Oi minha gente, tudo bem com vocês? Hoje eu quero conversar sobre um objetivo da BNCC que a gente trabalha aqui na creche com as crianças bem pequenas, entre 1 ano e 7 meses até 3 anos e 11 meses. É o EI02ET05, que fala sobre classificar objetos considerando atributos como tamanho, peso, cor e forma. Mas olha só, não vou ficar aqui só repetindo o que tá escrito na BNCC não. Vou falar como a coisa acontece mesmo no dia a dia da nossa sala, viu?
Quando a gente fala em "classificar objetos", é importante lembrar que as crianças pequenas não ficam pensando "ah, vou agora classificar os brinquedos por cor". Nada disso! Elas vão explorando o mundo ao redor delas e vão percebendo essas diferenças. É tudo muito natural. Por exemplo, quando elas estão brincando com blocos de construção, você pode observar uma criança, vamos chamar de João, pegando os blocos maiores e colocando de um lado, enquanto os menores ficam de outro. Às vezes, elas nem percebem que estão fazendo isso, mas já é uma forma de classificação.
E tem também aquela criança que adora juntar todas as tampinhas vermelhas num potinho ou então ficar encantada ao perceber que duas bolas são do mesmo tamanho. Essas experiências vão ampliando o repertório delas. Não é que a gente vai lá e ensina isso diretamente. A criança aprende no brincar, nas interações com os materiais e com as outras crianças.
Agora vou contar pra vocês três propostas que eu organizo aqui na minha turma com esse objetivo em mente. A primeira é a "exploração das tampinhas". Eu junto um monte de tampinhas de garrafa PET de diferentes cores e tamanhos. Também coloco alguns potes plásticos de tamanhos variados ali na área da sala onde normalmente deixamos os materiais soltos pras crianças explorarem. Elas chegam e começam a investigar. Da última vez que fizemos isso, o Pedro ficou fascinado em juntar todas as tampinhas azuis em um pote pequeno, mas percebeu que não cabia tudo ali. Ele veio até mim e perguntou o que poderia fazer. Eu devolvi a pergunta: "O que você acha que dá pra fazer?" E ele mesmo teve a ideia de pegar um pote maior. Foi lindo de ver!
A segunda proposta é "pesos e medidas com água". Aqui eu coloco alguns recipientes transparentes de diferentes tamanhos na varanda e uma bacia grande com água. Dou umas conchinhas e baldinhos pras crianças encherem os recipientes. Elas adoram perceber qual recipiente cabe mais ou menos água. Na última vez, a Ana ficou surpresa ao ver que o recipiente menor parecia mais pesado quando estava cheio do que o grande só com um pouquinho de água. Ela me chamou pra "mostrar" isso e nós conversamos sobre como a água podia deixar as coisas pesadas ou leves.
A terceira proposta é a "exploração com tecidos". Coloco vários pedaços de tecido de cores e texturas diferentes espalhados pela sala no chão. As crianças podem tocar, sentir, se enrolar neles ou até usar como capa de super-herói! Teve uma vez que o Lucas resolveu juntar todos os tecidos vermelhos e verdes porque queria fazer uma "bandeira". Quando ele estava montando isso, a Sofia chegou perto e começou a tocar nos tecidos sem saber direito o que estava acontecendo. Nesse momento eu fiquei por perto, mas só observando pra ver como eles iam interagir.
Em todas essas experiências, eu tento não ficar comandando ou dizendo o que deve ser feito. É mais observar como as crianças reagem aos materiais e às outras crianças e aí ajudar quando realmente precisam de algo. O mais importante é esse tempo livre pra explorar e brincar. A proposta pode durar uns 30 minutos ou até mais se eles estiverem muito interessados.
Essas experiências tão simples são muito valiosas pra eles porque além da classificação dos objetos, elas envolvem muita interação entre eles e também fazem parte da rotina do brincar aqui na creche. E isso é que faz toda a diferença nesse espaço onde elas podem ser quem são sem pressa nenhuma.
E olha, vou ficando por aqui hoje! Se tiverem experiências semelhantes aí com seus grupos ou dicas pra compartilhar, vou adorar ouvir. Até mais!
...perceber como elas começam a separar os blocos por cores ou tamanhos sem ninguém direcionar diretamente. É bem legal de observar! E a gente, como educadora, tem que estar com o olhar atento pra esses momentos, né?
