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EI03EO06Crianças pequenasO eu, o outro e o nós

Manifestar interesse e respeito por diferentes culturas e modos de vida.

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI03EO06) Manifestar interesse e respeito por diferentes culturas e modos de vida.

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI03EO06 faz parte do campo O eu, o outro e o nós, que organiza experiências de construção da identidade, percepção do próprio corpo, das emoções, da convivência em grupo e do respeito às diferenças.

Características da faixa etária (4 anos a 5 anos e 11 meses)

Nesta faixa, a criança já narra com fluência, planeja brincadeiras complexas com pares, formula hipóteses, faz registros gráficos representativos e demonstra autonomia em diversas tarefas do cotidiano. É o período de aprofundamento das investigações sobre o mundo e de preparação (sem antecipação) para a transição ao Ensino Fundamental.

Práticas recomendadas: Projetos investigativos a partir de interesses das crianças, registros gráficos diversos, contato sistemático com a cultura escrita em situações reais, brincadeiras com regras simples.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Oi, minha gente! Hoje eu vim conversar com vocês sobre como eu levo o objetivo de manifestar interesse e respeito por diferentes culturas e modos de vida pras experiências aqui na minha sala com o Grupo 3, que tá bem ali nos 4 a 5 anos. Olha só, esse objetivo aí, na prática, é sobre as crianças começarem a perceber que o mundo é grande, cheio de gente diferente com jeitos diferentes de viver e que esse monte de diferença é muito legal! Não é sobre a gente sentar e ensinar sobre uma cultura ou outra, mas sim sobre criar vivências onde elas possam descobrir isso naturalmente.

Eu vejo que quando as crianças começam a se interessar por diferentes culturas e modos de vida, elas passam a demonstrar curiosidade pelas histórias dos colegas, pelas músicas que nunca ouviram antes, ou até pelos alimentos que não conheciam. Elas perguntam muito, fazem comparações com o que já sabem e, claro, começam a respeitar e valorizar o que é diferente. É bonito de ver! Lembro de uma vez que Leonardo chegou falando de uma comida típica da família dele e isso gerou uma conversa rica com os outros. É nessas interações e brincadeiras que a magia acontece.

Deixa eu contar umas propostas que eu organizo por aqui. Na primeira delas, a gente faz um “picnic multicultural”. Eu trago umas toalhas grandes pra gente sentar no chão e peço pras famílias das crianças enviarem um lanchinho típico da cultura delas ou da região de onde vieram. O espaço fica cheio de cores e cheiros diferentes. As crianças podem tocar, cheirar e experimentar se quiserem, mas sem pressão. Na última vez que fizemos isso, Ana trouxe pão de queijo e Guilherme trouxe um bolinho de milho. Eles ficaram empolgados em compartilhar um com o outro. Eu mediei as conversas trazendo perguntas abertas tipo “O que achou desse sabor?” ou “Como se faz esse prato na sua casa?”. A intenção é que eles conversem entre si, comparando e aprendendo sem julgamentos.

Outra proposta legal é o “baú das culturas”. Nesse baú eu coloco tecidos coloridos, sementes, tampinhas e objetos do dia a dia que representem diferentes culturas — pode ser um pano africano lindo, umas conchas do mar da Bahia ou uns gravetos que colhemos numa caminhada. Organizo o espaço com tapetes no chão pra que as crianças se sintam à vontade pra explorar o baú livremente. Essa atividade não tem tempo fixo; deixo rolar dependendo do interesse deles naquele dia. Semana passada Júlia pegou um tecido estampado lindíssimo e começou a usar como capa. Logo depois, Lucas veio perguntar se aquele tecido era igual ao da avó dele. E aí começou uma troca deliciosa entre eles sobre as avós costureiras! Durante toda essa exploração, eu vou observando e faço intervenções pontuais: “Como você acha que isso foi feito?” ou “Esse tecido lembra alguma coisa sua?”. Assim eles vão criando suas próprias conexões com o mundo.

E tem também o nosso “dia da música do mundo”. Ah, esse é animado! Eu trago cds (sim!) com músicas de diversas partes do mundo — sons indígenas brasileiros, músicas africanas, europeias... Montamos um círculo no chão e ouvimos juntos. O legal é ver como cada criança reage a um ritmo diferente; elas dançam livremente e às vezes pedem pra repetir certas músicas que gostaram mais. Foi nesse dia que descobri a paixão do Felipe pelo tambor africano! Ele disse: “Parece meu coração batendo!”. Aqui eu mediava pouco, deixava a música ser a guia e ia observando as interações entre eles.

Claro, sempre tem aqueles momentos em que preciso ajudar a turma a lidar com alguma divergência ou questionamento difícil — tipo quando alguém diz que não gosta de algo sem nem provar ou ouvir direito. Aí eu entro pra mediar o respeito: “Vamos descobrir mais antes de decidir?”. É importante respeitar o ritmo de cada criança.

