Olha, quando a gente pensa nesse objetivo da BNCC, é importante lembrar que, na Educação Infantil, a ideia não é "ensinar" as crianças a ler como numa aula de alfabetização. A questão aqui é criar um ambiente rico em experiências que incentivem o prazer pela leitura e o contato com os livros. Com o grupo de crianças bem pequenas, a gente busca despertar o interesse e a atenção delas para as histórias por meio das nossas interações e das brincadeiras. Elas ainda estão começando a entender que a escrita é diferente das ilustrações, por exemplo. Então, a gente vai construindo esse entendimento de forma gradual e natural.
As crianças dessa faixa etária muitas vezes mostram atenção quando a gente lê uma história fazendo vozes diferentes ou usando um ritmo mais envolvente. Elas começam a perceber que as palavras têm um sentido além das imagens. E não é raro ver algumas delas apontando para os desenhos e tentando contar partes da história do jeito delas. Além disso, elas observam muito como a gente manuseia o livro: virando páginas, seguindo uma direção de leitura. Tudo isso faz parte desse aprendizado, mas num formato mais lúdico e espontâneo.
Aqui na minha turma, eu gosto de organizar umas propostas bem interessantes pra esse objetivo. Uma que costumo fazer envolve caixas de papelão de tamanhos variados e um monte de tecidos coloridos. Eu coloco os livros espalhados pelo chão e deixo as crianças livres pra explorar. A ideia é que elas usem as caixas e os tecidos pra criar casinhas ou cantinhos de leitura. Teve uma vez que a Manu e o Pedro começaram a empilhar umas caixas e criaram uma espécie de forte. Eu entrei na brincadeira, perguntando se podia ler uma história no "castelo" deles. Eles adoraram e ficaram super atentos enquanto eu lia uma história simples sobre animais. Assim, eles não só tiveram contato com os livros, mas também puderam exercitar a criatividade ao criar aquele espaço especial.
Outra proposta que funciona bem é o uso de tampinhas e gravetos durante a contação de histórias. Eu seleciono algumas histórias que têm elementos da natureza ou aventuras ao ar livre e trago esses materiais pra roda de conversa. Um dia, durante uma história sobre um ursinho explorador, as crianças usaram os gravetos como "varinhas mágicas" pra ajudar o ursinho a encontrar novos caminhos na floresta imaginária da sala. Enquanto eu lia, elas se envolviam com os materiais e iam "ajudando" o ursinho em suas aventuras. A forma como elas interagem com os objetos mostra que estão prestando atenção na narrativa e também inventando suas próprias versões.
E tem outra atividade que faço com frequência: a pescaria de histórias. Eu preparo peixinhos de papel com ganchinhos de metal e coloco palavras simples ou pequenas imagens neles. Usamos varinhas feitas com gravetos e barbantes amarrados na ponta, tipo uma pescaria mesmo! Cada criança pesca um peixinho e tenta adivinhar qual parte da história ele representa ou inventa uma nova parte da história usando aquela imagem ou palavra como inspiração. Na última vez que fizemos isso, o Lucas pegou um peixinho com uma figura de sol e decidiu que naquela parte da história ia ter um passeio no parque porque "o sol estava brilhando". Esse tipo de interação ajuda muito a desenvolver não só a atenção à leitura mas também a imaginação deles.
Eu sempre tento mediar essas atividades sem comandar demais. Deixo as crianças explorarem à vontade e só entro quando vejo que precisam de uma pequena orientação ou quando querem compartilhar algo comigo. Às vezes, tudo que precisam é de um empurrãozinho para continuar imersas naquela experiência.
Então é isso, minha gente! Trabalhar esse objetivo passa por criar ambientes ricos em possibilidades onde as crianças possam descobrir o prazer das histórias no seu próprio ritmo. A gente precisa lembrar sempre que cada criança tem seu jeito único de se conectar com os livros e as narrativas. Espero que essas ideias possam inspirar vocês aí nas salas também! Até a próxima conversa!
Ah, continuando aqui, minha gente, sabe como é que eu consigo observar o desenvolvimento das crianças com esse objetivo de escuta, fala, pensamento e imaginação? Olha só, é no dia a dia mesmo, na rotina, que a gente vai percebendo os sinais. Não é tipo uma "prova" que a gente aplica pra ver se elas "acertaram", viu? O que eu faço é observar com atenção e registrar o que tá acontecendo. E vou te contar, isso é uma parte muito gostosa do meu trabalho.
