Olha, minha gente, quando a gente tá falando sobre o objetivo EI03EF03 da BNCC, o que a gente tá buscando mesmo é instigar a curiosidade natural das crianças pelos livros. É aquela coisa gostosa de ver as crianças escolherem um livro por vontade própria, do jeitinho delas, sabe? E aí elas folheiam, olham as ilustrações e tentam reconhecer alguma coisinha escrita que já viram antes. Esse momento é muito especial, porque não é só sobre o livro ou a leitura, é sobre a criança se sentir parte daquilo, se ver capaz de explorar e descobrir coisas novas. E nessa idade, de 4 a 5 anos e 11 meses, as crianças estão super abertas pra isso. Elas adoram ouvir histórias, imaginar e também contar as suas próprias. E a gente tem que aproveitar essa fase maravilhosa!
Aqui na minha turma, uma das coisas que eu faço é deixar os livros bem acessíveis. Sabe aquele cantinho que é quase como um convite pra sentar e folhear? Pois é. Eu coloco almofadas no chão e deixo uma cesta com livros variados à disposição. Têm livros grandes, pequenos, com poucas palavras ou só figuras mesmo. As crianças podem ir lá a qualquer momento que desejarem. E os temas também são bem diversos: animais, família, fantasia... isso ajuda muito porque cada criança se interessa por algo diferente.
Um dia desses, durante essa escolha livre de livros, o Joãozinho pegou um livro de dinossauros. Ele ficou maravilhado com as figuras enormes e coloridas. E começou a chamar os coleguinhas pra mostrar as "letras" que ele reconhecia: "Olha aqui o A! Esse é o B!" É incrível ver como eles começam a fazer associações entre as letras e as imagens.
Outra proposta que eu gosto muito de fazer é montar um cenário onde as crianças podem dramatizar histórias a partir dos livros que escolhem. Uso tecidos grandes pra criar cabaninhas ou castelos e também trago elementos da natureza, tipo gravetos ou pedras, pra eles incorporarem nas histórias que inventam. Já aconteceu do Joãozinho e da Mariazinha pegarem um livro sobre selva e começarem a inventar uma história onde eram exploradores. Eles pegaram algumas folhas e pedras pra simbolizar os desafios na selva. Eu só media observando e fazendo perguntas que pudessem instigar ainda mais a imaginação deles: "E agora? O que vocês vão fazer com essa pedra gigante na frente?" Esse tipo de intervenção ajuda a expandir ainda mais as narrativas deles.
Agora, uma experiência mais voltada para o reconhecimento de palavras é montar um mural interativo com palavras soltas e imagens associadas. Eu uso tampinhas de garrafa como suporte para colar pequenas figuras e junto com elas etiquetas com palavras simples: sol, flor, gato... Coisas que estão no cotidiano das crianças. Deixo esse mural numa parede baixa para que eles alcancem. A ideia é eles irem lá e tentarem associar as palavras às imagens por conta própria ou em duplas.
Uma vez, o Pedrinho estava todo empolgado mostrando pra Sofia onde estava escrito "gato". Disse assim: "Olha só! Igual ao nome do meu bichinho em casa!" Esse tipo de reconhecimento espontâneo gera um sentimento de conquista muito grande nas crianças. Eu aproveito esses momentos para estimular ainda mais: "E quantas letras o nome do seu gato tem?" Aí já vira uma conversa legal sobre letras e às vezes até sobre sons.
O tempo dessas atividades varia bastante porque respeitar o tempo da criança é essencial. Tem dia que eles querem ficar ali por meia hora ou até mais; em outros dias, 10 minutos são suficientes porque têm outras brincadeiras chamando atenção.
Em todas essas propostas, as interações entre eles são fundamentais. Muitas vezes eles aprendem uns com os outros mais do que comigo ali mediando. As trocas durante essas vivências são riquíssimas! E olha só: o mais importante é garantir que eles tenham liberdade para explorar no próprio ritmo e jeito.
Sabe, quando vejo eles descobrindo coisas novas nos livros ou criando histórias incríveis juntos, sinto que estou no caminho certo com eles. É lindo demais perceber como esses momentos contribuem para o crescimento deles em muitos sentidos.
E aí minhas amigas educadoras? Como vocês têm trabalhado esse objetivo nas turmas de vocês? Vamos trocar umas ideias!
