Olha so, quando a gente pensa no objetivo EI02ET02 da BNCC, que fala sobre observar, relatar e descrever incidentes do cotidiano e fenômenos naturais, o que vem na minha cabeça é a ideia de proporcionar pras crianças experiências que ampliem o olhar delas pro mundo ao redor. A gente tá falando de crianças bem pequenas, entre 1 ano e 7 meses até quase 4 anos, né? Nessa idade, os pequenos estão super curiosos, explorando tudo com olhos bem abertos. Eles não vão "aprender" sobre chuva ou sol como numa aula formal. Eles vão sentir a chuva caindo, notar as sombras que o sol faz e ouvir o som do vento balançando as folhas. Nosso papel é oferecer essas vivências de forma rica e significativa.
Aqui na minha turma, uma das coisas que fazemos é a exploração do quintal da creche. O quintal é nosso laboratório natural. Deixa eu explicar: a gente sai pelo espaço aberto com as crianças e começa a observar tudo ao redor. Não tem pressa, viu? A ideia é deixar que elas conduzam o ritmo dessa exploração. A última vez que fizemos isso, tinha chovido de manhã e o chão ainda tava um pouco molhado. As crianças logo notaram as pequenas poças d'água. A Júlia, por exemplo, ficou fascinada vendo o reflexo do céu na água. Ela apontava e fazia sons de surpresa, e aí eu perguntei: "O que você tá vendo aí?" Ela olhava pra mim e depois pra poça, com aquele olhar intrigado. Isso é parte da mediação: fazer perguntas abertas e observar junto com elas.
Outra proposta que adoro é levar materiais naturais pra sala e ver no que dá. A gente junta folhas secas, gravetos, sementes que achamos lá fora e traz pra um cantinho sensorial dentro da sala. Aí eu coloco panos no chão pra delimitar o espaço e deixo esses materiais à disposição delas. Elas podem manusear, cheirar, sentir as texturas... É tudo muito livre. Num dia desses, o Pedro começou a bater dois gravetos um no outro pra fazer som. As outras crianças logo se interessaram e formou-se uma pequena orquestra ali mesmo! Daí fui mediando perguntando: "Vocês ouviram esse som? Parece com o quê?" E as respostas vinham cheias de criatividade.
Agora pensa numa proposta que rende muitas descobertas: os dias de vento forte! Quando o vento tá mais forte, a gente leva pra fora panos leves e bolhas de sabão. Os panos são interessantes porque as crianças ficam encantadas em ver como eles se movem com o vento. Eu deixo alguns panos presos em varais baixos, outros soltos pra elas carregarem. Elas correm de um lado pro outro com os panos voando atrás delas, e é incrível ver como ficam entusiasmadas! Na última vez que fizemos isso, a Marina pegou um pano verde grande e ficava rindo toda vez que ele levantava voo. Eu estava por perto e aproveitava pra conversar sobre o vento: "Olha como ele tá forte hoje! Tá fazendo o pano voar." Isso ajuda elas a conectarem palavras às experiências que estão vivendo.
As bolhas de sabão também são um sucesso nos dias de vento. É só preparar uma solução simples de água com detergente num potinho e dar pras crianças aqueles apetrechos de fazer bolhas. O vento faz as bolhas voarem pra bem longe sem muito esforço! Na última vez que fizemos isso, o Lucas ficou fascinado perseguindo as bolhas pelo quintal. Ele corria atrás delas tentando pegar com as mãos, enquanto outras crianças riam das tentativas dele.
Tudo isso acontece sempre num clima de muita brincadeira e interação entre elas mesmas e com os adultos presentes. Não tem certo ou errado nas descobertas delas; cada criança percebe algo diferente e contribui pro grupo com sua perspectiva única. E é nessa troca constante que a mágica acontece.
Enfim, minha gente, trabalhar esse objetivo da BNCC é sobre estar presente com as crianças enquanto elas descobrem o mundo à sua volta de forma autêntica e significativa. Espero que essas ideias inspirem vocês também!
