Olha só, minha gente, vou contar pra vocês um pouco de como eu entendo e trabalho o objetivo EI02EF01 da BNCC, que fala sobre dialogar com crianças e adultos, expressando desejos, necessidades, sentimentos e opiniões. Na prática, isso significa criar muitas oportunidades pras crianças falarem o que sentem e pensam. Não é só sobre falar, né, é sobre criar um ambiente onde elas se sintam à vontade pra expressar a bagunça linda que tá dentro delas. E a gente sabe que com crianças dessa faixa etária, entre 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses, essa expressão não vem só na fala. Vem no gesto, vem no olhar, vem naquelas palavras que vão surgindo do jeitinho delas.
Aqui na minha turma, eu vejo isso acontecer quando uma criança vem até mim ou até um coleguinha e, mesmo sem usar palavras completas, mostra o que quer. Pode ser o Pedrozinho puxando a barra da minha saia e me mostrando um brinquedo lááá do outro lado da sala que ele quer pegar. Ou a Isabela, que cruza os braços e faz uma carinha emburrada quando não quer fazer algo. É sobre dar espaço pra essas pequenas expressões acontecerem e serem respeitadas.
Agora vou contar umas propostas que faço aqui na sala pra trabalhar esse objetivo.
A primeira é a roda de conversa com objetos surpresa. Olha só como funciona: eu coloco no centro da roda uma caixa cheia de objetos não estruturados — tampinhas coloridas, pedaços de tecido, pinhas, pedrinhas, gravetos. A ideia é que cada criança possa escolher um objeto pra mostrar pro grupo. O legal é que esses materiais são simples mas despertam tanta curiosidade! Aí a gente senta em roda no chão e cada criança pega um objeto da caixa e mostra pros amigos. O tempo dessa atividade depende muito do interesse das crianças naquele dia. Às vezes são uns 15 minutos bem aproveitados.
Na última vez que fizemos isso, o Miguel escolheu um graveto tortinho e começou a falar que ele era uma varinha mágica. Desse jeitinho dele, com palavras curtas mas tão cheias de significado! Aí eu perguntei pros outros: "O que a varinha mágica do Miguel pode fazer?". A Maria ficou toda animada e disse que ela podia transformar a sala num castelo. É nesse momento que a mediação acontece: eu vou puxando pequenas perguntas, estimulando essa troca entre eles sem direcionar demais.
Outra proposta que gosto muito é o "circuito das emoções". A gente monta um circuito com várias estações pela sala usando almofadas grandes, tecidos pendurados como cabaninhas e espelhos baixos no chão. Em cada estação as crianças podem experimentar diferentes emoções através do corpo: pulam em almofadas pra sentirem alegria, entram nas cabaninhas pra pensarem sobre tristeza ou ficam olhando pro espelho pra tentar entender as expressões faciais.
Na última vez fizemos isso e foi lindo ver o Joãozinho se escondendo na cabaninha e logo depois saindo com aquele sorriso sapeca no rosto dizendo "Eu tô feliz agora!". É incrível ver como eles vão se descobrindo nos próprios sentimentos e reconhecendo isso nos amigos também.
Agora vou falar da proposta de contação de história colaborativa. Eu começo contando uma história bem curta usando fantoches simples (que podem ser feito com meias velhas mesmo). Depois passo os fantoches pras crianças continuarem a história do jeitinho delas. Os personagens vão ganhando vida própria na mão dos pequenos!
A semana passada começamos uma história com uma boneca de meia chamada Lili que queria encontrar uma flor mágica. Quando passei o fantoche pro Lucas, ele pegou a Lili e disse “A Lili encontrou um cachorro amigo!”. E assim foi desenvolvendo... Cada criança ia continuando com suas ideias. O legal é como cada uma vai se expressando e criando diálogos próprios pros personagens.
Pra mediar isso tudo eu só preciso estar ali presente de verdade: olhando nos olhos deles durante as histórias, percebendo as necessidades emocionais naquele momento (às vezes uns precisam mais atenção ou tempo), fazendo perguntas abertas como “E agora? O que você acha?”. É sempre sobre respeitar o tempo de cada criança dentro dessas propostas.
