Olha, quando a gente fala sobre esse objetivo da BNCC que e o EI01EO05, a gente ta falando de como os bebes comecam a descobrir o proprio corpo e a expressar suas sensacoes. E muito mais sobre vivenciar do que "aprender um conteudo", sabe? Entao, e importante a gente pensar que nessa fase, os bebes ainda tao naquela de explorar tudo ao redor com o corpo todo: mao, boca, pe – tudo serve pra descoberta. Eles estao ali vivendo intensamente cada experiencia.
Sabe o que eu percebo aqui na minha turma? Que reconhecer o proprio corpo e uma coisa muito sensorial. E nos momentos de alimentacao, higiene, brincadeira e descanso, eles vao aos poucos entendendo que tem um "eu" diferente do "outro". Por exemplo, quando a Ana comeca a rir enquanto eu faco cosquinhas na barriguinha dela durante a troca de fralda, ela ta reconhecendo que aquele toque gera uma sensacao gostosa. Ou quando o Lucas começa a chorar porque ta com fome e so se acalma depois de mamar – ele ta expressando bem claramente suas necessidades.
Agora, vou compartilhar com voces tres propostas que eu costumo organizar aqui na sala de bebes que ajudam nesse processo todo.
Uma coisa que eu faco muito e a exploracao sensorial com materiais naturais. Eu costumo oferecer gravetos, folhas secas, tampinhas de garrafa e sementes variadas. Eu preparo um espaco no chao com cobertas macias pra eles ficarem confortaveis e deixo os materiais bem dispostos ao redor, pra eles irem pegando o que chama atencao. Nao tem um tempo rigido pra essa atividade, viu? Vou observando o interesse do grupo. Eles geralmente ficam entretidos por uns 20 minutos, mas se perceber que ja tao cansados, a gente da uma pausa. O Pedro da ultima vez ficou fascinado com as texturas das folhas e ate tentou comer uma semente! Eu tava la mediando, mostrando como ele pode sentir a textura nas maos, mas sem forcar nada.
Outra proposta bem legal e o banho sensorial. Ah, eles adoram! Coloco bacias grandes com agua morna no quintal e ofereço paninhos macios, esponjas e potinhos pra eles explorarem na agua. Fica sempre alguem da equipe junto pra garantir a seguranca deles. Teve uma vez que a Luiza descobriu como e divertido bater as maozinhas na agua e o sorriso dela iluminou nosso dia inteiro! Esse momento pode durar uns 15 minutos tambem – respeitando o tempo deles. Eu costumo cantar musiquinhas enquanto eles brincam e isso cria um clima gostoso de interacao entre todos.
E claro que no momento da alimentacao tambem da pra trabalhar esse objetivo. Aqui nos temos o habito de deixar que os bebes pegem comidinhas simples com as maos – alimentos mais solidos cortados em pedacos pequenos e seguros pra idade deles. Essa exploracao dos alimentos ajuda muito na percepcao das texturas e sabores. A ultima vez teve uma cena linda: o Joao todo lambuzado de banana amassada tentando colocar mais um pedacinho na boca sozinho! A gente fica por perto mediando com seguranca, incentivando eles a experimentarem mas sem pressionar.
Voces percebem como esses momentos sao preciosos? Eles nao sao so sobre comer ou brincar – sao oportunidades ricas de interacao, descoberta e muita brincadeira. E nosso papel como educadoras e mediar essas experiencias sem comandar tudo rigidamente. Deixar que cada crianca tenha seu tempo, sua forma de explorar e descobrir o mundo ao redor.
Entao fica a dica: continue criando esses ambientes acolhedores onde os bebes possam se sentir seguros pra explorar seu corpo e suas sensacoes livremente. E claro, sempre prestando atencao nas diferentes formas de expressao deles – seja um sorriso, um choro ou o silencio concentrado. Assim a gente ajuda nesse processo lindo de autodescoberta desde cedinho na vida deles.
Espero que esse relato inspire voces! A gente vai trocando ideias por aqui porque cada dia na sala traz algo novo pra ensinar pra gente tambem.
Um abraco carinhoso!
Olha, continuando aqui, no dia a dia da nossa rotina com os pequenos, a gente observa o desenvolvimento dos bebês pela forma como eles começam a se comunicar e interagir com o mundo ao redor. Na verdade, é bem sutil, mas com o tempo a gente aprende a reconhecer esses sinais de que eles estão elaborando algo novo. Por exemplo, a Ana que eu mencionei antes, quando ela começa a rir das cosquinhas ou tenta imitar o som que eu faço, já dá pra perceber que ela está percebendo a diferença entre ela e o outro. Outro dia, durante uma atividade de música, vi o Pedro balançando o corpinho no ritmo das canções. Ali foi claro que ele estava se conectando com o próprio corpo e explorando a sensação de movimento.
A nossa função é observar essas interações e tentativas não como algo pra avaliar se tá certo ou errado, mas pra entender onde cada criança está em seu desenvolvimento. Eu sempre levo meu caderninho na mão e quando vejo alguma interação interessante ou uma tentativa nova de comunicação, eu anoto. Às vezes também registro com fotos ou um videozinho curto, que dá pra mostrar pros pais depois e discutir com as colegas de trabalho. Esses registros são preciosos porque ajudam a planejar as próximas propostas e ajustar o que precisa ser mais explorado.
Falando nos direitos de aprendizagem, nesse objetivo específico vejo muito a questão do Conviver e do Explorar. Ah, e claro, o Conhecer-se. Durante uma roda de conversa adaptada, por exemplo, onde deixamos brinquedos diversos no centro e observamos como cada criança escolhe o que explorar primeiro. O Lucas sempre pega aqueles bloquinhos coloridos e tenta empilhar do jeito dele, todo concentrado. Enquanto isso, a Sofia prefere aqueles bichinhos de pelúcia mais macios, abraça forte e começa a falar sozinha, criando histórias ali na cabeça dela. Essa interação espontânea com os materiais mostra muito como elas convivem com as diferenças e começam a se entender melhor.
Agora falar um pouco sobre o Joao e a Bia. Com o Joao, que tem suspeita de TEA, eu percebi que ele responde muito bem quando as atividades têm um padrão previsível. Ele gosta de saber o que vem depois e isso dá uma segurança pra ele interagir com mais confiança. Então, para ele, costumo usar materiais que tenham texturas diferentes num tapete sensorial onde ele pode escolher explorar à vontade no seu tempo. Isso ajuda ele a reconhecer os limites do próprio corpo sem excesso de estímulo.
Com a Bia, que tem um atraso de linguagem, eu percebi que ela responde melhor quando usamos músicas e histórias cantadas. Eu criei um cantinho na sala onde deixo uns fantoches e instrumentos musicais à disposição. Ela adora pegar um tamborzinho e acompanhar as músicas batendo no ritmo dela. Também falo bastante olhando nos olhos dela, usando gestos para apoiar as palavras. A repetição das músicas e dos gestos ajuda muito na fixação das palavras novas.
Claro que ainda tô ajustando um monte de coisa. Pro Joao estou tentando incluir mais símbolos visuais nas rotinas pra ver se facilita mais a compreensão dele sobre transições entre atividades. Já com a Bia, estou pensando em introduzir cartões com imagens que representem sentimentos ou ações simples pra ver se ajuda na comunicação dela durante alguma situação específica.
Enfim, é isso minha gente! A gente vai ajustando aqui e ali conforme conhece melhor cada criança e suas necessidades únicas. Espero que essas ideias inspirem vocês aí também nas salas de aula. Vamos trocando experiências por aqui porque juntas vamos mais longe! Valeu por ler até aqui!