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EI03EF01Crianças pequenasEscuta, Fala, Pensamento e Imaginação

Expressar ideias, desejos e sentimentos sobre suas vivências, por meio da linguagem oral e escrita (escrita espontânea), de fotos, desenhos e outras formas de expressão.

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI03EF01) Expressar ideias, desejos e sentimentos sobre suas vivências, por meio da linguagem oral e escrita (escrita espontânea), de fotos, desenhos e outras formas de expressão.

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI03EF01 faz parte do campo Escuta, Fala, Pensamento e Imaginação, que organiza experiências de imersão na cultura oral e escrita: contação, escuta, narrativa, vocabulário, hipóteses sobre a escrita e a leitura.

Características da faixa etária (4 anos a 5 anos e 11 meses)

Nesta faixa, a criança já narra com fluência, planeja brincadeiras complexas com pares, formula hipóteses, faz registros gráficos representativos e demonstra autonomia em diversas tarefas do cotidiano. É o período de aprofundamento das investigações sobre o mundo e de preparação (sem antecipação) para a transição ao Ensino Fundamental.

Práticas recomendadas: Projetos investigativos a partir de interesses das crianças, registros gráficos diversos, contato sistemático com a cultura escrita em situações reais, brincadeiras com regras simples.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Olha, minha gente, quando a gente fala desse objetivo da BNCC, de "expressar ideias, desejos e sentimentos", tá falando do coração da educação infantil, viu? É sobre dar voz pras crianças, permitir que elas se expressem de todas as formas possíveis e imagináveis. Nessa faixa etária dos 4 aos 5 anos e 11 meses, as crianças estão numa fase de experimentar o mundo e encontrar maneiras de comunicar o que pensam e sentem. Elas estão descobrindo que têm uma voz no mundo, seja por meio da fala, dos desenhos, das brincadeiras, ou até mesmo pela escrita espontânea, aquelas letrinhas que ainda não têm forma definida mas já carregam tanto significado. E o melhor jeito de alcançar isso é por meio de experiências ricas, com espaço pra liberdade de expressão e criatividade.

Aqui na minha turma eu sempre penso em propostas que estimulem essa expressão livre. O primeiro exemplo que posso dar é a "Estação de Arte Livre". A gente organiza um espaço no chão da sala com papéis grandes, pincéis, tintas variadas, lápis de cor, giz de cera e tudo mais que possa servir como ferramenta para as crianças pintarem e desenharem. Ah, e a gente coloca também algumas tampinhas, sementes e pedacinhos de papel pra colagem. É um cantinho onde as crianças podem chegar a qualquer momento do dia pra expressar o que sentem ou pensam através da arte. Não tem certo ou errado ali. Na última vez que fizemos isso, a Júlia desenhou um monte de rabiscos coloridos e disse que era uma festa no céu. Já o Pedro desenhou um grande círculo amarelo e falou que era ele comendo um sol. O papel da educadora nesse momento é observar e fazer perguntas: “Conta mais sobre essa festa no céu, Júlia?” ou “O que acontece quando você come o sol, Pedro?” Essas perguntas ajudam as crianças a refletirem sobre suas próprias ideias.

Outra proposta que organiza bem esse objetivo é a "Roda de Histórias". Todos sentam em roda na sala ou, quando o tempo tá bom, no quintal mesmo. A ideia é cada criança trazer uma história pessoal pra compartilhar. Pode ser algo que aconteceu no fim de semana ou uma história inventada na hora. Isso ajuda muito na questão da linguagem oral e na escuta atenta. A interação é fundamental aqui. Lembro que na última vez o Lucas queria contar sobre uma viagem imaginária à lua. Ele começou meio tímido, mas com os colegas fazendo perguntas e participando da história, ele foi se soltando. Eu ajudei mediando as interações: “E quem você encontrou na lua, Lucas?” ou “Alguém tem mais perguntas pro Lucas?”. Essa dinâmica não tem pressa. Às vezes demora bastante tempo porque cada criança tem seu próprio ritmo pra elaborar e contar suas histórias.

Uma terceira proposta é o "Teatro de Caixa". A gente junta caixas de tamanhos variados, panos coloridos e outros materiais como retalhos de tecidos e gravetos. As crianças podem usar esses materiais pra criar cenários e personagens das suas histórias favoritas ou inventar novas histórias. É super interessante ver como cada criança traz algo único pra essa experiência. Na última vez que fizemos isso, a Mariana usou uma caixa grande como navio pirata e convidou os amigos pra serem sua tripulação. Eles passaram um bom tempo navegando pelos mares imaginários da sala! Eu observei de perto essa brincadeira coletiva, sempre pronta pra ajudar caso precisassem de algum material extra ou uma ideia pra continuação da história.

Acho importante falar também sobre como as crianças reagem a essas propostas. Elas costumam se entregar totalmente à brincadeira e à expressão criativa quando se sentem respeitadas nos seus tempos e modos de fazer as coisas. Às vezes tem criança que só quer observar os colegas antes de entrar na brincadeira ou precisa começar aos poucos até se sentir confortável pra participar plenamente.

