Sabe, minha gente, quando a gente fala daquele objetivo de "Formular e responder perguntas sobre fatos da história narrada, identificando cenários, personagens e principais acontecimentos", pode parecer meio abstrato, né? Mas olha, na prática é algo muito mais envolvente e natural do que parece. No dia a dia com as crianças pequenas, isso significa estimular elas a entrarem na história, viverem os personagens e se sentirem parte do enredo. Nessa fase, as crianças estão descobrindo o mundo através das experiências que têm e das interações com o outro. Elas adoram perguntar "por quê?" pra tudo e estão começando a entender que uma história tem começo, meio e fim. Então, quando a gente lê uma história pra elas ou conta um conto, elas começam a se conectar com os personagens, a imaginar os cenários e a querer saber o que acontece depois.
Aqui na minha turma, por exemplo, quando conto uma história sobre animais da floresta, é comum ver a Aninha apontando e dizendo "olha o elefante!" enquanto o Pedrinho já pergunta "e o leão tá onde?". Nesse momento, você percebe que eles estão conectando as informações da história com o que eles conhecem ou imaginam sobre o mundo ao redor. Ah, e quando eles começam a recontar a história a seu próprio modo ou a criar novas versões, aí é que tá a magia! É sinal de que eles estão mergulhando de cabeça nesse universo imaginário.
Agora vou compartilhar três propostas que costumo organizar aqui na sala pensando nesse objetivo de vivenciar histórias de forma mais rica com as crianças.
Uma coisa que fazemos bastante é montar cenários com materiais não estruturados. Da última vez, usei tecidos coloridos, folhas secas e gravetos que coletamos no pátio. A ideia era criar uma floresta encantada. Espalhei os tecidos pelo chão pra imitarem rios e clareiras, enquanto as folhas secas faziam o som das árvores balançando. As crianças ajudaram a montar tudo e logo começaram a trazer suas próprias contribuições: "aqui é onde o coelho mora", disse o Gabriel enquanto organizava um punhado de gravetos num canto. Durante essa atividade, eu fico mais como observadora, mediando quando necessário. Se alguém quer transformar uma poça d'água em morada de um dragão, eu ajudo com algumas dicas: "e será que o dragão gosta de água fria ou quente?" Coisas assim. Isso costuma durar uns 30 minutos porque respeita o tempo de concentração da faixa etária.
Outra proposta é a contação de histórias em rodas de conversa. Eu amo essa experiência porque fortalece muito as interações entre eles. Sentamos todos no tapete em círculo e escolho uma história pra compartilhar. Da última vez foi "A Casa Sonolenta". Só usei um livro grande com ilustrações bem visuais. Enquanto leio, faço pausas estratégicas e convido as crianças a imaginar o que vem depois: "O que você acha que vai acontecer quando todos dormirem?". A Laura sempre puxa um assunto engraçado: "Eles vão sonhar com uma piscina de bolinhas!" E aí é uma risadaria só. Esse tipo de atividade proporciona cerca de 20 minutos de pura imaginação e troca entre eles.
Ah, e tem também aquela brincadeira de criação de personagens usando objetos do cotidiano. A gente usa tampinhas de garrafa, pedaços de tecido colorido e rolos de papelão. Num dia desses, ofereci as tampinhas como se fossem os olhos dos personagens e os tecidos viraram capas mágicas. As crianças criaram várias historinhas improvisadas: "Esse aqui é um super-herói!" dizia o João segurando um rolo de papelão envolto num tecido vermelho. Durante essas sessões criativas, eu caminho pela sala fazendo perguntas abertas: "E esse super-herói mora onde? Com quem ele vive?" Isso ajuda elas a expandirem suas ideias sem sentir pressão pra uma resposta certa ou errada.
É nessas propostas que vejo como cada criança tem seu tempo e jeito de mergulhar nas histórias. Não precisa ter pressa ou exigir um produto final definido. O importante é proporcionar experiências onde elas possam explorar livremente suas imaginações e se conectarem entre si através das narrativas.
Então é isso, pessoal! Essas são algumas das formas como trabalho esse objetivo aqui na creche. Cada dia é uma nova aventura cheia de descobertas junto com elas. Se vocês tiverem ideias pra trocar ou quiserem compartilhar como fazem em suas salas também, tô por aqui! Vamos aprendendo juntas.
