Olha, trabalhar com o objetivo de selecionar livros e textos de gêneros conhecidos é uma delícia, viu? A gente precisa pensar que esse processo na Educação Infantil não é sobre "ensinar" a ler, mas sim ampliar o repertório das crianças em relação ao mundo dos livros e das histórias. As crianças pequenas, nessa faixa etária de 4 a 5 anos, estão começando a se encantar por narrativas e a criar suas próprias interpretações. Elas já têm um certo repertório, seja por meio da memória ou das ilustrações, e o nosso papel é mediar essas experiências de forma lúdica e interativa.
Quando a gente fala desse objetivo, eu penso muito na capacidade que as crianças têm de escolher um livro pelo que ele representa, pelas imagens que elas reconhecem e pelas histórias que já ouviram. É muito bonito ver, por exemplo, uma criança como a Sofia pegar um livro do "Sítio do Picapau Amarelo" e começar a contar a história do jeito dela, usando as ilustrações como guia. Ela lembra de algumas palavras que ouviu quando alguém leu para ela e outras ela inventa. Isso é magia pura!
Aqui na minha turma, eu gosto de criar propostas que incentivem essa interação com os livros de maneira bem diversificada. Vou compartilhar algumas delas com vocês.
Primeiro, tem uma proposta que gosto de chamar de "Canto dos Contos". Neste espaço, eu deixo disponíveis vários tecidos coloridos, almofadas, tampinhas de garrafa (que usamos como personagens), além de uma seleção variada de livros infantis. O espaço é montado em um cantinho da sala onde as crianças podem se sentir à vontade para explorar. Normalmente essa atividade dura cerca de 40 minutos a uma hora, mas as crianças têm liberdade para voltar ao espaço durante o dia.
Na última vez que organizei essa proposta, o Lucas pegou um tecido azul e começou a brincar que era o mar da história da "Pequena Sereia". Ele logo chamou a Maria para brincar junto, e eles começaram a inventar uma aventura com os personagens da história. Enquanto isso, eu estava por perto, observando e fazendo perguntas que ajudavam eles a expandir a narrativa: "O que será que está acontecendo no fundo do mar agora?" ou "Quem mais pode aparecer nessa aventura?". Eles estavam tão envolvidos que até esqueceram da hora do lanche!
Outra proposta é o "Dia do Livro Vivo". Nesse dia especial, convido as crianças a trazerem um livro favorito de casa e compartilharem com os colegas. A ideia é que cada criança se sinta protagonista ao contar sua história preferida. Para isso, organizamos um círculo no tapete da sala e eu trago alguns objetos não estruturados como pedrinhas, gravetos e cenários feitos de papelão que possam ajudar nas narrativas.
Como mediadora, eu começo perguntando quem gostaria de compartilhar seu livro e deixo as crianças livres para se expressarem. Na última vez, a Joana trouxe um livro sobre dinossauros e ficou tão empolgada contando para os amigos sobre cada espécie! As outras crianças ficavam maravilhadas com as figuras e Joana explicava tudo como se fosse uma pequena paleontóloga. Foi lindo ver como os olhos delas brilhavam em cada descoberta!
Por último, temos uma proposta chamada "Caixa Mágica de Histórias". Essa é uma atividade que trabalha muito com a imaginação das crianças. Eu coloco dentro de uma caixa vários elementos surpresas como bonequinhos de madeira, pedaços de tecido, sementes e pequenos animais de plástico. Cada criança escolhe um item da caixa e, juntas, criamos uma nova história utilizando esses elementos.
Lembro bem da vez que o Pedro tirou um bonequinho de madeira em forma de foguete. Ele imediatamente começou a inventar uma história sobre uma viagem ao espaço! Foi um momento cheio de fantasia onde todos participaram animadamente colocando novos elementos na trama: tinha alienígenas feitos de massinha pelas mãos da Ana e planetas desenhados com giz pelo Rafael.
Durante todas essas atividades é essencial escutar atentamente o que as crianças têm a dizer. Eu me coloco na altura delas, olho nos olhos e dou valor às suas ideias. As interações entre elas nessas experiências são riquíssimas! As crianças aprendem umas com as outras, recriando histórias conhecidas ou inventando novas narrativas juntas.
No fim das contas, é tudo sobre criar um ambiente onde as crianças se sintam seguras para explorar livros e histórias do jeito delas. A brincadeira é sempre o fio condutor dessas experiências, porque é por meio dela que elas desenvolvem a linguagem, o pensamento criativo e a imaginação. E olha só: todos nós saímos enriquecidos dessas vivências!
