Olha, quando a gente fala do objetivo EI02ET07 da BNCC, estamos falando sobre como as crianças começam a perceber o mundo ao seu redor e a fazer relações com ele. Elas ainda não estão contando como a gente adulto faz, mas estão, sim, começando a experimentar essa ideia de quantidade e organização do ambiente ao redor delas. Sabe quando a criança tá brincando com um monte de bloquinhos e começa a agrupar, juntar e falar sobre o que tá vendo? É isso! Elas podem não saber que aquilo ali é contar, mas é assim que começa.
Na prática, uma criança de 2 ou 3 anos pode pegar umas pedrinhas no parquinho e dizer "um, dois, três" enquanto coloca uma do lado da outra. Pode ser que ela nem conte na ordem certa, mas o importante é que ela tá explorando essa ideia de número e quantidade. Ou então, quando elas tão na rodinha contando quantos coleguinhas tem ali sentados. É uma forma de elas entenderem com quantas pessoas elas tão interagindo.
Vou contar pra vocês três propostas que tenho feito aqui na minha turma pra trabalhar isso. A primeira é uma brincadeira bem simples, mas que as crianças adoram: o jogo das tampinhas coloridas. Eu junto um monte de tampinhas de garrafa PET de várias cores e espalho pelo tapete na sala. O espaço fica livre pra elas circularem e explorarem cada cantinho. As crianças têm muita liberdade de tempo nessa proposta, geralmente deixo uns 30 minutos, mas se percebo que estão muito engajadas, posso estender um pouquinho mais.
Nessa brincadeira, cada criança pode pegar as tampinhas e agrupar por cor, tamanho ou quantidade, como preferirem. Lembro da última vez que fizemos isso, a Ana e o Marcos estavam tão concentrados juntando as tampinhas azuis e amarelas em montinhos separados. A Ana chegou pra mim toda animada dizendo "Helena, olha só quantas azuis eu achei!" E aí eu aproveitei pra mediar: "Quantas você acha que tem aí? Vamos contar juntos?" Sem pressionar, só convidando ela a refletir sobre o que já tinha feito.
Outra atividade que fazemos é no refeitório, durante o lanche. Eu trago a proposta pros momentos mais cotidianos também. Coloco as frutas cortadas em pedaços num prato grande e cada um pega quantos quiser. Aí começa a contação espontânea. "Eu peguei três pedaços de maçã", diz o João todo orgulhoso mostrando pra turma. A interação entre eles é encantadora e eu me coloco como observadora e mediadora. Se percebo que estão interessados, pergunto "Será que o João pegou mais maçãs ou mais bananas?" E eles começam a discutir sobre quem pegou mais ou menos.
A terceira proposta envolve os livros na nossa rodinha de leitura. As crianças adoram quando eu leio histórias ilustradas. Sempre pego livros cheios de figuras e personagens. Depois da leitura, convido as crianças a contarem quantos personagens apareceram na história ou quantos animais elas conseguem encontrar nas imagens. É incrível como a imaginação delas voa! Na última vez que fizemos isso, a Maria apontou pra uma página cheia de desenhos coloridos e disse "Tem muitos passarinhos aqui!" E eu perguntei "Quantos você consegue contar?" Ela ficou apontando e dizendo os números do jeitinho dela.
Sempre me preocupo em não apressar as crianças ou exigir corretude na contagem. O importante é deixar esse espaço aberto pra exploração e pra descoberta pessoal delas. Cada criança tem seu tempo e sua maneira de compreender o mundo, né?
Essas propostas são ótimas porque permitem muita interação entre as crianças e promovem brincadeiras significativas onde elas realmente usam sua curiosidade natural. O nosso papel como educadoras é proporcionar esses ambientes ricos em possibilidades e estar ali junto com eles nesse processo de descoberta.
