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EI03EF04Crianças pequenasEscuta, Fala, Pensamento e Imaginação

Recontar histórias ouvidas e planejar coletivamente roteiros de vídeos e de encenações, definindo os contextos, os personagens, a estrutura da história.

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI03EF04) Recontar histórias ouvidas e planejar coletivamente roteiros de vídeos e de encenações, definindo os contextos, os personagens, a estrutura da história.

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI03EF04 faz parte do campo Escuta, Fala, Pensamento e Imaginação, que organiza experiências de imersão na cultura oral e escrita: contação, escuta, narrativa, vocabulário, hipóteses sobre a escrita e a leitura.

Características da faixa etária (4 anos a 5 anos e 11 meses)

Nesta faixa, a criança já narra com fluência, planeja brincadeiras complexas com pares, formula hipóteses, faz registros gráficos representativos e demonstra autonomia em diversas tarefas do cotidiano. É o período de aprofundamento das investigações sobre o mundo e de preparação (sem antecipação) para a transição ao Ensino Fundamental.

Práticas recomendadas: Projetos investigativos a partir de interesses das crianças, registros gráficos diversos, contato sistemático com a cultura escrita em situações reais, brincadeiras com regras simples.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Olha, quando a gente fala sobre o objetivo EI03EF04 da BNCC, a gente tá olhando praquela coisa maravilhosa que é ver as crianças mergulharem no mundo das histórias. Não é simplesmente contar uma história e pronto. É criar oportunidades pras crianças recontarem essas histórias do jeito delas, com aquele toque de imaginação e frescor que só elas conseguem dar. E mais, é planejar junto com elas como essas narrativas podem virar encenações ou até pequenos vídeos, levantando os personagens, os cenários, tudo isso. A ideia é ampliar o repertório das crianças por meio de vivências, e não de "aprender um conteúdo", sabe?

Quando a gente trabalha com esses pequenos, entre 4 e 5 anos e 11 meses, a gente vê que eles têm uma capacidade incrível de imaginar e criar. Eles escutam uma história e logo começam a fazer as conexões com o que já conhecem. Às vezes, é a maneira como eles trazem um personagem pra realidade deles, outras vezes é como eles desenrolam um enredo inteirinho com detalhes que nem passariam pela nossa cabeça. Eu já vi o Pedro, por exemplo, transformar uma simples história de lobo e coelho numa aventura espacial porque ele estava na fase dos foguetes!

Agora vou contar três propostas que eu adoro organizar na minha turma pra trabalhar esse objetivo. Ah, e cada uma dessas atividades é sempre um convite pra interação e brincadeira. Aqui vai:

1. Primeira proposta: "Caixa Mágica de Histórias". Eu trago uma grande caixa cheia de materiais não estruturados: tampinhas coloridas, pedaços de tecidos, pedaços de papelão, gravetos, sementes... coloco tudo no meio da roda e abro espaço pra criançada explorar. Pergunto se alguém lembra de alguma história que ouviu recentemente ou se quer inventar uma nova. O grupo vai pegando os materiais e começando a construir os personagens e cenários ali mesmo. No último dia em que fizemos essa atividade, a Mariana pegou um pedaço de tecido vermelho e disse que era o manto mágico do mago que vive na floresta encantada. Foi lindo ver como ela conduziu o grupo e todos começaram a criar juntos. Eu fico ali, mediando as interações quando necessário — tipo quando tem algum conflito sobre quem vai ser quem — mas sempre deixando eles liderarem o processo.

2. Segunda proposta: "Estúdio de Vídeo Infantil". Aqui eu monto um espaço que simula um pequeno estúdio com panos pendurados formando um fundo (você pode usar lençóis ou cortinas velhas), umas luzinhas de Natal pra dar aquele clima e materiais como chapéus velhos, óculos divertidos e panos pra se vestirem. A ideia é planejar coletivamente um pequeno vídeo onde eles dramatizam alguma história que inventaram ou querem recontar. Pode ser algo rapidinho, coisa de 5 minutos no máximo, porque respeitamos o tempo deles. Na última vez que fizemos isso, o grupo decidiu criar um vídeo sobre "Os Piratas Perdidos", e o João se empolgou tanto que ele queria até fazer efeitos sonoros com a boca! Eu ajudo ajustando a câmera (pode ser até um celular mesmo) e incentivando as crianças a pensarem juntas em quem vai fazer qual papel.

3. Terceira proposta: "Teatro no Quintal". Essa é clássica aqui na creche! A gente aproveita nosso espaço ao ar livre e organiza uma área com algumas caixas grandes que servem como palco ou cenário — imagina caixas de mudança virando castelos ou florestas! E tem sempre uns panos coloridos à disposição pras crianças se fantasiarem. Eles têm liberdade pra escolher quais histórias querem encenar — pode ser algo que ouviram recentemente ou algo totalmente novo. A última vez rolou uma encenação do "Rei Leão" só com personagens inventados por eles! Eu fico circulando por ali, observando as interações e entrando nos jogos simbólicos quando me convidam.

