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EI02ET06Crianças bem pequenasEspaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações

Utilizar conceitos básicos de tempo (agora, antes, durante, depois, ontem, hoje, amanhã, lento, rápido, depressa, devagar).

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI02ET06) Utilizar conceitos básicos de tempo (agora, antes, durante, depois, ontem, hoje, amanhã, lento, rápido, depressa, devagar).

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI02ET06 faz parte do campo Espaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações, que organiza experiências de investigação do mundo físico, social e natural: noções de espaço, tempo, número, medida, transformações e relações de causa e efeito.

Características da faixa etária (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses)

Esta faixa é marcada pela explosão da linguagem oral, pela ampliação do repertório motor (correr, saltar, subir, descer) e pela consolidação do brincar simbólico (faz de conta). É também o período do reconhecimento das próprias emoções, dos primeiros conflitos sociais e do enfrentamento das frustrações. O 'não' afirmativo é parte legítima desse desenvolvimento.

Práticas recomendadas: Brincadeira de faz de conta com objetos abertos, propostas de exploração com materiais não estruturados (tampinhas, tecidos, caixas), espaços para corrida e movimento amplo, mediação atenta nos conflitos.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Oi, pessoal! Hoje vim aqui compartilhar um pouco sobre como a gente trabalha um objetivo da BNCC que é muito interessante e cheio de possibilidades: os conceitos básicos de tempo. Olha só, na prática, isso não é sobre a gente ficar sentado ensinando as crianças o que é "ontem" ou "amanhã". Na verdade, é muito mais sobre criar experiências onde esses conceitos podem emergir naturalmente através das interações e brincadeiras.

As crianças bem pequenas tão sempre imersas em experiências que envolvem tempo, mesmo que ainda não tenham muita clareza disso. Por exemplo, quando a gente canta uma música de roda que começa devagar e depois acelera, elas vão percebendo a diferença entre rápido e devagar. Ou então quando a gente faz uma rotina diária com as mesmas atividades acontecendo mais ou menos na mesma ordem, elas começam a entender essa noção de sequência — uma coisa vem antes, outra vem depois.

Aqui na minha turma do Grupo 2 e 3, gosto de criar momentos onde esses conceitos de tempo aparecem sem esforço. Vou compartilhar três propostas que a gente faz por aqui que são muito legais.

A primeira proposta envolve música e movimento. A gente usa instrumentos não estruturados, como latas, potes de plástico, tampinhas e até colheres de pau. Organizo o espaço deixando esses materiais disponíveis num canto da sala, onde as crianças podem pegar e experimentar à vontade. A ideia é começar uma roda onde primeiro batucamos devagar, e aí vou mediando para irmos acelerando juntos. Dura uns 15 minutos porque sei que crianças dessa idade não ficam paradas por muito tempo. Na última vez que fizemos essa proposta, a Ana começou batendo rapidinho antes do tempo e o Pedro olhou pra ela e disse "devagar, Ana!" Foi ótimo ver como eles tão começando a pegar essas noções e até ajudando uns aos outros.

Outra atividade que as crianças adoram é o circuito sensorial. Nele eu organizo um caminho com materiais como tecidos de diferentes texturas, almofadas pra pisar, caixas pra passar por cima ou por baixo, água numa bacia pra mexer com os pés. Coloco tudo isso no quintal da creche, aproveitando o espaço ao ar livre que temos. Durante uns 20 minutos eles exploram esse circuito no próprio ritmo e cada um tem sua experiência única. O Luis demorou um tempão só na bacia d’água da última vez, enquanto a Sofia tava toda animada passando correndo pelas almofadas. E eu vou mediando perguntando "O que vem depois?", incentivando eles a pensarem na sequência.

Por fim, uma proposta bem bacana é a brincadeira com sombras ao ar livre. Num dia de sol forte saímos com alguns lençóis brancos e penduramos entre as árvores. Deixo eles experimentarem como as sombras se movimentam com o sol ao longo do dia. Eles adoram ver como suas próprias sombras mudam de tamanho conforme se movem devagar ou depressa. A atividade acontece pela manhã e volto à tarde pra mostrar como as sombras tão diferentes! Quando fizemos isso pela última vez, a Joana falou "minha sombra ficou pequena agora!" É nessa observação que vou mediando questionamentos sobre o que mudou desde a manhã.

Gosto dessas propostas porque elas são ricas em interações: entre as crianças, com os materiais e comigo também. E mais importante: elas estão brincando! Não tô ali pra ensinar algo específico naquele momento; tô ali pra proporcionar vivências onde esses conceitos aparecem naturalmente e eles vão ampliando seu repertório.

