Olha só, minha gente, quando a gente fala sobre o objetivo de relacionar números às suas respectivas quantidades e identificar o antes, o depois e o entre em uma sequência, estamos falando de ampliar o repertório das crianças sobre os conceitos de matemática de uma forma bem concreta, ne? Não é sobre decorar números ou aprender a contar mecanicamente. É sobre as crianças perceberem que os números têm um sentido, uma função no dia a dia delas. É sobre elas olharem pras coisas ao redor e começarem a perceber padrões, sequências, relações de quantidade de um jeito natural e lúdico.
Aqui na minha turma de crianças pequenas, as experiências que proporcionamos têm muito a ver com observação e experimentação. Por exemplo, quando estamos brincando na área externa e encontramos formigas fazendo fila, conto como já vi as crianças observando atentas o caminho delas. É nesse tipo de situação que eu entro mediando: "Quantas formiguinhas vocês estão vendo aí?", e logo o João respondeu empolgado: "Muitas!". Aí eu aproveitei pra perguntar: "Será que elas estão indo ou voltando? Quem será que tá antes ou depois na fila?". Esse tipo de interação faz com que eles comecem a pensar sobre ordens, sequências e quantidades sem que isso pareça uma aula chata.
Agora vou contar pra vocês três propostas que organizo na sala pra trabalhar esse objetivo. Uma delas é a brincadeira com tampinhas plásticas. A gente junta tampinhas de garrafa de todas as cores e tamanhos. Espalhamos pelo chão e deixamos as crianças explorarem livremente. Algumas começam logo a separar por cor ou tamanho. Outras fazem linhas ou torres. Eu vou mediando, perguntando: "Quantas tampinhas vermelhas você tem aí? E se colocar mais uma, quantas vão ser?". Teve uma vez que a Mariana fez uma longa fila com suas tampinhas e o Pedro quis saber: "Quem tá na frente? E atrás?". Eles mesmos começam a perceber a ideia de sequência e quantidade dessa forma tão simples.
Outra proposta que sempre rende boas experiências é o circuito sensorial lá fora. A gente organiza um espaço no pátio com folhas secas, areia, pedras pequenas e até farinha, tudo em círculos ou faixas no chão. As crianças andam descalças por esses materiais e percebem muito as diferenças. E aí a gente propõe um desafio: "Quem consegue pular em um pé só por cima de três montinhos de areia?", ou "Quem passa primeiro pela faixa das folhas?". Isso faz eles pensarem em ordem (quem vai primeiro?), quantidade (quantos montinhos?), e também transforma essa percepção em algo físico.
A terceira proposta envolve sementes. Temos potes com diferentes tipos de sementes: feijão, milho, girassol... Deixamos as crianças manusearem à vontade. Elas adoram! Elas enchem potinhos, despejam de volta, contam. Pergunto: "Quantos grãos você colocou aí? Mais ou menos do que tinha no outro potinho?", e é assim que vamos conversando sobre quantidades de maneira bem natural. Uma vez a Júlia empolgadíssima virou e disse: "Olha tia Helena, fiz uma trilha até o fim da mesa!", foi lindo ver como ela mesmo estava criando sua sequência.
O tempo para essas atividades é flexível, respeitando o ritmo deles. Não adianta forçar nem apressar as descobertas. Às vezes começamos num dia e continuamos no outro se houver interesse. O importante é observar como cada criança interage com os materiais e como isso vai ampliando suas noções de quantidade e sequência.
E claro, não posso deixar de falar das interações entre eles durante essas propostas! É bacana demais ver como ajudam um ao outro a contar as tampinhas ou a organizar as sementes em filas. Quando uma criança tem dúvida ou quer propor algo novo, é sempre com outra criança que ela vai discutir primeiro antes mesmo da educadora.
Essas experiências são ricas em aprendizados porque valorizam o brincar. Através da brincadeira e das interações entre si — principais pilares na educação infantil segundo a BNCC — as crianças vão construindo conhecimentos importantes para sua formação integral.
