Olha só, minha gente, trabalhar com as crianças pequenas sobre perceber que cada pessoa é única e respeitar essas diferenças é uma experiência rica e cheia de descobertas todos os dias, viu? Nessa faixa etária, de 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses, as crianças ainda estão construindo sua identidade, descobrindo o mundo ao redor e começando a perceber que nem todo mundo é igual a elas. E é justamente nessa fase que a gente pode mediar experiências que ajudam elas a ampliar o repertório sobre diversidade. A criança não vai "aprender" como num livro, mas vai viver, sentir, observar as diferenças nas interações e brincadeiras diárias.
Pra dar um exemplo concreto, imagina o Joãozinho, que acabou de fazer dois anos. Ele ainda tá descobrindo que o amigo Pedro tem cabelos cacheados enquanto o dele é liso. Ele percebe que a amiga Maria usa óculos e ele não. Quando eles vivenciam essa diversidade no dia a dia, essas características vão se tornando naturais pra eles. Não tem nada mais bonito do que ver uma criança descobrir o outro com curiosidade e respeito.
Aqui na minha turma, eu gosto de propor algumas atividades que ajudam a cultivar esse olhar respeitoso pras diferenças. Vou compartilhar três propostas que organizo aqui com as crianças.
A primeira proposta que sempre faço é o "espelho coletivo". A gente leva pras crianças espelhos grandes e pequenos e também materiais não estruturados como tampinhas de garrafa, tecidos coloridos e pedaços de papel celofane. O espaço é organizado num canto da sala, onde as crianças podem se sentar confortavelmente no chão em volta dos espelhos. A ideia é que elas se observem no espelho, coloquem os tecidos na cabeça, usem as tampinhas como acessórios, experimentem as cores do celofane pra ver como alteram suas imagens refletidas. Dura geralmente uns 30 minutos, mas dou liberdade pra quem quiser continuar por mais tempo. Num dia desses, a Sofia colocou um tecido verde na cabeça e ficou encantada ao ver como a cor mudava seu visual. Observando isso, ela começou a notar como o cabelo do Miguel fazia ondas diferentes quando ele colocava um tecido azul na cabeça.
Outra proposta que sempre faz sucesso entre as crianças é a "feira das sementes". Eu trago pra sala uma variedade de sementes de cores e tamanhos diferentes e coloco em vasilhas no chão. Tem feijão preto, milho amarelo, lentilha verde, grão-de-bico bege... Cada criança escolhe uma vasilha e começa a explorar com as mãos. Elas podem misturar as sementes, comparar os tamanhos ou só sentir a textura entre os dedos. O espaço vira uma feira interativa onde cada um compartilha suas descobertas. Com uns 40 minutos de atividade, as crianças já estão tão envolvidas que não querem parar! Uma vez o Lucas percebeu que podia fazer desenhos usando sementes diferentes sobre uma bandeja preta. Ficou mostrando pros amigos como o contraste das cores era bonito.
E por último, uma proposta que adoro é o "tapete das histórias". No pátio da escola estendo um tapete grande e macio. Coloco almofadas ao redor e deixo livros de histórias infantis disponíveis, junto com bonecos de pano representando personagens diversos: tem boneco com diferentes cores de pele, cabelos variados e até um boneco que usa bengala. As crianças escolhem um boneco ou livro e começamos a contar histórias juntos. O interessante nesse espaço é ver como as crianças interagem entre si e com os personagens. Essa atividade não tem tempo fechado; deixo fluir conforme o interesse delas. Na última vez que fizemos isso, a Ana escolheu um boneco que tinha tranças compridas e começou a inventar uma história sobre como ele ia à escola com seus amigos. O Mateus pegou um boneco com óculos e falou: "Ele enxerga igual meu avô!". Foi uma troca linda entre eles.
Minha mediação nessas propostas é sempre no sentido de incentivar a observação sem julgar ou comandar o brincar delas. Eu me coloco no mesmo nível das crianças fisicamente e faço perguntas abertas: "O que você está vendo no espelho?", "Por que você escolheu essa semente?", "Qual história esse boneco quer contar hoje?". Isso ajuda a fomentar as interações entre elas mesmas e também comigo.
Essas experiências são oportunidades valiosas pras crianças compreenderem a diversidade humana de forma leve e natural. Elas começam a perceber que podemos ser diferentes em muitos aspectos mas ainda assim brincar juntos e aprender uns com os outros. Aí é onde está a beleza de mediar esses momentos cheios de descobertas. É legal demais ver como eles ampliam seu olhar pro mundo!
