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EI02ET04Crianças bem pequenasEspaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações

Identificar relações espaciais (dentro e fora, em cima, embaixo, acima, abaixo, entre e do lado) e temporais (antes, durante e depois).

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI02ET04) Identificar relações espaciais (dentro e fora, em cima, embaixo, acima, abaixo, entre e do lado) e temporais (antes, durante e depois).

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI02ET04 faz parte do campo Espaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações, que organiza experiências de investigação do mundo físico, social e natural: noções de espaço, tempo, número, medida, transformações e relações de causa e efeito.

Características da faixa etária (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses)

Esta faixa é marcada pela explosão da linguagem oral, pela ampliação do repertório motor (correr, saltar, subir, descer) e pela consolidação do brincar simbólico (faz de conta). É também o período do reconhecimento das próprias emoções, dos primeiros conflitos sociais e do enfrentamento das frustrações. O 'não' afirmativo é parte legítima desse desenvolvimento.

Práticas recomendadas: Brincadeira de faz de conta com objetos abertos, propostas de exploração com materiais não estruturados (tampinhas, tecidos, caixas), espaços para corrida e movimento amplo, mediação atenta nos conflitos.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Oi, minha gente! Hoje quero conversar com vocês sobre como a gente pode trabalhar aquelas relações espaciais e temporais com os pequenos do Grupo 2, que tem por volta de dois a três anos. Esse negócio de identificar "dentro e fora", "em cima e embaixo", "antes e depois", parece meio complicado quando a gente lê assim, né? Mas na prática, é muito mais natural do que parece, viu?

Olha, o foco aqui não é ensinar conceitos de forma direta. Com as crianças dessa idade, a gente foca em proporcionar experiências que ampliem o repertório delas sobre o mundo. Por exemplo, quando uma criança tá brincando de esconde-esconde atrás de uma cortina, ela tá vivenciando a noção de "dentro e fora" sem precisar que ninguém fique explicando isso com palavras difíceis. Quando uma criança monta uma torre de blocos e depois derruba, ela tá experimentando "em cima e embaixo", além de explorar noções de causa e efeito. E o melhor é que elas fazem tudo isso brincando!

Aqui na minha turma, uma das coisas que faço é criar propostas bem simples que ajudam as crianças a perceberem essas relações espaciais e temporais sem nem perceberem que estão fazendo isso. Vou contar pra vocês algumas das minhas experiências favoritas!

Uma proposta que amo organizar é a caixa sensorial. Eu pego uma caixa grande e coloco dentro um monte de materiais diferentes: tampinhas, tecidos, pedrinhas, conchas… coisas que as crianças possam manipular de diversas formas. Deixo essa caixa num canto da sala onde os pequenos têm acesso livre. Eles vão abrindo a caixa, explorando o que tem dentro, tirando os objetos pra fora e colocando de volta. Uma vez, a Luana pegou um tecido bem grande e começou a esconder as tampinhas embaixo dele, enquanto o Pedro tentava tirar todas as tampinhas pra fora da caixa ao mesmo tempo. Eu aproveitei pra mediar dizendo: "Olha só, Luana colocou as tampinhas embaixo do tecido! Pedro encontrou elas fora da caixa agora!" Assim eles vão percebendo essas relações espaciais na prática.

Outra atividade que as crianças amam é o circuito de obstáculos. No pátio da creche, monto um percurso usando caixas de papelão grandes, pedaços de madeira como rampas pequenas e fitas coloridas marcando caminhos no chão. As crianças adoram essa experiência de subir nas caixas, passar por baixo das rampas e seguir as fitas. A última vez que fizemos isso, o João ficou um tempão tentando equilibrar em cima da rampa antes de pular pro lado de baixo. Eu fiquei ali perto observando e vez ou outra dizia: "João tá em cima da rampa! Quem mais quer tentar?" É legal demais ver como eles exploram os espaços e testam suas habilidades motoras.

Agora vou contar sobre uma proposta que ajuda muito na compreensão do tempo: brincadeira com música e movimento. Escolho músicas conhecidas pelas crianças - aquelas bem animadas que dão vontade de dançar - e fazemos uma roda onde cantamos junto e criamos movimentos pra cada parte da música. Tem um momento que eu paro a música e digo: "Agora todo mundo congela!" As crianças aprendem sem perceber sobre essas relações temporais como antes (quando a música vai começar), durante (enquanto estamos dançando) e depois (quando paramos e descansamos). Elas se divertem tanto! Na última vez, a Sofia ficou tão empolgada tentando imitar meus movimentos que a gente quase caiu rindo no final.

