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EI03EF06Crianças pequenasEscuta, Fala, Pensamento e Imaginação

Produzir suas próprias histórias orais e escritas (escrita espontânea), em situações com função social significativa.

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI03EF06) Produzir suas próprias histórias orais e escritas (escrita espontânea), em situações com função social significativa.

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI03EF06 faz parte do campo Escuta, Fala, Pensamento e Imaginação, que organiza experiências de imersão na cultura oral e escrita: contação, escuta, narrativa, vocabulário, hipóteses sobre a escrita e a leitura.

Características da faixa etária (4 anos a 5 anos e 11 meses)

Nesta faixa, a criança já narra com fluência, planeja brincadeiras complexas com pares, formula hipóteses, faz registros gráficos representativos e demonstra autonomia em diversas tarefas do cotidiano. É o período de aprofundamento das investigações sobre o mundo e de preparação (sem antecipação) para a transição ao Ensino Fundamental.

Práticas recomendadas: Projetos investigativos a partir de interesses das crianças, registros gráficos diversos, contato sistemático com a cultura escrita em situações reais, brincadeiras com regras simples.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Olha, quando a gente fala desse objetivo da BNCC, de produzir histórias orais e escritas, a gente tá olhando pra algo bem mais profundo do que simplesmente as crianças "aprendendo a escrever". Na verdade, é sobre elas começarem a construir e compartilhar suas próprias narrativas, exercitando a criatividade, a imaginação e a comunicação. Sabe, as crianças dessa faixa etária têm um mundo cheio de histórias dentro delas, e nosso papel é criar oportunidades pra que elas possam trazer isso pra fora. Não é sobre saber escrever certinho ou criar uma história "pronta", mas sim sobre vivenciar experiências que ampliam o repertório delas através de interações e brincadeiras.

Aqui na minha turma, eu gosto de pensar em propostas que permitam que as crianças se expressem livremente e explorem diferentes formas de contar suas histórias. Uma das coisas que faço é organizar um espaço bem acolhedor com materiais variados. Numa dessas experiências, eu trouxe uma caixa cheia de tecidos coloridos, gravetos, pedrinhas e alguns brinquedos não estruturados, como tampinhas de garrafa e rolinhos de papel. O espaço fica numa parte da sala onde elas podem se sentar confortavelmente em almofadas ou tapetes macios. A proposta dura cerca de uma hora — mas pode se estender dependendo do interesse delas.

As crianças reagem de formas muito diversas quando têm liberdade para explorar esses materiais. Por exemplo, numa das últimas vezes que fiz isso, o João e a Luiza se juntaram e começaram a inventar uma história sobre um "dragão adormecido" que morava numa montanha feita com os tecidos. A Luiza pegou um graveto como se fosse uma varinha mágica e o João usou tampinhas como escudos para proteger o dragão dos "invasores". Eu estava lá por perto, ouvindo e observando, só mediando quando necessário — tipo ajudando a resolver alguma dúvida ou incentivando a continuar quando eles ficavam meio perdidos.

Outra proposta que tem funcionado bem é a da "Caixa de Histórias". Pra essa eu uso uma caixa de papelão grande, cheia de objetos variados que as crianças vão trazendo ao longo do mês: pode ser um brinquedo velho, um pedaço de tecido especial, uma conchinha da praia. É como se fosse um baú do tesouro mesmo. Eu coloco a caixa num canto especial da sala e deixo que as crianças explorem quando quiserem. Cada dia uma criança pode abrir a caixa e escolher algo para contar uma história pro grupo.

Numa manhã dessas, a Sofia escolheu uma bonequinha de pano que estava na caixa e começou a contar uma história emocionante sobre ela ser uma "espiã secreta em missão". As outras crianças ficaram super envolvidas, e foi bonito ver como elas iam comentando e fazendo perguntas pra Sofia desenvolver ainda mais a narrativa. Durante essas atividades, minha mediação é mais como uma facilitadora — vou sugerindo perguntas abertas do tipo "O que será que aconteceu depois?" ou "Quem mais estava nessa aventura?".

A terceira proposta envolve algo que chamo de "Teatro de Sombras". Essa é especialmente boa porque trabalha muito com a imaginação. Eu coloco um lençol branco esticado numa parte da sala e atrás dele ponho um abajur ou lanterna pra criar as sombras. As crianças têm pedaços de papéis recortados em várias formas e tamanhos — e aí vêm as histórias! Elas ficam atrás do lençol e manipulam os papéis pra contar histórias sobre o que aquelas sombras representam. É incrível ver como cada criança enxerga algo diferente nas mesmas formas.

