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EI03EO01Crianças pequenasO eu, o outro e o nós

Demonstrar empatia pelos outros, percebendo que as pessoas têm diferentes sentimentos, necessidades e maneiras de pensar e agir.

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI03EO01) Demonstrar empatia pelos outros, percebendo que as pessoas têm diferentes sentimentos, necessidades e maneiras de pensar e agir.

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI03EO01 faz parte do campo O eu, o outro e o nós, que organiza experiências de construção da identidade, percepção do próprio corpo, das emoções, da convivência em grupo e do respeito às diferenças.

Características da faixa etária (4 anos a 5 anos e 11 meses)

Nesta faixa, a criança já narra com fluência, planeja brincadeiras complexas com pares, formula hipóteses, faz registros gráficos representativos e demonstra autonomia em diversas tarefas do cotidiano. É o período de aprofundamento das investigações sobre o mundo e de preparação (sem antecipação) para a transição ao Ensino Fundamental.

Práticas recomendadas: Projetos investigativos a partir de interesses das crianças, registros gráficos diversos, contato sistemático com a cultura escrita em situações reais, brincadeiras com regras simples.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Olha, trabalhar o objetivo EI03EO01 da BNCC com as crianças pequenas é uma experiência muito bonita e desafiadora ao mesmo tempo. A ideia é bem simples: ajudar as crianças a perceberem que outras pessoas têm sentimentos, necessidades e jeitos de agir diferentes dos delas. Isso é o que a gente chama de empatia, né? E também de entender que, mesmo pequenininhas, elas já têm capacidade de se colocar no lugar do outro, perceber quando um amiguinho não está bem ou quando alguém precisa de ajuda. Não é sobre ensinar empatia como se ensina tabuada, é sobre proporcionar vivências em que elas possam experimentar essa habilidade no dia a dia.

Aqui no meu grupo, a gente tem várias situações em que isso acontece naturalmente. Por exemplo, quando o Joãozinho caiu e a Maria foi lá dar um abraço e perguntar se ele estava bem. Ou quando a Sofia viu que o Pedro estava triste porque não conseguia montar uma torre de bloquinhos e foi lá ajudar ele. As crianças são muito observadoras e estão sempre atentas ao que acontece ao redor delas. Cabe a nós, educadoras, mediar essas situações para que elas possam refletir sobre os sentimentos dos outros e os seus próprios.

Uma das propostas que eu gosto de fazer pra trabalhar esse objetivo é a “Caixa dos Sentimentos”. Eu junto várias tampinhas de garrafa, panos coloridos, pedacinhos de papel e outros materiais não estruturados dentro de uma caixa. Cada tampinha ou objeto representa um sentimento diferente. A gente organiza o espaço com almofadas no chão pra deixar tudo bem confortável e as crianças ficam livres pra escolher um objeto da caixa e dizer o que aquele objeto faz elas sentirem. Dura uns 20 minutinhos, mais ou menos, porque é o tempo que elas conseguem se concentrar sem se cansar. O interessante é que na última vez que fizemos isso, o Lucas pegou uma tampinha azul e disse: “Essa aqui é a saudade, porque eu sinto saudade da minha avó”. Daí começou uma conversa muito rica sobre saudade, cada um compartilhando suas experiências. Eu fiquei ali mediando, ajudando eles a colocarem em palavras o que sentiam e respeitando o tempo deles.

Outra proposta interessante é a “Brincadeira das Máscaras”. A gente usa cartolina branca pra fazer máscaras simples e as crianças pintam cada uma do jeito que quiserem: umas com cara alegre, outras tristes, outras bravas. Depois a gente faz um pequeno teatro onde elas colocam as máscaras e encenam situações do cotidiano. O espaço pode ser qualquer canto da sala onde elas possam se movimentar sem esbarrar umas nas outras. E olha, dá pra ver como elas se dedicam em representar o sentimento da máscara que estão usando! Na última vez, a Clara colocou a máscara de triste e começou a fingir que estava chorando. Logo depois, o Renan foi lá com a máscara de feliz e disse: “Não chora não! Eu vou brincar com você!” Isso abriu uma oportunidade maravilhosa pra gente conversar sobre como podemos ajudar os amigos quando eles estão tristes.

Por fim, tem uma atividade que chamo de “Dia do Cuidado”. Nesse dia, a proposta é cuidar dos bonecos da sala como se fossem nossos amigos. Disponibilizo paninhos, potinhos com água (sempre acompanhando pra não ter bagunça demais!), escovinhas de cabelo e roupinhas pras crianças cuidarem das ‘crianças de pano’. O espaço fica todo organizado como se fosse um cantinho da casa dentro da sala – coloco tapetes no chão e faço algo parecido com uma mini cozinha ao lado. Elas passam uns 30 minutos ali cuidando dos bonecos: dando comida “de mentirinha”, colocando pra dormir, cantando… Na última vez que fizemos isso, a Julia disse: “Eu vou fazer sopa pro bebê porque ele tá com fome!” E aí eu aproveitei pra perguntar pras outras crianças o que mais poderíamos fazer quando alguém estivesse com fome ou sede. As respostas foram incríveis: “A gente pode dividir nosso lanche”, “Pode chamar pra almoçar junto”, “Pode dar água!”. É lindo ver como essas interações e brincadeiras fazem elas pensarem no outro.

