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EI01EO01BebêsO eu, o outro e o nós

Perceber que suas ações têm efeitos nas outras crianças e nos adultos.

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI01EO01) Perceber que suas ações têm efeitos nas outras crianças e nos adultos.

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI01EO01 faz parte do campo O eu, o outro e o nós, que organiza experiências de construção da identidade, percepção do próprio corpo, das emoções, da convivência em grupo e do respeito às diferenças.

Características da faixa etária (0 a 1 ano e 6 meses)

Nesta faixa, o desenvolvimento é marcado pela exploração sensorial intensa, pela construção do vínculo afetivo com o adulto cuidador e pelas primeiras conquistas motoras (rolar, sentar, engatinhar, andar). A intencionalidade pedagógica acontece nos momentos de cuidado (banho, alimentação, sono) e nas propostas de exploração do entorno. A linguagem se constrói através de balbucios, gestos, olhares e primeiras palavras.

Práticas recomendadas: Espaços seguros e estimulantes, materiais sensoriais variados (texturas, sons, cores), rotinas previsíveis com ritmo respeitoso, vínculo individualizado com a referência educadora.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Olha, trabalhar com bebês é uma aventura e tanto, viu? Cada dia é uma novidade e eu adoro ver como eles vão descobrindo o mundo, né? Agora, quando a gente pensa nesse objetivo da BNCC de "perceber que suas ações têm efeitos nas outras crianças e nos adultos", a coisa fica ainda mais interessante. É como se a gente estivesse numa grande dança, onde cada movimento do bebê provoca uma reação diferente. Nesse comecinho de vida, as crianças estão começando a entender que não estão sozinhas no mundo. Elas ainda não têm a consciência plena de que são capazes de afetar o outro, mas já começam a perceber que as coisas não ficam do mesmo jeitinho quando elas agem de certa forma.

Por exemplo, aqui na minha turma, tem o Pedrinho que adora rir alto quando vê alguma coisa engraçada. Quando ele começa a rir, muitas vezes a Ana, que é bem observadora, começa a rir também. Eles ainda não falam muito, mas dá pra ver que eles estão se comunicando de alguma forma ali. E aí começa uma risadaria coletiva que é uma delícia de ver! É esse tipo de interação que mostra o poder das ações dos pequenos sobre os outros.

Agora, vou contar pra vocês como organizo algumas propostas aqui na minha sala com esse objetivo em mente. A primeira proposta que gosto muito de fazer envolve papel bolha. Gente, papel bolha é vida! Eu coloco no chão um grande pedaço de papel bolha e deixo as crianças explorarem com os pezinhos. A ideia é simples: enquanto elas pisam e fazem aquele barulho de estourinho, vão percebendo como o som muda quando pisam em partes diferentes. E o mais interessante: quando uma pisa mais forte ou pula, todas as outras prestam atenção e muitas querem imitar! É um jeito divertido de ver que suas ações têm um resultado imediato no ambiente e até nos coleguinhas que estão por ali. Ah, e o espaço fica livre pra elas se moverem à vontade e descobrirem cada pedacinho.

Outra proposta que faço bastante são as trocas de objetos entre eles. Eu coloco diversos materiais no centro da sala: tampinhas coloridas, pedaços de tecido macio, grãos grandes como feijões (sempre com muito cuidado) dentro de potinhos plásticos transparentes. A ideia é deixar que eles mexam nos materiais livremente e vejam como os outros reagem quando um objeto é tirado ou trocado. Por exemplo, da última vez, a Sofia pegou um potinho cheio de feijões e começou a balançar. O João, que estava do outro lado da sala, ouviu o som dos grãos e engatinhou até ela, super curioso! Aí, eles passaram um bom tempo se revezando nos potinhos, experimentando diferentes sons e vendo como cada um reagia às diferentes combinações. Eu fico ali só observando e mediando quando é preciso, tipo se alguém quiser pegar algo meio grosseiramente ou quando estão precisando de ajuda para resolver uma "negociação" entre eles.

E tem também uma brincadeira com tecidos coloridos amarrados em bambolês pendurados ao alcance deles (mas seguro). São tecidos leves que dançam no ar quando mexidos ou puxados. À medida que os bebês tocam ou puxam esses tecidos, eles balançam e às vezes encostam nos coleguinhas ou até nos próprios bebês novamente. Uma vez os tecidos estavam voando por toda parte e a Clara estava puxando um enquanto o Miguel estava do outro lado fazendo o mesmo. Quando perceberam que podiam movimentar o tecido ao mesmo tempo e fazer ele voar ainda mais alto, foi uma festa! Essa interação é ótima porque além do movimento físico, eles percebem essa relação causa-efeito de forma bem evidente.

