todos ficam no chão e têm liberdade pra pegar os instrumentos à vontade. Deixo rolar por uns 20 minutinhos ou até perceber que eles perderam o interesse ou ficaram cansados. Outro dia o Miguel pegou um pandeirinho e começou a bater com toda força enquanto ria alto. A Helena foi logo atrás dele imitando cada movimento dele com outro chocalho. Minha mediação aqui foi mais pra garantir a segurança deles mesmos, cuidando para que ninguém se machucasse ou ficasse sobrecarregado com tanto estímulo.
A terceira proposta envolve água, porque não tem jeito melhor de explorar do que brincando com água! Montei uma área específica na sala com bacias rasas cheias d'água e alguns potes plásticos flutuando pra eles mexerem à vontade. Também coloquei esponjas macias pra eles apertarem e verem a água sair delas. Gente, como eles adoram isso! Na última vez em que fizemos essa atividade, o Pedro ficou fascinado por um copinho plástico que ele enchia e despejava sem parar. A Maria observava ele bem concentrada e tentava fazer igualzinho ao lado dele. Eu fiquei ali pertinho só observando as interações entre eles e ajudando se precisassem de alguma coisa extra.
O tempo dessas atividades varia bastante mas geralmente deixo fluir enquanto percebo interesse das crianças. Interações são tudo nessa fase e perceber como cada bebê responde aos materiais é essencial para saber como mediar sem interferir demais.
Essas experiências são fantásticas porque permitem aos bebês comunicar-se de diversas formas enquanto exploram o mundo ao seu redor com segurança e afeto. E assim vamos seguindo por aqui: entre gestos, balbucios e muita troca bonita entre nós! Espero que tenha inspirado vocês também a experimentar essas propostas aí nas suas salas!
Mesmo que os bebês ainda não falem com palavras completas ou frases, cada gesto, olhar ou som que eles fazem é uma forma de comunicação e uma pista preciosa sobre o que estão aprendendo e sentindo. Por exemplo, quando a pequena Ana olha fixamente para o móbile colorido acima do berço e começa a balbuciar, vejo que ela está encantada com o movimento e as cores. É como se ela estivesse tentando dizer: “Olha só como isso é interessante!”. E isso é um sinal claro pra mim de que a experiência tá mobilizando alguma aprendizagem ali. Outro exemplo é o Lucas, que sempre bate as mãozinhas na água durante o banho, rindo muito. Ele não está apenas brincando; ele tá explorando sons, texturas e até mesmo a noção de causa e efeito.
Meu papel é ficar atenta a esses sinais e registrar. Tenho um caderno onde anoto as observações do dia a dia, muitas vezes acompanhadas de fotos ou vídeos curtos, que me ajudam a capturar esses momentos de descoberta. Não estou avaliando se eles acertaram ou erraram; estou tentando entender o processo de cada um. Por exemplo, quando notei que a Maria estava sempre tentando pegar um livrinho específico na estante, percebi que ela tinha uma preferência por aquele tipo de material, e isso me deu pistas sobre seus interesses e como posso ajustar futuras propostas pra ela.
Essas observações são fundamentais pra ajustar as próximas experiências. Se vejo que um grupo está muito interessado em sons, posso incorporar mais instrumentos musicais ou brinquedos sonoros na rotina. As vezes um vídeo curtinho me mostra uma interação entre bebês que eu não tinha percebido na hora e isso me ajuda a planejar momentos futuros onde essa interação pode ser aprofundada.
Sobre os direitos de aprendizagem que mais aparecem nesse objetivo, diria que Conviver, Brincar e Expressar são os mais mobilizados. As crianças convivem quando estão juntas numa roda de música, mesmo que ainda não cantem juntas. Elas estão ali, olhando umas pras outras, ouvindo as batidas dos tamborzinhos e tentando imitar. Isso é conviver no seu estado mais puro.
Já no brincar, vejo muito durante o tempo de exploração livre. Tem sempre aquele bebê que pega um bloquinho e começa a bater no chão, ou outro que prefere enfileirar carrinhos. Esse é o momento deles experimentarem o mundo ao redor.
E expressar... Ah, minha gente, isso acontece a todo momento! Seja com gestos ou olhares, os bebês encontram formas únicas de mostrar o que tão sentindo ou pensando. A Clara, por exemplo, sempre faz uma carinha muito particular quando gosta de algo. E quando algo não tá do jeito que ela espera, dá aquele chorinho específico.
Agora pra pensar nos pequenos como o João e a Bia... Bom, com o João, que tem suspeita de TEA, eu percebo que ele responde bem a rotinas previsíveis. Então tento organizar o espaço de forma mais estruturada pra ele entender melhor o que vai acontecer em seguida. Coloco sempre um tapetinho colorido num canto específico pra ele saber que ali é um lugar seguro pra ficar quando precisar de um momento mais tranquilo. Também busco usar materiais visuais coloridos pra captar sua atenção sem sobrecarregar.
A Bia tem um atraso na linguagem, mas ela adora música. Então incorporo muita cantoria nas nossas atividades diárias. Uso músicas simples com gestos repetitivos pra estimular sua participação e tenho notado que ela começa a imitar alguns desses gestos com mais frequência.
Ah, ainda estou tentando descobrir mais formas de apoiar cada um deles da melhor maneira possível. Com o João, às vezes ainda é desafiador saber qual material vai captar seu interesse naquele dia específico. Com a Bia, continuo explorando formas de comunicação alternativa além da música, como cartões ilustrados.
Bom, é isso por hoje! Espero ter contribuído um pouco com vocês aí desse lado da tela. Vamos continuar trocando ideia porque cada dia aprendemos algo novo com essas crianças incríveis! Até a próxima!