Essas propostas todas têm como foco central as interações e brincadeiras das crianças. É através desses momentos que elas vão construindo suas próprias visões de mundo e aprendendo a valorizar as diferenças ao invés de temê-las ou rejeitá-las. Lembrando sempre: aqui ninguém é obrigado a gostar de tudo, mas sim a respeitar!

E aí, como vocês trabalham esse objetivo? Me contem suas experiências também! É sempre bom trocar ideias pra gente se inspirar mais ainda nessa caminhada da Educação Infantil.

Até mais!

...até pelos alimentos que trazem sabores novos pro nosso lanche coletivo. Aqui na minha sala, eu observo que essas experiências começam a mobilizar muita coisa bacana nas crianças. Sabe quando você vê aquele brilho no olho? É tipo isso.

Por exemplo, semana passada, durante uma roda de conversa, o Lucas trouxe um livro que a família dele comprou numa viagem. Era um livro com imagens de festas ao redor do mundo. As crianças ficaram maravilhadas! A Alice começou a apontar as fotos e perguntar "e isso, o que é?" e "eles dançam assim também?". Essas pequenas falas e gestos são tão valiosos porque mostram essa curiosidade genuína e respeito pelo desconhecido. Só de ver como eles escolhem o que explorar, dá pra perceber que estão começando a entender que cada cultura tem suas próprias riquezas.

Outra coisa que eu noto é como as crianças tentam incorporar essas descobertas nas brincadeiras delas. Depois de explorarmos algumas músicas africanas, as crianças ficaram fascinadas pelos tambores. Na área externa, improvisamos com latas e potes pra fazer uma bandinha, e lá estava o Pedro, organizando tudo como um maestro. Ele dizia: "Você toca assim, olha só!", e ia mostrando pras outras crianças. Isso é um sinal claro de que aquele contato inicial tá reverberando nas suas ações.

Eu sempre procuro registrar esses momentos com fotos ou pequenos vídeos (com autorização dos pais, claro) e anoto no meu caderno de registros as falas e reações mais marcantes. Esses registros são fundamentais pra eu planejar as próximas propostas. Se eu vejo que uma música específica gerou interesse, por exemplo, posso sugerir atividades que se conectem com aquela sonoridade. E assim vamos ampliando as experiências.

Agora, pensando nos direitos de aprendizagem que esse objetivo mobiliza, eu diria que Conviver, Brincar e Explorar são os principais. Conviver tá na base de tudo isso. As crianças estão ali juntas, aprendendo umas com as outras, descobrindo como respeitar e valorizar essas diferenças. Já Brincar é a ferramenta poderosa pra tudo acontecer. Na brincadeira, elas experimentam papéis sociais e culturais novos. E Explorar porque é através dessa busca ativa por novas informações que elas realmente se aprofundam.

Um exemplo do dia a dia sobre esses direitos acontecendo... Bom, lembra da bandinha improvisada? Ali você vê o Brincar e Explorar bem nítidos. E Conviver surge quando o João, que tem suspeita de TEA, se aproxima mais dos colegas nesses momentos musicais. Ele não participava muito das rodas no início, mas a música tem sido uma ponte incrível.

Falando nele e na Bia, com atraso na linguagem, eu sempre busco formas de tornar as experiências mais acessíveis pra eles. Pro João, o uso de imagens e rotinas visuais tem ajudado bastante. Eu coloco pictogramas no quadro da rotina pra ele saber o que vai acontecer ao longo do dia. Isso dá uma segurança maior e ele se sente mais confortável em participar.

Pra Bia, eu tenho investido em jogos sensoriais onde ela possa usar mais os gestos do que a fala inicialmente. Também uso cartões com imagens simples e palavras-chave pra ajudá-la a se expressar durante as atividades.

Organizar o espaço também é parte importante disso tudo. Deixo os materiais à altura deles pra que possam acessar facilmente e escolham o que querem explorar. O tempo também é respeitado; cada criança tem seu próprio ritmo de engajamento com a atividade.

Ainda estou testando algumas coisas pra facilitar mais a comunicação da Bia com os amigos sem depender tanto dos adultos como mediadores. Uma ideia é criar um livrinho pessoal dela com imagens das coisas que ela gosta e das atividades do dia.

E assim vamos caminhando no nosso dia a dia na sala. É um processo de observação contínua e ajustamento das propostas conforme as necessidades dos pequenos vão aparecendo.

Bom gente, é isso por hoje! Espero ter conseguido compartilhar um pouquinho das minhas experiências aqui com vocês! Tô sempre aberta pra ouvir também as histórias de vocês aí nos comentários! Beijinhos!