Lembro que o Pedro ficou encantado com essa experiência. Ele desenhou um peixe grande num papelão, recortou e foi lá atrás do lençol criar uma história sobre esse peixe que nadava até o céu. As outras crianças ajudaram fazendo barulhinhos de água — foi quase como se estivessem num espetáculo ao vivo! E eu? Fiquei ali, maravilhada com a criatividade deles, só dando suporte quando precisavam ajustar algo ou quando queriam compartilhar suas ideias comigo.

Sabe, cada criança traz um pedacinho dela pras histórias que criamos juntos aqui na creche. E o mais importante: elas estão aprendendo a escutar umas às outras e a se expressar num espaço seguro e acolhedor. As interações entre elas são tão ricas quanto as próprias histórias que inventam.

Ah, é isso! Espalhar essas propostas por aí faz toda diferença. É bom demais ver o brilho nos olhos das crianças quando elas percebem que têm voz, têm criatividade e podem compartilhar isso com o mundo ao redor delas. Até a próxima conversa, minha gente!

Olha, continuando a nossa prosa sobre o objetivo EI03EF06, uma das coisas que eu mais me encanto é observar como as crianças se desenvolvem dentro dessas experiências de escuta e fala. É um processo tão rico e cheio de nuances! Na rotina do dia a dia, fico sempre atenta aos pequenos sinais de que a experiência tá fazendo sentido pra elas.

Por exemplo, quando a gente faz uma roda de histórias e aí, depois de um tempo, vejo a Ana tentando refazer a história com os colegas enquanto brinca de casinha. Ela vai repetindo partes do enredo e às vezes até cria novas situações pras personagens. Isso é um indício claro de que ela tá processando e recriando aquilo que ouviu. E não é só com palavras, viu? Tem crianças que usam gestos, expressões faciais ou até desenham no papel o que conseguiram imaginar daquela história. O Pedrinho, por exemplo, é muito expressivo nas suas mímicas. Ele não só escuta a história, mas vive ela com todo o corpo!

E aí vem aquele momento precioso: registrar essas observações. Eu gosto de anotar no meu caderno algumas falas, gestos e tentativas das crianças durante essas vivências. E sim, às vezes uso o celular pra fazer alguns vídeos curtos ou fotos (sempre com autorização dos responsáveis, viu?). Esses registros são fundamentais pra gente entender cada criança e direcionar melhor as próximas propostas. Por exemplo, se percebo que determinada história deixa o grupo muito animado ou reflexivo, posso buscar temas similares ou explorar aqueles conteúdos com mais profundidade em outras atividades.

Sobre os direitos de aprendizagem, ah, esse objetivo ativa muito o brincar e o expressar. Quando a criança conta uma história ou cria um diálogo imaginário numa brincadeira de faz de conta, ela tá se expressando de uma maneira muito autêntica. Na nossa roda de conversa, quando dou espaço pras crianças falarem sobre seus fins de semana ou inventarem uma história coletiva, tô promovendo essa expressão significativa. E sabe o que é legal? Ver como eles participam com entusiasmo! O direito de participar é assim… eles opinam sobre a sequência da narrativa, sugerem finais alternativos, é uma delícia ver essa construção coletiva!

Agora sobre o João e a Bia… bem, cada um no seu tempo e com suas necessidades específicas. Pro João, que tem suspeita de TEA, eu procuro adaptar o espaço usando objetos que ele gosta pra chamar atenção dele pras atividades. Às vezes é um boneco específico ou um livro com texturas. Já reparei que ele responde bem a histórias contadas com fantoches porque consegue focar nos movimentos e nas cores vivas. Com ele, também tento respeitar muito o tempo dele de resposta e evito ambientes muito barulhentos durante essas atividades.

Já a Bia demonstra um atraso na linguagem e aí eu procuro usar muito material visual pra apoiar as histórias: cartões com imagens representando partes da narrativa ajudam bastante. Ela também gosta muito de brincar com massa de modelar enquanto escuta uma história — isso parece ajudar na concentração dela e na compreensão do enredo. E boto sempre músicas que contam histórias curtas porque ela se anima bastante e tenta cantar junto.

Tem dias que funciona melhor pra um do que pro outro e tá tudo bem! É mesmo uma questão de ir ajustando conforme vamos conhecendo mais as crianças e observando como elas reagem às diferentes propostas.

E olha só como isso tudo vai se somando: essas adaptações não são só pras crianças com necessidades específicas; acabam sendo benéficas pra todo o grupo porque trazem mais variedade e inclusividade nas experiências.

Termino aqui deixando o convite: observem sempre as crianças nas pequenas coisas do dia a dia. É nessas sutilezas que a gente percebe como cada uma vai construindo seu próprio jeito de contar suas histórias ao mundo. Cada sinal conta uma parte dessa narrativa incrível que é aprender brincando e convivendo. É isso aí, minha gente! Até a próxima troca!