Bom, acho que por hoje é isso! Espero ter dado umas ideias bacanas pra vocês experimentarem aí nas turmas de vocês também. Vamos trocando figurinhas, tá? Até mais!
Olha, é fascinante observar como as crianças do Grupo 2 e Grupo 3 começam a perceber e respeitar as diferenças entre si. E pra gente observar o desenvolvimento delas nesse objetivo, é preciso estar muito atenta aos pequenos sinais, viu? Não é sobre elas "acertarem" ou "errarem", mas sim sobre as tentativas, as descobertas e as escolhas que fazem no dia a dia. Por exemplo, durante uma brincadeira de faz de conta, a gente pode ver a Ana oferecendo um brinquedo pro amigo que acabou de chegar na roda. Ela não fala muito ainda, mas gestos como esse mostram uma intenção de acolher o outro, de compartilhar.
Já o Lucas, que adora construir com blocos, começou a chamar a Isa pra brincar junto. Ele pega uma peça e oferece pra ela, até espera um pouco enquanto ela encaixa no lugar. Isso me diz muito sobre como ele está começando a reconhecer a importância de incluir o outro na brincadeira, mesmo sem precisar falar uma palavra sobre isso. São esses momentos que registro no caderno: escrevo o que vi, às vezes faço uma foto ou um vídeo curto (quando os responsáveis autorizam), pra depois refletir sobre como posso ajustar as propostas futuras.
Esses registros são valiosos pra gente pensar em como promover mais experiências que ampliem essas aprendizagens. Se notei que mais crianças estão tentando compartilhar brinquedos ou convidar outras pros jogos, posso pensar em atividades que incentivem ainda mais esse tipo de interação, como criar cantinhos colaborativos onde eles precisam se ajudar pra completar uma tarefa ou história.
Agora, falando em direitos de aprendizagem que esse objetivo mobiliza, eu vejo muito forte o Conviver, Brincar e Participar. No cotidiano da nossa turma, conviver tá presente quando os pequenos compartilham o lanche ou ajudam a arrumar os brinquedos. Já o brincar é um momento riquíssimo pra eles explorarem essas relações. Na sala, temos um cantinho de casinha onde eles simulam situações do dia a dia e é ali que surgem muitas das interações mais significativas. Outro dia mesmo, vi a Sofia querendo ser “a mãe” e cuidando do “filho” com tanto carinho, mesmo quando ele (o boneco) “chorava”, ela tentava acalmar. A participação aparece quando eles sentem que têm voz nas decisões do grupo. Pergunto quem quer começar uma roda de conversa ou que história querem ouvir e vejo como eles se sentem importantes nessa escolha.
Sobre tornar as experiências acessíveis pra todos, especialmente pro João com suspeita de TEA e a Bia com atraso de linguagem, é preciso adaptar sempre. Pro Joãozinho, por exemplo, eu tento manter uma rotina bem previsível e usar imagens pra ajudar ele a entender o que vai acontecer ao longo do dia. Além disso, brinco muito com texturas e sons diferentes porque vejo que ele responde bem a esses estímulos. Já para Bia, sendo sensível às suas dificuldades de comunicação verbal, costumo usar mais gestos e expressões faciais exageradas nas interações. Além disso, trago muitos livros com imagens grandes e claras pra estimular ela a apontar e se expressar do jeito dela.
No espaço da sala, procuro deixar tudo ao alcance das crianças. Brinquedos organizados em prateleiras baixas e áreas definidas pra cada tipo de atividade. Isso ajuda o João a entender melhor onde ele pode ir e o que pode fazer ali. Sobre o tempo, deixo que cada criança explore ao seu ritmo. Se noto que o João tá mais interessado num quebra-cabeça enquanto as outras já partiram pra outra atividade, dou espaço pra ele continuar até se sentir satisfeito.
Claro que nem tudo funciona sempre do jeitinho que a gente espera. Com o João ainda tô tentando novas formas de ajudar ele nas transições entre atividades sem gerar ansiedade. E com a Bia estou buscando estratégias mais efetivas pra encorajar ela a se comunicar verbalmente sem pressão.
Enfim, minha gente, cada dia é um aprendizado tanto pra mim quanto pras crianças! Espero que meus exemplos possam inspirar vocês nas suas próprias salas. Vamos trocando ideias por aqui! Até a próxima!