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Usar estratégias pautadas no respeito mútuo para lidar com conflitos nas interações com crianças e adultos.

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI03EO07) Usar estratégias pautadas no respeito mútuo para lidar com conflitos nas interações com crianças e adultos.

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI03EO07 faz parte do campo O eu, o outro e o nós, que organiza experiências de construção da identidade, percepção do próprio corpo, das emoções, da convivência em grupo e do respeito às diferenças.

Características da faixa etária (4 anos a 5 anos e 11 meses)

Nesta faixa, a criança já narra com fluência, planeja brincadeiras complexas com pares, formula hipóteses, faz registros gráficos representativos e demonstra autonomia em diversas tarefas do cotidiano. É o período de aprofundamento das investigações sobre o mundo e de preparação (sem antecipação) para a transição ao Ensino Fundamental.

Práticas recomendadas: Projetos investigativos a partir de interesses das crianças, registros gráficos diversos, contato sistemático com a cultura escrita em situações reais, brincadeiras com regras simples.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Olha, trabalhar o objetivo de usar estratégias de respeito mútuo para lidar com conflitos nas interações aqui na minha turma é uma experiência bem rica e desafiadora, viu? Quando a gente fala disso na prática, não estamos apenas ensinando as crianças a "pedirem desculpas" ou "dividirem coisas". Vai muito além. A ideia é criar um ambiente onde as crianças aprendam a reconhecer e respeitar os sentimentos e o espaço do outro e saibam como lidar com situações de conflito de forma mais tranquila e empática.

Nessa faixa etária, as crianças estão começando a entender melhor suas próprias emoções e as dos outros. Elas ainda estão aprendendo a se expressar e a ouvir, então é comum acontecerem pequenos desentendimentos, tipo quem vai sentar onde ou quem vai brincar com o quê. Um exemplo que vejo sempre é quando duas crianças querem o mesmo brinquedo ou material ao mesmo tempo. Nesse momento, elas estão vivendo uma experiência importante de negociação e de entender que o colega também tem vontades que precisam ser respeitadas.

Aqui no meu grupo, eu costumo organizar algumas propostas específicas pensando nesse objetivo. A primeira delas envolve materiais bem simples: caixas de papelão grandes, pedaços de tecido, tampinhas e cordas. Eu coloco esses materiais num canto da sala e deixo as crianças livres para criar. Isso vira uma construção coletiva onde elas precisam decidir juntas o que vão fazer com aqueles materiais. O espaço fica aberto, com os materiais espalhados, e sem um tempo fixo pra acabar. Só quando vejo que elas já exploraram bastante e estão começando a perder o interesse é que vou sugerindo uma mudança ou nova atividade.

Uma vez, o Lucas e a Sofia começaram a construir uma "casa" com caixas. O Lucas queria fazer um castelo com torres bem altas, enquanto a Sofia queria uma casinha menor, mas com janelinhas para suas bonecas. Foi interessante observar como eles negociaram: o Lucas sugeriu fazer uma torre só pra ele de um lado da sala e a Sofia concordou em ter a casinha do jeito dela do outro lado. Eu mediava sem mandar, só perguntando: "O que vocês acham que podem fazer pra caber os dois desejos na construção?" Eles mesmos chegaram a um consenso.

Outra proposta que faço é com água e gravetos no pátio. Encho bacias grandes com água e espalho gravetos de vários tamanhos em volta. As crianças adoram brincar de inventar barcos ou pontes na água. Esse tipo de atividade geralmente dura cerca de 40 minutos, porque eles ficam fascinados com as possibilidades do brincar com água. É comum acontecer das crianças quererem os mesmos gravetos maiores ou disputarem quem vai colocar primeiro na água.

Eu lembro da última vez que organizamos isso, o Pedro e a Ana começaram a discutir porque queriam o mesmo graveto grande pra ser o "mastro" do barco deles. Aí eu entrei com uma pergunta: "Será que esse graveto pode ser parte dos dois barcos ao mesmo tempo?" Isso fez eles pensarem numa solução mais colaborativa: usaram o graveto como ponte entre os dois barcos! A interação ali foi a chave pra resolver o pequeno conflito.

A terceira proposta é um jogo de faz-de-conta chamado "Mercado". Usamos caixinhas de embalagens vazias, algumas sementes em potinhos, pedaços de tecido como dinheiro fictício. Organizo o espaço numa parte da sala como se fosse um mercado mesmo, com bancadas baixas pras crianças terem fácil acesso aos itens "à venda". Durante esse faz-de-conta, elas têm que negociar preços e trocar "dinheiro".

