Olha so, minha gente, quando falamos sobre respeitar as regras básicas de convívio social nas interações e brincadeiras com as crianças bem pequenas, estamos falando daquela fase em que elas começam a perceber que o mundo não gira só em torno delas. É quando a criança, com seus 1 ano e 7 meses até quase 4 anos, começa a entender que existem outras pessoas ao seu redor e que interagir com elas pode ser muito legal. Nessa faixa etária, as crianças ainda estão desenvolvendo suas habilidades sociais, então é normal ver aquela cena clássica do "é meu!" quando duas delas querem o mesmo brinquedo. O desafio é ajudar essas pequenas a perceberem que compartilhar e esperar a vez fazem parte dessa brincadeira divertida chamada vida.
Aqui na minha turma, tento trazer essas vivências de maneira leve e divertida. A primeira proposta que gosto de fazer é a nossa famosa "Feira da Troca". A ideia é simples: cada criança traz de casa objetos como tampinhas, tecidos ou até brinquedinhos usados. Organizamos todo esse material em esteiras espalhadas pela sala, como se fosse uma feirinha mesmo. Deixo as crianças livres para explorar e escolher o que querem trocar entre si. Ah, minha gente, é uma festa! O espaço fica todo colorido e convidativo. As crianças inicialmente ficam meio perdidas, sem saber exatamente o que fazer com tanta coisa diferente, mas aos poucos elas vão se soltando. Maria e Pedro, por exemplo, começaram uma negociação engraçadíssima na última vez: Maria queria trocar uma tampinha por um pedaço de tecido azul que Pedro tinha. Eles acabaram trocando cinco ou seis vezes antes de chegarem a um acordo! A minha mediação ali foi só para garantir que eles estavam se ouvindo e entendendo um ao outro, sem interferir na escolha deles.
Outra proposta que tem feito sucesso é o "Cantinho da Cozinha". Nesse espaço, usamos panelas velhas, colheres de pau, potinhos de plástico e grãos como feijão ou arroz. As crianças adoram! Arrumo tudo em um canto da sala onde elas possam mexer à vontade sem risco de machucarem ninguém. Elas passam um tempo inventando receitas mirabolantes e servindo umas às outras. Da última vez, Luiza resolveu que estava fazendo uma "sopa mágica" com feijões e convidou João para provar. O interessante é observar como eles vão naturalmente se organizando no espaço: quem vai ser o cozinheiro, quem vai provar, quem vai arrumar depois. Claro que às vezes rola aquele pequeno desentendimento sobre quem vai usar a colher grande ou a panela maior, mas são momentos assim que ajudam elas a entenderem o respeito às regras básicas do convívio social.
A terceira proposta é a "Hora da História Coletiva". Sentamos todos em roda no tapete da sala e escolhemos alguns tecidos grandes e pequenos objetos como pedras e gravetos para usar como adereços. Eu começo a história com uma frase simples tipo: "Era uma vez uma pedra que queria voar..." E pronto! Daí em diante cada criança contribui com sua imaginação para continuar a história. Na última sessão, a história acabou indo parar na lua porque Marina achou que as pedras poderiam virar foguetes! O mais bacana dessa atividade é ver como as crianças precisam ouvir o outro para dar continuidade à história e como respeitam as ideias alheias mesmo quando são muito diferentes das suas próprias.
Em todas essas propostas, o foco não está no produto final ou na "correção" da atividade, mas sim no processo de interação entre elas. Eu estou ali mais como uma facilitadora do que outra coisa; observando se alguma criança precisa de ajuda para expressar seu desejo ou se está tendo dificuldade para entrar na brincadeira. É um trabalho de formiguinha mesmo, mas é gratificante demais ver quando eles começam a perceber que brincar junto é bom e que têm maneiras de resolver suas diferenças sem ser na base do choro ou da birra.
Então é isso, gente! Esse caminho de aprender a conviver é longo e cheio de desafios pro grupo todo, mas também é riquíssimo em descobertas. Aos poucos nossas crianças vão entendendo que ser parte de um grupo requer paciência, escuta e respeito pelo outro. E nós seguimos aqui nesse papel tão bonito de acompanhá-las nesse processo.
