Olha, quando a gente pensa nesse objetivo de explorar e descobrir as propriedades dos objetos e materiais com os bebês, a gente tá falando de oferecer experiências que vão além do que pode parecer simples, mas que são super ricas pra eles. Na prática, isso significa criar situações em que as crianças possam, com segurança, explorar o mundo ao seu redor usando todos os sentidos. E isso é uma coisa que acontece de forma muito natural pros bebês, né? Eles são curiosos de natureza!
Por exemplo, imagina só um bebê que pega um pano colorido e começa a sentir a textura com as mãozinhas. Ele pode até levar o pano à boca pra entender melhor com o paladar. Ou então um bebê que vê uma folha de árvore pela primeira vez e fica fascinado com a cor e o formato, aí começa a amassar pra ouvir o barulhinho. Essas descobertas são experiências sensoriais fundamentais e ampliam o repertório dos bebês sobre o mundo.
Aqui na minha turma, tem algumas propostas que eu adoro organizar com os bebês pra trabalhar esse objetivo. Uma delas é a "caixa sensorial". Gente, é simples mas as crianças amam! Eu pego uma caixa grande e coloco vários materiais dentro: tampinhas de garrafa, grãos como feijão ou milho (sempre supervisionei pra evitar que coloquem na boca), pedaços de tecidos de diferentes texturas e cores, algumas folhas secas, pequenos potes plásticos... enfim, tudo que possa oferecer diversidade sensorial. Organizo esse espaço no chão da sala ou no nosso tapetão no quintal da creche.
O tempo que deixo essa atividade rolar depende muito do interesse das crianças. Às vezes elas ficam ali por 15 minutos explorando com intensidade, outras vezes um pouco mais. E não tem problema se uma criança perder o interesse antes dos outros; quem quiser pode sair e voltar quando quiser. Ah, e sabe o João? Ele adora tamborilar tampinhas umas contra as outras! Na última vez que fizemos essa proposta, ele estava tão concentrado em fazer barulhos diferentes! Eu costumo mediar essa exploração ficando por perto, observando, comentando alguma descoberta que eles fazem tipo "Nossa, Joana, esse pano é bem macio, né?" ou "Carlos, você viu que o milho faz som quando cai?". Isso ajuda a ampliar ainda mais a experiência deles.
Outra atividade que faço muito é a brincadeira com água. Montei um cantinho onde coloco bacias rasas com água morna e deixo as crianças experimentarem com potinhos para encher e esvaziar, pedaços de esponja pra molhar e espremer... É uma delícia ver como elas ficam encantadas com a água! O Miguel sempre tenta provar um pouquinho (supervisiono sempre!) e adora ver a água escorrendo das mãos dele. A água tem uma sensação tão única na pele e fica interessante porque refresca também. Nesse caso eu também não digo o que eles têm que fazer. Deixo que descubram sozinhos ou em grupo enquanto vou fazendo perguntas ou observações tipo "Olha só como a esponja fica pesada quando molha!"
E não posso deixar de mencionar quando uso frutas como abacate ou banana nas atividades. Por exemplo, faço uma "roda das frutas" onde cada bebê recebe um pedaço grande de fruta na mão pra manusear e depois provar se quiserem. A textura do abacate nas mãos é incrível! Uma vez o Mateus ficou tão empolgado esmagando o abacate entre os dedinhos enquanto dava gritinhos de alegria. Eu sempre fico por perto pra garantir a segurança deles, mas como é lindo ver como eles se deliciam com os sabores e cheiros novos! É uma bagunça? Sim! Mas é uma bagunça maravilhosa cheia de aprendizagem!
Essas atividades são todas baseadas na liberdade de descobrir e experimentar sem pressa nem roteiro pronto. E as interações entre eles são lindas de ver – às vezes um imita o outro, ou só observa até se sentir seguro pra tentar igual. E olha só como tudo vira brincadeira: explorar as texturas dos grãos vira "esconde-esconde", a água vira "chuva mágica", e as frutas viram "viscosidade" divertida nas mãos!
O mais importante é lembrar que nosso papel é mediar essas descobertas sem interferir demais nem apressar o processo deles. Cada criança tem seu tempo de descobrir o mundo ao seu redor e isso precisa ser respeitado sempre. Termino aqui incentivando todas vocês a experimentarem com seus bebês também – é recompensador demais ver essa curiosidade natural se transformando em aprendizado concreto sobre o mundo!
