Olha, quando a gente fala sobre o objetivo de classificar objetos e figuras conforme suas semelhanças e diferenças, não estamos apenas ensinando as crianças a identificar o que é igual ou diferente. Estamos, na verdade, proporcionando a elas experiências sensoriais e cognitivas que ampliam o repertório delas de forma significativa. Imagina só: uma criança de 4, 5 anos, está constantemente explorando o mundo ao seu redor. Cada objeto que toca, que observa, está cheio de possibilidades de descobertas. Então, quando a gente fala sobre classificar, não é simplesmente organizar por cor ou tamanho. É sobre perceber detalhes, fazer conexões e desenvolver o raciocínio lógico de maneira lúdica e prazerosa.
Sabe uma coisa que sempre observo nesse processo? As crianças dessa idade têm uma curiosidade natural e um jeito próprio de investigar as coisas. Elas perguntam, tocam, cheiram, experimentam. E é esse tipo de interação que enriquece a vivência delas. Por exemplo, numa simples brincadeira com tampinhas coloridas, elas podem inicialmente agrupar pelas cores. Mas logo começam a perceber que algumas tampinhas são maiores ou menores, têm texturas diferentes ou até aromas se estiverem úmidas ou secas. Essa é a beleza da educação infantil: cada pequena descoberta é um grande passo no desenvolvimento delas.
Aqui na minha turma, eu costumo organizar algumas propostas que oferecem esse tipo de experiência. Uma das minhas favoritas envolve o uso de materiais naturais. A gente coleta gravetos, folhas de diversas cores e tamanhos, pedrinhas e sementes. Primeiro, levo o grupo para fora da sala e deixo que explorem esse material livremente. As crianças escolhem onde se sentar no pátio, espalhadas por grupos menores ou individualmente. Não estipulo um tempo rígido para isso; observo como estão se envolvendo e deixo acontecer de maneira fluida. Numa dessas vezes, a Maria começou a agrupar as folhas por tamanho enquanto o Lucas preferiu organizá-las por cor. Eu fico por perto, fazendo perguntas abertas como "O que você percebe nessas folhas?" ou "Como essas sementes são diferentes?". Isso incentiva a troca de ideias entre eles sem direcionar demais.
Outra proposta interessante que eu costumo implementar é a brincadeira com caixas de diferentes tamanhos e formatos. Disponibilizo caixas de sapato, embalagens recicláveis e caixinhas menores em um canto da sala. Chamo essa proposta de "Cidade das Caixas". As crianças têm liberdade para construir, empilhar, decorar e reorganizar o espaço conforme suas ideias. Elas criam casas, prédios e até castelos! Na última vez que fizemos isso, o João e o Pedro começaram a classificar as caixas por tamanho enquanto faziam uma torre gigante. Quando ela caiu com um estrondo engraçado, todos deram risada! Eu aproveitei esse momento para perguntar "O que podemos fazer diferente agora?" e eles rapidamente começaram a buscar novas formas de reconstruir.
Por fim, adoro trabalhar com tecidos coloridos e texturizados. Espalho vários panos pelo chão da sala e deixo que explorem do jeito que quiserem: tocando, escondendo coisas por baixo ou vestindo como capas. Essa atividade desperta muita interação entre eles. Uma situação marcante foi quando a Ana e a Sofia decidiram agrupar os tecidos por estampas enquanto outros queriam ver qual era mais macio ou mais áspero. Eu ajudo mediando as interações, incentivando as crianças a verbalizarem suas descobertas: "Como você sabe que esse é mais áspero?" ou "Qual estampa você prefere? Por quê?".
O legal dessas propostas é observar como cada criança traz algo único para a vivência coletiva e como essa troca entre elas enriquece o ambiente de aprendizado. Elas começam sozinhas uma exploração individual mas acabam se envolvendo em discussões em dupla ou em grupo onde trocam ideias e percepções — é aquele momento em que o eixo das interações ganha vida! E olha só como as brincadeiras naturalmente sustentam todo esse processo: a criança brinca ao classificar; ela descobre enquanto interage; ela aprende ao se divertir.
Bem, minha gente, essas são algumas das maneiras práticas que adoto aqui na creche para trabalhar esse objetivo da BNCC no dia a dia com meu grupo. É sempre uma alegria ver como cada criança se desenvolve ao seu ritmo nessa jornada exploratória. Espero ter contribuído com ideias pra vocês também! Vamos trocar figurinhas — quero saber como vocês estão trabalhando isso nas turmas também! Até mais!
