Olha, quando a gente fala desse objetivo da BNCC para os bebês, é tudo sobre como eles começam a entender que as ações deles têm consequências no mundo, viu? É aquele momento mágico em que a criança descobre que, se ela empurra um brinquedo, ele cai; se ela joga água, ela espalha; se ela mistura tinta, forma uma nova cor. Nessa fase, as crianças tão mais interessadas em explorar do que realmente buscar um "resultado", então a gente tem que oferecer oportunidades pra elas experimentarem essas relações de causa e efeito de forma natural. Elas ainda não sabem "o que vai acontecer", e esse é o barato da coisa: a descoberta.
Aqui na minha sala de bebês, gosto muito de criar certas propostas que provocam essa curiosidade natural deles. Uma das experiências que tenho feito é a famosa "brincadeira com água". A gente organiza essa proposta num espaço ao ar livre da creche, numa parte gramada onde o chão pode ficar molhado sem problemas. Coloco várias bacias com um pouco de água e deixo ao lado conchas, tampinhas de garrafa, pedacinhos de esponja e alguns paninhos. As crianças chegam perto das bacias num primeiro momento só olhando, depois começam a mexer na água com as mãos. A Alice foi uma das primeiras a perceber que quando ela derramava um pouco da água de uma concha pra outra, podia ver o nível subir ou descer. O João adorou pegar as tampinhas e colocar na água, observando como elas flutuavam ou afundavam dependendo do peso. E eu sempre ali perto, comentando baixinho: "Olha só, quando você põe mais água, o que acontece?". Não é pra responder por eles não, minha gente! É só pra instigar mesmo.
Outra proposta legal que tem dado super certo é a dos tecidos e gravetos. A gente organiza essa dentro da sala mesmo. Coloco no chão vários pedaços de tecidos coloridos e levezinhos e alguns gravetos finos. Os bebês adoram puxar os tecidos, ver eles balançarem no ar e, às vezes, cobrir objetos ou uns aos outros. Os gravetos entram na brincadeira como varinhas mágicas (com pontas arredondadas e seguras, claro). O Pedro adora quando balançamos os tecidos sobre ele e ele dá aquele sorriso largo de satisfação quando sente o vento que o movimento provoca. A Sofia descobriu que dependendo da força com que ela puxa o tecido, ele voa mais alto ou mais baixo. Aqui o tempo é bem flexível, deixo eles explorarem até começar a perceber sinais de cansaço ou desinteresse.
E não posso deixar de mencionar uma proposta que sempre encanta: a pintura com tintas naturais. Essa eu sempre faço num espaço amplo da creche onde podemos forrar o chão com papel kraft. Preparo tintas caseiras usando corantes naturais como beterraba e açafrão misturados com um pouco de água e amido de milho pra dar consistência. Deixo potinhos com as tintas à disposição e pincéis grandões (que as mãozinhas delas seguram facilmente) ou mesmo pedaços de esponja cortados. É uma alegria ver como cada bebê reage diferente ao contato com as cores! A Letícia logo começou a espalhar a tinta com os dedos e observou atentamente quando duas cores se misturaram formando uma nova tonalidade. O Lucas preferiu usar esponjas primeiro e só depois mergulhar os dedinhos na tinta diretamente. Nessa proposta, fico andando entre eles perguntando coisas simples: "E agora, qual cor apareceu aqui?", mas deixo que descubram por si mesmos sem muita interferência.
O tempo dessas atividades varia muito porque quem manda são eles! Normalmente deixo cada proposta rolar por uns 30 minutos, mas se percebo que estão muito envolvidos, estico mais um pouco sim. O importante é respeitar o ritmo deles e não forçar nada.
O mais importante nessas propostas é lembrar que nossa função é mediar sem comandar as interações. Às vezes só observo e ofereço algumas palavras-chaves para incentivá-los a continuar explorando. Sabe aquela coisa gostosa de descobrir um segredo? É assim que eles se sentem quando percebem essas relações de causa e efeito acontecendo diante dos olhinhos curiosos deles!
Ah minha gente, espero ter ajudado vocês a pensar em como trazer essas experiências pro dia a dia das nossas crianças tão pequenas mas tão cheias de potencial! Qualquer coisa me chamem por aqui mesmo pra gente continuar essa conversa.
