Olha, quando a gente fala do objetivo EI02EO07 da BNCC, né, estamos falando de algo muito importante na educação infantil, que é ajudar as crianças a resolverem conflitos nas interações e brincadeiras. Aqui na minha turma, não se trata de ensinar um conteúdo específico, mas sim de proporcionar vivências onde as crianças possam ampliar seu repertório social e emocional. A gente sabe que nessa faixa etária, entre 1 ano e 7 meses até quase 4 anos, as crianças estão começando a entender a ideia do "outro". Elas estão descobrindo que o mundo não gira só ao redor delas, embora ainda seja muito centrado no eu. Então, é natural que os conflitos surjam porque elas estão aprendendo a dividir, a esperar a vez e a comunicar seus desejos e frustrações.
Na prática, esse objetivo se manifesta quando uma criança quer o brinquedo que a outra está usando, ou quando duas crianças querem ocupar o mesmo espaço no tapete. É aquele momento em que a Júlia puxa o carrinho da mão do Lucas e ele começa a chorar, sabe? Ou quando o Felipe não quer emprestar o cubo que ele pegou primeiro. Nessas horas, nossa função é mediar essas situações sem tomar o controle, orientando-as para encontrar soluções juntas.
Vou compartilhar três propostas que organizo na minha sala com esse objetivo em mente. A primeira delas é a "Brincadeira de Mercado". A gente junta várias coisinhas que temos por aqui: tampinhas, pedaços de tecido, caixinhas de papelão de vários tamanhos e até algumas sementes. Esses materiais são distribuídos em um cantinho da sala onde organizamos como se fosse um mercadinho mesmo. As crianças adoram! Elas pegam as tampinhas e fingem que são moedas, trocam umas com as outras por tecidos ou caixinhas. Essa atividade costuma durar cerca de 30 minutos, respeitando o ritmo deles.
Numa dessas atividades, aconteceu algo interessante: o João queria uma caixinha que estava com a Ana. Ela não queria entregar de jeito nenhum. Eu me aproximei e perguntei: "Como será que vocês podem brincar junto com essa caixinha?" Deixei que eles pensassem sobre isso. Depois de um tempo de negociação entre eles (com muita comunicação gestual e algumas palavras), decidiram que iam trocar algumas tampinhas por um tempo com a caixinha. Foi bonito ver como eles conseguiram chegar a um acordo por conta própria.
Outra proposta que faço é a "Roda dos Contos", onde usamos panos grandes para criar tendas ou casinhas dentro da sala. Cada grupo de crianças pode criar seu próprio espaço com os panos e inventar histórias ali dentro. Esse espaço dura cerca de 20 minutos ou até mais se eles estiverem concentrados. Durante essa atividade, observei certa vez a Sofia e o Miguel discutindo porque ambos queriam ficar no comando da tenda. Me aproximei e sugeri: "Será que vocês conseguem pensar numa história juntos que precisa de dois personagens?" Aos poucos, eles foram se acalmando e começaram a contar uma história onde cada um era um personagem importante. Notei como isso ajudou eles a colaborarem em vez de competirem.
Finalmente, tem uma proposta que sempre dá muito certo: a "Brincadeira com Água". Coloco várias bacias com água no pátio e ofereço copinhos plásticos, conchas de cozinha e alguns gravetos. Essa é uma atividade livre onde as crianças podem explorar à vontade durante uns 40 minutos (sim, eles ficam encantados por esse tempo todo!). É um cenário perfeito para surgirem conflitos porque todo mundo quer pegar água ao mesmo tempo ou usar o mesmo copinho.
Na última vez que organizei essa proposta, Lúcia queria um copinho específico que estava com o Rafael. Ela começou a tentar pegar à força enquanto ele segurava firme. Me aproximei sem pressa e disse: "O que podemos fazer quando ambos querem o mesmo copinho?" Lúcia olhou para mim e depois para Rafael e disse: "Vamos trocar?" Ele concordou imediatamente e consegui ver nos olhos deles aquele momento de entendimento mútuo.
Essas são apenas algumas maneiras de trabalhar esse objetivo na prática, sempre focando nas interações entre eles e nas oportunidades genuínas para resolução de conflitos através da brincadeira. O nosso papel é mais de mediador do que de solucionador dos problemas deles. É incrível ver como as crianças têm capacidade de encontrar suas próprias soluções quando são encorajadas a pensar juntas.
