Olha só, quando a gente fala desse objetivo da BNCC, de ajudar as crianças a agirem de forma independente e com confiança, é como se a gente estivesse preparando elas pra vida, né? Nessa idade, de 4 a 5 anos e 11 meses, as crianças estão começando a se reconhecer como indivíduos dentro do grupo. Elas estão numa fase de explorar, testar limites e percebem que podem fazer coisas sozinhas. Elas ficam cheias de orgulho quando conseguem amarrar o cadarço ou quando lembram a letra de uma música inteira. Reconhecem suas conquistas e também começam a perceber que tem coisas que ainda não conseguem fazer tão bem. E tá tudo bem não conseguir tudo de primeira, é um aprendizado constante.
Aqui na minha turma, trabalhar esse objetivo é uma delícia e vem muito através de propostas onde elas têm liberdade para experimentar e se expressar. As interações e as brincadeiras são os caminhos que a gente trilha pra isso acontecer. Vou contar algumas propostas que rolam por aqui.
A primeira que adoro fazer é o "Café da Manhã Compartilhado". A ideia é simples: a gente organiza um café da manhã onde as crianças ajudam a preparar tudo. Elas trazem frutas de casa e aqui oferecemos coisas como pão, geleia, manteiga e sucos naturais. Usamos facas sem ponta pra cortar as frutas, bowls pra servir e panos pra forrar as mesas. A organização do espaço é bem tranquila: coloco as mesas em formato de U pra todo mundo se ver e participar junto. Essa atividade dura cerca de uma hora, mas às vezes se estende um pouquinho.
As crianças reagem com muito entusiasmo! É lindo ver como elas se sentem importantes quando contribuem pro lanche coletivo. Elas fazem filas animadas pra passar geleia no pãozinho ou cortam as bananas pras outras crianças. Lembro da última vez que fizemos isso, o Lucas ficou super feliz porque conseguiu descascar a laranja sozinho pela primeira vez! Ele gritou: "Olha, consegui!" E foi tão bonito ver as outras crianças comemorando junto com ele. Eu fico ali mediando, mas sem interferir muito, só observando e dando apoio quando necessário. Se alguém não consegue algo, eu pergunto: "Quem pode ajudar o João com essa banana?" E aí eles vão se ajudando.
Outra proposta que a gente faz é o "Cantinho das Construções". Pra essa atividade, eu coloco no meio da sala vários materiais não estruturados: caixas de papelão grandes e pequenas, fitas adesivas coloridas, tampinhas de garrafa plástica, tecidos variados, e até uns gravetos que juntamos no pátio da escola. Deixo as crianças livres pra criar o que quiserem: casinhas, castelos ou até carros imaginários. O espaço fica todo tomado por essas construções mirabolantes.
Essa proposta pode durar um tempão ou terminar rapidinho, depende do dia e do clima do grupo. Às vezes eles ficam horas, em outras preferem brincar de outra coisa. Da última vez que fizemos isso, a Ana e o Pedro resolveram construir uma ponte enorme com as caixas. Foi um desafio daqueles! Eles discutiram onde colocar cada caixa maior pra sustentar as menores e chamaram os amigos pra testar a resistência da ponte. Fiquei por perto dando suporte verbal: "Como vocês acham que essa caixa vai ficar em pé direitinho?" ou "Vocês acham que está equilibrado agora?" Assim eles vão pensando juntos.
E por último vou falar da proposta "Jardim Sensorial". Aqui a gente aproveita o espaço externo da creche. Levo eles lá fora com potinhos plásticos pequenos e deixo que explorem o jardim enquanto coletam sementes, pedrinhas diferentes e até folhas secas. Pra isso uso materiais como lupas infantis pra ajudar na investigação mais detalhada. A ideia é estimular a curiosidade natural deles pela natureza.
Essa atividade rola durante uns 40 minutos ou uma hora. Eles sempre voltam cheios de descobertas: "Olha essa semente!", "Essa folha parece um coração!" Na última vez a Sofia encontrou uma pedrinha brilhante e disse que era seu "diamante". Ficou tão orgulhosa! E eu aproveitei pra comentar: "Que achado incrível! Será que tem mais delas por aqui?" E de repente todo mundo tava focado em achar mais diamantes imaginários.
O importante é lembrar que nessas atividades eu estou ali mais como facilitadora do que como diretora das ações. Mediar não é dizer como fazer ou corrigir a todo momento; é observar, apoiar quando necessário e principalmente incentivar o respeito aos tempos individuais das crianças. As conquistas são celebradas pelo grupo todo e quando algo não sai como esperado também tiramos algum aprendizado dali.