Sabe uma coisa que sempre observo nesse processo? As crianças dessa idade têm uma curiosidade que é uma coisa linda de se ver, viu? Parece que tudo é motivo pra explorar, perguntar, experimentar. E é nesse meio de descobertas que eu vou observando os sinais de que as experiências estão mobilizando a aprendizagem delas.
Esses momentos de observação surgem de maneiras diversas: às vezes é um simples olhar mais atento para um objeto, outras vezes são perguntas surpreendentes. Teve um dia que a Sofia estava brincando com bloquinhos de diferentes tamanhos e cores. Ela começou a agrupar os blocos por cor e, logo em seguida, percebi que ela estava colocando também por forma. Quando fiquei ao lado dela e comentei sobre o que ela estava fazendo, ela olhou pra mim e disse: “Tia Helena, esse aqui é igualzinho a esse!”. O entusiasmo dela foi um sinal claro de que aquele momento de brincadeira tava cheio de significado.
Outra experiência foi com o Pedro. Ele tava explorando uma bandeja com tampas de potes variados e ficou fascinado em tentar encaixar as tampas nos potes certos. A cada tentativa, ele olhava em volta, como se estivesse buscando pistas nos objetos e nas ações dos colegas pra descobrir o que fazer. E quando ele conseguia encaixar alguma tampa, aquele sorriso largo mostrava o quanto aquele pequeno desafio foi significativo.
Eu gosto muito de registrar esses momentos em fotos ou pequenos vídeos. É uma forma de capturar detalhes que às vezes podem passar despercebidos na correria do dia a dia. Depois, revisito essas imagens e anoto no meu caderno algumas observações sobre o que aconteceu, as reações das crianças e quais gestos indicaram algum avanço ou descoberta. Esses registros são preciosos porque me ajudam a ajustar as próximas propostas e também a compartilhar com as famílias o desenvolvimento das crianças.
Sobre os direitos de aprendizagem, nossa, esse objetivo mobiliza bastante o Explorar e o Expressar, viu? Na exploração, as crianças têm a oportunidade de lidar com materiais diversos e fazer descobertas por conta própria. É no toque, no manuseio, na interação com os objetos que elas vão adquirindo conhecimento sobre o mundo ao redor. Um exemplo claro disso foi quando propus uma atividade com materiais naturais como folhas, pedras e sementes. Elas estavam livres para explorar e classificar esses itens da maneira que achassem melhor. Foi lindo ver como cada criança escolheu um critério diferente: umas separavam por cor, outras por textura ou tamanho. E no final da atividade, ainda tinham muito o que contar sobre suas escolhas.
Já no Expressar, os pequenos têm a chance de verbalizar suas descobertas ou mesmo demonstrar através do corpo suas percepções. A Camila adora contar pros amigos o que ela classificou e como fez pra chegar na solução de algum desafiozinho proposto. Isso fortalece o diálogo entre elas e promove uma rica troca de experiências.
Agora pensando no João, que tem suspeita de TEA, e na Bia, com atraso de linguagem, eu sempre tento fazer adaptações para que eles possam participar plenamente das atividades. Pro João, costumo oferecer materiais visuais bem chamativos e organizo o espaço de forma que ele tenha um certo tempo pra se adaptar antes de começar a exploração. Por exemplo, uso cartões com imagens claras dos objetos pra ele ir associando antes mesmo de manusear. Isso ajuda ele a antecipar o que vai encontrar e reduz a ansiedade pra interação.
Já com a Bia, tenho investido em atividades mais sonoras e visuais pra estimular a comunicação dela. Uso músicas com gestos durante as propostas pra ajudar na compreensão e expressão das ideias dela. E quando ela tá classificando objetos, tô sempre por perto pra incentivar suas tentativas de falar sobre o que tá fazendo. Tem funcionado bem!
Ainda tô tentando novas estratégias todos os dias pra garantir que todos tenham acesso às mesmas oportunidades de aprendizado. A caminhada é longa mas cheia de recompensas!
E assim vou seguindo por aqui na creche... sempre descobrindo junto com as crianças! Espero ter contribuído um pouco com vocês nesse nosso espaço compartilhado. Vamos trocando mais ideias! Até mais!