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EI03ET06Crianças pequenasEspaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações

Relatar fatos importantes sobre seu nascimento e desenvolvimento, a história dos seus familiares e da sua comunidade.

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI03ET06) Relatar fatos importantes sobre seu nascimento e desenvolvimento, a história dos seus familiares e da sua comunidade.

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI03ET06 faz parte do campo Espaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações, que organiza experiências de investigação do mundo físico, social e natural: noções de espaço, tempo, número, medida, transformações e relações de causa e efeito.

Características da faixa etária (4 anos a 5 anos e 11 meses)

Nesta faixa, a criança já narra com fluência, planeja brincadeiras complexas com pares, formula hipóteses, faz registros gráficos representativos e demonstra autonomia em diversas tarefas do cotidiano. É o período de aprofundamento das investigações sobre o mundo e de preparação (sem antecipação) para a transição ao Ensino Fundamental.

Práticas recomendadas: Projetos investigativos a partir de interesses das crianças, registros gráficos diversos, contato sistemático com a cultura escrita em situações reais, brincadeiras com regras simples.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Olha, quando a gente fala desse objetivo da BNCC, "relatar fatos importantes sobre seu nascimento e desenvolvimento, a história dos seus familiares e da sua comunidade", é importante entender que na Educação Infantil não estamos preocupados em ensinar as crianças um conteúdo específico. Aqui a gente quer proporcionar experiências que ampliem o repertório delas, que façam com que elas se enxerguem como parte de algo maior, compreendendo suas histórias pessoais e a dos outros ao seu redor. A criança dessa faixa etária, de 4 a 5 anos e 11 meses, tá numa fase de muita curiosidade sobre si mesma e os outros, ela adora compartilhar coisas sobre ela mesma e é super interessada em ouvir histórias dos amigos, da professora, das famílias. Então, quando esse objetivo fala de relatar fatos importantes do nascimento e desenvolvimento, a gente tá falando de criar momentos onde as crianças possam se expressar, ouvir, perguntar e se conectar com essas histórias.

Na minha turma do Grupo 3, eu gosto de propor atividades que permitam às crianças se expressarem livremente, sem uma cobrança de resultado. Uma coisa que faço é o "Cantinho das Memórias". Nele eu ofereço materiais não estruturados como fotos antigas (copias de fotos dos pais quando eram pequenos), tampinhas coloridas, pedaços de tecido representando diferentes partes do mundo (já que muitas famílias vieram de fora), caixas pequenas para as crianças montarem cenários das histórias delas. O espaço é organizado de forma que as crianças possam circular livremente entre os materiais e as "memórias" dos coleguinhas. Deixo esse cantinho disponível por cerca de uma semana no nosso planejamento. As crianças reagem de formas variadas: umas ficam super empolgadas pra contar tudo logo de cara, outras observam mais antes de começar a compartilhar.

Mediar esse momento é uma delícia! Por exemplo, teve um dia que o Gabriel trouxe uma história sobre o nascimento dele num hospital diferente do que os outros conheciam. Ele começou a montar uma cena com as caixas e tecidos. A Maria ficou interessadíssima em saber mais sobre isso e começou a perguntar pra ele como era o hospital, se tinha muitos médicos. Foi aí que eu entrei, ajudando a conduzir a conversa para que todos pudessem participar e relacionar aquela história com algo parecido que conheciam ou tinham vivido.

Outra proposta que adoro é a roda de histórias "Quem sou eu". Aqui a ideia é as crianças trazerem algum objeto ou foto de casa que represente algo importante na vida delas ou na família. Não precisa ser nada elaborado. Já teve criança que trouxe uma concha dizendo lembrar a viagem em família pra praia ou um pano que a avó bordou. Esse momento acontece geralmente uma vez por mês e dura cerca de 1 hora. As crianças sentam em roda, cada uma com seu objeto ou foto no centro, e começam a contar suas histórias. É muito lindo porque elas vão descobrindo semelhanças e diferenças nas histórias umas das outras.

Lembro bem do dia que a Ana trouxe uma foto dos avós no sítio onde moravam. Ela foi contando como gostava de ir lá nos finais de semana. Enquanto isso, o João interrompeu pra dizer que os avós dele moravam numa cidade grande e ele sempre ia visitá-los pra ver os carros passando pela janela! As reações são sempre surpreendentes e muito ricas em detalhes. Nessas horas eu tento mediar fazendo perguntas abertas: "Como vocês acham que era viver assim?", "O que vocês mais gostam quando estão com seus avós?". E claro, sempre respeitando o tempo das crianças.

A terceira proposta é o mural da comunidade. Nesse mural as crianças colam desenhos sobre lugares importantes pra elas na comunidade: pode ser o parquinho, a casa da tia, a pracinha onde brincam no final da tarde. A ideia aqui é explorar espaços e relações – um dos campos enriquecidos por essa proposta. Os materiais são bem simples: papel kraft grande na parede, lápis de cor, giz de cera e fitas adesivas para fixar os desenhos. O mural fica exposto por uns 15 dias.

