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EI02ET08Crianças bem pequenasEspaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações

Registrar com números a quantidade de crianças (meninas e meninos, presentes e ausentes) e a quantidade de objetos da mesma natureza (bonecas, bolas, livros etc.).

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI02ET08) Registrar com números a quantidade de crianças (meninas e meninos, presentes e ausentes) e a quantidade de objetos da mesma natureza (bonecas, bolas, livros etc.).

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI02ET08 faz parte do campo Espaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações, que organiza experiências de investigação do mundo físico, social e natural: noções de espaço, tempo, número, medida, transformações e relações de causa e efeito.

Características da faixa etária (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses)

Esta faixa é marcada pela explosão da linguagem oral, pela ampliação do repertório motor (correr, saltar, subir, descer) e pela consolidação do brincar simbólico (faz de conta). É também o período do reconhecimento das próprias emoções, dos primeiros conflitos sociais e do enfrentamento das frustrações. O 'não' afirmativo é parte legítima desse desenvolvimento.

Práticas recomendadas: Brincadeira de faz de conta com objetos abertos, propostas de exploração com materiais não estruturados (tampinhas, tecidos, caixas), espaços para corrida e movimento amplo, mediação atenta nos conflitos.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Oi, minha gente! Hoje vou contar como a gente trabalha com o objetivo de registrar quantidades com as crianças do Grupo 2 e 3, viu? Olha, quando a gente fala desse negócio de criança registrar quantidades, a gente tá falando de viver experiências que ajudam os pequenos a perceberem o mundo em números, mas de um jeito natural, nada de aula chata ou coisa assim.

Agora, quando a gente pensa em número com as crianças pequenas, não é sobre "ensinar" matematicamente os números. É sobre vivenciar situações onde eles percebem diferença de quantidade e começam a associar aquilo com os números. Tipo assim, se tem cinco tampinhas e depois só duas, eles percebem que tem menos tampinhas. A criança dessa idade tá sempre observando e tentando entender o mundo ao redor. Então, se a gente oferece as experiências certas, elas mesmas começam a fazer essas associações.

Vou contar pra vocês três propostas que eu faço sempre aqui na minha turma e que ajudam muito nessa percepção dos números e quantidades.

A primeira proposta é uma brincadeira que gosto de chamar de "Mercadinho Vivo". A gente organiza o espaço com várias caixas espalhadas pelo chão e dentro dessas caixas eu coloco um monte de coisas não estruturadas: tampinhas, gravetos, pedrinhas, pedacinhos de tecido. Cada caixa é um "setor" do mercadinho e aí as crianças podem pegar essas coisas e colocar em outras caixinhas menores como se fossem suas sacolinhas. Antes disso, a gente observa junto as quantidades. Por exemplo: "Quantas tampinhas azuis você tem?" ou "Será que você tem mais gravetos ou tampinhas?". E eles adoram! Eles pegam, olham, voltam pra pegar mais. Um dia desses o João virou pra mim e falou: "Tia Helena, eu peguei mais pedras que a Maria!" e foi uma festa. Esse tipo de proposta pode durar uns 30 minutos ou mais dependendo do interesse da turma. Eu sempre procuro não intervir muito, só dou aquelas questões pra eles irem pensando. A ideia é deixar rolar.

Outra proposta legal é a "Roda das Ausências". Bem simples: no começo da manhã a gente faz uma roda e canta músicas juntos. Depois, eu falo: "Hoje quem não veio brincar com a gente?" e começamos a contar quem tá presente e quem tá ausente. Eu não me preocupo em fazer lista nem nada disso com nomes certinhos nessa fase. É mais sobre perceber mesmo: "Hoje temos menos amigos na roda" ou "Temos mais meninas hoje". E as crianças participam ativamente disso sem perceber que estão contando ou pensando em números.

A terceira proposta que quero compartilhar é bem envolvente: é a "Caça ao Tesouro Numérico". Para essa proposta, eu escondo pela sala alguns saquinhos com sementes numeradas com bolinhas coloridas (cada bolinha representa uma quantidade). As crianças têm que encontrar esses saquinhos e trazer pra roda. Aí, na roda, a gente abre juntos os saquinhos e observa quantas sementes têm dentro conforme as bolinhas indicam. Isso ajuda eles a fazerem associações de quantidade real com algo concreto na mão deles. Na última vez que fiz isso, o Pedro encontrou um saquinho com três bolinhas vermelhas e ficou todo empolgado: "Olha quantas eu achei!" As crianças adoram o desafio da busca e depois ficam super curiosas observando o que têm nas mãos.

