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EI02ET03Crianças bem pequenasEspaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações

Compartilhar, com outras crianças, situações de cuidado de plantas e animais nos espaços da instituição e fora dela.

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI02ET03) Compartilhar, com outras crianças, situações de cuidado de plantas e animais nos espaços da instituição e fora dela.

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI02ET03 faz parte do campo Espaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações, que organiza experiências de investigação do mundo físico, social e natural: noções de espaço, tempo, número, medida, transformações e relações de causa e efeito.

Características da faixa etária (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses)

Esta faixa é marcada pela explosão da linguagem oral, pela ampliação do repertório motor (correr, saltar, subir, descer) e pela consolidação do brincar simbólico (faz de conta). É também o período do reconhecimento das próprias emoções, dos primeiros conflitos sociais e do enfrentamento das frustrações. O 'não' afirmativo é parte legítima desse desenvolvimento.

Práticas recomendadas: Brincadeira de faz de conta com objetos abertos, propostas de exploração com materiais não estruturados (tampinhas, tecidos, caixas), espaços para corrida e movimento amplo, mediação atenta nos conflitos.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Olha, quando a gente fala de compartilhar situações de cuidado de plantas e animais com as crianças, eu vejo isso como uma oportunidade incrível pra eles começarem a entender o mundo ao redor deles. Não é só sobre "cuidar de plantinha" ou "dar comidinha pro bichinho", mas é fazer parte de algo maior, perceber que eles têm uma influência no meio em que vivem. As crianças nessa faixa etária, entre 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses, estão descobrindo tudo com muita curiosidade. Elas tocam, cheiram, sentem, experimentam... e assim elas vão entendendo as relações e transformações à sua volta.

Por exemplo, aqui na minha turma do Grupo 2 e Grupo 3, a gente já teve um momento em que o que mais interessava as crianças era a textura das folhas. A gente estava no jardim da creche e eu percebi que a Ana e o Pedro estavam fascinados com umas folhas secas que tinham caído no chão. Eles pegavam, amassavam, cheiravam, jogavam para cima e ficavam maravilhados com o som e o movimento. É nesse sentido que entendo esse objetivo: é proporcionar vivências onde elas possam interagir, brincar e descobrir.

Agora, vou contar pra vocês como eu ando organizando algumas propostas aqui na creche para alcançar esse objetivo. Uma das nossas atividades favoritas é a "hortinha sensorial". Pra isso, ofereço materiais como caixas de papelão forradas com terra, sementes escolhidas pelas próprias crianças (como feijão ou alpiste), potinhos pra regar água e ferramentas de jardinagem em miniatura como pazinhas de plástico. O espaço é organizado no pátio da creche, onde dá pra sujar à vontade. As crianças ficam por volta de 30 minutos explorando ali. Elas reagem com muita curiosidade e não hesitam em colocar as mãos na terra, espalhar sementes ou observar quando a água molha a terra. Na última vez que fizemos, o Lucas se empolgou tanto que começou a explicar pro grupo como "o feijão vai virar árvore", com muita convicção. Eu media essa atividade acompanhando de pertinho, ajudando a organizar quando necessário e incentivando as crianças a observarem as mudanças ao longo dos dias.

Outra proposta que tem funcionado bem é o "cuidando do bichinho da sala", que envolve cuidar do nosso pequeno aquário com peixinhos dourados. Aqui a gente usa potinhos pra distribuir comida pros peixes e um caderno onde vamos anotando mudanças ou desenhos sobre o que os pequenos observam. O espaço fica dentro da sala mesmo, num cantinho acessível. A atividade dura cerca de 15 minutos diariamente. As crianças adoram correr até lá logo pela manhã pra ver se os peixes estão bem ou se já está na hora de alimentá-los. Da última vez, o Felipe ficou encantado porque percebeu que um dos peixes estava nadando mais devagar e comentou preocupado: "Tá dodói?" Aí foi um ótimo momento pra conversar sobre observação e cuidado.

Tem também uma experiência muito especial que fazemos fora da creche. A gente organiza pequenos passeios até um parque próximo, onde as crianças têm contato com diferentes árvores e plantas maiores. Nessa proposta, levamos lupas plásticas para observarem detalhes das folhas, flores ou até mesmo formiguinhas passeando nos gravetos do chão. Esse passeio pode durar até uma hora com um lanchinho no meio do caminho. As reações são incríveis; as crianças se surpreendem com coisas simples como uma formiga carregando uma folha ou uma flor caindo da árvore com o vento. Teve uma vez que a Júlia ficou encantada quando encontrou uma pena de passarinho no chão e perguntou se algum pássaro tinha perdido "um pedacinho dele". Eu ajudo mediando essas explorações incentivando-as a se expressarem sobre o que observaram e oferecendo vocabulário quando necessário.

