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EI02EF06Crianças bem pequenasEscuta, Fala, Pensamento e Imaginação

Criar e contar histórias oralmente, com base em imagens ou temas sugeridos.

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI02EF06) Criar e contar histórias oralmente, com base em imagens ou temas sugeridos.

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI02EF06 faz parte do campo Escuta, Fala, Pensamento e Imaginação, que organiza experiências de imersão na cultura oral e escrita: contação, escuta, narrativa, vocabulário, hipóteses sobre a escrita e a leitura.

Características da faixa etária (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses)

Esta faixa é marcada pela explosão da linguagem oral, pela ampliação do repertório motor (correr, saltar, subir, descer) e pela consolidação do brincar simbólico (faz de conta). É também o período do reconhecimento das próprias emoções, dos primeiros conflitos sociais e do enfrentamento das frustrações. O 'não' afirmativo é parte legítima desse desenvolvimento.

Práticas recomendadas: Brincadeira de faz de conta com objetos abertos, propostas de exploração com materiais não estruturados (tampinhas, tecidos, caixas), espaços para corrida e movimento amplo, mediação atenta nos conflitos.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Olha, trabalhar o objetivo de criar e contar histórias oralmente, segundo a BNCC, é uma coisa muito rica, viu? Na prática, não estamos falando de ficar ali sentadinho com um livro na frente das crianças e pronto. É muito mais sobre proporcionar momentos em que elas possam soltar a imaginação, criar suas próprias narrativas e se expressar livremente. Crianças dessa faixa etária estão descobrindo palavras novas todos os dias, e a magia está em ver como elas juntam tudo isso de uma forma que faz sentido pra elas. Quando a gente propõe algo em torno desse objetivo, estamos abrindo espaço pra que essas pequenas mentes viajem, inventem e se comuniquem da forma mais genuína possível.

Aqui na minha turma, uma das propostas que faço é o "Cestinho de Histórias". É bem simples de preparar. Pego uma cesta grande e coloco vários objetos diferentes dentro: tampinhas, pedaços de tecido colorido, gravetos, pedrinhas lisas, alguns objetos inusitados como uma luva ou um chapeuzinho. Deixo essa cesta em um canto da sala onde as crianças possam ter fácil acesso. Quando chega o momento da proposta, a gente junta todo mundo em roda — mas sem pressa de começar — e deixo que elas explorem os objetos por uns bons minutos. O tempo? Ah, é flexível. Depende muito do interesse delas naquele dia. Às vezes vão 20 minutos, às vezes meia hora. E tudo bem.

Na última vez que fizemos isso, o João — sempre muito observador — pegou uma pedrinha e começou a contar que era o ovo de um dragão que ele encontrou no quintal da casa da vovó. A Maria, que estava do lado, logo pegou um pedaço de tecido verde e disse que era a asa do dragão voando. E assim a história foi crescendo. Eu entro na brincadeira fazendo perguntas abertas, tipo: "E o dragão faz o quê com as asas? Ele voa alto ou baixo?" Isso incentiva eles a expandirem a história sem a gente dirigir demais. A beleza tá justamente na surpresa do que eles vão inventar.

Outra proposta que as crianças adoram é o "Teatro de Caixa". Uso uma caixa de papelão bem grande — dessas de mudança mesmo. Recorto algumas janelinhas num dos lados pra criar um palco improvisado. A turma pode pintar a caixa ou colar papéis coloridos nela como parte do projeto. Deixo à disposição bonecos simples feitos com rolinhos de papel higiênico ou potinhos plásticos, além de tecidos e alguns pedacinhos de papel pra fazer cenários. Nesse dia do teatro, o espaço é reorganizado pra ter uma área livre onde a caixa fique centralizada, como um palco mesmo.

As crianças, especialmente a Ana e o Lucas, tendem a passar uns 40 minutos engajados nesse faz-de-conta. Eles criam histórias incríveis no palco da caixa: já teve princesa, monstro da floresta e até astronauta perdido no universo! Eu vou mediando mais como uma espectadora entusiasmada: "Nossa! E agora? Será que ele vai conseguir achar o caminho de volta?" Essa intervenção sutil ajuda eles a continuar desenvolvendo o enredo.

Agora vou contar sobre uma das experiências mais queridas aqui: as "Histórias com Água". Tenho algumas bacias grandes e transparentes que encho com água morna (é preciso cuidado sempre para garantir segurança total). Coloco várias coisinhas em volta: conchas, tampinhas flutuantes, alguns pedaços de madeira leve e paninhos pequenos que absorvem água. O espaço vira praticamente um laboratório aquático.