Enfim, minha gente, trabalhar esse objetivo com as crianças pequenas é sobre proporcionar vivências onde elas possam se expressar de forma genuína — respeitando suas vozes únicas — enquanto interagem umas com as outras nesse mundinho cheio de descobertas! É bonito demais ver cada um criando seu lugar nessa roda gigante cheia possibilidades chamada infância! Espero ter ajudado aí quem tá começando nessa caminhada linda da educação infantil!
vai se esforçando pra se fazer entender. Tipo a Ana, que outro dia pegou minha mão e me levou até o canto da sala, me mostrando a boneca caída no chão e dizendo "caiu", com aquele jeito dela de puxar o som da palavra. É nessa tentativa de comunicar que eu vejo o desenvolvimento acontecendo. O importante é como as crianças começam a usar os recursos que têm pra mostrar o que tão pensando ou sentindo.
Eu vou observando essas pequenas conquistas no dia a dia. Uma coisa que sempre faço é prestar atenção no olhar das crianças, porque ele diz muito sobre o que elas querem ou tão tentando contar. Um dia, durante uma roda de histórias, notei que o Pedro tava super atento, mas não dizia nada. Quando abri espaço pra ver se alguém queria falar sobre a história, ele só apontou pro livro e fez um som que parecia um rugido bem baixinho, imitando o leão da história. Foi um jeito dele participar e dizer que tava entendendo.
Pra registrar essas observações, uso um caderno onde anoto essas situações que me chamam atenção. Às vezes tiro uma foto ou faço um vídeo curto, principalmente quando percebo uma sequência de ações ou quando quero registrar a expressão facial da criança naquele momento. Esses registros me ajudam a pensar nas próximas propostas e ajustar o que eu vou apresentar pras crianças. Se noto que uma criança tá respondendo bem a uma determinada música, por exemplo, vou tentar trazer mais daquilo em outras atividades.
Os direitos de aprendizagem que vejo mais mobilizados nesse objetivo são o Participar, o Expressar e o Brincar. Participar porque as crianças têm a chance de se colocar, de interagir umas com as outras e com os adultos de formas muito próprias. Outro dia a Julia escolheu participar da brincadeira de faz de conta usando uma caixa de papelão como barco e chamando os amigos pra "navegar". O Expressar fica evidente quando elas usam todos os meios possíveis - fala, gesto, desenho - pra colocar o que tão pensando ou sentindo. E o Brincar é o meio onde tudo isso acontece: na brincadeira as crianças experimentam papéis sociais, testam hipóteses sobre o mundo, negociam com os amigos.
Agora, falando do João e da Bia... Olha, com o João, que tem suspeita de TEA, eu busco deixar o ambiente mais previsível e seguro. Uso pictogramas pra ajudar na compreensão das sequências do dia: hora do lanche, roda de conversa, recreação... Isso dá a ele uma certa independência e ajuda nas transições de atividade. Também observo muito quais materiais ele prefere durante as atividades - ele gosta mais de brincadeiras sensoriais com areia e água - e tento incluir isso nas propostas.
Com a Bia, que tem um atraso na linguagem, eu falo mais pausadamente e dou tempo pra ela processar o que foi dito e responder do jeito dela. Um recurso que tem funcionado é usar músicas porque ela adora cantar e isso incentiva a fala. Eu sempre procuro sentar perto dela pra poder mediar melhor as interações com os outros colegas.
Um ajuste importante pro João e pra Bia é no tempo das atividades: eu não apresso a conclusão das brincadeiras ou dos momentos de escuta. Dou espaço pra eles aproveitarem aquele momento no ritmo deles. Ainda tô testando algumas coisas, como criar sinais visuais específicos pra apoiar algumas das rotinas diárias ou usar mais objetos do cotidiano nas histórias contadas em roda.
Então é isso minha gente, espero ter conseguido compartilhar um pouco das minhas experiências com vocês. Tô sempre procurando novas formas de facilitar essa expressão das crianças e aprender junto com elas nessa caminhada cheia de descobertas. Fiquem bem e até a próxima!