Aqui na minha turma, eu fico sempre de olho aberto para captar esses sinais de desenvolvimento. E olha, uma coisa que eu noto muito é quando as crianças começam a escolher determinados materiais ou brinquedos pra brincar. Aí eu penso: "Ah, estão percebendo alguma coisa diferente aqui". Por exemplo, tinha um dia que o Pedro estava brincando com pedrinhas e começou a fazer montinhos só com as pedrinhas pequenas, deixando de lado as maiores. Eu fui lá e perguntei: "Por que você tá fazendo assim, Pedro?" E ele, na maior naturalidade, disse: "Essas são pequeninas". Isso é um sinal claro de que ele tá começando a perceber e classificar por tamanho.
Outro exemplo foi com a Ana, quando estávamos numa roda de história e ela ficou muito interessada em um livro que tinha muitas figuras coloridas. Depois, na hora do desenho livre, ela tentou usar as mesmas cores que viu no livro para desenhar. Isso mostrou que ela não só estava observando as cores, mas começando a relacionar isso nas suas próprias expressões. A cada dia vejo essas pequenas pistas e anoto tudo num caderno que eu tenho só pra essas observações. É legal porque depois dá pra olhar tudo isso e planejar novas experiências que vão ao encontro do que eles estão mostrando interesse.
Eu também tiro fotos e faço vídeos curtos de momentos chave. Mas é sempre um registro discreto, pra não interromper a concentração das crianças. Esses registros são valiosos porque ajudam a gente a recordar aqueles detalhes que às vezes passam despercebidos no dia. Quando reviso meus registros, consigo pensar em novas propostas que podem expandir essas aprendizagens.
Em relação aos direitos de aprendizagem que esse objetivo mobiliza, eu diria Conviver, Explorar e Expressar são os mais evidentes no nosso dia a dia. Conviver porque as crianças estão sempre interagindo, seja trocando blocos pra ver quem tem mais da mesma cor ou brincando juntas de faz de conta enquanto exploram diferentes materiais e texturas. Um dia o Lucas e a Sofia estavam juntos tentando montar uma torre com peças de tamanhos diferentes. Eles foram se ajudando e ajustando as peças até conseguirem equilibrar tudo direitinho. Era muito lindo ver essa cooperação acontecendo!
Explorar tem tudo a ver com essa curiosidade que as crianças têm pelo mundo ao redor delas. Elas adoram mexer em tudo, experimentar coisas novas, pegar num objeto e olhá-lo de todos os ângulos possíveis. Recentemente, a gente trouxe umas conchas grandes de um passeio à praia e deixamos num cantinho da sala pra eles explorarem à vontade. Foi interessante ver como eles perceberam o peso diferente das conchas em comparação aos brinquedos plásticos que costumam usar.
E Expressar? Ah, minha gente! Isso acontece o tempo todo quando eles estão criando suas próprias histórias durante as brincadeiras ou mesmo desenhando suas descobertas em papel. Não é só falar palavras não – eles expressam tanto com os gestos, às vezes aquele sorriso ao conseguir empilhar três cubos ou aquele brilho nos olhos quando descobrem algo novo!
Agora sobre o João que tem suspeita de TEA e a Bia com atraso de linguagem... Olha, eu sempre busco maneiras de tornar tudo mais acessível pra eles também. Pro João, a gente começou a usar mais imagens e fotos nos cantinhos da sala pra ele associar visualmente com as atividades do dia. Isso parece ajudar ele a se engajar mais nas propostas.
Com a Bia, eu ofereço materiais sensoriais diferentes pra estimular outros sentidos além da fala. Um tecido macio aqui, umas bolinhas texturizadas ali... Isso parece ajudá-la a se expressar através das mãos e dos olhares enquanto ganha confiança pra tentar comunicar mais verbalmente.
O espaço também precisa ser organizado pra garantir trânsito livre – nada de muitos obstáculos no caminho – permitindo que eles explorem no ritmo deles sem frustrações desnecessárias. E olha só: nem tudo funciona logo de início! Testo uma coisa nova toda semana até achar algo que dê certo pra cada um deles.
Bom gente, por hoje é isso! Espero que essas experiências ajudem vocês aí na sala também, viu? Vamos trocando ideias porque sempre aparece uma novidade quando a gente compartilha! Abraço forte!