Olha so, minha gente, quando a gente fala desse objetivo da BNCC de "manusear diferentes portadores textuais", eu vejo assim: e sobre as criancas se conectarem com o mundo em que vivem, ne? Elas vao perceber que existem diferentes tipos de textos e objetos que trazem informacoes, historias, ideias. E uma coisa que a gente nem precisa forcar muito, sabe? Porque a curiosidade delas ja faz isso por si so. Pensa numa crianca de 2 anos descobrindo uma revista velha – e como se um novo universo estivesse ali nas maozinhas dela. Elas tocam, abrem as paginas desajeitadamente, apontam para as imagens, tentam imitar o jeito dos adultos de "ler" e ate mesmo inventam historinhas do jeito delas.
Aqui na minha turma, eu sempre tento criar espacos onde essas exploracoes acontecem naturalmente. Um exemplo bem legal e nossa "Biblioteca de Caixas". Nao tem nada de um espaco formal com cadeiras e mesas arrumadinhas. Eu peguei umas caixas de papelão grandes e baixas e enchi de tudo quanto e tipo de portadores textuais – revistas velhas, folhetos de supermercado, caixas de cereal vazias, embalagens diversas. E a ideia e que eles mexam mesmo, rasguem (dentro do possivel), troquem de lugar. O espaco fica sempre disponivel num cantinho da sala e as criancas vao la quando querem. Uma vez, o Pedro pegou uma revista e comecou a passar as paginas como se estivesse lendo para a Laura. Ele apontava para as imagens e dizia coisas como "olha o carro", "o cao ta correndo". Isso mostra que eles ja percebem o uso social das imagens impressas. E eu? Fico ali por perto, observando e participando quando me pedem.
Outra proposta que faco com eles e a "Caixa dos Correios". E bem simples: uma caixa grande que decoramos juntos para parecer uma caixa de correio. Com papelao grosso fizemos cartinhas e postais simples. Tambem usamos envelopes velhos que arrecadamos com as familias. Eles adoram colocar as cartinhas na caixa ou entregar para os amigos, assim como veem os adultos fazendo. Na ultima vez que fizemos isso, a Gabriela chegou com uma carta na mao, foi ate o Joao e disse: "E pra voce", como se estivesse entregando algo muito importante. Aqui entra a mediação. Fico atenta as interacoes para incentivar esse faz-de-conta tao rico. Pergunto as vezes: "O que sera que esta escrito aqui?" e deixo eles inventarem.
Ah! E tem tambem a nossa "Feirinha do Livro", que acontece do lado de fora num espaco ao ar livre que temos aqui na creche. Colocamos varios livros (alguns feitos por nos mesmos) em cestos e cadeiras coloridas ao redor. Coloco umas almofadas no chao para criarem um ambiente acolhedor onde eles possam se sentar ou deitar para folhear os livros como quiserem. A duracao? Vai do interesse deles. Uma hora ta bom demais pra essa faixa etaria! Na ultima vez, o Lucas estava tao encantado com um livro de figuras grandes que ficou mostrando pros colegas e rindo das imagens engraçadas que via. Eu aproveitei esse momento para me juntar a eles no chao e perguntar: "O que essa imagem parece pra voces?" Assim vira uma conversa gostosa.
Ressalto sempre pros novos colegas que essas experiencias nao sao sobre aprender a ler no sentido tradicional da coisa sendo empurrada guela abaixo. Nao mesmo! E sobre brincar com o conceito dos textos na vida deles, ver onde isso pode levá-los nas suas pequenas exploracoes diarias.
Entao minha gente, trabalhar esse objetivo da BNCC com os pequeninos e mais sobre estar disponivel para ouvir o que eles tem a dizer sobre suas proprias descobertas do que qualquer outra coisa. A interacao ta sempre la; o brincar tambem. O papel da gente como educadora e facilitar esses encontros com os textos do mundo da forma mais leve possivel.
E assim tenho feito por aqui. Espero que voces tambem encontrem caminhos bonitos nas suas salas!
