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EI03EF07Crianças pequenasEscuta, Fala, Pensamento e Imaginação

Levantar hipóteses sobre gêneros textuais veiculados em portadores conhecidos, recorrendo a estratégias de observação gráfica e/ou de leitura.

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI03EF07) Levantar hipóteses sobre gêneros textuais veiculados em portadores conhecidos, recorrendo a estratégias de observação gráfica e/ou de leitura.

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI03EF07 faz parte do campo Escuta, Fala, Pensamento e Imaginação, que organiza experiências de imersão na cultura oral e escrita: contação, escuta, narrativa, vocabulário, hipóteses sobre a escrita e a leitura.

Características da faixa etária (4 anos a 5 anos e 11 meses)

Nesta faixa, a criança já narra com fluência, planeja brincadeiras complexas com pares, formula hipóteses, faz registros gráficos representativos e demonstra autonomia em diversas tarefas do cotidiano. É o período de aprofundamento das investigações sobre o mundo e de preparação (sem antecipação) para a transição ao Ensino Fundamental.

Práticas recomendadas: Projetos investigativos a partir de interesses das crianças, registros gráficos diversos, contato sistemático com a cultura escrita em situações reais, brincadeiras com regras simples.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Olha só, quando a gente fala do objetivo de levantar hipóteses sobre gêneros textuais lá na BNCC, a gente tá falando de abrir as portas pras crianças explorarem e descobrirem o mundo ao redor delas através dos textos que encontram por aí. Não é nada de pegar livrão e ficar explicando, viu? É muito mais sobre deixar que elas toquem, olhem, perguntem e falem sobre o que elas estão vendo. Elas não vão decodificar letras como num passe de mágica, mas vão começar a perceber que tem algo ali que pode ser lido e que as palavras têm significados diferentes em contextos diferentes. É sentir essa curiosidade pelo que tem impresso nos rótulos das caixas, nos livros de histórias, nas revistas velhas que a gente traz.

Vou te contar umas propostas que faço aqui na minha sala com as crianças pequenas. Primeiro, eu gosto de montar uma espécie de "mercadinho" na sala. Junto várias embalagens vazias — caixas de cereais, latinhas (sem tampa e limpas), garrafas pet — tudo que possa trazer um texto impresso pra eles explorarem. Deixo isso num canto da sala em caixas grandes e coloco também uma balança de brinquedo e algumas carteiras velhas de dinheiro de papel. As crianças ficam livres pra brincar de compra e venda, e o interessante é como elas começam a perguntar o que está escrito em cada embalagem, comparando os tamanhos das letras, as cores das etiquetas... Na última vez, o Caio pegou uma caixa de leite e começou a imitar a mãe dele lendo os ingredientes. Todo mundo deu risada, mas ali ele estava experimentando o papel de leitor, sabe? Nessas horas eu fico por ali, participando da brincadeira quando pedem ajuda pra "ler" ou "escrever", mas deixo eles conduzirem.

Outra proposta que funciona bem é a "oficina de cartas". Eu trago alguns envelopes velhos, papéis variados (desde rascunhos até papéis coloridos) e canetas. Organizo um cantinho especial na sala com uma mesa pequena e almofadas pras crianças se sentarem confortavelmente. A ideia é que elas possam "escrever" cartas umas pras outras ou pros familiares. Mesmo que muitas vezes isso seja apenas um amontoado de rabiscos ou desenhos, é uma oportunidade incrível pra discutirem quem vai receber a carta e até simularem uma entrega. Uma vez, a Luísa fez um desenho todo caprichado e disse que era pra avó dela porque estava com saudades. Quando chegou a hora de "entregar" a carta, ela explicou pros coleguinhas o que havia desenhado como se estivesse lendo um texto mesmo. Ali eu aproveito pra mediar perguntando se ela quer tentar escrever o nome da avó ou o próprio nome no envelope.

A terceira proposta é o "mural de histórias". Nesse caso, eu trago revistas velhas e materiais como tesouras (sem ponta), cola, pedaços de tecidos e botões pra fazer colagens. A gente escolhe um tema juntos — animais, brinquedos ou mesmo personagens conhecidos — e cada criança cria uma parte da história usando as imagens recortadas. Depois colamos tudo num grande mural na parede da sala. O legal é que eles vão contando a história à medida que colam as figuras, discutindo entre eles sobre o que está acontecendo em cada cena. Da última vez que fizemos isso, o Diego encontrou uma imagem de um cachorro numa revista e começou a contar como aquele cachorro era herói porque salvava outros animais. Todo mundo ficou curioso pra saber mais e fui mediando perguntando coisas como: "Que outros animais ele ajudou?" ou "Como ele fez isso?". Assim eles vão ampliando a narrativa enquanto brincam.