Então é isso, minha gente! Acredito muito em deixar que as crianças explorem com liberdade e descubram esses efeitos das suas ações uns sobre os outros naturalmente. E nós vamos mediando essa descoberta com amor e carinho. Afinal, a educação infantil é isso: um grande mergulho no mundo das interações e descobertas através das brincadeiras.

Espero que esse post tenha dado umas ideias bacanas pra vocês aí na sala de bebês. Vamos trocando figurinhas sobre as experiências por aqui! Até a próxima!

rir, é como se ele acendesse uma luzinha no meio da sala. As outras crianças logo param o que estão fazendo e olham pra ele. Algumas até começam a rir também, meio sem saber do que, mas se divertindo com a reação dele. É uma coisa linda de ver, porque a partir desse simples gesto, o Pedrinho já está provocando uma interação com o grupo. E é nessas horas que eu observo que eles estão começando a perceber o poder das suas ações, mesmo que ainda de forma muito inicial.

Outro dia, a Mariazinha tava brincando com aquelas pecinhas de encaixar e deixou cair tudo no chão. Ela fez uma cara de surpresa e um "oh!" tão expressivo, que logo os outros correram pra ver o que tinha acontecido. A interação foi imediata: alguns começaram a ajudar a juntar as peças, outros só olharam curiosos. Eu gosto muito de registrar esses momentos em pequenos vídeos ou fotografias, sabe? Também anoto as minhas observações num caderno que carrego sempre comigo. Esse registro é valioso porque me ajuda a pensar em propostas futuras, ajustando o que funciona melhor pra cada criança e pro grupo como um todo.

Ah, e falando dos direitos de aprendizagem, esse objetivo tá muito alinhado com Conviver e Participar. Quando o João tenta pegar o brinquedo do Gabriel e eu chego mediando essa interação, tô garantindo o direito deles de aprenderem a conviver, respeitando limites e descobrindo formas de se relacionar. E Participar tá ali quando eu vejo a turma toda se envolvendo em uma brincadeira coletiva ou colaborando em algo simples como guardar os brinquedos juntos. A Expressar também aparece forte quando os bebês utilizam gestos e sons pra comunicar algo ao outro. Não tem coisa mais linda do que ver um bebê esticando o bracinho pra compartilhar um brinquedo com outro, tentando mostrar sua descoberta.

Agora, sobre o João, que tem suspeita de TEA, eu sempre busco criar um ambiente onde ele possa explorar no seu tempo, sem pressão. Nos momentos livres ou nas rodas de conversa, ofereço materiais sensoriais diversos, como tecidos de diferentes texturas ou brinquedos que fazem barulhinhos suaves. Tenho notado que ele responde bem quando deixo umas almofadas por perto pras vezes em que ele prefere ficar um pouco mais afastado observando antes de participar.

A Bia, com atraso de linguagem, é uma doçura de menina. Com ela, eu sempre me esforço pra usar mais gestos junto com as palavras na hora de apresentar uma nova brincadeira ou material. E sabe aqueles livros bem coloridos e com pouco texto? Uso bastante pra ela explorar as imagens e tentar contar as histórias à sua maneira. Assim vou incentivando ela a se comunicar do jeitinho dela.

O espaço também é pensado pra essas necessidades: deixo cantinhos aconchegantes disponíveis para uma exploração mais tranquila e coloco ao alcance materiais seguros que possam ser manuseados por qualquer criança sem muita dificuldade.

Ainda estou tentando ajustar algumas propostas pra garantir que todo mundo participe da forma mais inclusiva possível. Por exemplo, às vezes fico pensando em maneiras diferentes de incluir o João nas rodas de música, já que ele parece se incomodar com sons mais altos. Já consegui alguns avanços usando fones protetores quando ele quer ficar ali mas sem muito alarde.

Bom, minha gente, acho que já falei bastante por hoje! Espero ter ajudado vocês a entenderem um pouco mais do nosso dia a dia aqui na creche com essas crianças incríveis. Vamos trocando ideias pra melhorar sempre nossas práticas juntas, né? Um abraço e até a próxima!