Até a próxima conversa!
Aqui na minha turma, tento trazer essas vivências de maneira leve e observar como cada criança vai se relacionando com os outros e com as propostas que organizamos. Olha, é fascinante ver como elas vão dando pequenos passos por conta própria. Quando a gente coloca um brinquedo novo ou um material diferente, eu fico ali de olho, prestando atenção nas interações. Não tem nada mais gratificante do que perceber quando uma criança que antes só queria brincar sozinha começa a se aproximar dos coleguinhas.
Por exemplo, teve um dia desses que a gente estava com um cantinho de fantasias. A Ana, que geralmente ficava no cantinho da leitura, se aproximou da Júlia e do Pedro, que estavam vestindo chapéus e capas. Eu vi quando ela pegou uma coroa e ficou olhando pros dois. Ela não falou nada, mas o gesto dela de colocar a coroa na cabeça e olhar para os amigos foi um sinal claro de tentativa de interação. Esse tipo de observação me mostra que aquela experiência tá mobilizando aprendizagem social ali.
Outro dia, durante uma proposta com blocos de construção, o Miguel, que sempre quer ser o líder da brincadeira, começou a distribuir blocos pros colegas ao invés de decidir tudo sozinho. Essas pequenas mudanças de comportamento são registros valiosos pra mim. Eu anoto no meu caderno e, às vezes, faço uns registros em vídeo pra rever depois. Isso ajuda a ajustar as propostas, sabe? Se vejo que o grupo tá começando a negociar mais entre eles, posso propor atividades que incentivem ainda mais esses diálogos.
Sobre os direitos de aprendizagem, dois deles que sempre vejo muito mobilizados são o Conviver e o Brincar. Quando as crianças começam a se interessar umas pelas outras, mesmo que com aquele olhar meio de longe, é o Conviver acontecendo. Elas estão aprendendo sobre empatia, cooperação e respeito às diferenças. É uma construção contínua e importante.
Já o Brincar é a essência de tudo. É na brincadeira que elas exercitam suas habilidades sociais sem aquela pressão de “acertar”. Lembro de uma vez em que montamos uma mini feira no quintal com frutinhas de plástico e cestinhas. Ali vi o Matias tentando "comprar" da Sofia algumas frutas, imitando a gente na hora do lanche. Ele ainda tava meio confuso sobre como “pagar”, mas o ato dele pedir e esperar já era um sinal do desenvolvimento social.
A Bia, que tem um atraso de linguagem, às vezes se comunica mais com gestos do que palavras. Pra ela, eu sempre deixo materiais que possam ser explorados sem necessidade de verbalização imediata. Naquela nossa feira improvisada, deixei cartões com figuras das frutas pra ela escolher e mostrar qual queria “comprar”. Foi lindo quando ela apontou pra umas uvas e depois olhou pra Sofia esperando “receber” as uvas.
O João, com suspeita de TEA, é um menino super curioso. Gosta de observar antes de participar. Pra ele, eu sempre deixo um espaço mais tranquilo no canto da sala onde ele pode se sentir seguro antes de entrar na dinâmica coletiva. Uma vez usamos caixas sensoriais com diferentes texturas pra ele explorar no tempo dele antes de se juntar ao restante do grupo na construção dos blocos.
E sempre tem aquelas coisas que ainda estamos descobrindo juntas. Tipo assim, tentamos recentemente introduzir alguns cartões com rostos expressivos pra ajudar na identificação das emoções durante as brincadeiras. A ideia era facilitar pras crianças expressarem o que sentiam quando não conseguiam verbalizar direito. Funcionou bem pro João quando ele pegou o cartãozinho feliz ao ver os amigos construírem uma torre enorme sem ela cair.
Olha só, minha gente, cada dia é uma descoberta nova e uma oportunidade de ajustar nosso olhar pras necessidades das crianças. E é isso que faz essa caminhada ser tão especial e única. A gente vai aprendendo tanto quanto eles.
Vou ficando por aqui hoje. Espero ter contribuído um pouquinho com vocês sobre como a gente pode observar esses pequenos desenvolvimentos sociais e ajustar nossas práticas pra apoiar cada criança do jeitinho dela. Até a próxima conversa!