Voltar para Bebês · Espaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações
EI01ET03BebêsEspaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações

Explorar o ambiente pela ação e observação, manipulando, experimentando e fazendo descobertas.

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI01ET03) Explorar o ambiente pela ação e observação, manipulando, experimentando e fazendo descobertas.

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI01ET03 faz parte do campo Espaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações, que organiza experiências de investigação do mundo físico, social e natural: noções de espaço, tempo, número, medida, transformações e relações de causa e efeito.

Características da faixa etária (0 a 1 ano e 6 meses)

Nesta faixa, o desenvolvimento é marcado pela exploração sensorial intensa, pela construção do vínculo afetivo com o adulto cuidador e pelas primeiras conquistas motoras (rolar, sentar, engatinhar, andar). A intencionalidade pedagógica acontece nos momentos de cuidado (banho, alimentação, sono) e nas propostas de exploração do entorno. A linguagem se constrói através de balbucios, gestos, olhares e primeiras palavras.

Práticas recomendadas: Espaços seguros e estimulantes, materiais sensoriais variados (texturas, sons, cores), rotinas previsíveis com ritmo respeitoso, vínculo individualizado com a referência educadora.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Olha, trabalhar com os bebês é uma experiência encantadora, sabe? Eles estão descobrindo o mundo e tudo é novidade. Quando a gente fala em explorar o ambiente pela ação e observação, estamos falando de deixar que os bebês mexam, toquem, sintam e vejam tudo ao redor deles. Eles fazem isso naturalmente, é só a gente oferecer as condições certas. A ideia é ampliar o repertório deles através dessas vivências e não encher eles de conteúdo. Então, a gente propõe situações onde eles possam manipular objetos, experimentar texturas diferentes e fazer suas próprias descobertas.

Primeiro exemplo de proposta que eu faço aqui na minha turma é o "cesto dos tesouros". É bem simples e ao mesmo tempo mágico. Pego um cesto médio e coloco dentro vários objetos do dia a dia que tenham texturas, formas e cores diferentes. Pode ter tampa de garrafa, colher de pau, pedaço de tecido, bolinha de meia, concha do mar... coisas assim. Sempre deixo eles brincarem com o cesto no tapete grande da sala, onde tem espaço pra todos se movimentarem livremente. O tempo varia bastante, viu? Depende do interesse deles no dia, mas em média fica entre 30 e 40 minutos. Agora a reação deles é a melhor parte! Tem dia que eles ficam encantados com um objeto só, tipo a Maria que da última vez ficou mexendo numa colher de pau, batendo ela no chão e vendo o som que fazia. Eu fico ali perto, observando e interagindo quando eles olham pra mim ou fazem algum som. Não invado o espaço deles não, mas se um bebê pega um objeto que pode machucar ou tá muito interessado em me mostrar algo, aí sim eu entro na brincadeira.

Outra proposta que eu gosto muito é a exploração com água. A gente usa umas bacias rasas e coloco um pouco de água dentro delas. Ah, e junto umas esponjas de banho, conchinhas pequenas e potinhos plásticos. A ideia é que eles sintam a água escorrendo nos dedos, brinquem de espremer as esponjas e descubram como a água muda de forma. Faço isso no pátio externo da creche porque se molhar não tem problema. E olha só que gracinha: o João adorou encher os potinhos com água usando a esponja e depois derramar tudo de novo na bacia. Ele dava risadas altas cada vez que conseguia! O tempo dessa atividade costuma ser mais curto porque logo eles começam a se distrair com outras coisas ao redor, tipo 20 minutos tá legal. Meu papel ali é dar suporte quando necessário – tipo ajudar se eles quiserem levantar alguma coisa pesada demais – mas sem comandar a brincadeira.

E quando falamos de exploração, não posso esquecer da nossa proposta com terra! Faço isso numa área do pátio onde temos um pequeno canteiro. Deixo os bebês mexerem na terra com as mãos (sempre olho antes pra ver se tá tudo seguro por ali). Levo também umas folhinhas secas, galhos fininhos e pedrinhas para eles explorarem junto com a terra. Na última vez que fizemos isso, a Ana ficou encantada com uma minhoca que apareceu por lá. Ela ficou olhando de pertinho, cheia de curiosidade! Os bebês podem ficar meia hora fácil nessa proposta porque sempre tem algo novo surgindo ali no meio da terra. E mais uma vez eu vou mediando: às vezes faço perguntas simples sobre o que estão vendo ou aponto alguma coisa interessante no chão.