Por exemplo, na hora da roda de história, dá pra ver quando as crianças estão realmente envolvidas. Como? Ah, elas começam a fazer perguntas sobre os personagens ou repetem partes da história com aquele brilho no olho, sabe? Uma vez eu tava lendo uma história sobre um sapo aventureiro e o Pedro começou a pular de um lado pro outro imitando o sapo. Isso mostra que ele não só tava ouvindo, mas incorporando a história na sua própria brincadeira e imaginação. Já a Luísa fica muito interessada nos livros com ilustrações vibrantes e sempre aponta pros desenhos enquanto solta um "Olha!" cheio de entusiasmo.
E tem mais! Às vezes eu deixo livros espalhados pela sala, em locais acessíveis pras crianças pegarem quando quiserem. E é tão bonito ver como, de repente, uma roda de conversa se forma em volta de um livro. Uma criança pega um livro e logo outras se aproximam. Nessas horas eu costumo ficar na espreita, só observando como elas compartilham os livros e as histórias entre si. Isso é um sinal fortíssimo de que a experiência tá mobilizando aprendizagem.
Agora, sobre os registros. Eu gosto muito de anotar essas observações num caderno que fica sempre à mão. Também tiro fotos ou faço vídeos curtos das crianças durante essas interações. Não é pra "provar" nada pra ninguém, mas porque esses registros me ajudam a pensar sobre o que tá funcionando bem e onde posso ajustar ou propor algo novo. Por exemplo, se percebo que certas histórias capturam mais atenção do grupo, posso buscar livros com temas ou estilos similares.
Falando dos direitos de aprendizagem que esse objetivo mobiliza, eu diria que o "Brincar", o "Expressar" e o "Explorar" são os mais evidentes no nosso dia a dia com esse tipo de vivência. As crianças exprimem suas ideias e sentimentos quando recriam as histórias em suas brincadeiras ou quando desenham algo relacionado ao que ouviram. O brincar é essa coisa mágica onde tudo se mistura: a história que ouviram mais cedo vira um grande jogo de faz de conta.
O "Explorar" também acontece quando as crianças têm liberdade pra manipular os livros à sua maneira. Elas viram as páginas, observam as imagens, inventam histórias próprias – mesmo sem saber ler as palavras ainda. É tão legal ver uma criança contando sua própria versão das ilustrações! E claro, o "Expressar" tá presente sempre que elas falam sobre suas impressões e sentimentos relacionados às histórias.
Agora falando um pouco sobre como eu organizo a experiência pra incluir todas as crianças, pensando no João que tem suspeita de TEA e na Bia que tem atraso na linguagem... Bom, pro João, eu tento sempre trazer materiais sensoriais junto com os livros. Eu criei uma caixa sensorial com elementos da história – tipo pedrinhas pra representar um caminho ou tecidos coloridos pros personagens. Isso ajuda ele a se conectar com a história de maneira diferente, porque ele gosta muito de sentir os materiais nas mãos.
Pra Bia, eu procuro usar livros com ilustrações bem claras e simples e faço questão de usar gestos expressivos durante a leitura. Ela responde muito bem quando enfatizo certas palavras ou uso símbolos visuais pra ajudar no entendimento. E outra coisa: dou tempo pra ela explorar esses livros sozinha também. O tempo dela é diferente do da maioria das crianças da turma e respeitar isso é essencial.
Quanto ao espaço e tempo, eu procuro criar locais aconchegantes onde eles possam se sentir seguros pra explorar no ritmo deles. Tem um cantinho bem fofinho na sala onde deixo almofadas e tapetes macios – é ali que muitas vezes a mágica acontece! Às vezes as coisas não saem como planejado; por exemplo, já tentei usar fantoches pra mediar uma história e foi um pouco confuso pro João entender a dinâmica. Mas sigo tentando outras abordagens.
Enfim, minha gente! Assim vou seguindo nessa caminhada linda e desafiadora da Educação Infantil! Sempre aberta a trocar ideias por aqui também! Um abraço carinhoso pra vocês!