A última vez que organizamos essa atividade foi inesquecível. O Pedro percebeu que empilhando as tampinhas na água conseguia fazer um barco. Já a Luiza decidiu que as conchinhas eram peixes coloridos nadando ao redor do barco do Pedro. E as ideias brotavam dali... Eu ajudo mantendo um olhar atento e fazendo perguntas como: "E esse barco vai pra onde? Ele encontrou amigos pelo caminho?" Isso estimula eles a continuarem contando suas histórias aquáticas.

Essas propostas são só exemplos do quanto brincar e interagir são mesmo estruturantes nessas vivências todas. Não tem cobrança para ter um final pronto ou uma história linear como nos livros adultos. É sobre experimentar possibilidades e ver pra onde a imaginação leva. As crianças precisam desse espaço onde o brincar se mistura com criar — é assim que ampliam seu repertório com alegria.

Então é isso, minha gente. Espero que essas ideias inspirem vocês por aí também! Sempre bom trocar experiências e perceber como cada grupo reage de um jeitinho diferente às propostas. Até a próxima!

Olha, na verdade, observar o desenvolvimento das crianças em relação ao objetivo de criar e contar histórias é um processo contínuo e cheio de nuances. Cada criança é única e demonstra sua aprendizagem de formas bem diferentes. Na minha turma, eu fico sempre atenta a pequenos gestos, falas espontâneas, as escolhas que fazem durante as atividades, ou mesmo as tentativas de interagir. Por exemplo, teve uma vez que o Lucas, que costuma ser mais reservado, pegou uma boneca do cestinho e começou a contar uma história pra ela. Ele usava palavras que aprendeu recentemente e misturava com as que já conhecia. Não era uma história longa nem com início, meio e fim, mas ali estava ele, se expressando da forma dele.

Eu também percebo muito pelo olhar. Sabe quando você vê aquele brilho nos olhos deles quando tão absorvidos numa brincadeira de faz de conta? É um indicativo gritante de que a vivência tá mobilizando aprendizagem. A Maria sempre fica encantada quando pegamos os fantoches. Outro dia ela inventou uma situação em que o fantoche tava com fome e começou a alimentar ele com frutinhas de brinquedo. Nessas horas, eu só fico ali, observando e registrando mentalmente. O mesmo vale quando eu noto que repetem palavras ou frases que ouviram durante as histórias ou tentam imitar as entonações que usei.

Eu costumo registrar essas observações de várias formas. Tenho um caderno onde anoto essas pequenas descobertas, mas às vezes também faço fotos ou vídeos curtos dessas situações. Isso ajuda muito na hora de planejar novas experiências. Tipo assim, se percebo que estão muito interessados em animais, na próxima vez posso trazer histórias com esse tema ou fantoches de bichinhos. Ah, e esses registros são preciosos na hora de conversar com os pais sobre o desenvolvimento das crianças também.

Sobre os direitos de aprendizagem, olha só, esse objetivo de criar e contar histórias mobiliza bastante o Brincar, Explorar e Expressar. Durante uma atividade onde elas criam suas histórias usando materiais diversos, tô vendo o brincar acontecendo ali o tempo todo. Tipo quando a turma começa a reencenar uma história que inventaram, vestindo fantasias ou usando objetos da sala como adereços. O explorar vem muito quando elas têm a oportunidade de usar diferentes materiais pra contar suas narrativas – já vi construírem castelos com blocos só pra ambientar a história! E claro, expressar é parte essencial: cada criança tem seu jeitinho particular de contar algo, seja usando mais gestos, fazendo vozes engraçadas ou até mesmo através de desenhos.

Agora falando sobre o João e a Bia. Pro João, que tem suspeita de TEA, eu procuro sempre ter materiais visuais disponíveis como suporte – cartões com imagens relacionadas à história que estamos criando são um exemplo. Isso ajuda ele a se situar melhor no contexto da atividade e dá um suporte visual pras ideias dele. Também crio espaços mais tranquilos dentro da sala pros momentos em que ele precisa se isolar um pouco antes de voltar ao grupo.

Já pra Bia, que tem um atraso na linguagem, o foco é oferecer muitas oportunidades pra usar novas palavras sem pressão. Nessas horas os fantoches são ótimos aliados! Eles ajudam a criar diálogos simples onde ela pode praticar sem medo de errar. Eu também dou bastante tempo pra ela se expressar – aqui ninguém apressa ninguém! E claro, modelos simples de frases durante as interações ajudam ela a expandir seu vocabulário no ritmo dela.

Claro que ainda tem coisas que tô tentando ajustar melhor. Por exemplo, ainda quero encontrar mais maneiras de envolver o João em atividades coletivas sem ele se sentir perdido ou sobrecarregado. Já sobre a Bia, continuo buscando formas de motivá-la a usar mais palavras novas por iniciativa própria.

Bom minha gente, acho que por hoje é isso! Espero ter contribuído um pouco com essa troca rica entre nós educadoras. Sempre bom ouvir as experiências das colegas também! Vamos nos falando por aqui. Abraço!