Minha gente, tudo isso nos mostra que criar oportunidades pras crianças vivenciarem empatia é algo muito natural quando a gente organiza bem o ambiente e respeita o tempo delas. Não tem segredo ou fórmula mágica: é oferecer materiais diversos, deixar espaço pras interações acontecerem naturalmente e estar ali pra mediar e ajudar na reflexão sempre que necessário. E assim vamos caminhando juntas na construção de um mundo mais empático desde cedo! Tá vendo? Nossos pequenos têm tanto a nos ensinar quanto nós temos a ensinar a eles! É isso aí!

Olha, continuando a conversa sobre o objetivo EI03EO01, uma coisa que eu sempre faço é observar com muita atenção esses momentos do dia a dia em que as crianças demonstram empatia e consideração pelos outros. É comum ver uma criança se aproximar de outra que está chorando, por exemplo, e perguntar o que aconteceu ou oferecer um brinquedo para confortar. Isso pra mim é um sinal claro de que elas estão começando a perceber o outro, seus sentimentos e necessidades. Na minha sala, eu vejo isso quando, por exemplo, a Bia oferece um dos seus bonecos pro Mateus depois de ver que ele tá triste porque não conseguiu encaixar uma peça do quebra-cabeça. São pequenas ações como essas que mostram pra gente que a criança tá desenvolvendo essa sensibilidade.

E olha só, eu gosto de usar registros de observações pra acompanhar esses movimentos. Tenho sempre um caderninho à mão onde anoto essas situações do cotidiano. Às vezes faço vídeos curtos ou tiro fotos também, sabe? Não pra expor ou coisa assim, mas pra eu mesma poder voltar e refletir sobre essas vivências da turma. Esses registros me ajudam a planejar as próximas propostas, ajustando o que for necessário pra continuar estimulando essa capacidade de se colocarem no lugar do outro.

Quando penso nos direitos de aprendizagem relacionados a esse objetivo, acho que Conviver e Participar são super mobilizados. Conviver é bem evidente quando as crianças estão juntas no parquinho, por exemplo. Dá pra perceber como elas vão formando pequenas parcerias e grupos de brincadeiras, se apoiando nas descobertas e desafios. Uma vez, o Lucas tava com dificuldade de subir no escorregador e o Pedro foi lá e falou "Eu te ajudo" — isso é convivência na prática! Participar aparece muito nos momentos de roda de conversa. As crianças têm espaço pra expressar suas ideias e sentimentos e ouvir os dos outros. Quando a Sofia compartilhou que estava com medo de um pesadelo e várias crianças começaram a contar suas próprias experiências com sonhos assustadores e como lidaram com eles, deu pra ver claramente esse direito em ação.

Aqui na minha turma, a gente também tem o João, que tem suspeita de TEA e a Bia com atraso de linguagem. Acessibilizar as experiências pra eles é super importante e eu procuro ajustar o ambiente pra que eles possam participar ativamente das propostas. Pro João, eu costumo oferecer materiais com texturas diferentes e organizo espaços mais tranquilos pra evitar sobrecarga sensorial. Já percebi que ele gosta muito de massinha porque pode explorar do jeito dele, sem pressa. Com a Bia, tento usar figuras, gestos e até músicas pra apoiar a comunicação dela. Foi muito legal quando ela conseguiu apontar pro desenho do cachorro e depois pro cachorro de brinquedo durante uma brincadeira. Ah, e sempre dou um tempo extra pra ela se expressar sem pressa — isso faz toda a diferença!

Uma coisa que tô tentando ainda é encontrar maneiras mais eficazes de incluir o João em atividades coletivas sem que ele se sinta desconfortável. Às vezes ele se afasta quando tem muito barulho ou movimento na sala. Tô pensando em introduzir fones de ouvido ou criar um cantinho mais calmo onde ele possa ficar quando precisar.

Enfim, cada criança tem seu jeito único de aprender e se relacionar com o mundo. O nosso papel como educadoras é criar um ambiente em que todas possam explorar essas habilidades sociais no seu próprio tempo. A observação atenta e o carinho no preparo das propostas fazem toda a diferença na maneira como essas experiências são vividas.

É isso, minha gente! Espero ter contribuído com um pouco da minha vivência aqui na creche. Qualquer dúvida ou troca de ideia, estou por aqui! Um abraço bem grande!