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EI03ET04Crianças pequenasEspaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações

Registrar observações, manipulações e medidas, usando múltiplas linguagens (desenho, registro por números ou escrita espontânea), em diferentes suportes.

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI03ET04) Registrar observações, manipulações e medidas, usando múltiplas linguagens (desenho, registro por números ou escrita espontânea), em diferentes suportes.

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI03ET04 faz parte do campo Espaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações, que organiza experiências de investigação do mundo físico, social e natural: noções de espaço, tempo, número, medida, transformações e relações de causa e efeito.

Características da faixa etária (4 anos a 5 anos e 11 meses)

Nesta faixa, a criança já narra com fluência, planeja brincadeiras complexas com pares, formula hipóteses, faz registros gráficos representativos e demonstra autonomia em diversas tarefas do cotidiano. É o período de aprofundamento das investigações sobre o mundo e de preparação (sem antecipação) para a transição ao Ensino Fundamental.

Práticas recomendadas: Projetos investigativos a partir de interesses das crianças, registros gráficos diversos, contato sistemático com a cultura escrita em situações reais, brincadeiras com regras simples.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Olha só, minha gente, quando a gente fala do objetivo EI03ET04 da BNCC, a ideia é dar às nossas crianças a chance de registrar suas descobertas e explorações de maneiras diversas. Não é sobre sentar e escrever números ou desenhar direitinho, mas sim sobre como eles expressam o que estão sentindo ou observando no mundo ao redor. As crianças dessa faixa etária, entre 4 e 5 anos e 11 meses, estão numa fase super criativa e cheia de curiosidade. Cada experiência é uma descoberta e elas adoram mostrar isso de jeitos diferentes.

Então, quando a gente pensa nesse objetivo, é sobre criar oportunidades pra que as crianças possam brincar e interagir com os materiais que oferecemos. Eles podem desenhar o que viram lá fora no parquinho, contar quantas pedras têm na mão ou mesmo inventar uma história usando objetos. É importante lembrar que não estamos buscando um trabalho "pronto", mas sim momentos em que elas possam explorar suas ideias e sentimentos.

Aqui na minha turma, eu gosto de planejar propostas que realmente permitam essa expressão livre. Vou compartilhar três que faço com frequência. A primeira é a "Exploração da Natureza". A gente sai pro pátio e leva um monte de materiais naturais: gravetos, folhas secas, pedras pequenas, sementes que encontramos por lá. O ambiente fica todo aberto e sem muita estrutura, então as crianças têm liberdade pra circular e escolher o que querem fazer. Geralmente essa atividade dura mais ou menos uma hora, mas sempre respeitando o tempo das crianças. Eles podem ficar até mais tempo se estiverem envolvidos. Eu observo que o Pedro adora juntar pedrinhas e formar desenhos no chão, enquanto a Júlia prefere usar os gravetos pra fazer casinhas de mentirinha. Eu fico ali do lado, só mediando, perguntando pra eles o que estão fazendo e como se sentem com aquilo.

Outra proposta é o "Diário das Descobertas". A ideia é mais ou menos assim: depois de alguma experiência significativa — tipo uma visita ao zoológico ou até mesmo uma tempestade forte — eu disponibilizo papéis grandes, lápis de cor e giz de cera pras crianças registrarem o que quiserem sobre o que vivenciaram. Não tem certo ou errado; pode ser um desenho, umas letrinhas soltas ou até números se eles quiserem contar algo específico. Durante essa atividade, eles ficam no tapete da sala, todos juntos ou em duplas, conversando entre si sobre o que vão colocar no papel. Na última vez que fizemos isso depois de uma chuva forte, a Sofia desenhou várias nuvens e pingos grandes com um sorrisão no rosto porque ela lembrou do barulho da chuva. Eu vou circulando entre eles, incentivando a conversa e perguntando sobre os detalhes dos desenhos.

A terceira proposta é a "Construção Coletiva". Aqui eu coloco à disposição caixas de papelão grandes e pequenas, tampinhas de garrafa, rolos de papel higiênico, tecidos coloridos e até sucata limpa. Organizamos um espaço amplo na sala ou no pátio onde eles possam espalhar tudo sem problemas. A proposta é criar algo juntos: pode ser um castelo, uma cidade ou um parque de diversões inventado por eles mesmos. Isso geralmente se estende por mais de um dia porque eles precisam discutir ideias, experimentar combinações diferentes e às vezes até recomeçar do zero. Na última vez que fizemos isso, o Lucas sugeriu construir uma ponte gigante com todas as caixas grandes enquanto a Maria e o Luiz já estavam criando casinhas pequenas com as tampinhas e rolos. Eu ajudo com as partes mais difíceis — tipo equilibrar as caixas maiores — mas deixo eles liderarem.

