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EI03ET03Crianças pequenasEspaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações

Identificar e selecionar fontes de informações, para responder a questões sobre a natureza, seus fenômenos, sua conservação.

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI03ET03) Identificar e selecionar fontes de informações, para responder a questões sobre a natureza, seus fenômenos, sua conservação.

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI03ET03 faz parte do campo Espaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações, que organiza experiências de investigação do mundo físico, social e natural: noções de espaço, tempo, número, medida, transformações e relações de causa e efeito.

Características da faixa etária (4 anos a 5 anos e 11 meses)

Nesta faixa, a criança já narra com fluência, planeja brincadeiras complexas com pares, formula hipóteses, faz registros gráficos representativos e demonstra autonomia em diversas tarefas do cotidiano. É o período de aprofundamento das investigações sobre o mundo e de preparação (sem antecipação) para a transição ao Ensino Fundamental.

Práticas recomendadas: Projetos investigativos a partir de interesses das crianças, registros gráficos diversos, contato sistemático com a cultura escrita em situações reais, brincadeiras com regras simples.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Olha, minha gente, esse objetivo da BNCC que fala sobre identificar e selecionar fontes de informações para responder questões sobre a natureza é uma beleza, viu? Na prática, o que isso significa para a gente que tá no chão da sala com as crianças pequenas é oferecer experiências onde elas possam descobrir e explorar o mundo ao redor delas. Sabe aquela curiosidade natural que a criança tem? Então, é alimentar essa curiosidade com vivências que ampliem o repertório delas sobre os fenômenos da natureza, a conservação e tudo mais.

Bom, pensando na faixa etária de 4 a 5 anos e 11 meses, as crianças estão começando a fazer perguntas mais complexas, né? Elas querem entender o porquê das coisas. A gente precisa criar oportunidades para que elas possam investigar de várias formas. Ah, e importante lembrar: o foco não é ensinar um conteúdo específico, mas sim proporcionar experiências ricas para elas.

Aqui na minha turma, eu gosto de organizar umas propostas que incentivem essa exploração e descoberta. Vou contar três delas que têm funcionado bem por aqui.

Primeira proposta: caixa de natureza. Eu monto uma caixa com vários elementos naturais como gravetos, folhas secas, pedras, conchas, sementes... Coisas que a gente coleta no quintal da creche mesmo ou traz de casa. Coloco essa caixa num canto da sala onde elas podem acessar livremente. A ideia é que elas manipulem esses materiais, façam suas próprias combinações e observações. Tem dia que essa experiência dura até uma hora! As crianças vão e voltam da caixa várias vezes durante o dia.

Teve um dia que o Lucas pegou um graveto e começou a desenhar no chão da sala de cascalho do pátio. A Marina se juntou a ele e começaram a desenhar uma linha comprida. Eu perguntei o que estavam fazendo e o Lucas respondeu “é uma estrada pros formiguinhas passarem”. Eu fiquei ali do lado observando e fazendo perguntas para instigar eles a falarem mais sobre aquela “estrada”. É assim que eu vou mediando esses momentos, sem comandar, mas participando das descobertas deles.

Segunda proposta: mini horta comunitária. Isso é maravilhoso porque vai além da sala de aula e envolve a família também. A gente usa garrafas PET cortadas como vasos, terra e algumas sementes de fácil cultivo como feijão ou girassol. As crianças adoram ver as plantinhas crescendo ao longo dos dias. A mini horta fica num cantinho do pátio onde bate solzinho bom.

As famílias também participam trazendo mudas ou sementes de casa. Da última vez que fizemos isso, a Ana chegou contando que viu em casa como o tomate crescia na horta do avô dela. Fiquei encantada com a alegria dela ao ver o girassol brotar aqui na creche.

Ao longo das semanas, as crianças se revezam pra regar as plantas e observam as mudanças que acontecem nas plantas. Eu vou mediando perguntando coisas como “o que vocês acham que vai acontecer se a gente esquecer de regar?”, “por que será que algumas folhas estão amarelas?” E assim vamos construindo esse conhecimento juntas.

Terceira proposta: ciclo da água com brincadeiras de água. Ah, isso é sucesso demais! Aqui em Salvador faz calor quase o ano todo, então brincar com água é sempre bem-vindo, né? A gente usa bacias grandes com água e alguns potinhos plásticos pra criar chuva artificialmente. Também levo algumas tintas naturais feitas com beterraba ou açafrão pra colorir a água.

Essa proposta geralmente vira uma grande farra no pátio! As crianças ficam encantadas ao verem as cores se misturando na água. Na última vez que fizemos isso, o João estava super intrigado perguntando se aquela água colorida iria pro céu virar nuvem também. Aos poucos vou explicando através das brincadeiras o ciclo da água.

Nesses momentos eu vou mediando as interações entre eles também. Quando percebo alguma criança mais isolada ou sem saber o que fazer com os materiais, dou uma sugestão ou faço alguma pergunta pra incluir ela nas descobertas do grupo.

