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EI03ET08Crianças pequenasEspaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações

Expressar medidas (peso, altura etc.), construindo gráficos básicos.

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI03ET08) Expressar medidas (peso, altura etc.), construindo gráficos básicos.

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI03ET08 faz parte do campo Espaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações, que organiza experiências de investigação do mundo físico, social e natural: noções de espaço, tempo, número, medida, transformações e relações de causa e efeito.

Características da faixa etária (4 anos a 5 anos e 11 meses)

Nesta faixa, a criança já narra com fluência, planeja brincadeiras complexas com pares, formula hipóteses, faz registros gráficos representativos e demonstra autonomia em diversas tarefas do cotidiano. É o período de aprofundamento das investigações sobre o mundo e de preparação (sem antecipação) para a transição ao Ensino Fundamental.

Práticas recomendadas: Projetos investigativos a partir de interesses das crianças, registros gráficos diversos, contato sistemático com a cultura escrita em situações reais, brincadeiras com regras simples.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Olha, quando eu penso nesse objetivo de expressar medidas, eu entendo que a gente está falando de brincar com as ideias de peso, altura, tamanho, volume. É tipo assim, as crianças começam a perceber que o mundo é cheio de coisas que podem ser grandes, pequenas, pesadas ou leves e isso não é só um conceito, é uma experiência que se vive. Então a gente não chega na sala e diz: "Hoje vamos aprender sobre altura!". Nada disso. A gente deixa o ambiente preparado para que essas questões surjam naturalmente nas interações e brincadeiras.

Aqui na minha turma do Grupo 3, com crianças de 4 a 5 anos, a gente vê eles se interessando muito por comparar tudo. É impressionante! Eles adoram medir um ao outro, ficam em pé lado a lado tentando ver quem é mais alto. Tem também aquelas situações engraçadas em que eles pegam objetos e querem ver quem consegue carregar ou levantar primeiro. É uma vivência bem rica porque eles estão constantemente se desafiando e explorando essas diferenças.

Uma das propostas que faço é a brincadeira do "mercadinho". Para essa experiência, eu crio um espaço na sala com várias caixas, sacolas de tecido e objetos que imitam frutas e legumes — mas não são aqueles de plástico prontos não! A gente usa bolas de papel amassado para maçãs, rolos de papel higiênico como bananas e assim por diante. Então eu deixo à disposição tampinhas, pedrinhas pequenas e outros materiais não estruturados que eles podem usar como "dinheiro" ou pra pesar e comparar. Durante a brincadeira, as crianças podem pesar as "frutas" no que a gente chama de balança improvisada — geralmente um cabide suspenso com sacolinhas penduradas. Toda essa atividade dura cerca de uma hora, porque respeitamos o tempo delas de se envolverem e saírem da brincadeira quando sentirem vontade. É interessante ver como reagem; a Letícia, por exemplo, sempre tenta vender as "frutas" mais caras pro Joãozinho, dizendo que são mais pesadas.

Outra proposta que faço é a "medição dos corpos". Organizo essa experiência num espaço livre onde temos rolos de papel kraft no chão. Cada criança se deita no papel e um amigo contorna seu corpo com giz de cera. Depois eles comparam os contornos: "Olha só como o braço do Pedro é maior que o da Ana!". Aí entram os tecidos coloridos — eles usam pedaços para cobrir os contornos e ver quantos pedaços são necessários para cobrir certos membros ou o corpo todo, comparando entre si. Essa vivência costuma durar uns 40 minutos porque é bem intensa e exige atenção das crianças. Mediando aqui eu procuro perguntar: "E agora, será que precisamos de mais tecidos pra cobrir o pé da Júlia?". Isso incentiva eles a pensarem sobre quantidade e proporção sem forçar nada.

E tem também a famosa "exploração com água", que as crianças amam! Para essa proposta, coloco várias bacias com água do lado de fora ou numa área que possa molhar — um dia desses montamos na varanda da escola. Tem copinhos de plástico, conchas, pedras pequenas e colheres grandes. Eles enchem os copos e comparam: "Será que esse copo tem mais água do que o outro?" ou "Se eu colocar uma pedra dentro desse copo, ele vai ficar mais pesado?". Geralmente essa atividade pode durar o tempo que a turma estiver interessada — às vezes 20 minutos, às vezes uma hora — porque cada um vai no seu ritmo e a água por si só já encanta. Na última vez, o Lucas ficou maravilhado ao perceber que colocando mais pedrinhas a água transbordava do copo.

Nessas experiências todas eu sou mais uma observadora-meditadora do que qualquer outra coisa. Não fico corrigindo ou dizendo como eles devem fazer — deixo os pequenos explorarem do jeito deles e intervenho só quando vejo que precisam de ajuda ou estão conflitando entre si sem conseguir resolver sozinhos.