Acho que entender esse objetivo da BNCC como algo fluido faz toda a diferença. E a beleza tá em ver essas pequenas epifanias das crianças quando se dão conta do tempo através de suas próprias vivências. Espero ter ajudado vocês com algumas ideias! Até a próxima conversa!

Outro dia, aqui na minha turma, a gente tava no parquinho, e o Vitor, que é super observador, começou a perceber a sombra dele se mexendo conforme ele andava. Ele chamou a Isabela e falou: "Olha, Isa, minha sombra tá indo pra lá!" Isso foi uma pista clara pra mim de que ele tava começando a se dar conta das mudanças ao longo do tempo e do espaço. Essas são as sutilezas que mostram como a exploração do tempo pode começar a ser percebida pelas crianças. E não é que eu vou lá e explico tudo certinho sobre o sol, não... é mais sobre deixar esse tipo de descoberta fluir e observar como eles lidam com isso.

Na rotina diária, eu costumo registrar essas observações num caderno que chamo de Diário de Bordo. Ah, é uma ferramenta excelente, viu? Assim, quando a gente vê essas sacadas que as crianças têm, eu anoto rápido ali mesmo. Às vezes tiro uma foto ou faço um vídeo curtinho se o momento for daqueles especiais. Aí depois uso esses registros pra pensar em novas propostas ou ajustar as que já tão rolando.

No caso do objetivo EI02ET06 que tem esse foco nos conceitos de tempo e espaço, eu vejo muitos sinais nas falas das crianças. Tipo quando elas falam sobre o almoço que vai "demorar" ou sobre o brinquedo que tava "ali ontem". Até nas escolhas delas durante as brincadeiras, como construir uma pista de carrinhos e falar que um carro chegou "primeiro". Esses pequenos gestos falam muito sobre como elas tão começando a entender e explorar esses conceitos.

Agora, falando dos direitos de aprendizagem, vejo muito o Explorar acontecendo nessas atividades. As crianças são naturalmente curiosas e querem descobrir tudo sobre o mundo ao redor delas. Lembro de uma vez em que espalhamos folhinhas pelo pátio e a turma ficou tentando adivinhar de qual árvore elas tinham caído. Isso mostra como exploram o ambiente ao redor tentando fazer essas relações.

O Brincar também é um direito super mobilizado. Quando as crianças tão organizando uma brincadeira de faz de conta e começam a negociar quem vai ser quem na família ou quem vai ser o motorista do ônibus "que chega amanhã", elas tão praticando o entendimento do tempo sem nem perceber. É aí que tá a beleza do brincar!

E claro, Conviver é essencial porque essas interações entre eles mesmos ajudam muito. Eles discutem, compartilham ideias e percepções, aprendem uns com os outros sobre essas noções de tempo e espaço sem precisar de um adulto estruturando tudo.

Mas é importante lembrar que cada criança tem seu jeito único de viver essas experiências. Aqui na nossa turma tem o Joãozinho, ele tem suspeita de TEA, então eu sempre penso em como tornar as propostas mais acessíveis pra ele. Por exemplo, ele gosta muito de brinquedos com movimento repetitivo, então usamos carrinhos ou bolas pra trabalhar a ideia de ida e volta no tempo e no espaço. Ajuda muito dar a ele mais tempo pra se apropriar da brincadeira no próprio ritmo.

Com a Bia, que tem um atraso na linguagem, eu tento usar muitos recursos visuais. Ela adora imagens e desenhos! Então faço cartões com sequências de atividades cotidianas pra ela organizar, tipo "primeiro tomamos café, depois vamos pro parquinho". Isso ajuda ela a se situar melhor no tempo e participar mais das conversas durante as rotinas.

Tem vezes que o espaço precisa ser ajustado também. Com o Joãozinho, tento manter um cantinho mais tranquilo onde ele pode ir se sentir sobrecarregado com muitos estímulos ao mesmo tempo. A ideia é dar um equilíbrio entre momentos mais ativos e outros mais calmos pra que todos possam participar dentro das suas possibilidades.

Claro que sempre tem desafios e nem tudo funciona de cara. Já tentei uns quebra-cabeças com sequência que ninguém se interessou muito! Mas faz parte da gente ir ajustando conforme observa as respostas deles.

Bom, pessoal, acho que deu pra compartilhar um bocado! Agradeço se puderem dividir também as experiências de vocês porque é sempre enriquecedor saber como cada uma tá lidando com esses objetivos na prática do dia a dia. Vamos continuar essa conversa! Beijo grande!