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EI03EO05Crianças pequenasO eu, o outro e o nós

Demonstrar valorização das características de seu corpo e respeitar as características dos outros (crianças e adultos) com os quais convive.

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI03EO05) Demonstrar valorização das características de seu corpo e respeitar as características dos outros (crianças e adultos) com os quais convive.

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI03EO05 faz parte do campo O eu, o outro e o nós, que organiza experiências de construção da identidade, percepção do próprio corpo, das emoções, da convivência em grupo e do respeito às diferenças.

Características da faixa etária (4 anos a 5 anos e 11 meses)

Nesta faixa, a criança já narra com fluência, planeja brincadeiras complexas com pares, formula hipóteses, faz registros gráficos representativos e demonstra autonomia em diversas tarefas do cotidiano. É o período de aprofundamento das investigações sobre o mundo e de preparação (sem antecipação) para a transição ao Ensino Fundamental.

Práticas recomendadas: Projetos investigativos a partir de interesses das crianças, registros gráficos diversos, contato sistemático com a cultura escrita em situações reais, brincadeiras com regras simples.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Olha, quando a gente fala do objetivo de "demonstrar valorização das características do corpo e respeitar as dos outros", a gente tá falando de algo muito profundo, viu? É sobre como a criança começa a se ver e perceber que cada um tem suas peculiaridades, que somos todos diferentes e isso é uma coisa boa. Na prática, quando uma criança de 4 ou 5 anos tá vivenciando isso, ela começa a notar que o cabelo da amiga é cacheado enquanto o dela é liso, ou que um coleguinha é mais alto e outro é menorzinho. E o mais bonito: ela começa a aceitar isso como parte natural da vida, sem julgamentos.

Aqui na minha turma, a gente busca proporcionar essas experiências de várias formas. Por exemplo, quando a criança percebe que tem uma manchinha na pele e outra não, ou quando percebe que um amigo usa óculos e outro não. Essas observações são sementes importantes pra desenvolver o respeito e a valorização do próprio corpo e o do outro.

Agora vou contar algumas propostas que faço aqui na minha sala pra trabalhar isso com as crianças. Uma das minhas preferidas é a brincadeira com espelhos. Eu deixo espelhos de tamanhos diferentes espalhados pelo chão e pelas paredes da sala. Junto com os espelhos, coloco vários tecidos coloridos, chapéus, óculos de brinquedo, colares e outros adereços. Deixo as crianças livres pra explorarem os materiais por uns 40 minutos ou mais, depende do dia. Elas adoram se olhar no espelho usando os adereços; às vezes se veem como super-heróis ou como personagens das histórias que contamos. Enquanto fazem isso, vou mediando a experiência perguntando coisas como "O que você vê no espelho hoje?" ou "Como você acha que seu amigo está se sentindo com esse chapéu?" Outro dia a Sarah colocou um lenço na cabeça e disse toda feliz que parecia com a mãe dela. Um momento lindo em que ela trouxe sua própria história pro grupo, e todo mundo quis experimentar o lenço também.

Outra proposta bem legal é a exploração sensorial com painéis táteis. A gente cria esses painéis com diferentes texturas: papelão, lixa, algodão, tampinhas de garrafa, folhas secas e até cascas de árvores pequenas coletadas no parque ao lado da creche. Colocamos os painéis em mesas baixas ou mesmo no chão e deixamos as crianças explorarem livremente por cerca de 30 minutos. Durante essa exploração, elas tocam, cheiram e observam as diferenças entre os materiais. Na última vez que fizemos essa atividade, o Lucas ficou fascinado pelas tampinhas de garrafa e começou a empilhá-las para ver até onde conseguia chegar. Nessa hora, eu cheguei perto e perguntei "E aí Lucas, você consegue empilhar todas?" Ele sorriu e disse "Eu acho que sim!" Enquanto isso, a Júlia ficou encantada pelo algodão e disse que parecia as nuvens do céu.

E tem também um momento muito especial que é o "dia da troca". Nesse dia específico, cada criança traz de casa um objeto pessoal que gosta muito: pode ser um brinquedo, uma roupa ou até um livro preferido. A ideia é fazer uma roda de conversa onde cada um apresenta seu objeto. O espaço fica bem aconchegante com almofadas no chão pra todo mundo se sentir à vontade. As apresentações duram o tempo que for necessário; não apressamos ninguém. Na última vez que fizemos isso, o Pedro trouxe uma camisa do time de futebol dele e contou com tanto entusiasmo sobre como jogou no último jogo! As outras crianças puderam fazer perguntas ou simplesmente ouvir; tudo flui naturalmente.

Nessas três propostas, sempre estou ali por perto, mediando sem dirigir muito. Observo as interações entre eles e intervenho apenas quando necessário pra ajudar na comunicação ou nas relações. Sabe como é... às vezes eles discordam ou se desentendem sobre quem vai usar qual adereço primeiro nos espelhos ou qual textura sentir primeiro nos painéis táteis.