Ah, como eu tava dizendo, o quintal é nosso laboratório a céu aberto, um lugar onde as crianças têm a liberdade de explorar e se conectar com o mundo natural. A gente observa o desenvolvimento das crianças de forma bem atenta, viu? Não é sobre ficar esperando que elas façam "certinho", mas sim sobre perceber como cada uma vai se envolvendo com a proposta. Eu, por exemplo, fico de olho nos pequenos gestos que mostram que a aprendizagem tá acontecendo. Quando a Maria fica olhando as formigas carregando folhas, e de repente comenta que elas estão "indo pra casa", você percebe que ela tá conectando o que vê com a ideia de lar e trabalho em equipe. Já o Lucas adora pegar pedrinhas e jogar no laguinho que se forma quando chove, aí ele fica todo empolgado com os respingos que fazem ondas na água. É uma descoberta depois da outra.
Pra observar esses momentos, costumo ter sempre um caderno à mão pra anotar essas falas e gestos marcantes. Já aconteceu de eu fazer pequenos vídeos ou tirar fotos também, mas sempre respeitando o momento das crianças. Isso me ajuda não só a registrar, mas também a refletir depois sobre como posso ajustar as próximas propostas baseadas nas observações. Se percebo que o grupo tá muito interessado em água, por exemplo, posso pensar em criar uma atividade com bacias e recipientes pra que explorem mais esse elemento.
Sobre os direitos de aprendizagem, olha só, esse objetivo EI02ET02 mobiliza especialmente o direito de Explorar e Brincar. E ainda Participar também, viu? Quando a gente tá no quintal, as crianças têm a chance de explorar livremente e isso é maravilhoso! Elas se envolvem com os elementos da natureza, experimentam texturas diferentes e percebem mudanças ao redor delas. É através dessas explorações que elas vão construindo relações com o ambiente e consigo mesmas.
Brincar é outro direito super presente. Enquanto exploram, elas brincam! O Caio adora fazer de conta que é um passarinho quando vê as folhas balançando no vento. E brincar assim, de forma livre e espontânea, é essencial pro desenvolvimento delas. Participar ocorre quando as crianças começam a querer entender as regras do lugar onde estão, tipo: “Posso pegar essa folha?” ou “Pra onde vai a borboleta?”. Elas começam a fazer parte do ambiente e das experiências coletivas do grupo.
Agora, pensando no Joaozinho que tem suspeita de TEA e na Bia com atraso de linguagem, adapto algumas coisinhas pra garantir que eles também sintam-se incluídos na experiência. Pro João, costumo preparar um espaço menor dentro do quintal onde ele pode explorar sem se sentir sobrecarregado pelo excesso de estímulos. Levo brinquedos mais estruturados também, como blocos grandes ou brinquedos sonoros que ele gosta. Já observei que ele adora ficar vendo os reflexos do sol nos brinquedos coloridos então sempre tenho algum objeto assim por perto.
Com a Bia, procuro estimular mais a comunicação dela durante essas vivências no quintal. Então levo livros com imagens grandes e coloridas relacionadas à natureza pra ela explorar junto comigo ou com os colegas. A gente conversa bastante sobre o que estamos vendo ou sentindo ali no momento, sempre incentivando-a a expressar-se da forma como ela consegue. Já vi ela apontando pro céu quando ouve um passarinho cantar, então valorizo essas interações.
De verdade mesmo, tudo isso é um aprendizado continuo pra mim tambem. A gente nunca para de aprender com as criancas. Tem coisas que funcionam super bem numa semana e na outra ja nao faz tanto sentido. Por isso manter esse olhar atento e registrando ajuda muito.
Enfim minha gente, acho que é isso por hoje! Espero ter conseguido compartilhar um pouco das nossas experiências aqui na creche e como estamos sempre buscando formas de tornar os momentos ainda mais significativos pras crianças. Qualquer dúvida ou ideia nova, tô por aqui pra gente trocar figurinhas! Até a próxima!