Ah, minha gente, vou te contar um pouco sobre como a gente trabalha aquele objetivo da BNCC que fala sobre as crianças relatarem experiências e fatos acontecidos. E, olha, é muito mais do que simplesmente ouvir uma história e repeti-la, viu? Na prática, a gente tá falando de dar espaço pra criança viver experiências ricas e significativas que ela possa internalizar e depois expressar do jeitinho dela. Nessa idade, entre 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses, as crianças têm uma capacidade incrível de percepção e imaginação. Elas estão sempre absorvendo o mundo ao redor e, mesmo sem a gente perceber, elas começam a criar narrativas próprias.
Por exemplo, é comum ver um pequeno que acabou de ouvir uma história sobre bichos do zoológico pegar os bloquinhos de montar e começar a criar uma "jaula pros leões", dizendo: "Aqui leão dorme". Ou então um outro que assistiu um teatrinho com fantoches imitar as vozes dos personagens enquanto brinca com seus próprios bonecos. Essa é a mágica da coisa. É ver eles transformando as vivências em novas formas de expressão.
Aqui na minha turma, eu gosto de propor algumas atividades que dão essa brecha pra criança experimentar e relatar do jeito dela. Vou contar três que têm dado super certo com meu grupo.
Primeira proposta é a roda de conversa com elementos da natureza. Eu junto as crianças num cantinho da sala ou no nosso pátio externo — adoro fazer isso lá fora quando o tempo tá bom. Aí eu trago uma cesta cheia de elementos naturais: folhas secas, pinhas, pedaços de madeira, sementes... coisas simples mas que provocam muita curiosidade neles. A ideia é que cada criança pegue um desses elementos e depois conte uma história ou simplesmente fale o que lhe vem à mente sobre aquilo. Pode parecer simples, mas as crianças adoram! Outro dia o Lucas pegou uma pinha e disse: "Essa é a casa dos ratinhos", e começou a inventar toda uma vida pros ratinhos ali dentro. Eu facilito fazendo perguntas abertas tipo: "E como é a casa deles por dentro?" ou "Quem mais mora lá?" pra estimular eles a falarem mais. Dura uns 20 minutos e é lindo ver como eles se empolgam.
Outra proposta que faço é o teatro de sombras. Eu penduro um lençol branco numa parte da sala, deixo o ambiente meio escuro e uso lanternas pra projetar sombras com diferentes objetos: colheres de pau, garrafas vazias, pedaços de papelão recortados em formas... As crianças adoram criar histórias usando essas sombras. Eu lembro que a última vez ficou todo mundo animado tentando adivinhar o que era cada sombra projetada. A Sofia estava convencida de que uma colher era um dragão! Enquanto eles criam as histórias com as sombras, eu vou mediando com perguntas, mas sem interferir demais na criação deles. Esse teatro dura uns 30 minutos e sempre deixa todo mundo encantado.
Por fim, tem uma proposta que faço com caixas de papelão grandes. A gente coloca as caixas no meio da sala e deixa as crianças explorarem livremente. Elas podem entrar dentro das caixas, empilhar, usar como carro ou casinha... E aí começa um mundo de histórias! Na última vez que fizemos isso, o Pedro transformou uma caixa numa "nave espacial" que ia até "outro planeta". Ele chamou outros amigos pra irem junto nessa viagem espacial inventada por ele. Eu fico por ali perto observando como eles vão se organizando entre si e às vezes pergunto coisas pra estimular o relato das experiências: "E como é esse planeta?" ou "O que vocês veem lá fora?". Essa brincadeira pode durar bastante tempo se deixar — às vezes mais de 40 minutos — porque eles simplesmente não querem parar!
A chave pra mediar tudo isso tá nas interações e no tempo livre pra brincar. Nunca apressar ou direcionar demais. Escuto o que eles trazem e valorizo cada fala ou invenção deles como algo importante. Sempre tem uma criança nova trazendo algo inusitado que surpreende todo o grupo — e isso é lindo demais!
Então é isso! Espero ter conseguido passar um pouquinho do quanto essas propostas são legais pra trabalhar esse objetivo de relatar experiências com os pequenos. Se você tiver alguma dúvida ou quiser compartilhar suas ideias também, tô por aqui!