Ah, tá vendo, minha gente, a brincadeira é uma ferramenta poderosa para a gente observar o desenvolvimento das crianças nesse objetivo do EI01ET02. A primeira coisa que eu faço é estar atenta às reações das crianças ao ambiente e às propostas que ofereço. Sabe aquele olhar curioso de quando uma criança joga um cubo no chão e fica esperando o som que vai fazer? Ou aquela mãozinha ansiosa tentando pegar a bolha de sabão que acabou de soprar? Pois é, esses são sinais de que a experiência está mobilizando a aprendizagem.
Eu observo muito os gestos. Um dia, por exemplo, o Pedrinho tava na área externa brincando com areia e água. Ele começou a encher um copinho com areia, depois jogou água e ficou encantado com a mistura que fez. A expressão dele era de pura descoberta, como se tivesse acabado de criar uma fórmula mágica! É nesse momento que eu percebo que ele tá processando as transformações e as relações entre os elementos. E tem as falas também, mesmo nos bebês que ainda não verbalizam muito. Olha só, a Laurinha ainda fala pouco, mas quando a água da mangueira começou a formar poças no jardim, ela apontava e soltava um "óóó!" animado, como quem diz "tá vendo o que tá acontecendo?"
E as escolhas... Nossa, são tão importantes! O Miguel, por exemplo, adora os blocos de montar. Ele empilha alguns e, quando desmorona, ele solta uma risada gostosa e volta a empilhar, mas de um jeito um pouco diferente do anterior. Dá pra ver ali o processo de tentativas e aprendizados.
Agora, sobre como registro tudo isso... Eu anoto essas observações num caderno que mantenho sempre à mão. Anoto gestos específicos, as falas engraçadas ou significativas do dia e também faço uns vídeos curtos quando dá. Não é pra julgar se acertou ou não, mas pra entender como cada criança tá se desenvolvendo e planejar as próximas experiências de acordo.
E olha aqui uma coisa interessante: os direitos de aprendizagem mais mobilizados por esse objetivo são Brincar, Explorar e Participar. Brincar é básico. Quando as crianças estão envolvidas numa proposta lúdica, elas tão livres pra experimentar sem medo do erro. Explorar também é central porque é assim que elas conhecem o mundo ao redor. Quando tem aquelas poças d’água depois da chuva, por exemplo, eu deixo o grupo andar descalço pra sentir o chão molhado. E Participar é sobre dar voz pras crianças nas decisões cotidianas. Às vezes pergunto "o que vocês querem usar hoje: tinta ou massinha?" É legal ver como até os pequeninos começam a manifestar suas preferências.
Agora vou te contar como tento tornar as experiências acessíveis pro João e pra Bia. O João tem suspeita de TEA e tenho notado que ele se beneficia muito de rotina visual clara e previsível. Então eu comecei a usar cartões com imagens das atividades do dia. Ele também responde bem com materiais sensoriais como lixas e tecidos com diferentes texturas, então procuro incluir isso nas propostas.
Já com a Bia, que tem um atraso de linguagem, eu tento sempre reforçar o vocabulário durante as atividades de maneira natural. Por exemplo, se estamos numa atividade de pintura com os dedos, eu repito nomes das cores e incentivo ela a falar junto: "Olha essa cor vermelha! Vermelho". Também tento usar músicas porque ela reage muito bem a canções repetitivas.
Sobre o espaço e o tempo... Com João, tenho aprendido que espaços mais organizados ajudam ele a se focar melhor. Então crio cantinhos definidos para atividades diferentes: um cantinho da leitura, um espaço pra construir coisas... Assim ele sabe onde buscar o que precisa. E sobre o tempo, dou mais tempo pra ele explorar sem pressa qualquer material novo que ofereço.
Ainda tô experimentando muita coisa com eles dois porque cada dia é uma descoberta nova. Tem dias que funciona super bem e outros nem tanto, mas acho que é assim mesmo: aprender junto com eles também faz parte do nosso processo educativo.
Bom, minha gente, espero ter conseguido passar um pouquinho da riqueza desse trabalho com vocês. Adoro trocar essas experiências aqui no fórum porque sempre aprendo um bocado com os relatos de vocês também. Vamos seguir nessa troca boa! Qualquer coisa tô por aqui. Beijo grande!