Teve um dia que a Mariana ficou triste porque não tinha "dinheiro" suficiente pra comprar algo que queria muito. O João viu isso e decidiu dividir o "dinheiro" dele com ela pra que ela pudesse comprar também. Foi uma atitude espontânea de empatia que mostra como essas experiências ajudam as crianças a pensar no outro. Nessas horas eu reforço perguntando como eles se sentiram com essa troca ou negociação.

Essas interações são fundamentais porque as crianças vão construindo aos poucos suas próprias maneiras de resolver conflitos e lidar com sentimentos difíceis. E não é algo que acontece da noite pro dia, ne? É preciso um tempo pro grupo ir amadurecendo essas habilidades sociais. E nos adultos precisamos estar atentos pra mediar sem direcionar demais, deixando que elas se expressem livremente.

A prática aqui na sala nos lembra todo dia que as brincadeiras são momentos sérios de aprendizagem social. As crianças não só se divertem como também constroem relações mais respeitosas umas com as outras. E isso tudo sem pressa de ter um "produto pronto", mas sim respeitando o tempo de cada uma nesse processo.

Olha só, no dia a dia da sala, o que acaba acontecendo é que essas situações de conflito se tornam verdadeiras oportunidades de observação do desenvolvimento das crianças em relação ao objetivo de usar estratégias de respeito mútuo. A gente percebe que a aprendizagem tá acontecendo nos pequenos gestos, nas falas e nas tentativas que eles fazem pra resolver as questões. Por exemplo, outro dia a Sofia e o Miguel estavam disputando um mesmo brinquedo. Antes, eles simplesmente puxariam um do outro, mas dessa vez eu vi a Sofia parando, olhando pra mim e dizendo: "Tia Helena, eu quero brincar também". Foi um sinal claro de que ela tá começando a entender que pode pedir ajuda pra mediar em vez de partir pro confronto direto.

Eu costumo registrar esses momentos em cadernos de observação e às vezes tiro foto ou faço um vídeo curto – sempre com cuidado e consentimento, claro, né? Esses registros são preciosos porque me permitem ajustar as próximas propostas conforme o que tô observando. Se vejo que determinado grupo tá conseguindo negociar melhor entre si, já penso em atividades que desafiem ainda mais essa habilidade. Por outro lado, se percebo que alguma criança ainda tá com dificuldade, planejo intervenções mais direcionadas, sempre respeitando o tempo dela.

Falando dos direitos de aprendizagem que esse objetivo mobiliza mais, eu destacaria Conviver, Brincar e Expressar. É no conviver que elas aprendem a lidar com as diferenças e começam a desenvolver empatia. E é lindo ver quando uma criança estende a mão pra outra num gesto espontâneo de ajuda, ou quando elas mesmas sugerem uma solução pra um problema. Isso é conviver na prática.

No brincar, vejo muito como as crianças experimentam papéis sociais e testam suas ideias sobre o mundo. Elas simulam situações de conflito nas brincadeiras e ensaiam soluções. Outro dia, na brincadeira de faz-de-conta, o Davi decidiu ser o "juiz" quando as coleguinhas não conseguiam se decidir sobre quem seria a "mãe" na brincadeira de casinha. Ele se colocou como alguém que media a situação e foi interessante ver como cada um foi aceitando seu papel nesse jogo social.

E sobre expressar, é fundamental dar espaço pras crianças falarem sobre o que estão sentindo. Tem vez que as palavras não vêm fácil, mas aí entra o desenho ou a dança como formas potentes de expressão também. A Laura adora desenhar e quando tá chateada com algo ou alguém, ela vai direto para os lápis de cor. Depois, vem me mostrar com orgulho, e a gente conversa sobre aquilo.

Quanto ao João, que tem suspeita de TEA, e à Bia com atraso de linguagem, eu tento adaptar algumas coisas pra garantir que eles também participem ativamente. Pro João, por exemplo, uso mais suportes visuais e sinais pra ajudar na comunicação. Cartazes com figuras ajudaram bastante ele entender a rotina e se situar melhor nas atividades. Também criei um cantinho sensorial onde ele pode se acalmar quando sente necessidade. Já com a Bia, procuro usar frases curtas e claras e sempre dou tempo pra ela responder do jeito dela. Às vezes a comunicação não-verbal dela fala mais do que as palavras.

Com esses dois casos específicos, também repensei o espaço da sala pra que seja mais organizado e menos caótico visualmente – isso acalma o João – e introduzi brinquedos que estimulem mais a linguagem oral pra Bia. O uso de fantoches foi uma surpresa agradável porque ela adora imitar os sons dos bichinhos!

Ainda tô tentando algumas estratégias novas porque cada criança é única, né? O importante é acompanhar de perto e estar sempre aberta às mudanças necessárias.

E é isso aí, minha gente! Trabalhar com essa diversidade toda é um aprendizado contínuo pra mim também. Espero ter contribuído um pouquinho aí com vocês! Até a próxima conversa aqui no fórum!