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Inventar brincadeiras cantadas, poemas e canções, criando rimas, aliterações e ritmos.

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI03EF02) Inventar brincadeiras cantadas, poemas e canções, criando rimas, aliterações e ritmos.

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI03EF02 faz parte do campo Escuta, Fala, Pensamento e Imaginação, que organiza experiências de imersão na cultura oral e escrita: contação, escuta, narrativa, vocabulário, hipóteses sobre a escrita e a leitura.

Características da faixa etária (4 anos a 5 anos e 11 meses)

Nesta faixa, a criança já narra com fluência, planeja brincadeiras complexas com pares, formula hipóteses, faz registros gráficos representativos e demonstra autonomia em diversas tarefas do cotidiano. É o período de aprofundamento das investigações sobre o mundo e de preparação (sem antecipação) para a transição ao Ensino Fundamental.

Práticas recomendadas: Projetos investigativos a partir de interesses das crianças, registros gráficos diversos, contato sistemático com a cultura escrita em situações reais, brincadeiras com regras simples.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Olha, quando a gente fala do objetivo de inventar brincadeiras cantadas, poemas e canções, tá falando de deixar as crianças explorarem suas vozes, seus corpos e até mesmo suas emoções através da música e da palavra, viu? Na prática, é dar asas à imaginação delas. Crianças dessa faixa etária são naturalmente criativas e têm uma curiosidade enorme. Elas estão sempre inventando historinhas, cantando musiquinhas que nem sempre fazem sentido pra gente adulto, mas que lá no mundinho delas têm todo um significado.

Aqui na minha turma, vejo como é importante criar um ambiente onde elas se sintam à vontade pra experimentar. Por exemplo, a gente tem a Amelia que adora imitar os sons dos animais enquanto cria umas riminhas engraçadas sobre a floresta. Tem o Pedro, que transforma qualquer objeto em um instrumento musical e já começa a batucar nas tampinhas criando ritmos. O importante é que essa vivência seja genuína e significativa pra eles, que parta do desejo e da imaginação deles.

Agora vou te contar como organizo algumas propostas pra trabalhar esse objetivo. Uma das que mais gosto chama “Roda de Sons”. Eu arrumo um espaço bem aconchegante na sala, com almofadas no chão e alguns objetos espalhados como tampinhas de garrafas, potinhos de plástico, pedaços de tecido, sementes em garrafas pet... Coisas simples mesmo. As crianças escolhem o que querem usar pra criar sons. A ideia é deixá-las livres para explorar combinações de sons e ritmos. Não tem uma regra certinha de quanto tempo isso vai durar; pode ser 15 minutos ou meia hora, depende do quanto elas estão envolvidas. Da última vez, a Ana começou a chacoalhar uma garrafa com sementes e o João entrou na dança com uns potinhos de iogurte que ele batucava. Juntos, eles criaram uma batucada tão animada que logo todo mundo tava dançando junto.

Outra proposta que faço é "Poemas na Brincadeira". Aproveito o momento da roda de histórias pra introduzir poemas curtos e rimas simples. Levo uns livros infantis com poemas ilustrados ou até crio na hora com eles. Uma vez, começamos a inventar uma história sobre um sapo que queria voar. Cada criança contribuía com um verso ou uma rima. O Lucas sugeriu que o sapo usasse balões coloridos pra voar e a Sofia completou dizendo que ele cantava bem alto enquanto subia. Eu media fazendo perguntas abertas como “E o que mais acontece?” ou “Como será que ele se sentiu lá no alto?”. O legal é ver como elas se empolgam ao ver seu pedacinho da história sendo construído ali na hora.

Uma das experiências mais queridas pelas crianças é o “Cantinho do Canto”. É um espaço sempre disponível na sala onde deixo materiais como panos coloridos, instrumentos musicais simples como pandeiros e chocalhos feitos por nós mesmos com rolinhos de papel higiênico e grãos de arroz. Tem dias que nem preciso propor nada; eles já vão direto pra lá e começam a criar seus próprios shows musicais. Outro dia, a Mariana e o Marcos estavam lá e começaram a cantar uma música sobre monstros engraçados que moravam no armário deles. E cada verso tinha um monstro diferente com uma característica engraçada. Eu observava ao lado, ria junto e às vezes entrava no personagem se eles pediam.

O mais bonito dessas propostas é ver como as interações entre as crianças se fortalecem. Elas aprendem a escutar umas às outras, a dar espaço pro amigo cantar seu verso ou criar seu som. E as brincadeiras surgem naturalmente dessas interações. E a gente vai junto nesse fluxo... mediando sem comandar, sabe? Deixando as crianças serem protagonistas das suas próprias descobertas.