Bom minha gente, essas são algumas das formas que uso aqui na minha sala com esse objetivo tão importante em mente. Espero ter ajudado vocês a pensar em possibilidades pros seus grupos também! Qualquer coisa estamos por aqui no fórum conversando mais sobre essas experiências maravilhosas da Educação Infantil, viu? Até mais!
Olha, observar o desenvolvimento das crianças nesse objetivo é quase como assistir a uma mágica acontecendo aos poucos. A gente vê sinais muito sutis no dia a dia, quase como pequenas pistas de que aquela experiência tá realmente mobilizando aprendizagem. Por exemplo, a Lúcia, uma das crianças do grupo 3, sempre foi mais tímida e tinha um pouco de dificuldade pra se expressar em roda. Mas, depois de algumas semanas de atividades que incentivavam a fala e a escuta em grupo, percebi que ela começou a pedir a palavra mais vezes. Quando ela levanta a mãozinha e fala "Tia, eu quero falar!", é como se ela estivesse dizendo: "Olha só, eu tô aqui e tenho algo importante pra compartilhar!" Isso pra mim é um indicativo claro de que a proposta tá ressoando com ela.
Outro exemplo é o Pedro, que adora montar coisas. Ele começou a se organizar melhor e pedir ajuda quando algo não saía como ele queria. Antes, ele ficava frustrado e às vezes largava tudo. Agora, vejo ele chamando um coleguinha: "Você pode me ajudar aqui?" Esse gesto simples de reconhecer que precisa do outro mostra que ele tá entendendo o valor da colaboração e também tá ganhando confiança nas suas habilidades.
Eu registro essas observações de várias formas. Uso muito um caderno para anotar essas pequenas conquistas e também faço fotos ou vídeos curtos quando vejo algo muito significativo acontecendo. Esses registros me ajudam a ajustar as próximas propostas, tipo assim, se percebo que um grupo tá mais engajado em jogos cooperativos, posso preparar mais atividades nesse sentido pra continuar estimulando essa interação.
Em termos de direitos de aprendizagem, esse objetivo toca muito em Conviver, Participar e Conhecer-se. Conviver é direito presente quando as crianças estão juntas nos cantinhos de brincadeira livre. Elas precisam negociar quem vai brincar com o quê e isso não é fácil! A Bia adora brincar na casinha e sempre inicia as negociações: "Eu sou a mamãe e você pode ser o bebê?" Isso é conviver na prática.
O Participar aparece quando a gente faz aquelas rodas importantes onde cada um pode escolher uma música ou uma história pra compartilhar. E é lindo ver como eles se sentem valorizados ao perceber que têm voz ali. Como quando o João, que tem suspeita de TEA, levantou a mão e escolheu "A galinha pintadinha". Foi uma celebração só!
Conhecer-se aparece nas atividades individuais onde elas têm um tempinho pra refletir sobre seus gostos e habilidades. Tipo quando a gente fez autorretratos com giz de cera. Cada criança desenhou como se via e era interessante ver as diferenças entre os desenhos, mas principalmente como cada uma se reconhecia ali, sabe?
Agora, falando do João e da Bia... pro João, tento sempre dar previsibilidade nas rotinas. Aviso o que vem depois e mantenho algumas constantes no ambiente pra que ele se sinta seguro. Proponho também materiais sensoriais que ajudem ele a se concentrar melhor na atividade. Já os fones com músicas baixas ajudaram bastante em momentos de maior agitação.
A Bia tem um atraso de linguagem e eu notei que ela responde melhor a materiais visuais. Uso muitos cartões com imagens pra ajudar na comunicação e tento sempre dar tempo pra ela processar e responder do jeito dela sem pressa. Na roda de conversa, por exemplo, eu faço perguntas diretas mas dou um tempo maior pra esperar a resposta. Quando ela não consegue verbalizar algo, às vezes ela aponta ou usa gestos.
O espaço também precisa ser acessível pra todos. Criamos cantinhos onde eles podem se retirar por alguns minutos caso precisem de menos estímulos. Um tapetinho com livros num canto mais quieto da sala ajuda bastante.
Ainda tô tentando entender melhor como ajustar algumas propostas pro João quando tem muita gente em volta, por exemplo. Às vezes ele fica sobrecarregado no recreio então estamos testando horários alternativos pra ele brincar mais tranquilo num espaço menor.
Bom, minha gente, acho que é isso! Trabalhar com essas crianças é sempre um desafio mas também é muito recompensador ver o crescimento deles tão de pertinho. Espero que essas ideias inspirem vocês aí nas suas salas também! Até o próximo papo!