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EI02EF02Crianças bem pequenasEscuta, Fala, Pensamento e Imaginação

Identificar e criar diferentes sons e reconhecer rimas e aliterações em cantigas de roda e textos poéticos.

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI02EF02) Identificar e criar diferentes sons e reconhecer rimas e aliterações em cantigas de roda e textos poéticos.

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI02EF02 faz parte do campo Escuta, Fala, Pensamento e Imaginação, que organiza experiências de imersão na cultura oral e escrita: contação, escuta, narrativa, vocabulário, hipóteses sobre a escrita e a leitura.

Características da faixa etária (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses)

Esta faixa é marcada pela explosão da linguagem oral, pela ampliação do repertório motor (correr, saltar, subir, descer) e pela consolidação do brincar simbólico (faz de conta). É também o período do reconhecimento das próprias emoções, dos primeiros conflitos sociais e do enfrentamento das frustrações. O 'não' afirmativo é parte legítima desse desenvolvimento.

Práticas recomendadas: Brincadeira de faz de conta com objetos abertos, propostas de exploração com materiais não estruturados (tampinhas, tecidos, caixas), espaços para corrida e movimento amplo, mediação atenta nos conflitos.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Olha, quando a gente fala desse objetivo da BNCC, eu sinto que é muito sobre as crianças começarem a perceber e brincar com a melodia e os sons das palavras, viu? Elas têm essa capacidade incrível de explorar o mundo sonoro ao redor delas. E nessa idade, entre 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses, é tudo uma grande descoberta. Elas ainda não sabem ler ou escrever, mas já estão super atentas aos sons, às rimas, e isso é essencialmente brincar com a linguagem, sabe como é? A criança dessa faixa etária, por exemplo, pode repetir uma palavra só porque ela soa engraçadinha. Ela cantarola uma musiquinha inventada ou fica encantada quando descobre que “bola” rima com “escola”. E é através dessas experiências que elas vão ampliando seu repertório linguístico.

Aqui na minha turma, eu gosto de propor várias coisas que ajudam as crianças a explorar esses sons de forma natural e divertida. Uma das propostas que faço é o "Canto das Tampinhas". Olha só como funciona: coloco um monte de tampinhas de garrafa PET de cores e tamanhos diferentes num cantinho da sala. Junto com elas, deixo alguns potes de plástico e colheres de pau. Primeiro, as crianças têm total liberdade pra explorar o material como quiserem. Elas podem pegar as tampinhas e bater umas nas outras, colocá-las nos potes e chacoalhar. Isso faz com que criem sons bem variados. Nessa brincadeira, o João, por exemplo, adorou descobrir que quando ele chacoalhava as tampinhas no potinho azul, fazia um barulho bem diferente do potinho vermelho. E aí ele começou a repetir a ação várias vezes, criando um ritmo próprio. Eu ficava ali do lado, observando e às vezes me abaixava pra comentar algo tipo: “Nossa, João! Que som legal!” ou “Será que se você mexer devagar o som muda?”. É bom ver como eles se envolvem.

Outra coisa que sempre faço é o "Tecido Musical". Eu penduro tecidos coloridos nos varais ao redor da sala e coloco algumas caixas de música ou instrumentos musicais simples, como chocalhos feitos de latas com grãos dentro, pelo espaço. A ideia é que eles explorem os tecidos enquanto dançam ao som das músicas ou dos instrumentos. Na última vez que fizemos essa atividade, a Ana ficou toda encantada com os tecidos voando quando ela girava e começou a cantarolar uma cantiga enquanto dançava. Sem pressa, eu vou me juntando à brincadeira dela, repetindo algumas palavras da cantiga e criando uma pequena coreografia junto. É lindo ver como essas interações surgem espontaneamente.

E também tem o "Canto das Histórias Rimadas". Aqui eu monto um pequeno espaço com almofadas no chão e deixo à disposição livros de poesias infantis e cantigas ilustradas. O legal é sentar com eles nesse espaço e ler em voz alta de forma bem expressiva. Nesse dia, Carlos pegou um livro que tinha imagens bem coloridas e ficou fascinado por uma rima sobre um sapo no lago. A cada vez que eu lia a rima “sapo/lago”, ele repetia aos risos “sapo-lago”, sincronizando-se com o ritmo. E aí eu aproveitava pra incentivá-lo: “Opa! Olha só que bonito isso! Você também sabe rimar!”. A leitura vai seguindo no tempo deles mesmo, sempre respeitando o interesse do grupo naquele momento.

