Olha, o objetivo EI03EO04 da BNCC, que fala sobre a comunicação das ideias e sentimentos das crianças, é algo que a gente vive no dia a dia aqui na creche. Na faixa etária do Grupo 3, as crianças estão num momento de desabrochar, começando a se expressar com mais clareza, tanto verbalmente quanto através de gestos e expressões. Elas não estão "aprendendo" um conteúdo como num livro — é mais sobre viver experiências que ampliam o repertório de cada uma. Imagina só, uma criança de quatro ou cinco anos começa a contar uma história sobre o que sonhou na noite passada ou sobre como acha que a formiguinha carrega tanta folha. É essa vontade de partilhar que a gente quer estimular. Quando uma criança se comunica, ela está explorando o mundo dela, experimentando, testando suas capacidades de se conectar com os outros.
Aqui na minha turma, eu organizo algumas propostas bem bacanas para trabalhar esse objetivo. Vou contar três exemplos que sempre dão certo e trazem resultados lindos.
A primeira proposta é a "Roda de Histórias". A gente organiza o espaço com almofadas no chão, formando um círculo bem aconchegante. No centro, coloco alguns objetos bem diversos: tampinhas coloridas, tecidos com texturas diferentes, algumas sementes grandes e pequenas, pedrinhas e caixinhas. Esses objetos são um ponto de partida para as crianças criarem suas histórias. É uma proposta que dura cerca de 30 minutos, mas eu deixo fluir no tempo delas. As crianças costumam reagir de forma curiosa e empolgada. Outro dia, o Joãozinho pegou uma pedrinha e começou a contar que era uma nave espacial que caiu num planeta desconhecido. A Maria entrou na história dele dizendo que nesse planeta viviam fadas que ajudavam os astronautas. Eu vou mediando de forma sutil, incentivando as outras crianças a participarem: “E você acha que mais quem mora nesse planeta?” A beleza aqui é ver como as crianças constroem juntas suas narrativas, cada uma contribuindo com elementos novos.
A segunda proposta é "O Teatro das Sombras". Usamos um lençol grande pendurado numa estrutura simples e uma fonte de luz atrás — pode ser até uma lanterna. As crianças têm à disposição recortes de papelão e papel em formas diversas: animais, pessoas, árvores, estrelas... A ideia é elas criarem histórias usando as sombras projetadas no lençol. Essa experiência leva uns 20 minutos por vez e as crianças ficam fascinadas em como a sombra se mexe conforme elas movimentam os recortes. Num dia desses, a Ana criou uma cena delas indo visitar a avó em outra cidade e colocou um carro feito de papelão na frente da luz. O Lucas logo entrou na brincadeira e usou uma forma de estrela para simbolizar o caminho cheio de estrelas até lá. Minha mediação é mais sobre ajudar com sugestões quando elas travam: “O que será que está além dessas estrelas?” É mágico como essa brincadeira suscita ideias e sentimentos simples ou complexos.
A terceira proposta é "Pintura Coletiva". Colocamos um grande pedaço de papel kraft no chão ou preso numa parede baixa, onde as crianças possam alcançar facilmente. Oferecemos tintas naturais e pincéis feitos com gravetos e folhas amarradas (coisas da nossa horta). Damos liberdade para elas pintarem juntas ali. Dura uns 40 minutos essa atividade e é incrível observar como elas negociam entre si para dividir espaço e materiais. Semana passada, o Pedro começou pintando algo que parecia um rio e logo depois a Luana desenhou algumas árvores nas margens desse rio dele, dizendo que eram árvores frutíferas mágicas. Eu interajo perguntando coisas tipo: “Que tipo de fruta tem nessa árvore?” Isso incentiva não só a comunicação verbal mas também o diálogo visual entre eles.
Cada proposta dessas tem como base os eixos estruturantes da BNCC EI: interações e brincadeiras. As crianças interagem todo o tempo umas com as outras e também com os materiais propostos. É na brincadeira que elas encontram espaço seguro para se expressarem sem medo do julgamento — aqui é tudo sobre experimentar mesmo! Então, minha gente, trabalhar esse objetivo é realmente criar oportunidades ricas para as crianças testarem suas vozes num espaço acolhedor e incentivador.