Espero que essas ideias ajudem vocês também! Vamos conversando por aqui sempre que precisar!
tá brincando com a água e começa a perceber que, se enche o baldinho até a boca, vai derramar. Isso é uma forma de entender o volume, de fazer a relação entre quantidade e espaço. Aqui na minha turma, eu observo muito esses momentos. Pode parecer simples, mas são momentos ricos de aprendizagem.
Ah, e como é que eu observo isso tudo? Bom, na rotina do dia a dia, eu tô sempre de olho, sempre presente nas brincadeiras e nas explorações das crianças. Um exemplo foi quando a Sofia tava na área de construção com aqueles blocos grandões. Ela começou a empilhar blocos e foi falando "alto, mais alto". Cada vez que a torre caía, ela ria e começava tudo de novo, mas mudava um pouquinho a estratégia. Isso mostra como ela tá testando hipóteses e percebendo o espaço ao redor. Também teve o Pedro, que ao brincar com os carrinhos notou que não conseguia passar dois carrinhos pelo túnel ao mesmo tempo. Ele ficou ali tentando de várias maneiras até conseguir passar um de cada vez, e isso me mostrou como ele tava entendendo as relações de espaço.
O que eu faço é registrar esses momentos. Tenho um caderninho onde anoto essas observações e costumo tirar umas fotos ou fazer vídeos curtos também, quando dá. Não é pra julgar ou avaliar se acertaram, é pra entender o processo de cada um. Com esses registros em mãos, consigo planejar as próximas propostas pensando nesses interesses que eles têm mostrado.
Falando dos direitos de aprendizagem, eu vejo muito esses três acontecendo: Brincar, Explorar e Conhecer-se. A brincadeira é o motor de tudo, né? É através dela que eles experimentam, testam e descobrem. Por exemplo, na brincadeira no tanque de areia, eles pegam as pás e começam a fazer montinhos. Aí vêm aquelas conversas "meu maior que o seu", "vou fazer mais um", e assim vão explorando as quantidades. Nesse processo também tão explorando o espaço físico e as possibilidades que ele oferece.
Já no explorar, são aquelas situações onde eles tão ali descortinando o mundo ao redor deles. Um dia na roda de história contei sobre um bichinho da nossa horta e depois vi a Ana e a Luiza lá fora tentando achar o bicho na natureza de verdade. Elas tão conhecendo o entorno delas e buscando relações com o que foi contado.
E conhecer-se... esse é lindo de ver! É quando percebo uma criança tipo o Miguel, que coloca o dedo na terra pela primeira vez com aquela carinha de receio, mas depois vai se soltando e acaba adorando a sensação da areia entre os dedinhos. Ele tá se descobrindo e isso faz parte do aprendizado.
Agora, pensando no João que tem suspeita de TEA e na Bia com atraso de linguagem, aí eu dou uma atenção especial mesmo pras propostas serem acessíveis pra eles também. Com o João, por exemplo, eu tento diminuir os estímulos visuais quando possível porque ele fica mais confortável assim. Então ao invés de colocar muitos brinquedos à vista ao mesmo tempo, eu deixo só alguns pra ele ir explorando aos poucos. Teve um dia que ofereci caixas transparentes com tampas diferentes pra ele explorar abrir e fechar - ele adorou ficar testando as tampas por conta própria!
Já pra Bia, eu uso muita música e gestos nas atividades porque ela responde bem a esse estímulo. Quando vamos contar histórias ou fazer rodas de conversa, eu sempre incluo músicas relacionadas ao tema pra ela poder participar mais ativamente através dos sons e dos movimentos corporais.
Ainda tô buscando formas mais eficazes de incluir cada vez mais eles nas experiências do grupo. Tem dias que dá super certo e outros nem tanto... mas faz parte né? O importante é continuar tentando criar um ambiente acolhedor e estimulante pra todos.
É isso minha gente! Espero ter dado uma luz aí sobre como eu vejo esse objetivo em ação aqui na minha creche. E vocês? Como têm observado isso nos grupos de vocês? Vamos seguir trocando ideias!