O mais importante é garantir que esse tipo de proposta seja regado de interações genuínas e brincadeiras livres. Não é comando, não é obrigação. A gente vai mediando as vivências das crianças para que elas possam experimentar essas possibilidades sonoras do jeito delas. Elas são super espertas e sempre nos surpreendem com o jeitinho delas de brincar com as palavras.

Então é isso! Nesses momentos de exploração sonora na creche, elas estão vivendo experiências riquíssimas que vão além do simples reconhecimento dos sons; elas estão interagindo com o mundo ao redor delas de maneira significativa. E olha só: a gente aprende junto com elas também!

Aqui na minha turma, eu gosto de propor muitas atividades que envolvem música, poesia e jogos de palavras. É tão lindo quando a gente vê uma criança que ainda tá aprendendo a falar começar a inventar suas próprias rimas e ritmos espontaneamente. Eu sempre digo que o desenvolvimento das crianças não é uma linha reta, né? Ele se dá em pequenas curvas, em zig-zags, e a gente precisa estar atenta para perceber esses movimentos.

Olha só, um exemplo que me vem à cabeça foi um dia numa roda de música. A gente tava cantando uma canção bem simples que fazia “lalala”. De repente, o Pedrinho começou a inserir o nome dele na melodia: "Pedrinho, lalala". Foi uma alegria só ver como ele tava entendendo a estrutura da música e se colocando dentro dela. Aí eu registrei essa interação num caderno que uso pra anotar esses momentos preciosos. É uma forma de eu acompanhar o desenvolvimento dele e também refletir sobre como posso enriquecer as próximas atividades. Às vezes tiro fotos ou faço um videozinho curto (com autorização dos responsáveis, claro) pra lembrar os detalhes depois.

Esses registros me ajudam muito a ajustar as propostas futuras. Porque quando a gente observa que a turma tá reagindo bem a uma determinada atividade, podemos pensar em algo mais desafiador dentro daquela mesma linha. E quando algo não engaja tanto, é hora de mudar a estratégia.

Agora, falando dos direitos de aprendizagem, eu diria que esse objetivo da BNCC tem muito a ver com Expressar, Brincar e Explorar. Por exemplo, quando colocamos instrumentos musicais no meio da sala e deixamos as crianças explorarem livremente os sons, elas estão expressando suas emoções e experimentando o mundo à sua volta sem pressa. Um dia, vi a Sofia batendo em um tambor e depois tentando repetir o som com a boca. Ela estava explorando um novo jeito de se expressar através dos sons.

Quanto ao brincar, é incrível ver como as crianças criam narrativas enquanto interagem umas com as outras. Outro dia, o Thiago e a Clara estavam brincando de esconde-esconde e inventaram um código próprio com sons e palavras inventadas para marcar quando alguém tinha sido encontrado. Eles estavam participando ativamente do jogo e experimentando a linguagem de um jeito todo deles.

Agora, falando do João e da Bia, tenho que dizer que cada criança é única e precisa de estratégias específicas pra ter uma experiência legal. O João, que tem suspeita de TEA, às vezes fica sobrecarregado com estímulos sonoros muito intensos, então eu costumo criar um cantinho mais tranquilo onde ele possa explorar os sons no seu tempo. Também introduzo materiais visuais como cartões com desenhos pra ajudar ele a associar os sons das palavras com imagens visuais claras.

Já a Bia tem um atraso de linguagem, então procuro usar muitos gestos junto com as palavras pra ajudar na compreensão. Também faço questão de repetir histórias conhecidas, porque ela adora reconhecer os personagens e antecipar as falas mais simples. Isso dá confiança pra ela se expressar mais à vontade.

Uma coisa que funcionou bem com o João foi deixar ele brincar com fones de ouvido que amplificam ou abafam os sons à escolha dele. Ele se divertiu muito controlando o volume do mundo ao redor enquanto tocava um xilofone. Com a Bia, algo que deu certo foi usar fantoches durante as histórias. Ela ficou tão envolvida que começou a participar das falas com os fantoches.

Tô sempre tentando adaptar as experiências pra garantir que todos estejam incluídos e ninguém se sinta deixado de lado. Ainda estou experimentando algumas abordagens pra ver o que mais se adapta às necessidades do grupo.

Bom, minha gente, acho que já falei bastante por hoje! Espero que essas experiências possam inspirar outras educadoras por aí e que continuemos aprendendo juntas nesse fórum maravilhoso. Até mais!