Olha só, quando a gente fala desse objetivo da BNCC, EI01EO03, a ideia é observar como os bebês começam a interagir com o mundo ao redor, tanto com outras crianças quanto com adultos. Nessa fase, eles estão descobrindo tudo, então é um período muito rico pra gente que trabalha com Educação Infantil. Quando falo sobre isso, vejo que a criança não tá "aprendendo um conteúdo" de forma tradicional, mas sim vivendo experiências que ampliam seu jeito de ver e interagir com o mundo.
Imagina só: um bebê começa a engatinhar e vê outro bebê brincando com uma tampa de pote. Ele se aproxima, observa o que o outro tá fazendo e, às vezes, tenta pegar uma tampa igual ou oferece uma outra coisa em troca. Essa é uma interação que pode parecer simples pra gente adulto, mas pra um bebê é uma descoberta incrível de socialização, de entender que o outro também tem intenções e vontades. Eles se comunicam com gestos, olhares e até mesmo grunhidos.
Aqui na minha sala de bebês, sempre busco criar propostas que permitam essas interações de forma natural e segura. Vou te contar algumas das experiências que já organizei.
Uma das propostas favoritas das crianças é a exploração sensorial com tecidos e materiais naturais. Eu coloco no chão uma variedade de tecidos de diferentes texturas e cores, junto com algumas sementes grandes como feijões e gravetos finos. Espalho esses materiais num canto amplo da sala, onde os bebês têm espaço pra se mover livremente. Isso tudo fica disponível por mais ou menos uma hora, respeitando o tempo dos pequenos. Eles começam tocando os tecidos, puxando de um lado pro outro, sentindo com os pés e as mãos. Já vi o Miguel e a Sofia começarem a puxar o mesmo tecido ao mesmo tempo e isso gerou uma troca interessante de olhares e sorrisos entre eles. Minha mediação nessas horas é mais sobre garantir a segurança e incentivar que continuem explorando juntos, tipo "O que será que acontece se puxar aqui?".
Outra proposta que adoro organizar é a brincadeira com água. Ponho umas bacias rasas no chão, coloco um pouco de água dentro e alguns objetos flutuantes como tampinhas de garrafa. Essa exploração rola num dia mais quente pra garantir que todos fiquem confortáveis. As crianças geralmente ficam por uns 40 minutos nessa atividade, porque é muito fascinante pra elas verem as coisas flutuarem ou afundarem. Da última vez, o Pedro ficou encantado vendo uma tampinha girar na água quando ele dava um empurrãozinho. Ele balbuciou algo e olhou pra Ana Clara como se estivesse dizendo "Olha isso!". Eu estava ali do lado pra garantir que ninguém derrubasse muita água fora das bacias e também pra incentivar essa troca entre eles: "Você viu o que o Pedro fez? Vamos tentar também?".
Por fim, tenho uma proposta com caixas de papelão de vários tamanhos que sempre traz boas interações. As caixas são colocadas num canto da sala onde podemos criar pequenos percursos ou casinhas. O tempo varia bastante porque as crianças costumam entrar nas caixas, empilhá-las ou rolar por cima delas por uns 50 minutos ou até mais se estiverem bem envolvidas. Na última vez que fiz essa proposta, a Júlia estava tentando entrar numa caixa pequena enquanto o Lucas ficava empurrando outra caixa maior em direção a ela. Ele parecia querer ajudar ou talvez só imitar o movimento dela, mas foi bonito vê-los descobrindo juntos como podiam interagir com aquele material. Minha mediação foi encorajar essas explorações: "Lucas quer ajudar a Júlia? Que tal tentar empurrar juntos?".
Aqui na minha turma de bebês é sempre assim: muita interação mediada por olhares curiosos e mãos pequenas trabalhando juntas pra entender o mundo ao redor. É fascinante ver como até os menores gestos têm significados tão profundos quando olhamos do ponto de vista deles. E claro, tudo isso sempre embalado por muita brincadeira porque brincar é muito sério por aqui. As crianças aprendem tanto umas com as outras quanto comigo nesse processo.
Espero que essas ideias te inspirem aí na sua prática também! A gente aprende tanto observando essas interações quanto eles vivendo-as! Até a próxima conversa!