Sabe, minha gente, quando a gente tá ali no meio das histórias com as crianças, observando elas se encantarem com os personagens e o desenrolar dos acontecimentos, é que a mágica acontece. Não é só sobre contar a história, mas sobre perceber como as crianças reagem e se envolvem com aquilo. Eu fico sempre atenta aos pequenos gestos e falas. Por exemplo, quando a Ana, lá no meio de uma contação, levanta a mãozinha e fala "e aí ele vai fazer o quê agora?", é sinal de que ela está super envolvida no enredo. Ou quando o Lucas começa a imitar o som do vento que a gente descreveu na história, isso me mostra que ele tá se transportando pra aquele cenário.
E olha como as escolhas que eles fazem são reveladoras! Outro dia, a gente tava numa roda de leitura e, depois de ouvir uma história sobre animais da floresta, as crianças foram brincar livremente com os fantoches. A Júlia escolheu um lobo bem rapidinho e começou a criar uma nova história com ele, mostrando que ela assimilou aquele personagem e queria explorar mais sobre ele.
Aí tem também aquelas tentativas super importantes. O Pedro, que não falava muito de início, começou a perguntar mais durante as histórias. Ele aponta pro livro e pergunta "Isso é um leão?" ou "Por que o céu tá escuro?". Essa curiosidade é um indicativo maravilhoso de que ele tá começando a formular perguntas sobre o que vê e ouve.
Eu registro essas observações no meu caderno diário. Escrevo algumas falas das crianças, o contexto em que aconteceram e também faço umas anotações sobre como elas estavam naquele dia. Às vezes tiro uma foto ou um vídeo curto quando é possível, mas sempre mantendo aquele cuidado pra não interferir na vivência delas. Esses registros me ajudam a planejar as próximas experiências. Se noto que o grupo se interessou mais por uma determinada parte da história ou personagem, já penso em trazer materiais que ampliem esse interesse nas próximas atividades.
Quando eu penso nos direitos de aprendizagem que esse objetivo mobiliza, logo me vêm à mente o Brincar, Expressar e Conhecer-se. Ah, pensa só: no brincar com os fantoches depois de uma história, elas brincam de ser outros seres e situações, o que fortalece a imaginação e criatividade delas. É um momento em que expressam sentimentos e ideias através desses personagens. Naquela cena em que a Júlia pegou o lobo e começou a inventar outra história, ela tava expressando sua interpretação pessoal daquele personagem.
Já no direito de Conhecer-se, vejo muito quando as crianças começam a perceber seus gostos e interesses. Quando o Pedro mostra interesse pelos animais da história ou quando a Ana fica fascinada pelo cenário do conto, isso tá falando muito sobre quem eles são e o que mexe com cada um deles.
Agora, organizar essas experiências pra serem inclusivas pro João e pra Bia é uma parte essencial do meu trabalho. O João tem suspeita de TEA e eu noto que um ambiente mais previsível e estruturado ajuda bastante ele. Então procuro manter uma rotina clara durante essas atividades de contação de histórias: primeiro vem a roda de leitura num espaço mais acolhedor da sala com almofadas distribuídas ao redor pra cada criança ter seu espaço definido. Pro João, funciona bem ter imagens grandes dos personagens em cartões ilustrativos pra ele acompanhar as narrativas visualmente. Isso ajuda ele a se conectar melhor com as histórias.
Pra Bia, que tem atraso de linguagem, trago materiais que estimulam mais os sentidos dela. Durante as histórias uso sons gravados ou instrumentos musicais simples pra destacar partes importantes do texto. Também encorajo ela a usar bonecos de dedo ou fantoches pequenos enquanto ouvimos as histórias; esses materiais ajudam ela a interagir mesmo sem usar muitas palavras ainda.
Tem coisas que tão funcionando bem assim, mas sempre tem aspectos novos pra trabalhar. Pro João, por exemplo, tô tentando ajustar o tempo das atividades pra respeitar melhor o ritmo dele sem deixar ele perder o fio da meada; às vezes ele precisa de uns minutinhos extras pra processar tudo antes de participar ativamente.
Bom, minha gente, por aqui eu acho que vou encerrando essa parte da conversa. Espero ter dado uma luz sobre como essa observação do dia a dia é rica em possibilidades de aprendizagem pros pequenos. E como sempre gosto de lembrar: cada criança tem seu tempo e jeito único de aprender e descobrir o mundo através das histórias. Um abraço virtual pra vocês!