O mais importante aqui é lembrar sempre dos dois eixos estruturantes: interação e brincadeira. Nessas atividades todas, a ideia é criar espaço pras crianças interagirem umas com as outras - seja compartilhando materiais na caixa sensorial, competindo amigavelmente no circuito ou dançando juntas na roda musical. E tudo isso dentro do contexto da brincadeira, pois é através dela que elas ampliam suas possibilidades expressivas e cognitivas.

A gente precisa respeitar o tempo das crianças, viu? Nem sempre elas vão entender tudo de primeira - mesmo porque o objetivo não é esse. O importante é proporcionar oportunidades ricas onde elas possam vivenciar esses conceitos sem pressa, descobrindo no seu próprio ritmo.

Então é isso! Espero ter ajudado vocês a entenderem um pouquinho melhor como trabalhar essas relações espaciais e temporais com os pequenos. No fim das contas, nosso papel é esse: criar ambientes seguros onde eles possam explorar livremente e crescer felizes. Até a próxima!

Ah, minha gente, continuando a conversa, uma coisa que eu observo muito no desenvolvimento das crianças é como elas começam a perceber e usar esses conceitos de espaço e tempo na rotina. A gente vai percebendo isso nas pequenas coisas do dia a dia. Por exemplo, quando o grupo tá lá na hora do lanche e uma criança fala: "Eu quero sentar do lado da Ana", ela já tá demonstrando uma compreensão de espaço, né? Ou então, quando a gente brinca de seguir o líder pelo pátio e uma criança diz "Agora é a minha vez!", aí ela tá se situando no tempo e na sequência dos turnos.

Na sala, eu observo esses momentos e registro em um caderno que sempre levo comigo. É um caderninho simples mesmo, onde anoto as falas mais significativas, os gestos que me chamam a atenção, as tentativas de interação. Às vezes tiro fotos ou faço vídeos curtos de situações que mostram bem essas descobertas. Isso tudo me ajuda a compreender melhor como cada criança tá vivenciando e processando essas experiências.

Esses registros são preciosos pra gente ajustar as próximas propostas. Se percebo que uma certa brincadeira gerou muito interesse ou se uma criança mostrou uma nova habilidade, penso em formas de aprofundar isso nas atividades seguintes. Por exemplo, se notei que o João tá começando a explorar mais o espaço ao redor dele, posso propor uma nova brincadeira de circuito com obstáculos pra desafiar essa exploração de maneira divertida.

Quanto aos direitos de aprendizagem, esse objetivo se conecta muito com o Explorar e o Conviver. Na exploração do espaço, as crianças tão descobrindo o ambiente ao redor delas, testando limites, entendendo distâncias. E no convívio, elas tão aprendendo sobre a relação com o outro, sobre como se posicionar no espaço ao lado dos colegas.

Por exemplo, quando a Ana tá ali na roda de leitura e decide mudar de lugar pra ficar mais perto do livro, ela tá exercitando tanto o direito de explorar quanto o de conviver. Ela se desloca no espaço (exploração) mas também faz isso considerando a presença dos outros (convivência). É bonito ver como essas aprendizagens vão se entrelaçando naturalmentinho no dia a dia.

Agora, falando do João e da Bia, eles têm necessidades específicas que eu tento atender com algumas adaptações. Pro João, que tem suspeita de TEA, procuro criar um ambiente mais previsível. A organização dos espaços é sempre parecida: a mesa de atividades num canto específico, os brinquedos de construção em outro. Isso ajuda ele a entender os limites e as possibilidades daquele espaço sem surpresas que possam gerar ansiedade.

Também uso muito materiais visuais com ele. Tipo cartões com fotos das atividades pra ele saber o que vem a seguir; isso dá segurança pra ele. Já a Bia, que tem um atraso de linguagem, eu procuro deixar bem à vista e fácil acesso vários materiais sensoriais: tecidos diferentes, bolas texturizadas, instrumentos musicais simples. São materiais que incentivam ela a se expressar de outras formas além da fala.

Com ela, também faço questão de usar mais gestos e expressões faciais em toda interação. Quando ela aponta algo ou tenta verbalizar, eu sempre reforço com palavras claras e curtas o que ela tá fazendo: "Ah, você quer a bola azul!".

Claro que tem vezes que não acerto na mosca e ainda tô tentando descobrir o melhor jeito de incluir todos eles nas experiências. Algumas propostas não funcionam tão bem num dia mas acabam dando certo depois que faço algum ajuste. E é assim mesmo, viu? A gente vai testando e aprendendo junto com eles.

Então é isso, minha gente! Cada dia é um aprendizado novo e tô sempre aberta pra ouvir dicas também. Espero que essas experiências possam ajudar vocês aí nas suas turmas também. Vamos seguir trocando figurinhas por aqui!

Até mais!