Olha, como eu tava dizendo, observar o desenvolvimento das crianças nesse objetivo EI01EO03 é como ser um detetive do mundo infantil, viu? A gente vai percebendo cada detalhe na rotina e achando pistas de como essas experiências estão mobilizando a aprendizagem delas. Eu sempre fico atenta aos gestos, às falas, às escolhas e até às tentativas. Por exemplo, uma vez a Sofia viu o Lucas brincando com um brinquedo que fazia barulho e ficou ali olhando, meio curiosa. Aos poucos, ela se aproximou e começou a tocar o brinquedo também, imitando os gestos do Lucas. Aí você vê que tem algo acontecendo ali, né? É interação pura e simples, mas cheia de significado.
Ah, e tem vezes que é uma frase que me mostra isso. Como quando o Pedro começou a tentar chamar o Mateus pra brincar de rolar a bola. Ele ainda não fala tudo bem certinho, mas faz aquele "vem" com as mãozinhas e um sorriso no rosto. Aí você percebe que ele quer se comunicar e tá buscando maneiras de fazer isso. Não é uma avaliação de "acertou ou errou", mas sim uma observação dessas mudanças sutis no dia a dia da sala.
Eu gosto de registrar essas coisas de várias formas. Uso um caderno onde anoto rapidamente o que aconteceu, às vezes tiro uma foto ou faço um vídeo curto com o celular mesmo, só pra capturar aquele momento. Esses registros são preciosos porque me ajudam a ajustar as próximas propostas. Tipo assim, se vejo que um grupo tá mais interessado em exploração sonora, posso introduzir mais materiais que façam barulhos ou criar um cantinho musical na sala.
Falando dos direitos de aprendizagem que esse objetivo mobiliza, eu diria que conviver, brincar e conhecer-se são os mais evidentes nesse contexto dos bebês. Na convivência, por exemplo, vejo quando a turma tá numa roda de música e uma criança olha pro lado e tenta imitar o gesto do colega ou sorri quando vê outro dançando. São momentos onde eles tão aprendendo sobre o outro e sobre como estar junto é gostoso.
No brincar, ah minha gente, isso é todo dia! É na brincadeira que eles testam limites e possibilidades. Como quando a Maria Clara decidiu empilhar os cubos de madeira e foi chamando outras crianças pra verem até onde conseguiam ir sem cair. E nessa tentativa, nesse erro e acerto, eles vão se expressando e explorando o próprio potencial.
E conhecer-se tá muito presente nos momentos de cuidado também. Tipo no banho ou na hora de trocar fralda, quando eles vão reconhecendo partes do corpo e suas sensações. O Tiago adora brincar com a água no banho e já entendeu que se ele bater com força pra água espirrar em mim, a gente vai rir junto.
Agora, pensando na inclusão do João e da Bia na nossa turma... pro João, que tem suspeita de TEA, eu procuro manter uma rotina bem clara e previsível porque percebo que isso dá segurança pra ele. Também introduzo materiais sensoriais bem variados porque ele responde bem a texturas e cores diferentes. Já notei que ele gosta muito dos tapetes sensoriais que a gente espalha pela sala.
Pra Bia, que tem um atraso de linguagem, eu faço questão de estar sempre verbalizando as coisas ao redor dela. Uso muito gestos junto com as palavras pra reforçar o significado do que tô dizendo. Tem funcionado bem oferecer livros com muitas imagens e pouca escrita também. Ela ama folhear os livros no nosso cantinho da leitura.
Tô sempre tentando novas estratégias pra incluir todos nas atividades. Algumas vezes funciona logo de cara, outras não tanto... mas faz parte do processo. A adaptação do espaço é essencial também: criar cantinhos mais tranquilos pros momentos em que eles querem ficar sozinhos ou precisam se acalmar ajuda bastante.
Enfim, minha gente, cada dia na creche é uma nova surpresa... uma chance de aprender com eles também. É desafiador sim, mas profundamente recompensador ver esses pequenos passos significativos na vida dos nossos pequenos. Espero ter ajudado vocês a entender um pouco como eu observo e registro esses desenvolvimentos por aqui! Até a próxima conversa!