Na última vez que fizemos essa atividade, o Lucas desenhou a padaria do bairro porque segundo ele tem o melhor pãozinho! As outras crianças começaram a perguntar onde ficava essa padaria porque também queriam provar. Foi um momento super interessante para trabalhar noções espaciais e também relações dentro da comunidade: quem conhece quem? Quem frequenta os mesmos lugares? Nessa situação eu estava por perto incentivando as crianças a descreverem seus trajetos até esses lugares e quem elas costumavam encontrar nesses passeios.

A gente vai mediando essas atividades sem comandar tudo rigidamente porque o mais importante é deixar espaço para que as crianças explorem suas ideias à sua maneira. E olha só: interações e brincadeiras estão presentes em cada proposta dessas! As crianças estão sempre interagindo entre si enquanto brincam com as ideias umas das outras. Elas constroem conhecimento coletivo de forma muito natural.

Espero que tenha dado pra dar uma ideia bacana de como trabalho esse objetivo com minha turma! E vocês aí na sala de vocês? Como têm explorado essas vivências?

Olha, observando o desenvolvimento das crianças ligado a esse objetivo, a gente percebe que não é uma coisa assim que dá pra medir num dia ou numa semana, né? É um processo que se revela aos pouquinhos com gestos, falas, escolhas e tentativas que eles fazem no dia a dia. Quando a gente propõe uma roda de conversa sobre as histórias de nascimento, por exemplo, eu noto como o olhinho deles brilha quando um amiguinho conta algo. E é interessante ver como até os mais tímidos, que geralmente não falam muito, acabam se animando a compartilhar alguma coisa também. Às vezes é uma fala que parece simples, tipo "eu nasci no mesmo hospital que meu irmão" ou "minha avó me contou que quando eu era bebê...", mas que revela muito sobre como eles começam a se perceber nessa rede de relações familiares e sociais.

Então assim, durante as atividades, tô sempre de olho. Fico atenta aos gestos deles — como quando a Maria segura o boneco com cuidado, imitando o jeito que talvez viu alguém na família fazer com um bebê — ou quando o Pedro tenta explicar a ordem dos acontecimentos na vida dele usando sequências de brinquedos. Essas são pistas valiosas de como eles estão assimilando essas histórias e tentando fazer sentido delas. E esses momentos são oportunidades maravilhosas pra gente anotar algumas observações num caderno ou até gravar um vídeo curto com autorização dos pais, pra depois refletir sobre o que tá fazendo sucesso, o que precisa ser ajustado.

Agora, falando dos direitos de aprendizagem que esse objetivo mobiliza, eu diria que Conviver e Explorar são super acionados. Conviver porque as crianças estão sempre trocando experiências e histórias entre si. Outro dia mesmo vi a Laura contando pro João que o avô dela era pescador e ele logo depois quis mostrar um barquinho de brinquedo que tinha em casa. Eles começam a entender as semelhanças e diferenças nas histórias um do outro e isso fortalece o vínculo entre eles. E tem também Explorar, porque ao ouvir essas histórias e participar das atividades, eles passam a explorar as próprias origens e experiências de uma maneira ativa.

E sobre o João e a Bia... aqui na turma eu sempre busco maneiras de tornar as experiências acessíveis pra todo mundo. O João, com suspeita de TEA, muitas vezes prefere atividades mais estruturadas e previsíveis. Então eu tento criar pequenos roteiros visuais com imagens das etapas da atividade do dia coladas na parede da sala ou em plaquinhas individuais. Isso ajuda ele a se situar e participar mais ativamente. Já a Bia, que tem atraso de linguagem, se beneficia muito quando incluímos recursos visuais como imagens e fotos nas nossas conversas. Eu também faço questão de usar músicas e movimentos junto das histórias contadas, porque ela responde super bem a estímulos musicais.

Quanto ao espaço e tempo, procuro sempre deixar um cantinho sensorial disponível — um espaço com vários objetos texturizados, imagens e livros com temas familiares — onde eles possam explorar no próprio tempo. O João adora esse espaço porque ele pode tocar os objetos sem pressa e isso ajuda ele a se conectar mais com as histórias. Já tô pensando em introduzir fantoches como uma nova ferramenta pra essas atividades; acho que pode ajudar ainda mais tanto o João quanto a Bia.

Ainda estou tentando encontrar maneiras melhores de engajar a Bia em momentos de roda de conversa sem pressioná-la demais. Penso em introduzir uma "caixa de surpresas" onde ela possa escolher um objeto pra contar sua história sem precisar falar muito, só mostrando ali pra turma.

Bom minha gente, espero ter ajudado um pouco compartilhando essas experiências daqui da creche. A gente vai aprendendo junto todo dia com esses pequenos e é uma alegria imensa ver o quanto eles têm pra nos ensinar também. Vamos continuar trocando ideias por aqui! Até a próxima!