Ah, uma coisa importante: em todas essas propostas eu sempre deixo rolar o tempo delas. Não tem pressão pra terminar rápido não. Se alguém se desinteressa no meio do caminho e quer ir fazer outra coisa, tudo bem também. Afinal, cada criança tem seu tempo e seu jeito de explorar essas interações e brincadeiras.

Espero que essas ideias te ajudem a pensar em como trabalhar esse objetivo com seu grupo! Lembre sempre da importância da brincadeira e das interações nesse processo todo. E conta aí se você também tem alguma proposta bacana pra compartilhar com a gente! Até mais!

Então, minha gente, aqui na minha turma, quando eu observo o desenvolvimento das crianças ligado a essa parte de levantar hipóteses sobre gêneros textuais, eu tô sempre de olho nos gestos e nas falas delas. É um tal de “o que tá escrito aqui, tia?” ou “por que esse livro tem essa figura na capa?” que me mostra que elas tão começando a perceber e se questionar sobre as coisas. Olha, teve uma vez que o Pedro, por exemplo, pegou uma revista e ficou folheando com a maior seriedade. Ele apontava pras letras e fazia um barulho como se estivesse lendo. Isso é sinal de que ele tá entendendo que aquelas letrinhas formam palavras e que tem um significado ali, mesmo que ainda não saiba decodificar.

Outro dia, a Sofia tava brincando com umas caixas de brinquedos e começou a imitar uma atendente de loja. Usava as palavras “promoção” e “desconto” que ela ouviu da mãe na última ida ao mercado. Ela fez um balcão de mentirinha com uma caixa velha e tava lá tentando vender pros coleguinhas com a maior desenvoltura. É lindo ver como ela tá começando a se apropriar de palavras do cotidiano.

Eu também uso registros, viu? Tenho um caderninho onde anoto essas falas e gestos importantes. Às vezes tiro foto ou gravo um videozinho curto (com consentimento dos responsáveis, claro) pra capturar essas nuances que podem passar despercebidas. Isso me ajuda a ajustar as propostas seguintes. Se vejo que elas tão interessadas em livros com figuras grandes, por exemplo, já sei que é hora de trazer mais desses materiais pra sala.

Agora, sobre os direitos de aprendizagem, vejo muito o Brincar e o Participar acontecendo o tempo todo. Na brincadeira da Sofia que contei, ela tava exercitando o Participar criando aquele cenário todo na cabeça dela e interagindo com os colegas. O Paulo, um dos colegas dela, entrou na brincadeira como cliente e até pediu um desconto na lojinha. Isso mostra como eles aprendem junto enquanto brincam.

O direito de Expressar também é muito importante. Quando as crianças fazem perguntas ou criam histórias a partir das imagens dos livros ou rótulos, elas estão exercitando esse direito. Aqui é importante ter paciência e deixar elas falarem, mesmo que às vezes demore um pouco pra elas organizarem as ideias.

Agora falando do Joao e da Bia... Ah, eles são um caso especial aqui na nossa turma. O Joao tem suspeita de TEA e eu preciso ajustar algumas coisas pras experiências serem acessíveis pra ele. Eu uso muito material visual porque ele responde bem a isso. Então faço cartões com figuras grandes dos livros ou rótulos pra ele explorar antes de partir pro material real. Ele gosta de organização, então procuro deixar os livros sempre no mesmo lugar pra ele saber onde encontrar.

A Bia tem atraso de linguagem e com ela eu trabalho muito com repetição e gestos. Quando ela tenta dizer algo sobre uma figura ou livro, eu dou tempo pra ela se expressar e costumo repetir a frase dela com algumas correções sutis pra ajudar no desenvolvimento da linguagem.

Pra todos eles, inclusive Joao e Bia, eu tento organizar o espaço de forma que seja acolhedor e estimulante ao mesmo tempo. As prateleiras são baixas pra eles alcançarem os materiais com facilidade e escolhemos juntos os livros e revistas que queremos explorar na semana. Sempre tento criar um cantinho tranquilo onde eles possam sentar com almofadas pra se sentirem confortáveis enquanto olham os materiais.

Ainda tô descobrindo o melhor jeito de fazer isso funcionar pra todo mundo, né? Pra Joao, tô pensando em introduzir mais rotinas visuais tipo quadros de horários pra ajudar ele a entender a sequência das atividades do dia. Com Bia, quero trazer mais músicas e rimas porque ela adora ritmo e isso ajuda muito no estímulo da fala.

Bom, por hoje é isso! Espero que tenha ajudado vocês a pensar em algumas estratégias aí nas salas de vocês também. Qualquer dúvida ou ideia nova, vamos trocando por aqui! Um abraço!