Olha, quando a gente observa o desenvolvimento das crianças em relação a esse objetivo da BNCC, a gente tá de olho em vários sinais no dia a dia. Não é uma questão de avaliar se elas "acertaram" ou fizeram exatamente o que a gente esperava. Na verdade, é mais sobre perceber como elas interagem com as propostas e como essas experiências estão mobilizando o aprendizado delas. E vou te contar, são nos pequenos gestos, nas falas improvisadas e até nas escolhas que elas fazem durante as brincadeiras que a gente vê isso acontecendo.
Uma vez aconteceu algo assim com a Clarinha, que tem 2 anos e meio. Nós estávamos numa roda de conversa depois que assistimos um teatrinho de fantoches sobre animais da fazenda. Clarinha começou a falar sobre o cachorro da vizinha, associando com o cachorro do teatrinho, sabe? Ela fez uma conexão espontânea entre a história que havia vivenciado e sua própria experiência pessoal. Isso mostrou pra mim que ela estava processando e integrando informações de diferentes fontes no seu jeitinho único.
E as tentativas? Tem o Pedro, sempre tem uma tentativa bacana dele. Outro dia ele pegou umas panelinhas e começou a "cozinhar" pro irmãozinho menor que ainda tá no Grupo 1. Ele foi descrevendo tudo que estava fazendo: "Aqui, jogo sal... mistura... tá quente!", e fazia o gesto de soprar pra esfriar. Ele tava criando uma historinha ali na hora, mostrando como ele já tá desenvolvendo essa capacidade de relatar experiências imaginadas.
Esses momentos são super valiosos, e eu gosto de registrar tudo isso. Uso um caderninho pra anotar essas observações do dia a dia, mas também tiro fotos e faço alguns vídeos curtos (com permissão dos pais, claro). Esses registros ajudam não só a acompanhar o desenvolvimento das crianças, mas também a ajustar as próximas propostas. Se noto que algo despertou muito interesse ou gerou muitas conexões, posso planejar novas atividades que explorem ainda mais aquele tema.
Agora vamos falar dos direitos de aprendizagem que esse objetivo mais mobiliza. Na minha opinião, os direitos de explorar, expressar e participar são os que estão mais presentes nessa experiência. Por exemplo, quando as crianças tão brincando de faz-de-conta e começam a criar suas histórias, elas estão exercendo o direito de explorar sua imaginação e o mundo ao seu redor. Elas testam ideias novas, experimentam papéis e expressam seus pensamentos e sentimentos através dessas narrativas.
E participar? Ah, minha gente, é lindo ver como eles se envolvem nas histórias uns dos outros. É comum eles começarem suas próprias narrativas e logo chamar um amigo para participar: "Vem cá, você vai ser o médico!" Ou seja, estão não só criando suas histórias mas também aprendendo a negociar papéis e respeitar as contribuições dos amigos.
Agora, com relação ao João e à Bia... Olha só como eu organizo isso pra eles. O João tem suspeita de TEA e às vezes demora pra se engajar numa atividade coletiva. Então eu procuro deixar o espaço bem organizado visualmente pra ele não se perder. Uso tapetes coloridos pra demarcar áreas diferentes na sala e deixo à disposição alguns brinquedos que ele gosta especialmente – como aqueles bloquinhos de montar – pra ele ir se aproximando do grupo no seu tempo.
Já com a Bia, que tem atraso de linguagem, eu uso muito suporte visual nas histórias, como imagens grandes e fantoches. Também faço muita leitura compartilhada com ela ao meu lado para ir nomeando objetos e personagens com calma. E incluo músicas e ritmos nas atividades porque sei que ela adora música e responde bem a esses estímulos.
Tem funcionado bem até agora! O João tá começando a se aproximar mais do grupo quando nota que os brinquedos preferidos dele estão em ação nas histórias. E a Bia tá cada vez mais engajada nas rodas de conversa quando percebe que pode participar através da música ou imitando sons dos personagens.
Enfim, ainda tô sempre tentando coisas novas com eles porque cada dia é um aprendizado pra mim também. Mas é uma satisfação enorme ver cada pequena conquista desses pequenos.
Bom, acho que é isso por hoje! Espero ter contribuído com algumas ideias bacanas pra vocês. Qualquer coisa podem me chamar por aqui que a gente continua trocando figurinhas. Até mais!