Então é assim, minha gente, que na prática a gente vai tecendo essas experiências de cuidado com plantas e animais. É uma vivência rica em interações – entre eles mesmos e com o ambiente – e em brincadeiras espontâneas que ampliam o repertório dos pequenos sem necessidade de um produto final ou pressa em aprender algo específico. Por aqui vamos plantando sementinhas não só na terra, mas no coraçãozinho dessas crianças que estão começando a entender seu papel no mundo.

E por hoje é só! Espero que esse bate-papo tenha ajudado vocês a enxergarem novas possibilidades aí nas suas turmas também. Até mais!

Ah, então, como eu tava contando, aquele dia no jardim foi tão especial. Enquanto explorávamos, percebi que algumas crianças começavam a fazer associações: o Pedro, por exemplo, pegava uma folha meio seca e dizia: "Essa tá dodói", e aí ele comparava com uma folha verdinha e falava: "Essa tá feliz". A Maria, por outro lado, tava mais interessada nas pedrinhas. Ela tentava empilhá-las e, quando caíam, dava risada e tentava de novo. Esses são os jeitos que eu observo o desenvolvimento delas em relação à percepção das transformações e relações. Eu não fico ali esperando elas dizerem algo "certo", mas sim notando como elas interagem com o ambiente e entre elas mesmas.

Outra situação que me marcou foi quando estávamos regando as plantas e o Lucas percebeu que a água deixava a terra mais escura. Ele ficou encantado porque, pra ele, era uma mágica acontecendo ali na frente dos olhos. Começou a chamar os colegas: "Olha só! Olha só!" Nessas horas, eu observo muito e uso um caderninho pra anotar essas falas e gestos que mostram que eles estão fazendo conexões e aprendendo de verdade. Às vezes gravo um vídeo curto pra registrar esses momentos, e isso me ajuda a refletir depois sobre o que funcionou e o que posso ajustar nas próximas propostas.

Por exemplo, quando notei que a turma tava interessada nas texturas das folhas e no efeito da água na terra, eu pensei em trazer mais materiais naturais pras atividades pra que eles possam explorar essas transformações. Isso envolve ajustar os materiais disponíveis, talvez introduzir cores diferentes de folhas ou usar outros elementos como areia ou barro.

Agora, falando dos direitos de aprendizagem que esse objetivo mais mobiliza, eu vejo muito forte o Explorar, o Brincar e o Conhecer-se. Sabe aquela hora em que as crianças estão totalmente imersas no ambiente? Pois é, é aí que eu vejo elas explorando com curiosidade genuína. Quando elas brincam juntas ou sozinhas nessas atividades de cuidado com plantas ou observação de animais, elas tão criando histórias, inventando jogos, testando limites. E no meio disso tudo, elas também tão se conhecendo melhor – percebendo seus gostos, suas capacidades, como se relacionam com os amigos.

Agora, pensando no Joao que tem suspeita de TEA e na Bia com atraso de linguagem... Olha, é uma jornada de aprendizado constante pra mim também. Pro João, eu tento criar momentos onde ele possa explorar no tempo dele. Por exemplo, disponibilizo caixas sensoriais com materiais diversos pra ele tocar e sentir sem pressa. Também uso muito cartão com imagens pra ajudar ele a se expressar caso as palavras não venham fácil. Já pra Bia, eu trago cantigas e histórias curtas que têm repetição porque isso tem ajudado ela a começar a soltar mais palavrinhas.

Em termos de espaço, eu sempre tento criar cantinhos específicos pras diversas atividades – um é mais tranquilo pra quem quer se concentrar sozinho e outro é mais aberto pra quem quer interagir mais com os colegas. O importante é que cada um possa se sentir acolhido da sua maneira.

Claro que nem tudo sai perfeito de primeira. Às vezes me vejo reavaliando como estou mediando essas experiências pra ambos sentirem que têm acessibilidade total às atividades propostas. É um desafio encontrar esse equilíbrio mas vale cada esforço.

E é isso minha gente! A observação do desenvolvimento das crianças nesse campo é rica e cheia de nuances. Cada gesto deles traz um mundo de aprendizagens escondidas ali pra gente descobrir junto com eles. A troca no dia a dia é constante e sempre nos ensina algo novo também. Até a próxima conversa aqui no fórum!