Ah, minha gente, é importante lembrar sempre que nessas interações e brincadeiras quem está no controle são os bebês. O papel da gente é criar esse ambiente seguro para explorarem à vontade e acompanhar suas descobertas sem impor nada. Essa espontaneidade faz parte do aprendizado dos pequenos e é assim que eles começam a entender um pouco mais sobre os espaços onde vivem.

Encerrando por aqui, espero que essas ideias ajudem outras colegas por aí! Fiquem à vontade para compartilhar as experiências também. A troca é sempre muito rica! Até a próxima!

Ah, meninas, continuando o assunto, a parte mais gostosa do meu trabalho é observar como essas experiências realmente mobilizam as aprendizagens nos pequenos. Na minha turma, fico sempre de olho nos gestos, nas falas e até nas tentativas que cada um faz. Por exemplo, teve uma vez que a Ana pegou um chocalho pela primeira vez e ficou fascinada com o som. Ela balançava e olhava com aqueles olhões curiosos. A gente percebe que ela tava explorando a ideia de causa e efeito ali, né?

Outro dia, durante uma brincadeira com blocos grandes de montar, notei que o Miguel começou a empilhar vários blocos e depois derrubava tudo só pra ver cair. Esse prazer que ele sentia em repetir a ação me mostrou que ele tava engajado em entender as relações espaciais e as transformações. Não é sobre "acertar", mas sobre experimentar e descobrir.

Sabe como eu registro isso tudo? Tenho sempre um caderninho à mão pra anotar essas pequenas descobertas. Às vezes, faço um vídeo curto ou tiro uma foto, mas sempre respeitando o momento das crianças. Eu uso esses registros pra ajustar as próximas propostas. Por exemplo, se vejo que muitos estão interessados em empilhar, posso propor materiais diferentes pra continuar esse tipo de exploração.

Agora, falando dos direitos de aprendizagem que esse objetivo mobiliza, acho que o Brincar, Explorar e Conviver são os que mais aparecem aqui no dia a dia. O brincar é a essência de tudo que fazemos. Quando eles estão brincando com o cesto dos tesouros, estão explorando materiais novos e convivendo com os colegas de forma natural.

No caso do João, que tem suspeita de TEA, eu procuro sempre adaptar as experiências pra ele se sentir seguro e à vontade. A gente sabe que ele prefere menos estímulos ao mesmo tempo, então tento oferecer brinquedos ou propostas que tenham menos opções de cores ou texturas de uma só vez. Uma coisa que funcionou bem foi usar objetos com cores mais neutras ou sons menos estridentes. Assim ele consegue se concentrar mais na atividade.

Agora a Bia, que tem um atraso de linguagem, eu tenho observado que ela reage muito bem a objetos que fazem som e a músicas. Então, no cesto dos tesouros dela sempre incluo instrumentos musicais pequenos e objetos que façam barulho quando ela mexe. Isso ajuda a estimular a comunicação dela pela exploração sonora.

Sobre o espaço e tempo, procuro oferecer momentos mais longos pra eles explorarem sem pressa e sempre deixo os materiais ao alcance deles, mas organizo de modo que não fique tudo junto e misturado pra não sobrecarregar o João. Também crio cantinhos especiais onde eles possam ter momentos mais tranquilos ou se retirar quando quiserem um pouco de sossego.

Ainda tô ajustando algumas coisas, claro. Com o João, por exemplo, tô testando diferentes tipos de iluminação porque percebi que ele reage melhor em ambientes com luz natural suave. Já com a Bia, tô tentando introduzir mais palavras durante as brincadeiras pra ver se ela começa a repetir ou imitar alguns sons.

Bem, minha gente, é isso por hoje! Espero ter contribuído um pouquinho com as experiências daqui da sala. Se alguém tiver outras dicas ou quiser trocar figurinhas sobre como anda trabalhando esses objetivos e direitos aí na creche de vocês, vai ser um prazer ouvir! Até a próxima conversa!