E olha só, mediando tudo isso a gente tá sempre promovendo interações significativas entre as crianças: elas conversam entre si, negociam espaços e materiais, compartilham ideias e sentimentos. E as brincadeiras surgem naturalmente desses momentos — porque brincar é a maneira delas entenderem o mundo.

Então é isso! Trabalhar esse objetivo da BNCC é proporcionar um ambiente rico em possibilidades onde cada criança possa encontrar sua forma única de expressão. Não tem fórmula pronta ou caminho único — é tudo sobre observar as crianças, entender suas necessidades e proporcionar experiências que ampliem seus horizontes. E claro, fazer parte desse processo é um privilégio imenso pra nós educadoras!

Aqui na minha turma eu sempre tô de olho nos detalhes, porque é nos pequenos gestos e nas falinhas do dia a dia que a gente percebe como as crianças estão se desenvolvendo nesse campo de escuta, fala, pensamento e imaginação. Então, vou te contar umas coisas que observo, que são sinais claros de que aquele objetivo tá sendo mobilizado.

Um exemplo é quando a gente tá numa roda de leitura. As crianças se aproximam dos livros com uma curiosidade genuína. Outro dia, o Lucas pegou um livro e começou a contar a história do jeito dele. As palavras nem sempre saem como no livro, mas ele usa gestos, muda a voz pros personagens, e os olhos daquele menino brilhando contam tudo sobre a conexão que ele tá fazendo com o mundo imaginativo e verbal.

E tem aqueles momentos espontâneos no parque. A Maria sempre inventa histórias enquanto brinca com os bonecos. Ela cria diálogos inteiros e perguntas pros colegas: "E se a princesa fosse amiga do dragão?" Isso aí, minha gente, é a comunicação e imaginação em ação! Não é uma questão de avaliar se ela tá "certa", mas sim de observar que ela tá conseguindo usar a fala pra construir narrativas complexas.

Quando paro pra registrar essas cenas, eu uso um caderno onde anoto essas observações. Às vezes tiro uma foto ou faço um vídeo curtinho - claro, com consentimento dos responsáveis, né? - pra depois rever e pensar em novas propostas. Esses registros me ajudam muito a perceber padrões, o que cada criança tá preferindo, o que tá funcionando bem ou o que ainda pode ser ajustado. Por exemplo, se percebo que algumas crianças ainda têm dificuldade de verbalizar numa situação específica, posso pensar em trazer novos materiais ou mudar o ambiente pra facilitar.

Falando nos direitos de aprendizagem da BNCC, eu vejo muito "Brincar", "Expressar" e "Participar" sendo mobilizados nesse objetivo. Brincar é fundamental – as crianças experimentam papéis diversos nos jogos simbólicos. Expressar acontece nas rodas de conversa quando elas compartilham suas vivências e sentimentos logo no início do dia. E Participar? Ah, isso é lindo de ver quando elas tomam iniciativa nas atividades ou mesmo quando decidem juntos quais brincadeiras querem explorar na hora do parque.

Agora, sobre o Joao que tem suspeita de TEA e a Bia com atraso de linguagem... eu preciso adaptar algumas coisas. Pra começar, o Joao se beneficia muito quando o ambiente é visualmente organizado e previsível. Então eu uso figuras pra sinalizar as atividades do dia e mantenho uma rotina bem visual na parede da sala. Com ele, também uso materiais mais sensoriais – texturas diferentes, por exemplo – pois ele responde bem ao estímulo tátil enquanto explora verbalizações mais concretas em seu ritmo.

A Bia gosta muito de música e isso tem sido um caminho maravilhoso pra ela se expressar e ampliar o vocabulário. Então eu trago muitas canções e histórias rimadas na nossa rotina. Também incorporo gestos nas músicas pra reforçar as palavras. Uma vez ela começou a cantarolar uma melodia enquanto desenhava... foi um sinal claro de que tava processando linguagem mesmo sem falar diretamente.

No espaço físico, deixo tudo ao alcance das crianças pra que possam escolher com autonomia os materiais que querem explorar. E sobre tempo, dou espaço pra cada um no seu ritmo durante as propostas – não adianta querer apressar essas descobertas.

Claro que algumas estratégias ainda tô ajustando... Por exemplo, há momentos em que o João fica sobrecarregado com barulho excessivo na sala. Nessas horas tentamos criar um cantinho mais tranquilo onde ele possa se regular melhor.

Estamos sempre num processo de escuta atenta por aqui, viu? A cada dia aprendo mais com esses pequenos sobre como criar experiências significativas e respeitosas pros seus caminhos singulares.

Espero ter ajudado vocês a pensar nesse objetivo aí nas turmas de vocês também! Vamos compartilhando nossas vivências que assim todo mundo cresce junto nessa arte linda de educar. Até a próxima!