E é isso minha gente! Espero ter contribuído com algumas ideias legais pra vocês trabalharem esse objetivo com seus grupos também. Vamos seguir trocando figurinhas porque é assim que a gente cresce junto nessa jornada da educação infantil. Se cuidem!
...o, as crianças logo começam a se interessar por quantas formiguinhas conseguem ver carregando folhinhas. É um momento muito rico, onde elas começam a fazer perguntas e levantar hipóteses. "Será que são mais de cinco?", "Pra onde elas estão indo?", "Quantas voltam com folha?" Essas falas revelam muito mais do que uma simples curiosidade. Elas nos mostram que as crianças estão começando a perceber a relação entre quantidade e espaço, além de desenvolverem uma noção de antes e depois ao observarem o movimento das formigas.
Eu gosto muito de registrar esses momentos do cotidiano, sabe? Seja num caderninho que levo sempre comigo ou tirando fotos discretas que mostram as interações do grupo com o ambiente. Esses registros não servem para avaliar se a criança acertou ou não alguma coisa, não é isso. Eles são mais pra eu mesma entender como as crianças estão interagindo com as experiências propostas. Por exemplo, se vejo que as crianças estão interessadas em contar quantas formigas tem numa trilha, pode ser um indicativo de que estão prontas para uma nova proposta que envolva contagem ou sequência.
Além do mais, esses registros me ajudam a ajustar o planejamento das próximas experiências. Se noto que uma criança está mais retraída ou observando de longe, penso em formas de incluí-la de maneira mais ativa na próxima vez. Às vezes isso significa reorganizar o espaço ou oferecer materiais diferentes que possam despertar o interesse dela.
Agora, falando dos direitos de aprendizagem, o objetivo de explorar números e quantidades mobiliza bastante o direito de Participar e Explorar. Na minha turma, a Participação acontece quando as crianças fazem parte das decisões durante as brincadeiras. Elas escolhem quais materiais vão usar para contar ou medir, se será com pedrinhas ou folhas secas. E olha só, é maravilhoso ver como elas começam a criar regras próprias para essas brincadeiras, tipo uma história que vai tomando forma coletiva. Já o direito de Explorar está diretamente ligado ao ambiente e aos materiais que oferecemos. Quando propomos experiências sensoriais, como encher e esvaziar potinhos com areia ou água, estamos dando oportunidade para as crianças experimentarem medidas e quantidades de forma prática e significativa.
Com relação à organização das experiências para o João, que tem suspeita de TEA, e para a Bia, com atraso de linguagem, tenho feito algumas adaptações. Pro João, por exemplo, penso bastante na questão sensorial. Oferecemos materiais táteis variados — como texturas diferentes — para ele poder explorar no tempo dele. Também observo as preferências dele: se ele prefere brincar sozinho num canto específico da sala, tento levar atividades relacionadas ao objetivo até lá, sem forçar interação direta com outras crianças se ele não estiver confortável.
Já pra Bia, é importante usar mais comunicação visual e corporal. Faço muito uso de gestos e expressões faciais mais exageradas pra ela captar melhor o que estamos propondo. Às vezes, uso cartões com imagens que representam ações ou objetos do dia a dia. Isso ajuda bastante na participação dela nas experiências coletivas.
O que tem funcionado bem é criar pequenos grupos de trabalho onde tanto o João quanto a Bia possam interagir com outras crianças em situações controladas e confortáveis pra eles dois. Ainda estou tentando encontrar o equilíbrio certo — não é fácil não — mas tenho percebido progresso quando eles se sentem parte ativa do grupo sem pressões desnecessárias.
Então é isso, minha gente! Espero ter contribuído com algumas ideias práticas pra vocês adaptarem aí com seus pequenos também. Vamos trocando figurinhas e nos ajudando mutuamente nesse caminho tão bonito da educação infantil! Até a próxima conversa!