E enquanto tudo isso acontece, o papel da gente é estar ali mediando essas descobertas. Eu costumo dizer que nessa fase nosso papel é mais de observadora atenta do que qualquer outra coisa. De vez em quando faço umas perguntas para provocar o pensamento deles: "Será que tem mais sementes do que bolinhas?" ou "Quantos gravetos cabem na sua caixinha?". Assim, eles vão ampliando o repertório deles naturalmente.

Bom, minha gente, espero que essas ideias ajudem vocês aí na prática com os pequenos! A gente sabe que cada dia é um dia diferente na creche e o importante é estar sempre preparado para as surpresas que esses pequenos nos trazem. Aquele abraço e até a próxima!

Oi, pessoal! Continuando aqui sobre o registro de quantidades com as crianças bem pequenas. Quando a gente fala de observar o desenvolvimento ligado a esse objetivo, é mais sobre prestar atenção nos pequenos detalhes do dia a dia, sabe? Aquele momento em que a criança pega dois brinquedinhos e depois mais três e vira pra você e diz: "Olha, tem muito!" ou então quando ela divide os bloquinhos entre os amigos e fica olhando pra ver se todo mundo tem a mesma quantidade. Isso tudo são sinais de que elas estão começando a perceber as relações de quantidade.

Aqui na minha turma, eu sempre tô de olho nos gestos e nas falas das crianças. Por exemplo, teve um dia que o Pedro chegou pra mim e falou: "Tia Helena, hoje a gente tem mais laranja?", porque ele tinha percebido que na semana passada as laranjas acabaram rápido. Então, nesse momento, eu vejo que ele tá atento às quantidades e isso é um indício do desenvolvimento dele nesse objetivo. Outra coisa que eu observo é quando a criança escolhe brincar com aquelas balanças de brinquedo, tentando equilibrar os pesos. É muito interessante ver como eles se dedicam e ficam concentrados ali.

Eu gosto de registrar essas observações no meu caderno, às vezes tiro uma foto ou faço um vídeo curto, mas sempre com o cuidado de não interferir no momento da brincadeira. Esses registros me ajudam a planejar as próximas propostas. Se eu percebo que uma criança ainda tá meio perdida com a ideia de mais/menos, tento criar situações em que isso fique mais evidente pra ela, tipo adicionar mais elementos nas brincadeiras ou propor um jogo de dar e receber onde isso fique mais claro.

Sobre os direitos de aprendizagem, eu vejo que esse objetivo mobiliza bastante o Participar, o Brincar e o Explorar. Sabe aquele momento em que as crianças estão juntas manipulando massinha ou aquelas pecinhas de encaixar? Elas estão totalmente imersas na brincadeira e participando ativamente das descobertas. Outro dia, durante uma roda de música com instrumentos, o Lucas percebeu que tinha mais pandeiros do que tamborins e comentou isso com os colegas — ali ele tava explorando as quantidades de uma maneira espontânea.

Agora, pensando no Joaozinho que tem suspeita de TEA e na Bia com atraso de linguagem, sempre busco adaptar as experiências pra serem acessíveis a eles também. Pro João, por exemplo, eu organizo o espaço de maneira que ele tenha um cantinho mais tranquilo onde possa explorar os materiais no próprio ritmo sem muita interferência. Ele gosta muito das peças maiores e coloridas, então sempre deixo algumas disponíveis pra ele poder mexer à vontade. O que eu noto é que assim ele se engaja mais nas propostas.

Já pra Bia, que tá desenvolvendo a linguagem ainda, eu uso bastante suporte visual junto com as falas. Quando vamos fazer uma atividade com contagem ou mesmo na hora do lanche, por exemplo, faço questão de usar imagens ou gestos pra apoiar o entendimento dela. Isso tem dado certo, porque ela começou a usar mais palavras pra expressar quantidade como "mais" ou "acabou". É claro que nem sempre funciona 100%, né? A gente tá sempre testando novas formas.

O importante é estar atenta às necessidades individuais das crianças e ajustar conforme elas vão evoluindo. Às vezes o que funciona numa semana pode não funcionar na outra, então a gente precisa ser flexível e criativa.

Bom, é isso aí! Espero que esse relato ajude vocês a refletirem sobre como observar o desenvolvimento dos pequenos nas experiências do dia a dia. Vou ficando por aqui hoje, mas qualquer coisa tô por aqui no fórum pra gente trocar mais ideias. Beijo grande!