Agora, minha gente, quando a gente começa a observar esse desenvolvimento nos bebês, é uma coisa linda de se ver. A gente tá sempre com o olhar atento, porque cada gesto deles é uma pista do que tá rolando na cabecinha. Por exemplo, uma vez eu tava observando o Tiago que tava experimentando um potinho com tampas de tamanhos diferentes. Ele primeiro só ficou olhando, depois começou a tentar colocar as tampas, uma atrás da outra. Na hora que ele conseguiu fechar uma tampa com o encaixe certo, aquele sorriso no rosto foi um sinal claro de descoberta e aprendizado. Essas tentativas de encaixar, abrir, fechar são maneiras de eles entenderem as relações espaciais.
E aí tem a Sofia, que quando a gente oferece brinquedos com texturas variadas, ela adora passar as mãozinhas por tudo, mas também observa como as outras crianças interagem com os materiais. Essa observação dela das outras crianças é super importante e eu registro isso também, porque vai mostrando como ela tá aprendendo a partir do outro e não só da experiência direta.
A gente não tá avaliando se eles "acertaram ou erraram", mas sim observando como eles tão explorando e o que isso tá trazendo de novo pra eles. Eu gosto de anotar essas observações num caderninho que eu sempre carrego comigo. Tem dias em que faço uns vídeos curtos, porque às vezes a riqueza tá num detalhe que só um vídeo consegue captar: um movimento das mãos, uma expressão facial. Isso tudo ajuda a gente a entender o que tá funcionando nas propostas e o que pode ser ajustado ou incrementado. Afinal, cada criança tem seu tempo e jeito de aprender, né?
Agora, pensando nos direitos de aprendizagem que esse objetivo mobiliza, eu diria que explorar, brincar e participar são bem evidentes. Explorar é meio que o coração desse objetivo. As crianças estão sempre buscando respostas para suas curiosidades naturais. Lembro do Pedro na caixa de areia: ele ficava escorrendo a areia entre os dedos e depois tentava cobrir os pés. Ali ele tava explorando peso, textura e movimento.
Já em termos de brincar, é quando eles transformam qualquer atividade numa diversão! Como aquela vez que montamos um circuito simples com almofadas e túneis de tecido, e a Ana ficava indo e voltando várias vezes, inventando até um jogo de esconde-esconde com os colegas. E participando do jeito dela nesse jogo coletivo.
E quanto a participar... Olha, eu vejo isso muito nos momentos em que a gente organiza aquela roda de música. O Joao sempre se posiciona do lado do tamborim. Ele ainda não toca no ritmo exato, mas só dele estar lá batucando junto com os outros já mostra como ele se sente parte do grupo.
Agora falando um pouco do Joao e da Bia... Com o Joao, que tem suspeita de TEA, eu tenho mudado algumas coisas pra deixar as experiências mais acessíveis pra ele. Por exemplo, ele responde muito bem a estímulos visuais e auditivos repetitivos. Então na roda de música procuro inserir instrumentos mais rítmicos pra ele se engajar melhor. Além disso, procuro não mudar muito o layout da sala de uma semana pra outra pra não causar confusão ou desorientação nele.
Com a Bia, que tem atraso na linguagem, eu procuro criar oportunidades pra ela se expressar de outras formas além da verbalização. Uma ideia foi usar cartões com imagens durante uma contação de história. Quando pedi pra ela escolher qual personagem poderia ser o próximo da história usando os cartões com imagens dos personagens, ela deu um sorriso lindo quando escolheu a imagem do sapo! Isso mostrou que ela tava entendendo muito bem mesmo sem usar palavras.
Olha só, gente, ainda tô tentando encontrar outras formas de apoio pro Joao e pra Bia porque cada criança é única e a gente aprende muito com elas também.
E assim vamos seguindo nosso caminho com essas descobertas maravilhosas dia após dia. Espero que essa nossa conversa tenha trazido algumas ideias úteis pra vocês também! Vamos trocando experiências por aqui e crescendo juntas nessa caminhada linda da educação infantil. Até mais!