Olha, minha gente, quando a gente pensa nesse objetivo da BNCC que fala sobre observar e descrever mudanças em materiais, eu vejo como uma oportunidade incrível pra ampliar o repertório das crianças pequenas. Na prática, isso significa dar espaço pra elas explorarem e experimentarem com diferentes materiais e verem como eles reagem a diversas ações, sabe? Porque nessa faixa etária, de 4 a 5 anos, as crianças são super curiosas e adoram mexer em tudo, sempre perguntando "e se eu fizer assim?" ou "o que acontece se...?". A ideia aqui não é dar respostas prontas, mas criar ambientes onde elas possam descobrir por conta própria. E é através dessa vivência lúdica que elas começam a entender mais sobre o mundo ao seu redor.
Aqui na minha turma do Grupo 3, a gente vive essa experiência de várias maneiras. Uma proposta que sempre dá muito certo é a brincadeira com água. A gente organiza um espaço no pátio, com bacias, copos plásticos, conchas, peneiras e diferentes tipos de materiais que podem ser misturados com a água, como areia, pedrinhas e pedaços pequenos de papel. O tempo da atividade varia, mas geralmente deixamos rolar por uma hora ou mais, dependendo do interesse das crianças. Elas adoram descobrir como misturar areia com água forma lama ou como o papel afunda ou flutua. E o mais legal é ver as interações entre elas, compartilhando descobertas e fazendo perguntas umas às outras. Como mediadora, eu fico por perto observando e faço perguntas que possam instigar mais curiosidade: "O que você acha que acontece se colocar mais areia?" ou "Por que será que isso afundou?". Da última vez que fizemos essa proposta, o Pedro ficou fascinado ao perceber que se ele colocasse devagarzinho a areia na água ela começava a formar pequenas ilhas antes de afundar de vez. Foi um momento de muita conversa entre ele e os amigos.
Outra proposta que trabalhamos na sala é a exploração com argila. Colocamos uma mesa grande na sala e distribuímos pedaços de argila pra cada criança. Junto com a argila, oferecemos gravetos, folhas secas, sementes e pedrinhas. A ideia é que as crianças possam explorar as diferentes texturas e formas que podem criar. Essa atividade normalmente dura uns 40 minutos a uma hora também. As reações são sempre variadas: umas crianças gostam de fazer formas e modelos específicos e outras simplesmente adoram amassar e sentir a textura nos dedos. Durante uma dessas atividades, a Sofia combinou várias sementes diferentes na argila criando um "jardim mágico" (como ela chamou). Eu ajudei perguntando sobre as cores das sementes e o jardim dela foi crescendo com cada comentário dos colegas.
E tem ainda as experiências com gelo colorido. Essa é uma atividade pra dias quentes! Preparar é fácil: basta congelar água com um pouco de corante em bandejas de gelo. Depois levamos os cubinhos pra área externa numa bandeja grande e deixamos as crianças explorarem. É interessante ver como elas observam os cubos derretendo ao sol ou nas mãos quentes delas mesmas. Dura enquanto os cubos não derretem completamente ou até interesse durar — geralmente uns 30 minutos a uma hora. Elas ficam maravilhadas ao perceber como as cores vão se misturando conforme o gelo derrete. A interação nesse caso vai além do conversado: é feito de olhares e partilha silenciosa da descoberta em grupo. Na última vez que fizemos isso, o Lucas notou que o gelo azul estava deixando suas mãos meio verdes quando ele segurava junto com um cubo amarelo. Ele ficou encantado! Eu apenas disse: "Olha como as cores se misturam...".
Essas vivências são riquíssimas porque vão além da mera observação: são momentos de interação intensa e brincadeira plena. As crianças não são passivas — elas estão ativamente criando conhecimento! E pra gente que media o processo, é uma chance preciosa de aprender junto com elas sobre o jeito único como cada criança percebe o mundo.
E assim seguimos nesse trabalho apaixonante. Espero que essas ideias ajudem vocês aí também!