Essas experiências são fundamentais porque permitem às crianças entenderem suas próprias características físicas enquanto aprendem a respeitar as dos outros. Mais do que isso: elas começam a reconhecer o valor da diversidade entre elas mesmas. Isso é tão importante porque leva em conta os dois eixos estruturantes da BNCC EI: interação e brincadeira são o coração dessas propostas.

Ah, minha gente! O mais gratificante é ver o quanto essas vivências ampliam o repertório dos pequenos. Eles começam a criar conexões entre o que vivem aqui na creche e lá fora no mundo deles. E é assim que seguimos firmes no caminho do respeito mútuo desde cedo! Até a próxima!

Olha só, continuando aqui sobre como eu observo o desenvolvimento das crianças ligado ao objetivo de valorização das características do corpo e respeito às dos outros. Na nossa rotina, a gente tá sempre de olho, viu? Quando as crianças tão brincando juntas ou mesmo nas pequenas interações do dia a dia, dá pra notar muitos sinais de aprendizagem. E esses sinais não são sempre verbais, às vezes é um gesto, uma escolha ou até uma tentativa de ajudar um coleguinha. Por exemplo, quando a Sofia, que tem um cabelo lindamente crespo, começa a brincar de pentear o cabelo da Luiza, que tem o cabelo lisinho, eu vejo ali um reconhecimento e uma valorização das diferenças. Tem também o Miguel que uma vez se ofereceu pra ajudar a Larissa a amarrar o cadarço do tênis dela. Ele percebeu que ela tinha dificuldade com isso e, sem que ninguém pedisse, tomou a iniciativa. São nesses pequenos detalhes que a gente vai percebendo o quanto essas experiências estão mobilizando aprendizagens significativas.

Eu gosto muito de fazer registros desses momentos, sabe? Não só na minha cabeça, mas também no meu caderno de anotações. Às vezes tiro umas fotos ou faço uns vídeos curtinhos quando acho que pode captar bem o momento. Isso me ajuda a planejar as próximas propostas. Se eu percebo que um determinado tipo de interação tá rendendo bastante aprendizado, posso pensar em formas de estimular mais isso. Por exemplo, se vejo que as crianças tão muito engajadas em atividades que envolvem cuidado com o outro, posso propor uma brincadeira de salão de beleza ou de médico, onde elas possam explorar mais essa questão do cuidado e do respeito às diferenças.

Falando nos direitos de aprendizagem, esse objetivo mobiliza muito o direito de Conviver e Participar. A convivência entre as crianças é fundamental pra que elas aprendam a respeitar e valorizar as diferenças. E não é só conviver de qualquer jeito, é participar ativamente das experiências do grupo. Quando a Mariazinha tá construindo uma torre de blocos e aceita que o João coloque um bloco vermelho no meio da torre azul dela porque ele achou bonito assim, isso é sobre aprender a conviver e respeitar a contribuição do outro. Tem também o direito de Expressar que aparece bastante. As crianças tão sempre criando histórias sobre si mesmas e os amigos durante as brincadeiras. Quando o Pedro diz que quer ser um super-herói com capa azul porque azul é a cor preferida dele e então o amiguinho escolhe outra cor pra não ficar igualzinho, isso é uma forma de expressar suas preferências e respeitar as dos outros.

Sobre as adaptações que faço pra incluir melhor o João, com suspeita de TEA, e a Bia, que tem um atraso na linguagem, vou te contar. Com o João, procuro sempre deixar claro como será a rotina do dia. Fizemos um quadro visual com imagens das atividades. Isso ajuda ele a se situar no tempo e se sentir mais seguro. O espaço também é pensado pra facilitar a movimentação dele sem muitas interrupções ou obstáculos. Já com a Bia, eu procuro dar mais tempo pra ela se expressar verbalmente e uso bastante material visual também pra apoiar a comunicação dela. Proponho jogos que incentivem a interação verbal com os amigos de forma leve e divertida.

Ah, tem funcionado bem usar músicas e histórias com repetições pra ajudar a Bia no desenvolvimento da linguagem. Ela adora cantar e aí vai pegando as palavras no ritmo da música sem tanto medo de errar. Com o João, tô tentando integrar mais atividades sensoriais porque ele responde bem a esse tipo de estímulo. Ainda tô experimentando várias estratégias e ajustando conforme vou percebendo o que funciona melhor pra cada um.

E é isso! Espero ter ajudado vocês a entenderem um pouco mais sobre como observamos e registramos essas vivências tão ricas na educação infantil. É importante sempre lembrar que cada criança tem seu tempo e jeito de aprender. A gente tá aqui pra mediar esse processo da melhor forma possível.

Até a próxima conversa!