O mais incrível em todas essas propostas é perceber como as crianças se apropriam das histórias e as transformam em algo único. Elas aprendem a cooperar, a escutar umas às outras e a expressar suas ideias de maneira criativa. A gente vê muita conversa rolando, muitas ideias sendo trocadas e as crianças realmente se sentem protagonistas do processo todo.

Então é isso aí, minha gente! Trabalhar esse objetivo da BNCC é sempre uma aventura cheia de imaginação e descobertas — tanto pras crianças quanto pra gente! Seguindo nessa linha é certeiro: diversão garantida com muito aprendizado no pacote! E vocês? Como têm trabalhado isso por aí?

Ah, então, continuando desse jeito especial que as crianças têm de escutar uma história e, quase que instantaneamente, começarem a criar suas próprias versões, eu fico sempre encantada em observar como isso vai acontecendo na rotina do dia a dia. Aqui na minha turma, por exemplo, é incrível como durante a roda de histórias, eu noto alguns sinais bem sutis que mostram que a experiência tá tocando eles. Tipo assim, a Sofia tem um jeito todo dela de inclinar a cabeça e franzir o cenho quando tá realmente imersa na narrativa. Já o Miguel começa a balançar os pés e dar risadinhas, como quem já tá imaginando as próximas aventuras dos personagens.

E essas observações são fundamentais pra mim. Eu sempre levo um caderninho nas atividades e faço algumas anotações rápidas sobre essas coisas. Às vezes registro um vídeo curto ou tiro fotos, porque assim consigo ter um material mais rico pra repensar as próximas experiências que vou propor. Esses registros me ajudam a reconhecer padrões, como quais histórias estão gerando mais participação ou quais propostas estão permitindo mais interação entre as crianças. Isso é um guia pra eu ajustar o planejamento e pensar em novas formas de envolvê-los ainda mais.

Por exemplo, se eu vejo que uma história sobre animais tá gerando bastante conversa e curiosidade, na semana seguinte posso propor uma atividade de faz-de-conta onde eles possam explorar ainda mais o mundo animal. Talvez criar máscaras ou fantoches daqueles personagens que mais chamaram atenção. Se uma criança começou a desenhar algo da história na hora do desenho livre, já é um indicativo de que posso explorar aquilo de novo sob outra forma.

Sobre os direitos de aprendizagem que esse objetivo mobiliza, eu vejo muito fortemente o "Brincar", o "Expressar" e o "Participar". São momentos em que as crianças tão brincando com as histórias – seja criando novas versões, seja encenando com os coleguinhas – que a gente percebe como o brincar tá na essência desse objetivo. Na nossa sala, sempre que organizamos uma dramatização, é notável como todos querem participar de alguma forma: uns querem ser narradores, outros os personagens principais ou até ajudar com o cenário. Cada um encontra um espaço para expressar suas ideias e sentimentos em relação à história.

E olha só, falando da nossa turma especificamente com o João e a Bia... eu tento sempre deixar as experiências acessíveis pra todos. O João, que tem suspeita de TEA, às vezes precisa de um ambiente mais tranquilo pra se envolver completamente nas histórias. Então eu arranjo cantinhos mais aconchegantes com almofadas e tapetes onde ele pode ouvir sem tantas interferências. Também disponibilizo livros de histórias com texturas ou figuras em relevo porque ajudam ele a se concentrar e explorar a história no tempo dele.

Já a Bia, com seu atraso de linguagem, eu costumo dar bastante ênfase nas histórias com rimas e músicas. Isso parece ajudar ela a se engajar melhor nos sons e ritmos das palavras. Uso também figuras grandes e coloridas pra contextualizar visualmente cada trecho da narrativa. E é lindo ver quando ela começa a cantarolar ou repetir algumas palavras chave da história; pequenos progressos assim são comemorados por todo o grupo!

Eu também procuro dar bastante tempo para as crianças processarem o que ouviram ou participaram antes de mudar para outra atividade. Sempre deixo materiais disponíveis para que quem quiser possa desenhar ou recontar algum trecho no seu próprio ritmo. Com o João e a Bia isso é particularmente importante; não apressá-los permite que eles criem suas próprias conexões com a atividade.

Bom, gente, acho que por aqui já passei um bocadinho das minhas experiências. Espero ter dado uma luz sobre como observo e ajusto as propostas aqui na minha sala! É sempre uma troca constante entre observar atentamente e planejar com carinho pra essas crianças incríveis que nos ensinam tanto todos os dias! Até mais!