E assim seguimos por aqui, vendo os pequenos florescerem nas suas próprias histórias! Viu só como eles têm tanto a nos ensinar também? Até mais!
Sabe, o jeito que eu observo o desenvolvimento das crianças em relação ao objetivo EI03EO04 é muito ligado ao que acontece naturalmente na rotina delas. A cada dia, fico atenta aos pequenos sinais de que uma experiência tá realmente mobilizando a aprendizagem. Por exemplo, quando a Mariazinha chega perto do grupo durante uma roda de conversa e, mesmo ainda um pouco tímida, começa a levantar a mão pra falar algo, é um sinal claro de que ela tá se sentindo mais à vontade para se expressar. Ou quando o Pedro, durante uma brincadeira de faz-de-conta, resolve imitar um adulto e começa a "cozinhar" pra turma, usando panelinhas e talheres de brinquedo, dá pra ver como ele tá desenvolvendo essa habilidade de comunicação e socialização.
Eu sempre carrego comigo um caderninho pra anotar essas observações. Às vezes, gravo um videozinho curto ou tiro foto (sempre com muito cuidado e permissão) pra registrar momentos especiais. Esses registros são preciosos porque me ajudam a ajustar as próximas propostas. Se eu percebo que uma criança tá se interessando mais por histórias, vou tentar trazer livros novos ou organizar rodas de contação com fantoches. Caso note que algum material específico chamou a atenção do grupo, posso tentar recriar aquela situação em outro momento.
Os direitos de aprendizagem que esse objetivo mais mobiliza certamente são o Conviver, o Brincar e o Participar. Vê só: no dia a dia, eu observo as crianças se ajudando na hora de montar uma torre de blocos gigantes — isso é Conviver na prática. Elas aprendem a lidar com frustrações quando a torre cai e a encontrar soluções juntas pra recomeçar. Na hora do Brincar, vejo como elas criam regras próprias pros jogos e negociam papéis nos faz-de-conta. Já em relação a Participar, é incrível ver quando elas começam a ter ideias pra contribuir com o grupo — tipo sugerir uma música nova pro momento do lanche ou propor uma brincadeira diferente pro parque.
Agora, falando sobre como tornar as experiências acessíveis pro João e pra Bia... Olha só, com o João, que tem suspeita de TEA, eu busco criar um ambiente com menos estímulos visuais e sonoros quando estamos em atividades mais focadas na expressão. Então se estamos numa roda de conversa ou contação de histórias mais tranquila, tento usar tapetes coloridos no chão pra delimitar o espaço e fotos ilustrativas das histórias sendo contadas. Ah, e deixo sempre algum objeto tátil por perto porque ele gosta de ficar manuseando algo enquanto escuta ou participa.
Para a Bia que tem um atraso de linguagem, favoreço muito a repetição e uso gestos amplos junto das palavras pra reforçar a comunicação. Durante as atividades, ofereço materiais variados como fantoches e jogos de encaixe que estimulam mais o diálogo através do brincar. Também trago imagens grandes com figuras do nosso cotidiano pra ajudar nesse processo de nomeação e expansão do vocabulário.
Quanto ao espaço e tempo, procuro sempre ser flexível. Faço adaptações nas propostas considerando as necessidades do João e da Bia sem perder de vista o restante da turma. No caso do João, funcionar bem ter alguns momentos mais curtos de interação com os colegas seguidos por um tempo individual com aqueles objetos favoritos dele. Já com a Bia, deu muito certo utilizar músicas infantis associadas a gestos durante as transições entre as atividades — parece que ela fica mais confortável e segura ao saber o que vai acontecer depois.
Ainda estou experimentando várias coisas porque cada criança é única e traz desafios diferentes todo dia. O importante é continuar observando atentamente esses pequenos movimentos e ajustando o planejamento conforme necessário.
Então é isso, minha gente! Espero que essas experiências possam dar uma luz aí nas vivências de vocês também. Não é fácil mas é tão gratificante ver cada criancinha desabrochando à sua maneira! A gente vai se falando por aqui no fórum — adoro essa troca! Vou ficando por aqui por hoje! Abraço!