Olha, aqui na minha turma do Grupo 3, a gente vive essa experiência de várias formas. E o mais bonito é observar como cada criança se envolve e descobre algo novo. Não é que a gente fica ali dizendo "ah, isso tá certo" ou "isso tá errado", não. A gente observa, registra essas descobertas. Por exemplo, quando o Pedro pega uma pedrinha na mão e fica esfregando na terra pra ver se muda de cor, ele nem percebe, mas tá ali já investigando. E eu fico de olho nessas pequenas ações. Às vezes, ele chama a Valentina e pergunta: "E se a gente colocar água, será que muda também?" Esse tipo de interação é muito rico, porque eles tão conversando, trocando ideias, tentando novas possibilidades.
Eu costumo registrar essas situações no meu caderno de observação. Não escrevo tudo na hora, né? Mas sempre que tem um momento mais calmo, faço umas anotações sobre as falas das crianças, os gestos que elas usam. Às vezes tiro uma foto ou faço um vídeo curto quando as crianças estão bem concentradas numa atividade. Esses registros ajudam a ver a progressão ao longo do tempo e também a ajustar futuras experiências ali na sala.
Por exemplo, ao perceber que muitas crianças ficavam encantadas em ver a água mudar de cor quando usamos corantes naturais, pensei em trazer novos materiais que pudessem ser misturados com água pra ver diferentes reações. Eu já sabia que eles gostavam dessas experiências meio “cientistas”, então trouxe bicarbonato de sódio e vinagre pra eles explorarem juntos. Ah, foi uma festa! Cada um queria tentar algo e ver o que acontecia. Eu só media esses momentos, incentivando as crianças a falarem sobre o que estavam sentindo e vendo.
Agora vamos falar sobre os direitos de aprendizagem. Esse objetivo da BNCC que estamos conversando se conecta muito com os direitos de Brincar, Explorar e Expressar. No dia a dia, vejo isso acontecendo quando as crianças estão livres pra mexer nos materiais e criar suas próprias experiências. Na hora da brincadeira com massinha caseira, por exemplo, elas estão explorando texturas, misturando cores e expressando suas sensações: "Olha como ficou macia!” ou “Essa ficou igual areia!”. Tem também aquele momento em que o João inventa de misturar folhas secas com tinta e papel: ele tá explorando e expressando o que vê através dos materiais.
Ah, mas cada criança tem seu tempo e jeito de aprender, né? Aqui na turma temos o João, que tem suspeita de TEA, e Bia, que tem um atraso de linguagem. Pra eles, eu ajusto algumas coisas pra garantir que possam participar plenamente das atividades. Com o João, eu uso mais suportes visuais: cartazes com imagens das etapas das atividades ajudam ele a entender o que tá rolando. Também crio cantinhos menos estimulantes da sala pra ele se refugiar quando precisa de um tempo mais calmo. Já com a Bia, uso materiais que incentivam a comunicação não-verbal. Ela adora usar cartões com figuras pra escolher com qual material quer brincar ou o que gostaria de fazer em seguida.
Uma vez criamos uma atividade onde todos podiam escolher um material e experimentar suas mudanças com água. Pro João, eu organizei um espaço onde ele pudesse ver bem os outros amigos e tivesse apoio pra acompanhar as interações. Proporcionar esse ambiente acolhedor foi importante pra ele se sentir seguro e participar ativamente da exploração.
Com a Bia foi interessante porque ela ficou encantada com as esponjas coloridas. Ela começou a encher as esponjas com água e apertá-las sobre bandejas com papéis absorventes. Eu fiquei ali do lado mediando quando ela chamava os colegas para verem o efeito do gotejamento no papel: ela não dizia muito, mas apontava e fazia gestos animados! Foi um momento onde percebi como essa adaptação fazia sentido pra ela.
Ainda tem muito o que ajustar e tentar com essas crianças porque cada dia é uma descoberta nova mesmo! Tem vezes que uma ideia não funciona tanto quanto eu esperava e aí volto pro planejamento pra adaptar novamente. O importante é observar sempre como eles reagem e vão se desenvolvendo ao longo do tempo.
Então é isso, minha gente! Vou ficando por aqui porque as histórias são muitas mas o tempo não para. Espero ter ajudado compartilhando um pouquinho do nosso dia a dia na creche. Vamos seguir trocando experiências que aprendemos muito umas com as outras. Até mais!