Viu só como trabalhar esse objetivo pode ser simples? É tudo sobre propor oportunidades para as crianças vivenciarem essas relações de espaço, tempo e quantidade através das interações entre elas mesmas e com o ambiente. E não precisa ser nada muito estruturado ou cheio de regras — é no brincar livre e nas curiosidades espontâneas que elas vão construindo essas compreensões tão preciosas.

Até a próxima!

Sabe, quando a gente começa a observar o desenvolvimento das crianças nesse objetivo de expressar medidas, eu presto bastante atenção nos detalhes do dia a dia. É no cotidiano que a mágica acontece. Olha só, tem uma situação que sempre me chama atenção: quando a gente tá lá fora no parquinho e as crianças encontram aquele monte de folhas caídas no chão. Elas começam a juntar as folhas e logo já estão comparando: "Essa folha é maior que aquela!", "Essa é bem mais pesada!". É nesses momentos que eu vejo como elas estão começando a se apropriar das ideias de tamanho e peso, sem ninguém precisar dizer nada diretamente.

Outro dia, durante uma vivência com blocos de madeira, vi o Pedro e a Marina construindo torres. Eles estavam num papo sério sobre qual bloco usar pra deixar a torre mais alta sem cair. E aí, nessa conversa, eles usavam expressões como "Esse é maior", "Esse é mais pesado, vai derrubar". Essas falas são sinais claros de como essa experiência tá mobilizando a aprendizagem. Eu não preciso checar se eles "acertaram" o conceito. Só de ouvir e observar essas interações, já consigo perceber como tão compreendendo essas ideias.

Eu faço registros dessas situações de formas variadas. Às vezes, é no caderno onde anoto essas falas e observo o que acontece nas interações. Outras vezes, tiro algumas fotos ou faço um vídeo curtinho pra capturar esses momentos especiais. Esses registros são preciosos porque ajudam não só a planejar as próximas propostas, mas também a refletir sobre como tá indo o desenvolvimento de cada criança. É tipo um diário nosso que mostra por onde andamos e pra onde estamos indo.

Os direitos de aprendizagem que esse objetivo mais mobiliza são, sem dúvida, o Explorar e o Brincar. Quando vejo as crianças mexendo com os materiais na sala ou no parque, elas estão explorando as possibilidades ao máximo. E é no brincar que tudo se concretiza. Quando brincam de cozinha no canto simbolico e começam a "medir" ingredientes imaginários com as mãozinhas ou potinhos vazios, ali tá o brincar se encontrando com o explorar. Elas tão processando tudo isso numa linguagem própria e muito rica.

Outro direito que vejo sendo bastante mobilizado é o Participar. As crianças participam ativamente das propostas e interações. Elas se envolvem nas escolhas dos materiais, do espaço onde querem brincar. Elas discutem entre si como vão organizar as brincadeiras, quem vai fazer o quê, quem vai medir o quê. Essa participação ativa é um sinal forte de como tão apropriando-se dessas experiências.

Agora falando do João, que tem suspeita de TEA, e da Bia, com atraso de linguagem... Bom, pra mim é essencial que cada experiência seja acessível a todos, né? Pro João, eu costumo deixar à disposição materiais que ele gosta muito e que sei que estimulam seu interesse. Ele adora peças grandes e coloridas, então sempre deixo algumas disponíveis nas propostas pra capturar sua atenção. Também procuro oferecer um espaço mais tranquilo sem muitos estímulos visuais ou sonoros em excesso porque ele fica mais confortável assim, além de respeitar o tempo dele de entrar na brincadeira.

Pra Bia, às vezes introduzo alguns cartões com imagens que representam ações simples da proposta, tipo "medir", "comparar", "juntar". Isso ajuda ela a compreender melhor o que tá acontecendo ao redor e facilita sua participação nas interações com os colegas. E aliás, sempre que posso, uso bastante gestos enquanto falo com ela. Crio um ambiente onde ela se sinta segura pra se expressar no tempo dela.

O espaço aqui na sala é organizado de forma flexível pra atender essas necessidades diferentes dos pequenos. Tenho cantinhos definidos mas não fixos – posso adaptar conforme a necessidade da turma naquele dia. E quanto ao tempo... Ah, minha gente, respeito muito o tempo deles. Deixo eles explorarem à vontade sem pressa porque sei que cada um tem seu ritmo.

Ainda tô tentando encontrar maneiras novas de engajar o João em certas atividades em grupo porque às vezes ele prefere ficar sozinho e isso é ok também. Com a Bia, continuo buscando estratégias pra estimular ainda mais sua comunicação com os colegas durante as brincadeiras.

A gente termina nossa conversa por aqui hoje mas qualquer coisa me chama por aqui mesmo no fórum! Adoro trocar essas ideias com vocês porque sempre saio aprendendo e refletindo ainda mais sobre nossa prática na educação infantil! Até breve!