Aqui na minha turma, uma das coisas que mais faço é observar atentamente como cada criança interage com os livros e as histórias. No dia a dia, a gente consegue perceber diversos sinais de que uma experiência tá realmente mobilizando a aprendizagem deles. Por exemplo, quando vejo o Pedro, que sempre foi mais quietinho, rindo sozinho enquanto tenta imitar a voz do lobo mau, sei que ele tá se envolvendo de verdade. Ou quando a Maria escolhe o mesmo livro de bichos toda semana e gosta de contar pra turma qual é seu favorito do momento, percebo que ela tá não só interessada, mas também criando um vínculo afetivo com aquele material. É importante reconhecer essas pequenas grandes coisas porque mostram que as crianças estão construindo significados.
Pra fazer isso, uso um caderninho onde anoto essas observações. Às vezes, faço fotos ou vídeos curtos das experiências. Não é pra avaliação tipo certo ou errado, sabe? É mais pra ter um registro do que acontece e poder ajustar as próximas propostas. Se noto que o João, que tem suspeita de TEA, se interessou muito pela textura de um livro em particular ou pela repetição de uma frase na história, posso pensar em trazer mais livros com texturas ou narrativas repetitivas. Isso ajuda na continuidade do interesse dele.
Agora, falando sobre os direitos de aprendizagem que esse objetivo mobiliza, acho que o "Expressar" e o "Explorar" são os mais evidentes. As crianças não apenas ouvem histórias; elas as recriam, mudam personagens e inventam finais diferentes. Uma vez, a Carolina pegou um livro sobre dinossauros e começou a contar uma história completamente nova sobre eles voarem até a lua. Isso é expressão pura! E na hora da "Exploração", vejo muito quando eles procuram livros sozinhos e folheiam sem ninguém mandar. Estão experimentando o mundo da leitura do jeito deles.
E o "Brincar" também está super presente nessa experiência. As histórias viram brincadeiras espontâneas na hora da roda ou no parque. Já vi o Lucas e a Sofia encenando um teatro improvisado depois de ouvirem uma história de princesa e dragão. A interação deles é cheia de vida e criatividade.
Quando penso em como tornar essa experiência acessível pro João e pra Bia, preciso considerar algumas adaptações. Pro João, por exemplo, é bom oferecer livros com páginas mais durinhas e elementos sensoriais. Ele se interessa muito por sons e texturas diferentes, então já trouxe livros com almofadinhas sonoras ou tecidos variados nas páginas. Isso ajuda ele a se conectar mais com a atividade.
Já a Bia, que tem um atraso de linguagem, eu tento estimular através da repetição e da interação verbal constante. Se estamos lendo uma história juntos, faço pausas estratégicas pra ela tentar completar frases ou descrever imagens do livro. Uso também fantoches e outros recursos visuais que ajudam ela a compreender melhor o enredo e enriquecer o vocabulário.
Organizar o espaço também é fundamental. Deixo os livros em prateleiras baixas pra que todos possam acessar livremente. Não adianta encher de regras, deixar restrito! E no tempo... Ah, no tempo eu sou bem flexível. Se vejo que estão imersos numa atividade relacionada ao objetivo e ao grupo tá fluindo bem naquele universo das histórias, deixo rolar um pouco mais.
Claro que nem tudo funciona sempre e ainda tô tentando acertar algumas coisas. Com o João, às vezes ele se distrai rápido demais ou se foca em detalhes específicos das ilustrações por muito tempo. Tô buscando introduzir variações nas propostas pra ver se ele consegue expandir esse tempo de concentração nas histórias como um todo.
E com a Bia tô tentando novas estratégias pra incentivar mais sua fala durante as leituras compartilhadas. Introduzir gestos durante as narrativas tem dado algum resultado interessante pra ela acompanhar melhor.
Gente, é isso! Na Educação Infantil tudo é sobre tentar, observar e ajustar sempre que necessário pras crianças se sentirem parte do processo de aprendizagem delas próprias. É um desafio constante mas também muito gratificante ver essas conquistas diárias.
Espero ter contribuído com vocês nesse nosso papo! Adoro compartilhar essas experiências porque sempre aprende algo novo também! Até a próxima vez, viu?