Olha, continuando essa prosa sobre o objetivo de seleção de livros e textos, eu queria compartilhar um pouco sobre como a gente observa o desenvolvimento dos pequenos nesse processo. Não é aquela coisa de ver se "acertaram" ou "erraram" uma atividade, mas sim de perceber os sinais de que eles estão realmente se envolvendo e aprendendo algo novo, sabe? Aqui na minha turma, eu observo muito os gestos, as falas e as escolhas das crianças durante as nossas vivências literárias.
Por exemplo, quando a gente organiza um cantinho da leitura com diversos livros espalhados pelo tapete, fico ali mediando e observando. Às vezes a gente vê uma criança como a Ana, que pega um livro pela capa com um personagem que já conhece de outras histórias, ou então o Lucas, que adora as figuras coloridas e começa a narrar do jeito dele o que acha que tá acontecendo ali naquelas páginas. É nessa hora que percebo o quanto a narrativa visual é importante pra eles. A Maria chegou a criar uma história só com as imagens uma vez e até dividiu com os colegas, que foram adicionando suas ideias e criando algo coletivo. Esse tipo de interação é um baita sinal de que a experiência tá mobilizando a aprendizagem.
Além disso, eu sempre tenho um caderninho ali por perto pra ir anotando essas observações. Registro pequenos diálogos ou gestos importantes, tipo quando o Pedro se aproximou do João pra mostrar uma imagem específica no livro e começaram a conversar sobre aquela cena. Esses registros não são só pra guardar de lembrança, não. Eles ajudam a ajustar as próximas propostas. Se noto que muitos se interessam por histórias com animais, trago mais livros desse tema na próxima vivência. E às vezes tiro umas fotos ou faço um vídeozinho curto, principalmente se é algo que eu quero compartilhar depois com os pais ou nas reuniões pedagógicas.
Agora, sobre os direitos de aprendizagem que esse objetivo mais mobiliza... Ah, minha gente, é tanta coisa! Mas acho que Conviver, Brincar e Explorar são os que mais aparecem por aqui. Quando as crianças se juntam em roda pra ouvir uma história lida por mim ou um colega, estão convivendo e aprendendo a respeitar o tempo do outro. É lindo ver como eles esperam ansiosamente pela vez de virar a página ou pelo momento de dar sua opinião sobre o que aconteceu na história.
O direito de Brincar vem forte também, porque muitas vezes as histórias lidas viram brincadeiras espontâneas. Olha só: teve uma vez que lemos um livro sobre um sapo aventureiro e logo depois eles estavam todos no pátio pulando feito sapos e inventando aventuras mirabolantes. Já o Explorar aparece quando eles vão além do que lhes é apresentado inicialmente, tentando novas narrativas ou procurando entender os livros de jeitos diferentes do habitual.
Agora falando do João e da Bia... Cada criança tem seu ritmo e suas necessidades específicas, né? O João tem suspeita de TEA e precisa de algumas adaptações pra se sentir mais confortável nas atividades. Eu sempre tento deixar um cantinho mais reservado no espaço da leitura, com almofadas e menos estímulos visuais ao redor. Isso ajuda ele a não ficar tão sobrecarregado. Também procuro oferecer materiais sensoriais junto aos livros, como texturas diferentes nas páginas ou brinquedos relacionados à história pra ele manipular enquanto escuta ou observa.
Já com a Bia, que tem um atraso de linguagem, eu procuro trazer livros com menos texto escrito e mais imagens grandes e claras. Quando estamos em roda lendo uma história, sempre dou uma paradinha pra perguntar sobre as figuras ou pra ela repetir comigo algumas palavras importantes da narrativa. Funciona bem quando faço isso de forma lúdica e sem pressão. Às vezes uso músicas ou sons dos personagens pra estimular a fala dela também.
Claro que nem tudo é fácil assim! Ainda tô tentando encontrar maneiras mais eficazes de envolver o João em grupos maiores sem que ele fique desconfortável demais. E também pensando em novos jeitos de incentivar a Bia a participar das rodas espontâneas com os colegas sem medo de errar.
Enfim, minha gente! É sempre um aprendizado constante trabalhar com esses pequenos seres cheios de curiosidade e energia. Espero ter conseguido compartilhar um pouco do dia a dia aqui na nossa turminha! Até a próxima conversa por aqui, hein? Beijos!