Essas experiências são super ricas porque envolvem muita interação entre as crianças. Elas aprendem a negociar espaço e materiais, além de expressar suas ideias e sentimentos de formas diversas. É nesse espaço que as brincadeiras se tornam momentos valiosos de aprendizagem pra vida toda.

Então, colega educadora que tá começando agora, lembre-se: não é sobre ensinar conteúdo específico ou querer resultados prontos; é sobre permitir que as crianças sejam protagonistas das próprias descobertas. E você tá ali ao lado delas, mediando essas vivências incríveis. Vai fundo nessa jornada maravilhosa! Até breve!

Sabe, quando a gente tá observando o desenvolvimento das crianças em relação a esse objetivo, o que a gente tá realmente buscando são aqueles momentos de "eureca!" que eles têm durante as brincadeiras e interações. Não é sobre avaliar se acertaram ou erraram. É mais sobre perceber quais experiências realmente tocaram cada uma delas. Por exemplo, eu sempre fico de olho nas falas espontâneas e nos gestos que surgem durante as atividades. Outro dia, tava lá o Lucas, encantado com uma pilha de blocos de montar. Ele começou a contar os blocos em voz alta, meio desajeitado ainda, mas dava pra ver o esforço dele em compreender as quantidades. Aquilo foi um sinal claro de que ele tava mobilizando aprendizado.

Ah, e tem também a Mariana, que adora desenhar. Quando ela desenha, às vezes coloca números espalhados pelo papel sem muita organização aparente, mas depois explica: "Aqui são as árvores e tem três passarinhos voando". Esses desenhos são um registro riquíssimo do jeito dela de ver e organizar o mundo ao redor. Pra mim, é um sinal de que ela tá começando a entender as relações entre os elementos do ambiente.

Eu uso bastante caderno pra registrar essas observações. Anoto essas falas espontâneas, os gestos significativos e também faço algumas fotos ou vídeos curtos quando vejo que vai ajudar a lembrar daquele momento específico. Esses registros me ajudam muito a ajustar as próximas propostas. Se percebo que a turma tá interessada em contar objetos, por exemplo, posso trazer mais materiais que encorajem esse tipo de exploração nas próximas atividades.

Agora, sobre os direitos de aprendizagem, esse objetivo é muito rico em mobilizar vários deles. Pra começar, Conviver é algo que acontece naturalmente enquanto as crianças compartilham suas descobertas com os colegas. Tem aquele momento delicioso em que uma criança descobre algo e a outra chega junto pra perguntar ou mesmo pra tentar fazer igual. Outro dia vi o Pedro explicando pro João como empilhar os potinhos sem deixar cair. Esse tipo de interação é maravilhoso!

Brincar é o coração do nosso trabalho, né? E nesse contexto é onde eles realmente testam e experimentam suas ideias. Durante aquelas brincadeiras de faz de conta com os blocos ou com massinha, eles tão o tempo todo explorando relações espaciais e quantidades sem nem perceber. É um brincar super rico em aprendizado.

Também vejo muito o Participar acontecendo, especialmente quando juntos construímos algo ou quando precisam decidir em grupo quem vai fazer o quê numa brincadeira ou atividade. Isso promove a colaboração e também ajuda eles a entenderem melhor as regras sociais.

Agora, pensando no João que tem suspeita de TEA e na Bia com atraso de linguagem, eu faço algumas adaptações pra garantir que todos possam participar plenamente das experiências. Pro João, eu costumo oferecer materiais sensoriais adicionais porque sei que ele responde bem a esses estímulos. Coisas como areia cinética ou bolinhas texturizadas podem ajudar ele a se engajar mais na atividade sem se sentir sobrecarregado.

Já pra Bia, eu dou uma atenção especial nas propostas em que a linguagem oral não é o foco principal. Por exemplo, quando estamos numa atividade de construção com blocos ou mesmo numa pintura coletiva no chão, ela consegue se expressar usando gestos e olhares. Eu também tento usar mais imagens e sinais visuais pra apoiar a comunicação dela durante essas atividades.

Em relação ao espaço e tempo, eu procuro ter sempre cantinhos mais tranquilos disponíveis caso algum deles precise dar uma desacelerada no ritmo. O tempo também é algo que não apresso. Deixo eles explorarem no ritmo deles porque sei que cada um tem seu tempo de processamento.

Ainda tô tentando algumas estratégias novas pra envolver ainda mais o João nas rodas de conversa e fazer com que ele se sinta mais confortável pra participar com sua própria forma de comunicação. É um trabalho contínuo de observação e ajuste.

É isso aí, pessoal. Espero ter dado uma ideia boa de como a gente pode observar e apoiar o desenvolvimento das crianças dentro desse objetivo da BNCC. A gente vai se falando por aqui!