E assim seguimos por aqui, minha gente! Aprendendo e crescendo junto com as crianças em cada nova experiência. Até mais!
Na prática, esse objetivo se manifesta quando uma criança, por exemplo, tá brincando de massinha e outra quer o mesmo pedaço de cor amarela. Aí começa aquele desentendimento básico, né? Mas é nesse momento que a mágica acontece. Eu observo como cada uma reage, o que falam, se tentam negociar ou se ficam só na disputa de força. Muitas vezes, eu vejo a Maria sentar do lado e, com um jeitinho todo dela, diz: "Vamos trocar? Eu te dou o vermelho!" Isso é um sinal claro de que ela tá começando a entender o outro e construir estratégias de resolução de conflitos. Não é sempre que dá certo, mas olha só, já é um avanço.
Aqui na minha turma, eu fico sempre atenta a essas situações. Observo a linguagem corporal, as expressões faciais e as falas das crianças. Um dia desses, o Pedro, que é todo afoito, tava brincando com blocos e sem querer empurrou o Felipe. Ele parou, olhou meio confuso e falou: "Desculpa!" Do jeito dele, mas foi. Isso me mostrou que ele tá começando a perceber o impacto das ações dele nos outros. E isso é muito valioso.
Pra registrar essas observações, eu uso um caderninho onde anoto essas pequenas grandes conquistas e desafios do dia a dia. Tipo: "Hoje João dividiu o carrinho com Lara após uma conversa mediada". Às vezes faço fotos ou vídeos curtos desses momentos pra depois refletir sobre eles. Esses registros são fundamentais porque me ajudam a planejar as próximas propostas de forma mais consciente. Se eu vejo que tem muito conflito em torno de um brinquedo específico, por exemplo, posso pensar em introduzir mais opções semelhantes pra ver como a dinâmica muda.
Os direitos de aprendizagem mais mobilizados aqui são o Conviver e Participar. Conviver tá presente quando elas começam a perceber que não estão sozinhas no mundo e que as ações delas afetam os coleguinhas. Isso acontece nas rodas de conversa, nas brincadeiras de faz de conta ou nas refeições onde precisam esperar a vez na fila da fruta. Já Participar aparece quando damos voz e espaço pras crianças expressarem seus pensamentos e sentimentos. Isso pode ser numa roda de música onde cada um escolhe qual instrumento quer usar ou quando deixamos elas decidirem juntas qual história vamos ler.
Agora, falando sobre o João, que tem suspeita de TEA, e a Bia, com atraso de linguagem... Com o João, eu percebo que ele precisa de previsibilidade na rotina. Então coloco imagens no quadro de atividades do dia pra ele antever o que vai acontecer. Ele responde bem quando usamos músicas pra transitar entre as atividades porque isso sinaliza pra ele a mudança e dá segurança. Já a Bia se beneficia muito quando eu uso gestos junto com as palavras pra ajudar na compreensão. Introduzir figuras ilustrativas junto do vocabulário novo também ajudou bastante.
Quanto aos materiais e espaço, pro João eu procuro ter cantinhos mais delimitados onde ele possa se sentir seguro sem muitos estímulos ao mesmo tempo. Proponho brincadeiras sensoriais porque percebo que isso ajuda ele a se conectar melhor com os coleguinhas. Com a Bia, uso brinquedos que incentivam a comunicação, como jogos de empilhar enquanto nomeamos as peças ou uma simples brincadeira de esconde-esconde onde ela precisa dizer "achei!", estimulando ela a se expressar.
E olha, nem tudo são flores todos os dias. Às vezes as estratégias não funcionam tão bem quanto eu imaginei e aí vem aquele exercício de paciência e observação pra tentar outra abordagem ou material. É um processo contínuo e muito rico.
Bom minha gente, acho que é isso por hoje. Espero ter conseguido compartilhar um pouco do nosso dia a dia aqui na creche com vocês. A educação infantil é esse constante aprendizado mútuo entre nós e as crianças, cheio de desafios mas também repleto de momentos encantadores. Vamos continuar trocando ideias por aqui! Até mais!