Então minha gente, acho importante lembrar que cada criança tem seu ritmo nessa exploração sonora e poética. Pode ter aquela mais tímida que prefere só observar num primeiro momento ou aquela inquieta que quer cantar bem alto desde o começo. O nosso papel é oferecer um ambiente seguro e acolhedor onde todas se sintam valorizadas nas suas expressões.

Fico por aqui hoje, espero ter ajudado com algumas ideias práticas! Qualquer coisa tô por aqui pra gente trocar mais figurinhas. Abraços!

Olha, continuando então sobre o objetivo de inventar brincadeiras cantadas, poemas e canções, preciso contar como a gente observa esse desenvolvimento no dia a dia. As crianças vão mostrando sinais sutis e às vezes bem evidentes de que estão aprendendo, viu? Não é sobre ver se elas “acertaram” ou “erraram”, mas sim sobre perceber as tentativas, os gestos, as falas e as escolhas que elas fazem.

Por exemplo, na nossa rodinha de música, tem dias que o Léo inventa umas músicas só com sons que ele cria na hora. Ele faz uma melodia toda própria e é lindo ver o olhar dos colegas acompanhando, tentando entender e depois imitar. Isso é um sinal claro de que ele tá explorando não só os sons, mas também a própria capacidade de se expressar e criar.

Já a Mariana gosta de cantar as músicas que a gente já conhece, mas sempre coloca uma palavra dela no meio. Outro dia a gente tava cantando “A Casinha” e ela inventou que tinha uma piscina do lado da casa, cantou isso com tanta certeza e felicidade que todo mundo acabou entrando na brincadeira. Essa confiança em criar e transformar algo conhecido é um indicativo de aprendizado acontecendo.

Eu vou registrando tudo isso num caderno que tenho sempre à mão. Às vezes faço vídeos curtos também, mas sempre com muita cautela pra não invadir o momento delas. Esses registros me ajudam a perceber o que tá funcionando, o que pode ser ajustado e quais interesses tão emergindo no grupo. Por exemplo, percebi que muitos deles gostam de criar histórias cantadas envolvendo animais. Então já planejo propostas futuras que incluam esses elementos pra manter o engajamento.

Sobre os direitos de aprendizagem, nesse objetivo vejo muito forte o “Brincar”, “Expressar” e “Participar”. Brincar porque eles tão o tempo todo se divertindo com a música e inventando novas formas de brincar com ela. Como aquele dia em que a turma resolveu fazer uma banda com instrumentos imaginários, onde cada um tinha um papel e inventava sons com a boca ou batendo palmas.

O “Expressar” aparece quando as crianças usam as músicas pra falar de sentimentos ou contar um pedaço do seu dia. Teve uma vez que o Davi cantou sobre como tinha caído na hora do recreio e transformou isso numa aventura engraçada na música. Já o “Participar” tá ali quando eles começam juntos a inventar uma nova brincadeira cantada ou decidem juntos quais músicas querem relembrar no nosso momento de roda.

Agora, falando do João, que tem suspeita de TEA, e da Bia, com atraso de linguagem, eu tenho feito algumas adaptações pra garantir que todos tenham acesso às experiências da melhor forma possível. Pro João, eu ofereço materiais visuais junto com as músicas. Faço cartazes simples com imagens das músicas mais conhecidas pra ele seguir a história junto com a gente. E deixo disponível instrumentos de verdade como tambor e chocalho pra ele usar enquanto canta.

Já pra Bia, eu tento usar bastante repetição nas músicas e nas brincadeiras cantadas. Isso dá confiança pra ela acompanhar no seu tempo. Também uso gestos grandes quando canto pra ajudar no entendimento das palavras, sabe? E quando vejo que ela tá confortável, dou oportunidades pequenas de liderança na roda musical pra ela ganhar mais voz.

Alguns ajustes ainda tô testando. Por exemplo, criei um espaço mais reservado na sala pra momentos em que o João precisa se acalmar antes de voltar pra roda musical. Coloquei ali algumas almofadas e fones com músicas mais calminhas. Ainda tô observando se ele se adapta melhor assim.

Bom, minha gente, vou parando por aqui por hoje! Espero que esses exemplos ajudem vocês a pensar em como observar e adaptar as práticas de forma inclusiva pra cada criança poder explorar suas vozes e imaginações do jeitinho único delas. Qualquer dúvida ou ideia nova me avisem! Até a próxima!