O mais bacana dessas propostas todas é ver como as crianças interagem entre si e com os materiais. Sempre acontece algum momento mágico onde uma fala ou ideia de alguma delas vira um ponto de partida pra novas explorações. Pra mim, esses momentos são valiosos porque mostram como as interações e brincadeiras são essenciais nesse processo todo.

Viu só? Trabalhar esse objetivo não precisa ser complicado; é tudo uma questão de criar ambientes ricos em possibilidades. E a gente tá sempre aprendendo junto com eles! Espero ter dado boas ideias pra vocês levarem pra sala de aula também. Até a próxima conversa!

Agora, gente, vou contar como observo o desenvolvimento das crianças em relação a esse objetivo de explorar e identificar informações sobre a natureza. Sabe, é um processo bem dinâmico e exige da gente uma sensibilidade para perceber os pequenos sinais no dia a dia. Quando a gente tá na sala com as crianças, é importante ficar atento aos gestos, às falas e até às expressões faciais delas. Por exemplo, semana passada, durante uma atividade com água e terra — que as crianças chamaram de "fazer lama" — eu vi a Sofia e o Pedro discutindo quais materiais afundavam ou boiavam. A Sofia, com os olhinhos brilhantes, dizia: "Olha, o palito flutua!" enquanto o Pedro insistia que a pedra ia afundar só se ele jogasse com força. Esse tipo de troca entre eles é um sinal claríssimo de que a experiência tá mobilizando aprendizado.

Outro dia, durante uma caminhada pelo pátio da escola, a Laura ficou encantada com as sombras das árvores no chão. Ela começou a pular de sombra em sombra e chamou os amigos para verem como "a sombra tá mudando de lugar". Isso me mostrou que ela estava percebendo e se interessando por conceitos de luz e sombra — algo fundamental quando falamos desse objetivo.

Eu sempre procuro registrar esses momentos. Uso um caderno onde anoto observações rápidas e também tiro algumas fotos e vídeos curtos quando possível. Esses registros são muito valiosos porque me ajudam a refletir sobre as experiências que estamos oferecendo e pensar em como podemos ajustá-las ou ampliá-las nas próximas semanas. Se vejo que um grupo está muito interessado em algo específico, tipo galhos e folhas no chão, eu posso planejar uma vivência de coleta e classificação desses materiais, por exemplo.

Esse objetivo está profundamente ligado a vários direitos de aprendizagem das crianças. Conviver é um deles, porque nessas experiências elas estão sempre interagindo umas com as outras, seja discutindo se determinada folha é maior que outra ou ajudando um amigo a encher um balde de água. É essencial essa troca entre eles.

Outro direito que aparece muito é o Brincar. As crianças descobrem o mundo pelo brincar, né? E quando elas tão ali envolvidas em brincadeiras de faz-de-conta no jardim, explorando texturas de folhas ou criando pequenas histórias com pedras e gravetos, elas tão aprendendo pra valer. O Explorar também é uma constante — elas estão sempre investigando novos materiais, testando hipóteses, como quando o João insistiu em descobrir qual folha fazia mais barulho quando amassada.

Falando no João, ele tem suspeita de TEA e eu sempre penso em formas de adaptar as experiências pra ele. Uma coisa que funciona bem é organizar o espaço pra que ele tenha algumas referências visuais claras do início ao fim da proposta. Cartazes com imagens sequenciais ajudam bastante. Também ofereço materiais sensoriais variados — como areia mágica ou bolinhas texturizadas — que ele adora manipular enquanto observa os amigos.

Já pra Bia, que tem um atraso de linguagem, eu costumo usar cartões com imagens e palavras relativas à experiência do dia. Isso não só auxilia na compreensão dela mas também incentiva novas tentativas de comunicação. Durante uma atividade com tinta, ofereci pincéis de diferentes tamanhos pra ela explorar outras formas de expressão além da fala.

Organizar o tempo também é algo essencial. Pro João pode ser necessário mais tempo para transições entre atividades; então eu aviso ele um pouco antes dos outros sobre mudanças no ambiente. E pro grupo em geral, permito intervalos entre momentos intensos de exploração pra que todos possam se acalmar e processar o que vivenciaram.

Claro que nem tudo sempre sai perfeito, mas o importante é a gente tá ali observando e ajustando conforme necessário. A cada dia aprendo algo novo sobre como mediar essas experiências de maneira inclusiva e acolhedora.

E assim vamos caminhando com o grupo. É sempre um desafio gostoso ver as coisas pelos olhos das crianças e acompanhar cada pequena descoberta delas. Espero que tenham gostado de saber um pouco mais do nosso dia a dia por aqui. Vou ficando por aqui agora, mas qualquer coisa estamos por aqui no fórum pra trocar mais ideias. Abraços!