Olha, aqui na minha turma, a gente observa o desenvolvimento das crianças com muita atenção. Elas têm uma maneira própria de mostrar que estão aprendendo, e nossa função é observar esses sinais sutis no dia a dia. Sabe, não é sobre ver se elas acertaram ou erraram, mas sim sobre perceber como elas estão se envolvendo com as experiências. Eu fico de olho nos gestos, nas falas, nas escolhas que elas fazem durante as atividades. Por exemplo, quando a Mariazinha pega um livrinho e começa a contar uma historinha para os bonecos, mesmo que seja só um balbucio acompanhado por gestos, eu vejo ali uma tentativa dela de se expressar e se comunicar. Ou quando o Pedrinho escolhe sempre a mesma revista porque adora as imagens de animais, isso já me diz muito sobre seus interesses e como ele está explorando aquele material.
E esses registros são fundamentais, viu? Eu uso um caderninho para anotar essas observações, mas também faço alguns registros visuais. Fotos e vídeos curtos são ótimos pra capturar aquele momento em que a criança está profundamente envolvida na atividade. Com esses registros em mãos, posso pensar em como ajustar as próximas propostas para atender melhor os interesses e necessidades do grupo. Por exemplo, se percebo que muitas crianças estão se interessando por histórias de animais, posso trazer mais livros e revistas com esse tema, ou até mesmo organizar uma experiência onde elas possam criar suas próprias histórias.
Agora, falando dos direitos de aprendizagem que esse objetivo mobiliza, eu destacaria principalmente o brincar, o explorar e o expressar. O brincar é a base de tudo, né? É através do brincar que as crianças descobrem o mundo e se descobrem também. Elas experimentam diferentes papéis e contextos, testam hipóteses e resolvem problemas. Já o explorar tá muito ligado à curiosidade natural das crianças. Quando elas mexem nos livros, revistas e outros materiais textuais, estão explorando não só o objeto em si, mas também o significado por trás dele. E o expressar tá presente quando elas começam a verbalizar ou gesticular suas descobertas e histórias.
Um exemplo concreto: outro dia deixei um cantinho com várias texturas de papel — papelão, seda, jornal — e foi incrível ver como as crianças interagiram com aquilo tudo. O Joãozinho, que tem suspeita de TEA, ficou encantado com o som do papel de seda amassando e começou a repetir isso várias vezes. Aproveitei pra incentivar que ele tentasse fazer uma "chuva" de papel picado junto com os colegas. Já a Bia, que tem atraso de linguagem, participou do grupo que estava desenhando no papelão com giz de cera grosso. Ela não fala muito ainda, mas os olhinhos brilhavam enquanto ela fazia riscos coloridos ao som das vozes dos amigos.
Pra tornar essas experiências acessíveis ao João e à Bia, faço algumas adaptações no espaço e nos materiais. Pro Joãozinho, que às vezes precisa de um pouco mais de tempo pra processar as informações sensoriais, criei um cantinho mais calmo onde ele pode explorar com menos estímulo visual e sonoro direto. Uso materiais que ele pode manipular livremente sem grandes regras rígidas. Já com a Bia, ofereço materiais sensoriais variados que incentivam a comunicação não-verbal — como fantoches ou instrumentos musicais simples — para engajar ela nas interações com os outros.
Ah, tem coisas que funcionam super bem e outras que a gente ainda tá ajustando. Por exemplo, o uso de vídeos curtos tem ajudado muito na mediação das brincadeiras entre eles. Às vezes mostro algo simples no tablet pra servir como modelo pro grupo começar uma nova atividade. Mas estou sempre atenta pra garantir que essas ferramentas sirvam como apoio e não distraiam demais do foco principal: a experiência direta com os materiais.
Bom, é isso minha gente! Espero ter compartilhado algo útil pra vocês aí no fórum. A gente segue nessa troca boa porque cada dia é uma nova descoberta com essas crianças maravilhosas! Até a próxima!